08/05/2012 - Mundo - Clima e Meio Ambiente

Quem cuida do cuidador?

As primeiras e mais ancestrais cuidadoras são nossas mães e avós que desde o início da humanidade cuidaram de sua prole. Caso contrário, não estaríamos  aqui escrevendo  sobre o cuidado.  Neste contexto queremos mencionar duas figuras, verdadeiros arquétipos do cuidado: o médico suiço Albert Schweitzer (1875-1965) e a enfermeira inglesa Forence Nightingale (1820-1910).

 

Albert Schweitzer era exímio exegeta bíblico e um dos maiores concertistas de Bach de seu tempo.  Aos trinta anos já com fama em toda a Europa, largou tudo, estudou medicina para, no espírito das benaventuranças de Jesus, cuidar dos mais pobres dos pobres (os hansenianos) em Lambarene no Gabão. Numa de suas cartas  confessa explicitamente: ”o que precisamos não é de missionários que queiram converter os africanos, mas de pessoas dispostas a fazer aos pobres o que deve ser feito, se é que o Sermão da Montanha e as palavras de Jesus possuem algum valor. Minha vida não está nem na arte nem na ciência mas em ser um simples ser humano que no espírito de Jesus faz algo por insignificante que seja”. Foi dos primeiros a ganhar o Prêmio Nobel da Paz.

 

Por cerca de quarenta anos viveu e trabalhou num hospital por ele construido com o dinheiro de tournés de concertos de Bach. Nas poucas horas vagas, teve tempo para escrever vasta obra centrada na ética do cuidado e do respeito pela vida. Formulou assim seu lema: “a ética é a responsabilidade ilimitada por tudo o que existe e vive”. Numa outra obra  assevera:”a idéia chave do bem consiste em conservar a vida, desenvolvê-la e elevá-la ao mais alto valor; o mal consiste em destruir a vida, prejudicá-la e impedir que se desenvolvaplenamente; este é o princípio necessário, universal e absoluto da ética”.                       

 

Outro arquétipo do cuidado foi a enfermeira inglesa Florence Nightingale. Humanista e profundamente religiosa, decidiu melhorar os padrões da enfermagem em seu país. Em 1854 com outras 28 companheiras Florence se deslocou para  campo de guerra na Criméia da Turquia, onde se empregavam bombas de fragmentação que produziam muitos feridos. Aplicando no hospital militar, a prática do rigoroso cuidado, em seis meses reduziu de 42% para 2% o número de mortos. Esse sucesso granjeou-lhe notoriedade universal.

 

De volta a seu país e depois nos EUA, criou uma rede hospitalar que aplicava ocuidado como eixo  norteador da enfermagem e como sua ética natural. Florence Nightingale continua  a ser  uma referência inspiradora. O operador da saúde é por essência um curador. Cuida dos outros como missão ecomo opção de vida. Mas quem cuida do cuidador, título de um belo livro do médico Dr. Eugênio Paes Campos (Vozes 2005)?

 

Partimos do fato de que o ser humano é, por sua natureza e essência, um ser de cuidado. Sente a predisposição de cuidar e a necessidade de ser ele também cuidado. Cuidar e ser cuidado são existenciais (estruturas permanentes) e indissociáveis.

 

É notório que o cuidar é muito exigente e pode levar o cuidador ao estresse. Especialmente se o cuidado constitui, como deve ser, não um ato esporádico mas uma atitude permanente e consciente. Somos limitados, sujeitos ao cansaço e à vivência de pequenos fracasos e decepções. Sentimo-nos sós.

 

Precisamos ser cuidados, caso contrário, nossa vontade de cuidar se enfraquece. Que fazer então?

Logicamente, cada pessoa precisa enfrentar com sentido de resiliência (saber dar a volta por cima) esta situação dolorosa. Mas esse esforço não substitui o desejo de ser cuidado. É então que a comunidade do cuidado, os demais operadores de saúde, médicos e o corpo de enfermagem devem entrar em ação.

 

O enfermeiro ou a enfermeira, o médico e a médica sentem necessidade de seremtambém cuidados. Precisam se sentir acolhidos e revitalizados, exatamente, como as mães fazem com seus filhos e filhas. Outras vezes sentem necessidade do cuidado como suporte, sustentação e proteção, coisa que o pai proporciona a seus filhos e filhas.

 

Cria-se então o que o  pediatra  R. Winnicott chamava de “holding”, quer dizer, aquele conjunto de cuidados e fatores de animação que reforçam o estímulo para continuarem no cuidado para com pacientes.Quando este espírito de cuidado reina, surgem relações horizontais de confiança e de mútua cooperação, se superam os constrangimentos,  nascidos da necessidade de ser cuidado..

 

Feliz é o hospital  e mais felizes  são ainda aqueles pacientes que podem contar com um grupo de cuidadores. Já não haverá “prescrevedores” de receitas e aplicadores de fórmulas mas “cuidadores” de vidas enfermas que buscam saúde. A boa energia que se irradia do cuidado corrobora na cura.

 

Por Leonardo Boff – Teólogo e Filósofo

Imagem:

http://viverdeeco.files.wordpress.com/2010/10/selo_wwf_cuidar.jpg?w=468

 


14/04/2012 - Mundo - Política

Jornadas Bolivarianas discutem o Caribe

No mais das vezes, no senso comum, quando se pensa o Caribe,  imaginam-se    cruzeiros, ilhas paradisíacas, drinques exóticos. Poucos são aqueles que relacionam essa parte do mundo com revolução, luta popular, libertação. Pois o Caribe é tudo isso. Primeira região vista pelos invasores em 1492, as ilhas do Caribe foram espaço de colonização, da ascensão do açúcar, reino dos piratas e também berço de revoluções importantíssimas como a do Haiti, onde os negros escravos realizaram a façanha de serem os primeiros a formar uma nação livre naquele espaço geográfico. Depois, bem mais tarde, foi a vez de Cuba, com a inovadora revolução de 1959, que trouxe para a América Latina a possibilidade do socialismo. Também é no Caribe que estão os paraísos fiscais para onde escorre o dinheiro da elite latino-americana e dos ladrões de casaca. Hoje, podemos ouvir falar do Caribe quase todos os dias, já que o Brasil se presta à criticada missão de comandar a ocupação militar no Haiti  há anos. Assim que essa região está muito mais próxima de nós do que imaginamos. E é por isso que o Instituto de Estudos Latino-Americanos (IELA/UFSC) fez do Caribe o seu tema das Jornadas Bolivarianas deste ano.

 

Durante três dias inteiros deste seminário internacional,  que acontece há oito anos na UFSC,  desfilarão pelas mesas de conferência os temas mais candentes relacionados a essa parte do planeta que, apesar de tantas colonizações diferentes, e tantas línguas, faz parte da grande Abya Yala, a terra do esplendor conhecida também como “As Três Américas”.

 

A região do Caribe é um espaço localizado no lado leste da América Central e unifica, dentro do Mar do Caribe, uma série de pequenas ilhas/países também conhecidas como Antilhas. São elas: Antígua e Barbuda, Aruba, Bahamas, Barbados, Cuba, Dominica, Granada, Guadelupe, Haiti, Ilhas Caimãs, Ilhas Turcas e Caicos, Ilhas Virgens, Jamaica, Martinica, Porto Rico, República Dominicana, Saint Barthélemy, Santa Lúcia, São Cristóvão e Neves, São Vicente e Granadinas, Trinidad e Tobago. Vivem ali mais de 14 milhões de pessoas.

 

A Bacia do Caribe também é de interesse estratégico no que diz respeito a rotas comerciais, uma vez que cerca de metade da carga exterior dos EUA e as importações de petróleo bruto circulam através das vias navegáveis deste pequeno espaço de mar e ilhas. Nos anos 70 todos estes estados insulares observaram que, diante do assédio dos países centrais, era mais do que necessário empreender uma união. Foi quando nasceu o Caricom, Mercado Comum e Comunidade do Caribe, visando entrar na lógica dos blocos econômicos. Naqueles dias Cuba não podia ser admitida, vindo a integrar o Caricom só em 1998,  e ainda como observadora.

 
Como o Caribe é uma região bastante desfocada na realidade dos brasileiros,  também há poucas informações sobre as relações comerciais que se estabelecem entre o bloco do Caricom e o Brasil. Ainda assim, sabe-se que de tudo o que foi importado desta região, o maior fluxo vem da ilha de Trinidad Tobago (98%, segundo estudos de Débora Barros Leal Farias - Rev. Bras. Polít. Int. 43 (1): 43-68 [2000]), basicamente derivados do petróleo e gás natural. O Brasil tem embaixadas em apenas seis dos países do Caribe e mantém relações com as Ilhas Caimãs, onde existem vários escritórios de negócios tocados por brasileiros.

 

Com o advento da ALBA ( Aliança Bolivariana para os Povos da América Latina), em 2004, impulsionada pelo presidente venezuelano Hugo Chávez, novas relações começaram a se formar no âmbito do Caribe, dentro de uma perspectiva mais equânime e isso também deu outra coloração à discussão sobre os problemas da região do Caribe. Não mais a lógica colonial imposta pelos Estados Unidos, disposto a manter essa região sob seu domínio e em estado de dependência. A ALBA inaugura outra relação no campo da cooperação energética, cultural e econômica.

 

Em função de todas estas questões, os pesquisadores do IELA observaram que a região do Caribe deveria receber mais atenção da comunidade científica. E, é justamente a isso que o debate das Jornadas Bolivarianas se propõe. O IELA traz a renomada professora Digna Castañeda, responsável pela Cátedra do Caribe na Universidade de Habana/Cuba; o professor Norman Girvan, jamaicano radicado em Trinidad y Tobago, que têm vários livros escritos sobre o Caribe; Carlos Martínez, da Universidade Nacional da Colômbia, também de larga experiência nos estudos caribenhos e Maria Ceci Misozcky, da UFRGS, que tem realizado um estudo sistemático no Haiti há vários anos. Essa diversidade de olhares montará um painel revelador dos dramas, desafios e sucessos da gente caribenha.

 

As jornadas ainda lançam os livros: “Em luta pela terra sem mal: a saga Guarani contra a escravidão na Bolívia”, de Juliana dal Piva, o “Anuário Educativo Brasileiro”, organizado por Nildo Ouriques e Guadelupe Terezinha Bertussi, e  “Em Busca da Utopia: a caminhada da reportagem no Brasil, dos anos 50 aos anos 90”, da jornalista Elaine Tavares. Ainda haverá apresentação de trabalhos e uma exposição da artista plástica Diana Roman Durante.

 

As atividades acontecem de 23 a 25 de abril de 2012, no Auditório da Reitoria da UFSC, começando no dia 23 às 18h30min. Confira a programação:

 

JORNADAS BOLIVARIANAS

8a. Edição . 2012

 

23 DE ABRIL DE 2012

 

Noite: Auditório da Reitoria da UFSC

 

18:30 - Abertura oficial das VIII Jornadas Bolivarianas

 

19:00 - Conferência de abertura:

O Caribe, região estratégica do imperialismo

Digna Castañeda

Presidenta da Cátedra do Caribe

Universidad de La Habana (Cuba)

 

 

24 DE ABRIL DE 2011

 

Manhã: Auditório da Reitoria da UFSC

 

9:00 h - Apresentação do livro:

Em luta pela terra sem mal: a saga Guarani contra a escravidão na Bolívia

Juliana dal Piva

 

09:15 h - Conferência:

Os estudos sobre o Caribe

Carlos Martínez

Universidad Nacional de Colómbia

(Colômbia)

 

Tarde: UFSC e Hall da Reitoria da UFSC

 

14:30 h - 18:00 h:

Apresentação de Trabalhos

 

Noite: Auditório da Reitoria

 

18:30 h - Apresentação do livro:

Anuário Educativo Brasileiro

Nildo Ouriques

 

18:45 h - Conferência:

O Caribe: dependência e subdesenvolvimento

Norman Girvan

(Jamaica/Trinidad Tobago)

 

 

25 DE ABRIL DE 2012

 

Manhã: Auditório da Reitoria

 

9:00 h - Conferência:

A realidade do Haiti

Maria Ceci Misozcky

UFRGS

(Brasil)

 

Tarde: UFSC e Hall da Reitoria da UFSC

 

14:30 h - 18:00 h:

Apresentação de Trabalhos

 

Noite: Auditório da Reitoria

 

19:00 h -  Mesa Redonda:

Os movimentos sociais e as lutas populares
Digna Castañeda, Carlos Martínez, Norman Girvan

 

22:00 h – Confraternização

Festa Caribenha

 

Informações com Elaine Tavares (0**48) 3721 6483 ou (0**48) 99078877

www.iela.ufsc.br  

www.jornadasbolivarianas.blogspot.com

iela@iela.ufsc.br

 

Por Elaine Tavares - jornalista Existe vida no Jornalismo
Blog da Elaine:
www.eteia.blogspot.com
América Latina Livre -
www.iela.ufsc.br
Desacato -
www.desacato.info
Pobres & Nojentas -
www.pobresenojentas.blogspot.com
Agencia Contestado de Noticias Populares -
www.agecon.org.br

 

Imagem:

http://3.bp.blogspot.com/2pvO1GO5160/T3Ugq4JXUPI/AAAAAAAAA84/PXOHm8lubKg/s1600/Jornadas_08_Cartaz_2012_T_FINAL_BANNER_BLOG.jpg


08/04/2012 - Mundo - Política

Cinco reflexões sobre as atualidades do socialismo

A revista “Science and Society” propôs dedicar um número especial o de abril de 2012 [Volume 76, No. 2]  abordando temas centrais da discussão atual sobre o socialismo. Marta Harnecker, juntamente com outros cinco marxistas de diferentes países – foi convidada a participar dessa reflexão . Este trabalho foi escrito em julho de 2011, mostra a contribuição da autora chilena no assunto.  São abordados os seguintes temas: 1 – Por que falar de socialismo hoje?; 2 - Características centrais de uma organização socialista da produção; 3. Incentivos e sensibilização na construção do socialismo, 4 - O socialismo e a transição para o socialismo e 5 -  A centralidade do planejamento participativo no socialismo. O texto espanhol sofreu algumas pequenas alterações no que diz respeito à versão em Inglês para ajudar a estreitar o seu pensamento e tem várias notas de rodapé que foram excluídas da versão em Inglês.”  http://marxismocritico.com/2012/03/28/cinco-reflexiones-sobre-el-socialismo-del-s-xxi  

 

Nesse trabalho de Marta Harnecker mais uma vez em sua longa vida de pensadora marxista  polemiza com os marxistas tradicionais e disserta sobre o Socialismo no Século XXI, diferente conceitualmente  daquele que existiu no século XX, principalmente na ex. União Soviética, mas que sem renegá-lo se fundamenta nessa importante experiencia de construção do socialismo, para avançar, tanto nos aspectos teorico como no prático.  Para aqueles marxistas que diziam que esse socialismo aplicado aos novos tempos deveria procucurar uma teoria para firmar, eis a resposta que ela deu. O endereço abaixo transcrito expõe o trabalho de Marta Harnecker , tem 19 paginas, está em idioma espanhol  e  em .pdf 

 

 

Enviando por Jacob David Blinder

 

Acesse o link http://www.rebelion.org/docs/147047.pdf e tenha acesso ao material.

 

Imagem:

http://2.bp.blogspot.com/-ToGI5RtO8Vo/Ttf2BMMnshI/AAAAAAAAaRc/pUjXnu-Pf9E/s1600/socialismo-es-la-ciencia-del-ejemplo.jpg

 

 

 

 

 

 


05/03/2012 - Mundo - Organizações Sociais

Ano Internacional das Cooperativas

O ano de 2012 foi escolhido pela Organização das Nações Unidas (ONU) como o Ano Internacional das Cooperativas. Enquanto forma de organização democrática, as cooperativas podem ser utilizadas como um meio de redução da pobreza, inclusão econômica e social de grupos que historicamente são excluídos da sociedade capitalista como, por exemplo, os indígenas, as mulheres e os pequenos agricultores.

 

Para Milton Fornazieri, da coordenação de produção nacional do MST e presidente da Confederação Nacional das Cooperativas de Reforma Agrária no Brasil (Concrab), essa decisão da ONU se torna uma oportunidade para que esse modo de organização avance com mais força. “É um reconhecimento do processo cooperativo que está presente no mundo inteiro e isso pode incentivar sua continuidade”, acredita.

 

Fornazieri explica que há duas formas de organizar a produção: a individual – e que a cada dia vem se torna mais difícil -, e a outra é de maneira organizada e coletiva. “Dentro desse campo (organizada) é que entra a cooperativa. Ela é uma ferramenta que expressa o trabalho cooperado. Outro elemento central é a aglutinação do trabalho que existe não só dentro dos assentamentos, mas também entre os assentamentos”, pontua.

 

São diversos os benefícios trazidos por essa prática, principalmente para os pequenos produtores rurais, que encontram nas cooperativas uma força maior para negociar e compartilhar seus alimentos. De acordo com a ONU, há no mundo mais de 800 milhões de associado, gerando cerca de 100 milhões de empregos - 20% a mais do que gera as empresas multinacionais. Nesse sentido, a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) aponta o modelo de cooperativas enquanto uma premissa essencial para eliminar a fome dos cerca de 1 bilhão de famintos que existem no mundo inteiro.

 

No entanto, de acordo com Fornazieri, apenas esse reconhecimento da ONU não é suficiente para que esse modelo de produção se desenvolva com mais vigor. É necessário que haja, sobretudo, políticas públicas mais eficazes voltadas para o setor, “principalmente junto ao Ministério da Agricultura, que visa apenas às grandes cooperativas tradicionais, que de cooperação tem pouca coisa além do nome”, ressalta.

 

Isso implica na mudança do modelo predominante de agricultura praticado no Brasil e na maior parte do mundo: o agronegócio, cuja base produtiva não se respalda na produção de alimentos, e sim no monocultivo de commodities voltada para o mercado externo, com a utilização de enormes quantidades de agrotóxicos, sem a geração de grandes quantidades de emprego e se utilizando da mão de obra barata, fomentando a precarização do trabalho.

 

O MST e as cooperativas

Atualmente, são mais de 130 cooperativas do MST em todo Brasil, organizadas basicamente em quatro modelos. A primeira são as cooperativas de base ou de produção, onde a produção é organizada coletivamente pelas famílias.

 

Depois, há as cooperativas centrais que geralmente se especializam na comercialização de produtos e prestação de serviços, chamadas regionais, com o foco no desenvolvimento de algum trabalho coletivo.

Outro tipo de cooperativa são as Centrais, que são organizadas entre os estados, numa escala maior que as anteriores.

 

Por último, trata-se de um modelo que foco a organização técnica, com o objetivo de prestar serviços nos assentamentos. Esse modelo visa auxiliar principalmente o desenvolvimento sustentável a partir da produção agroecológica, conciliando a proteção ambiental com o crescimento da produção e a geração de alimentos saudáveis.

 

Nesse sentido, as cooperativas servem como um instrumento que contribui na manutenção da população do campo no meio rural, inclusive dos jovens, além de criar condições dignas de vida aos camponeses, ao aumentar a qualidade de vida.

 

Por João Previattelli – Da Página do MST www.mst.org.br

Imagem:

http://www.mst.org.br/sites/default/files/images/feira.JPG


01/03/2012 - Mundo - Cultura

Absurdo nacional, ou quem sabe multi?

Meu amigo Moacir Loth me alertou para uma coisa muito cruel que está acontecendo na cidade, e pode ser que em todo o país, não sabemos ainda: “estão querendo acabar conosco”, reiterou. O fato é que nos bares mais tradicionais da cidade agora inventaram essa de só servir cerveja “long neck”, ou como dizem os compas de bar, a “longuineti”. Consultando outros amigos veio a indignação. Todo mundo se deu conta dessa barbárie. “Que porra é essa? Já não se encontra a boa e velha original, a cerveja grande, para ser compartilhada”.

 

E é isso mesmo, de mansinho, os bares – mesmos os mais chulés – estão sendo empurrados para a “longuineti”. Uma cerveja típica desses tempos de egoísmo e individualismo exacerbado, uma cerveja que se bebe sozinho. Também me flagrei que é um tipo bem comum nos Estados Unidos, pelo que se pode notar nos filmes de “roliudi”. Ora, de novo o colonialismo. Mas até na cerveja, cristo rei? Tá, é fácil explicar porque isso acontece, sem nem precisar colocar o jesusinho na parada. A cerveja pequena é mais cara, ou seja, é só um remanejamento do mercado para lucrar mais. Mas, em cima de nós, tradicionais degustadores? Inadmissível. Já temos de enfrentar o império das multinacionais que detêm quase todas as marcas, e agora até no tamanho?

 

Pois eu e o Moacir decidimos iniciar um movimento pela cerveja grande, a boa, velha e tradicional cerveja de 700 ou 600 ml. Uma cerveja que se abre gelada e gostosa, uma cerveja que se partilha em vários copos, uma cerveja que se presta à comunhão. Em Florianópolis, no mercado público apenas um Box ainda serve a cerveja grande. Em outros bares e pizzarias tradicionais e de circulação bem popular acontece o mesmo, só a pequenina, que de longa só tem o pescoço.

 

Sinceramente eu não sou contra quem gosta da “longuineti”, mas é preciso que se deixe a escolha. Afinal, isso não é uma democracia? Caso fosse em Cuba que estivesse sendo implementada a ditadura da cerveja pequena já haveria grandes mobilizações em Miami. Mas como é no “mundo livre”, nada acontece. Vamos acompanhar esse caso, de interesse nacional, e se não houver uma mudança haveremos de ressuscitar o blumenauense Horácio Braun e todos os demais velhos compas cervejeiros para iniciar uma ofensiva radical.

 

Só falta a Polar gaúcha, velha resistente, original e local, lançar a pescoçuda. Aí vai ser a guerra.  

 

Por Elaine Tavares - jornalista 

Existe vida no Jornalismo
Blog da Elaine:
www.eteia.blogspot.com
América Latina Livre -
www.iela.ufsc.br
Desacato -
www.desacato.info
Pobres & Nojentas -
www.pobresenojentas.blogspot.com
Agencia Contestado de Noticias Populares -
www.agecon.org.br

Imagem:

http://averdade.org.br/novo/wp-content/uploads/2011/11/empresas-multinacionais-350x226.jpg


21/02/2012 - Mundo - Religião

Estes nossos dias...

Ao viajar pelo Oriente, mantive contatos com monges do Tibete, da Mongólia, do  Japão e da China. Eram homens serenos, comedidos, recolhidos e em paz nos seus mantos cor de açafrão.  Outro dia, eu observava o movimento do aeroporto de São Paulo: a sala de espera cheia de executivos com telefones celulares, preocupados, ansiosos, geralmente comendo mais do que deviam. Com certeza, já haviam tomado café da manhã em casa, mas como a companhia aérea oferecia um outro café, todos comiam vorazmente.

 

Aquilo me fez refletir: 'Qual dos dois modelos produz felicidade?' Encontrei Daniela, 10 anos, no elevador, às nove da manhã, e perguntei: 'Não foi à aula?' Ela respondeu: 'Não, tenho aula à tarde'. Comemorei: 'Que bom, então de manhã você pode brincar, dormir até mais tarde'. 'Não', retrucou ela, 'tenho tanta coisa de manhã...' 'Que tanta coisa?', perguntei. 'Aulas de inglês, de balé, de pintura, piscina', e começou a elencar seu programa de garota robotizada. Fiquei pensando: 'Que pena, a Daniela não disse: 'Tenho aula de meditação! Estamos construindo super-homens e super  mulheres, totalmente equipados, mas emocionalmente  infantilizados.

 

Uma progressista cidade do interior de São Paulo tinha, em 1960, seis livrarias e uma academia de ginástica; hoje, tem sessenta academias de ginástica e três livrarias! Não tenho nada contra malhar o corpo, mas me preocupo com a desproporção em relação à malhação do espírito. Acho ótimo, vamos todos morrer esbeltos: 'Como estava o defunto?'. 'Olha, uma maravilha, não tinha uma celulite!' Mas como fica a questão da subjetividade? Da espiritualidade? Da ociosidade amorosa?

 

Hoje, a palavra é virtualidade. Tudo é virtual. Trancado em seu quarto, em Brasília, um homem pode ter uma amiga íntima em Tóquio, sem nenhuma preocupação de conhecer o seu vizinho de prédio ou de quadra! Tudo é virtual. Somos místicos virtuais, religiosos virtuais, cidadãos virtuais. E somos também eticamente virtuais... A palavra hoje é 'entretenimento'; domingo, então, é o dia nacional da imbecilização coletiva. Imbecil o apresentador, imbecil quem vai lá e se  apresenta no palco, imbecil quem perde a tarde diante da tela. Como a publicidade não consegue vender felicidade, passa a ilusão de que felicidade é o resultado da soma de prazeres: 'Se tomar este refrigerante, vestir este  tênis,  usar esta camisa, comprar este carro,você chega lá!'

 

O problema é  que, em geral, não se chega! Quem cede desenvolve de tal maneira o desejo, que acaba  precisando de um analista. Ou de remédios. Quem resiste, aumenta a neurose. O grande desafio é começar a ver o quanto é bom ser livre de todo esse condicionamento globalizante, neoliberal, consumista. Assim, pode-se viver melhor. Aliás, para uma boa saúde mental  três requisitos são indispensáveis: amizades,  autoestima, ausência de estresse. Há uma lógica religiosa no consumismo pós-moderno.

 

Na Idade Média, as cidades adquiriam status construindo uma catedral; hoje, no Brasil, constrói-se um shopping-center. É curioso: a maioria dos shoppings-centers tem linhas arquitetônicas de catedrais estilizadas; neles não se pode ir de qualquer maneira, é preciso vestir roupa de  missa de domingo. E ali dentro sente-se uma sensação paradisíaca: não há mendigos, crianças de rua, sujeira pelas calçadas... Entra-se naqueles claustros ao som do gregoriano pós-moderno, aquela musiquinha de esperar dentista. Observam-se os vários nichos, todas aquelas capelas com os veneráveis objetos de consumo, acolitados por belas sacerdotisas. Quem pode comprar à vista, sente-se no reino dos céus. Deve-se passar cheque pré-datado, pagar a crédito,  entrar no cheque especial, sente-se no purgatório. Mas se não pode comprar, certamente vai se sentir no inferno...

 

Felizmente, terminam todos na eucaristia pós-moderna, irmanados na mesma mesa, com o mesmo suco e o mesmo  hambúrguer do Mc Donald...Costumo advertir os balconistas que me cercam à porta das lojas: 'Estou apenas fazendo um passeio socrático.' Diante de seus olhares espantados, explico: 'Sócrates, filósofo grego, também gostava de descansar a cabeça percorrendo o centro comercial de Atenas. Quando vendedores como vocês o assediavam, ele respondia:... Estou apenas observando de quanta coisa existe de que não preciso para ser feliz.

 

Por Frei Beto - Frade Dominicano, Teólogo, Antropólogo, Filósofo, Jornalista e Escritor.

Imagem:

http://2.bp.blogspot.com/_kKGqwLO-kx0/TAPbjB5IytI/AAAAAAAABeA/DYTDp8PR80g/s400/232342037_4e52eb7a52.jpg


13/02/2012 - Mundo - Cultura

Sim, é possível

Neste fim de semana a notícia sensacional è a morte da cantora pop Whitney Houston aos 48 anos. Espécie de fenômeno de vendas de discos e com carreira em vários ramos do espetáculo há mais de trinta. A notícia é repetida com insistência em todos os canais de televisão e pela internet e eu me perguntava quem seria esta celebridade, como se diz hoje. Só ao ver uma fotografia dela quando jovem é que a reconheci. De fato, eu havia visto o filme O guarda-costas dez dias antes num canal de televisão especializado em filmes “antigos”, como se costuma dizer.

 

A minha ignorância de celebridades se deve ao puro desinteresse por esse ramo do jornalismo? Não tenho certeza.

 

Me interrogando sobre o assunto notei que nunca assisti o célebre BBB, tão popular, ironizado e vilipendiado por uma fração da imprensa e alguns internautas. Contudo, precisamente por esta insistência estou desconfiando que acabe sendo mais um número na estatística do IBOP do tal programa.

 

Conhecem aquela frase: falem mal de mim, mas falem? Pois é, parece que funciona. Se eu ceder à tentação televisiva prometo comunicar isto ao gentil leitor com o intuito de ele tirar suas próprias conclusões sobre a propaganda boca a ouvido (não boca a boca, por favor!).  

 

A coisa não merece texto mais longo. O que pretendo dizer é que sim, é possível viver nos grandes centros urbanos, freqüentar a internet e, no entanto, permanecer moderadamente a salvo da influência da cultura de massas (!?) e dos meios de comunicação das mesmas massas.

Ou serei eu um fenômeno isolado, único?

 

Senhoras e senhores, respeitável, público, eu vos garanto: não sou um ET!

 

Por Jorge Lescano

Imagem:

http://www.agenciadivina.com.br/site/images/stories/devocionais/et1.png


29/01/2012 - Mundo - Clima e Meio Ambiente

Desenvolvimento sustentável:crítica ao modelo padrão

Os documentos oficiais da ONU e também o atual borrador para a Rio+20 encamparam o modelo padrão de desenvolvimento sustentável: deve ser economicamente viável, socialmente justo e ambientalmente correto. É o famoso tripé chamado de Triple Botton Line (a linha das três pilastras), criado em 1990 pelo britânico John Elkington, fundador da ONG SustainAbility. Esse modelo não resiste a uma crítica séria.

 

Desenvolvimento economicamente viável: Na linguagem política dos governos e das empresas, desenvolvimento equivale ao Produto Interno Bruto (PIB). Ai da empresa e do pais que não ostentem taxas positivas de crescimento anuais! Entram em crise ou em recessão com conseqüente diminuição do consumo e geração de desemprego: no mundo dos negócios, o negócio é ganhar dinheiro, com o menor investimento possível, com a máxima rentabilidade possível, com a concorrência mais forte possível e no menor tempo  possível.

 

Quando falamos aqui de desenvolvimento não é qualquer um, mas o realmente existente que é aquele industrialista/capitalista/consumista. Este é antropocêntrico,  contraditório e equivocado. Explico-me.

 

É antropocêntrico  pois está centrado somente no ser humano, como se não existisse a comunidade de vida (flora e fauna e outros organismos vivos) que também precisa da biosfera e demanda igualmente sustentabilidade. É contraditório, pois, desenvolvimento e sustentabilidade obedecem a lógicas que se contrapõem. O desenvolvimento realmente existente é linear, crescente, explora a natureza e privilegia a acumulação privada. É a economia política de viés capitalista. A categoria sustentabilidade, ao contrário, provém das ciências da vida e da ecologia, cuja lógica é circular e includente. Representa a tendência dos ecossisstemas ao equilíbrio dinâmico, à interdependência e à  cooperação de todos com todos. Como se depreende: são lógicas que se auto-negam: uma privilegia o indivíduo, a outra o coletivo, uma enfatiza a competição, a outra a cooperação, uma a evolução do mais apto, a outra a co-evolução de todos interconectados.

 

É equivocado, porque alega que a pobreza é causa da degradação ecológica. Portanto: quanto menos pobreza, mais desenvolvimento sustentável haveria e menos degradação, o que é equivocado. Analisando, porém, criticamente, as causas reais da pobreza e da degradação da natureza, vê-se que resultam, não exclusiva, mas principalmente, do tipo de desenvolvimento praticado. É ele que produz degradação, pois delapida a natureza, paga baixos salários e gera assim pobreza.

 

A expressão desenvolvimento sustentável representa uma armadilha do sistema imperante: assume os termos da ecologia (sustentabilidade) para esvaziá-los. Assume o ideal da economia (crescimento)   mascarando, a pobreza que ele mesmo   produz.

 

Socialmente justo: se há uma coisa que o atual desenvolvimento industrial/capitalista não pode dizer de si mesmo é que seja socialmente justo. Se assim fosse não haveria 1,4 bilhões de famintos no mundo e a maioria das nações na pobreza. Fiquemos apenas com o caso do Brasil. O Atlas Social do Brasil de 2010 (IPEA) refere que cinco mil famílias controlam 46% do PIB. O governo repassa anualmente 125  bihões de reais ao sistema financeiro para pagar com juros os empréstimos feitos e aplica apenas 40 bilhões para os programas sociais que beneficiam as grandes maiorias pobres Tudo isso denuncia a falsidade da retórica de um desenvolvimento socialmente justo, impossível dentro do atual paradigma econômico.

 

Ambientalmente correto: O atual tipo de desenvolvimento se faz movendo uma guerra irrefreável contra Gaia, arrancando dela tudo o que lhe for útil e objeto de lucro, especialmente, para aquelas minorias que controlam o processo. Em menos de quarenta anos, segundo o Índice Planeta Vivo da ONU (2010) a biodiversidade global sofreu uma queda de 30%. Apenas de 1998 para cá houve um salto de 35% nas emissões de gases de efeito estufa. Ao invés de falarmos nos limites do crescimento melhor faríamos  falar nos limites da agressão à Terra.

 

Em conclusão, o modelo padrão de desenvolvimento que se quer sustentável, é retórico.  Aqui e acolá se verificam avanços na produção de baixo carbono, na utilização de energias alternativas, no reflorestamento de regiões degradadas e na criação de  melhores sumidouros de dejetos. Mas  reparemos bem: tudo é realizado desde que não se afetem os lucros, nem se enfraqueça a competição. Aqui a utilização da expressão “desenvolvimento sustentável”possui uma significação política importante: representa uma maneira hábil de desviar a atenção para a mudança necessária de paradigma econômico se quisermos uma real sustentabilidade. Dentro do atual, a sustentabilidade é ou localizada  ou inexistente.

 

Por Leonardo Boff – Escritor e professor universitário, expoente da Teologia da Libertação no Brasil. Foi membro da Ordem dos Frades Menores, mais conhecidos como Franciscanos. É respeitado pela sua história de defesa pelas causas sociais e atualmente debate também questões ambientais.

Imagem: http://4.bp.blogspot.com/GYPuG_nPmtQ/Tnls7ALum9I/AAAAAAAAACE/7_k8FiixOZ8/s1600/desenvolvimento-sustentavel1.gif


17/01/2011 - Mundo - Ciência e Técnologia

SOPA Blackout Brasil

SOPA é a sigla de Stop Online Piracy Act, que significa Lei de Combate à Pirataria Online, em português. SOPA é um projeto do governo estadunidense para combater a pirataria online, ou seja, a cópia de dados. No dia 18/01/12 diversos sites, blogs e coletivos irão aderir ao #SOPABlackoutBR da forma que for possível. O ideal é que o site fique fora do ar por 12h (de 8h as 20h), para que as pessoas sintam realmente como seria terrível deixar de ter acesso ao site caso ele seja bloqueado pelo SOPA. O período de tempo e o fato de ficar totalmente fora do ar fica a critério de cada um.

 

 

Objetivo

Mostrar às autoridades Brasileiras e grandes grupos econômicos a posição da sociedade Brasileira em relação ao SOPA e demais práticas, normas, medidas judiciais e leis que ameaçam a liberdade na Internet, e aproveitar a oportunidade para expor as ameaças locais.

 

Por que aderir?

O SOPA apesar de ser um projeto de lei Estadunidense, não afetará apenas os Estados Unidos, pois o país concentra quase todos os serviços e sites que utilizamos diariamente, e que podem ser afetados tais como Youtube, Facebook, WordPress, Google, Gmail, Twiiter, e muitos outros. Temos de lembrar também que muitos sites são hospedados nos EUA, mesmo sem ter TLD americano e outros fora dos EUA com TLD americano como (.com, .net, .org) em ambos os casos o site estará debaixo da legislação Estadunidense.

 

SOPA também prevê instrumentos para bloquear os serviços de publicidade e pagamento online sob a jurisdição dos EUA, impactando qualquer site no mundo, apenas com base em uma denuncia de suspeita, e sem ordem judicial.

 

Os problemas não acabam por ai, o SOPA afetará profundamente a liberdade de expressão na Internet, todos os sites se verão obrigados a aplicar mecanismos de auto-censura, e filtrar toda atividade online de seus usuários para evitar serem bloqueados.

 

E junto com a lei Sinde na Espanha, Hadopi na França, o SOPA pode ser um terrivel instrumento de pressão para que demais países adotem legislações semelhantes. É importante lembrar que a Lei Sinde que aparentemente havia sido brecada por ativistas Espanhois, foi aprovada logo no inicio do novo mandato sob grande pressão Estadunidense.

 

Como aderir

Qualquer forma de divulgação da ação é valida, estamos conectados em rede, qualquer pequeno esforço de cada um pode resultar em grandes impactos, veja algumas formas de agir.

 

Faça as pessoas entenderem o problema

Se cada um conseguir explicar para cinco pessoas os problemas envolvendo o SOPA e outros projetos de controle da rede, em pouco tempo teremos bastante gente engajada e informada. Falar sobre o assunto é muito importante, é um tema que afetará a todos nos e com esclarecimento e ação poderemos evitá-los.

 

Divulgando a ação

Coloque em seu site um dos selos, se desejar crie um link para o Mega Não, ou para o post chamada no seu site.

 

Tirando seu site do ar

Se você possui um site com acesso via FTP, crie uma página index.html com sua mensagem de protesto contra o SOPA. caso não tenha idéia aponte seu site para algumas das páginas que estarão disponíveis no endereço http://ai5digital.com.br/ a partir de 15/01/12.

 

 

Tirando seu site parcialmente do ar

Se seu site estiver hospedado no WordPress ou Blogspot, é possível configurá-lo para apontar para uma página na home, crie esta página com a mensagem de protesto e deixe ela como a home do blog durante o dia da ação. Você também pode adotar a solução proposta pelo site “Direito de Ler

 

Twitter, Facebook, Orkut, Identica

Não poderemos parar de usar estas redes e ferramentas neste dia, pois eles serão muito úteis para disseminar a ação, não esqueca de usar sempre a tag #SOPAblackoutBR. Neste caso sugiro que troque seu avatar destas redes por um dos avatares da ação.

 

Quem esta apoiando

Ø  Movimento Mega Não

Ø  CGI.br

Ø  Coletivo Trezentos

Ø  IDEC

Ø  Revista Forum

Ø  Software Livre Brasil

Ø  Pontão Ganesha

Ø  Fora do Eixo

Partido Pirata do Brasil


09/01/2012 - Mundo - Cultura

McDonald's sai da Bolívia devido ao desinteresse do público

Todos os esforços desenvolvidos pela cadeia McDonald's para inserir-se no mercado boliviano foram infrutíferas. De nada valeu preparar o molho Ilajwa, favorito do altiplano, nem apresentar os melhores conjuntos locais ao vivo.

 

Após 14 anos de presença no país e apesar de todas as campanhas feitas e por fazer, a cadeia se viu obrigada a fechar os oito restaurantes que mantinha abertos nas três principais cidades do país: La Paz, Cochabamba e Santa Cruz de la Sierra.

 

Trata-se do primeiro país latino-americano que ficará sem McDonald's e o primeiro país no mundo onde a empresa fecha por ter seus números no vermelho por mais de uma década.

 

O impacto para os chefes de marketing tem sido de tal força que foi gravado um documentário sob o título "Por que McDonald's quebrou na Bolívia” (assista ao vídeo em espanhol, clicando na imagem acima), onde tentam explicar de algum modo as razões que levaram os bolivianos a continuar preferindo as empanadas, ao invés dos hambúrgueres.

 

Rechaço cultural

O documentário inclui reportagens com cozinheiros, sociólogos, nutricionistas, educadores, historiadores... Todos coincidem que o rechaço não é aos hambúrgueres, nem ao sabor; o rechaço está na mentalidade dos bolivianos. Tudo indica que, literalmente, o "fast-food” é a antítese da concepção que um boliviano tem de como se deve preparar uma comida.

 

Na Bolívia, para ser boa, além de gosto, a comida requer esmero, higiene e muito tempo de preparação. Assim é como um consumidor avalia a qualidade do que leva ao estômago: também avalia o tempo entre a preparação e o consumo de qualquer alimento. A comida rápida não é para essa gente, concluíram os norte-americanos.

 

Veja o vídeo abaixo, com algumas explicações porque os esforços da cadeia McDonald's para inserir-se no mercado boliviano foram infrutíferos:

 

Fonte: LaRed2http://www.lr21.com.uy

Tradução: ADITAL

Imagem: http://brincandodequebracabeca.files.wordpress.com/2011/12/quiebra-mcdonalds.png?w=450



28/11/2011 - Mundo - Clima e Meio Ambiente

Despertar a dimensão xamânica

A categoria sustentabilidade, tomada em seu sentido amplo e não apenas reduzida ao desenvolvimento, significa toda a ação que visa a manter os seres na existência porque tem  direito de coexistir conosco e só a partir desta convivência utilizamos com sobriedade e respeito uma porção deles para atender nossas necessidades e preservando-os também para as futuras gerações. Dentro deste conceito cabe também o universo. Sabemos hoje pela nova cosmologia que somos feitos de pó das estrelas e somos sustentados e atravessados pela inominável Energia de Fundo que tudo alimenta e que se desdobra nas quatro forças – a gravitacional, a eletromagnética, a nuclear fraca e forte – que, agindo sempre juntas, nos mantém assim como somos.  

 

Como seres conscientes e inteligentes temos o nosso lugar  e nossa função dentro do processo cosmogênico. Se  não somos o centro de tudo, seguramente, somos uma daquelas pontas avançadas pelas quais o universo se volta sobre si mesmo, vale dizer, se torna consciente. O princípio andrópico fraco nos concede dizer que para sermos o que somos,  todos as energias e processos da evolução se organizaram de forma tão articulada e sutil que permitiram o nosso surgimento, caso contrário não estaria aqui  escrevendo agora.

 

Através de nós, o universo e a  Terra se veem e se contemplam a si mesmos. A vista surgiu há 600 milhões de anos. Até lá a Terra era cega. O céu profundo e estrelado, as cataratas do Iguaçu, onde escrevo agora, o verdor das florestas, aqui ao lado, não podiam ser vistos. Pela nossa vista a Terra e o universo podem ver toda essa indescritível beleza.

 

Os povos originários,  dos andinos aos samis do Ártico, se sentiam unidos ao universo, como irmãos e irmãs das estrelas, formando uma grande família cósmica. Nós perdemos esse sentimento de mútua pertença. Sentiam que forças cósmicas equilibravam o curso de todos os seres e atuavam em sua interioridade. Viver consoante estas energias universais era levar uma  vida sustentável, serena  e cheia de sentido.

 

Sabemos pela física quântica  que a consciência e o mundo material estão conectados e a maneira que um cientista escolhe para fazer a sua observação, afeta o objeto observado. Observador e objeto observado se encontram indissoluvelmente ligados. Dai que a inclusão da consciência, nas teorias científicas e na própria realidade do cosmos, é um dado já assimilado por grande parte da comunidade científica. Formamos, efetivamente, um todo complexo e diversificado.

São conhecidas as figuras dos xamãs, tão presentes no mundo antigo e que hoje estão voltando com renovado vigor como o tem mostrado o físico quântico J. Drouot em se livro  O Xamã, o Físico e o Místico (Record 2002) que tive a honra de prefaciar. O xamã vive um estado de consciência singular que o faz  entrar em contato íntimo com  as energias cósmicas. Ele entende o chamados das montanhas, dos lagos, das florestas, dos animais e, das estrelas e dos outros. Sabe conduzir tais energias para curar e harmonizar o ser humano com o todo.

 

Em cada um de nós existe a dimensão xamânica, escondida dentro de nossa interioridade Essa energia xamânica nos faz silenciar diante da grandeza do mar, vibrar diante do olhar da pessoa amada e estremecer face a um recém nascido. Precisamos liberar esta dimensão em nós para entrarmos em sintonia com tudo o que nos cerca e sentirmo-nos em paz.

Talvez nossa vontade de viajar com as naves espaciais na direção do espaço cósmico, não seja  o desejo arquetípico de buscar nossas origens estelares e o ímpeto de regressar ao lugar de nosso nascimento? Vários astronautas expressaram semelhantes idéias.

 

Pertence à noção compreensiva de sustentabilidade, esta nossa busca incontida de equilíbrio com o todo e de sentirmo-nos parte do universo. A sustentabilidade comporta valorizar este capital humano e espiritual cujo efeito é produzir em nós respeito, sentido de sacralidade diante de todas as realidades, valores que alimentam a ecologia profunda e que nos ajudam  a respeitar e a viver em sintonia com a Mãe Terra. Hoje faz-se urgente essa atitude, para moderar a força destrutiva que nas últimas décadas tomou conta de nós.

 

 

Por Leonardo Boff – Teólogo/Filósofo

Imagem:

http://4.bp.blogspot.com/-DJlX3XfvnEM/TbdYlthMPtI/AAAAAAAAAE4/rPnpnCh1aak/s1600/meio_ambiente1.jpg


18/11/2011 - Mundo - Política

E agora, como explicar a incoerência?

Cuba vive na miséria, pelo que dizem. Mas tem elevado índice de desenvolvimento humano e excelentes indicadores sociais

 

Cuba é um país inviável, no qual a população vive na miséria e passa fome. As cidades cubanas estão caindo aos pedaços, está tudo sucateado. Enfim, tudo em Cuba é ruim e o país é o mais claro exemplo do fracasso do socialismo. Essa é a imagem de Cuba passadas aos brasileiros por jornalistas, articulistas e curiosos que se baseiam em suas convicções ideológicas principalmente, em fontes internas e externas contrárias ao governo cubano e ao sistema socialista (sempre ouvidas) e em rápidas e superficiais viagens ao país.

 

Mas então é preciso que esses analistas, que gostam tanto de números, expliquem como é que Cuba está em 51º lugar, entre 187 países, no Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) da ONU. E como pode ser considerada pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) uma nação de "desenvolvimento humano elevado".

 

Não é muito coerente que os cubanos vivam na miséria e esfomeados, como se diz, e o país tenha elevado Índice de Desenvolvimento Humano, obtido a partir de indicadores nas áreas de saúde, educação e renda. E esteja entre os 51 países com o maior índice, entre 187.

 

O mais alto IDH é o da Noruega (0,943), seguido de Austrália, Holanda, Estados Unidos e Nova Zelândia. O primeiro grupo, de 47 países com "desenvolvimento humano muito elevado" termina com Argentina, Croácia e Barbados, esse com índice 0,793. O da Argentina é 0,797. Nesse grupo, só tem outro país latino-americano, o Chile, em 44º lugar com 0,805.

 

Entre os primeiros países de "desenvolvimento elevado", estão o Uruguai (em 48º com 0,783) e Cuba, em 51º e índice de 0,776. Nesse grupo de 46 nações estão mais os seguintes latino-americanos: México (57º), Panamá (58º), Costa Rica (69º), Venezuela (73º), Peru (80º), Equador (83º), Brasil (84º) e Colômbia (87º). Os demais estão entre os que têm médio desenvolvimento humano, com exceção do Haiti, que tem baixo IDH.

 

O que coloca Cuba em 51º lugar e no segundo grupo é o baixo rendimento bruto per capita de sua população, que, ao contrário do que pensam ou querem que pensemos os analistas neoliberais, não significa necessariamente uma qualidade de vida muito menor. Em Cuba a renda é mesmo muito baixa, quase a metade da brasileira, mas com pouca diferença entre o mais baixo e o mais alto rendimento. Há um sistema de subsídios -- que está sendo revisto, mas com compensações -- à alimentação, ao transporte e à cultura, e a saúde e a educação são gratuitas em todos os níveis, do curativo à quimioterapia, da creche ao doutorado.

 

O "IDH de não rendimento" de Cuba (ou seja, o IDH sem o indicador de renda) é de 0,904, o que coloca o país em 25º lugar, ultrapassando 26 países que tem o IDH maior por causa da renda. O maior IDH de não rendimento é o da Austrália (0,975), seguido de Nova Zelândia, Noruega, Coreia do Sul, Holanda e Canadá. Os Estados Unidos estão em 13º lugar (0,931). Cuba está na frente, dentre outros, do Reino Unido, da Grécia, de Portugal, de Israel e dos riquíssimos Emirados Árabes Unidos, Brunei e Qatar, sendo que esse último que tem rendimento bruto per capita 20 vezes maior do que a de Cuba.

 

Os números do PNUD mostram que não há muita diferença entre os indicadores sociais dos países com mais alto IDH e os de Cuba. Ou seja, o baixo rendimento per capita tem baixa influência sobre a educação e a saúde dos cubanos.

 

Basta comparar alguns índices:

País Esperança de vida Anos de escolaridade Anos de escolaridade esperados

Noruega 81,1 12,6 17,3

Austrália 81,9 12,0 18,0

Holanda 80,7 11,6 16,8

EUA 78,5 12,4 16,0

N.Zelândia 80,7 12,5 18,0

Canadá 81,2 12,1 16,0

Cuba 79,1 9,9 17,5

A título de curiosidade, uma comparação entre Argentina, Uruguai, Venezuela e Brasil:

Argentina 75,9 9,3 15,8

Uruguai 77,0 8,5 15,5

Venezuela 74,4 7,6 14,2

Brasil 73,5 7,2 13,8

 

Um indicador bem revelador é o índice de mortalidade infantil da Organização Mundial de Saúde, com base em crianças de menos de um ano de idade mortas entre mil. Dos países citados -- os de melhor IDH, de alta renda e alguns sul-americanos --, a classificação é a seguinte:

Noruega: 2,8

Holanda: 3,6

Austrália: 4,1

Coreia do Sul: 4,2

Cuba: 4,6

Nova Zelândia: 4,8

Canadá: 5,2

Brunei: 5,8

Emirados Árabes Unidos: 6,1

Estados Unidos: 6,5

Qatar: 6,7

Chile: 7,7

Uruguai: 9,2

Argentina: 12,3

Venezuela: 13,7

Brasil: 17,3.

 

Pode-se gostar ou não gostar do sistema social que vigora em Cuba há 52 anos, pode-se considerar que Raúl e Fidel Castro fazem as coisas certas ou as coisas erradas. Cuba tem enormes problemas econômicos, sociais e políticos e há muita coisa que precisa e pode ser mudada. A população tem enormes carências, reconhecidas pelo governo cubano. Mas não há o caos que se pinta e a fome que se alardeia, nem é o país à falência que desejam seus críticos que se guiam pela ideologia, e não pelos fatos. Não é o paraíso, mas não é o inferno.

 

Por Hélio Doyle

Imagem:

http://4.bp.blogspot.com/_Yvq6gsdlbjI/TTBMy6EJhzI/AAAAAAAACS8/cPuPqZgiitM/s640/Cuba.jpg


01/11/2011 - Mundo - Ciência e Técnologia

Primeiro encontro mundial de blogueiros condena bloqueio a Cuba

O primeiro Encontro Mundial de Blogueros condenou o bloqueio econômico, comercial e financeiro que Estados Unidos mantém contra Cuba desde há meio século, por cercear ou censurar o acesso da ilha caribenha à internet.

 

A rejeição ao cerco econômico de Washington contra Havana aparece na Carta de Foz de Iguaçú, divulgada hoje e aprovada pelos quase 470 assistentes de 23 países do encontro mundial de ativistas digitais, jornalistas, acadêmicos e estudantes, realizada nessa cidade brasileira entre 27 e 29 deste mês.

 

Os participantes pronunciaram-se contra qualquer tentativa de cerceamento ou censura na internet e pela neutralidade na rede, o incentivo aos telecentros e outros mecanismos de inclusão social e pelo desenvolvimento independente de tecnologias de informação, assim como pelo incentivo do software livre.

 

Nesse ponto, o documento final do encontro recusa "qualquer restrição no acesso a internet, como a imposta hoje por Estados Unidos em seu processo de bloqueio contra Cuba".

 

A Carta de Foz de Iguaçú ressalta que a reunião confirmou a força crescente dos chamados novos meios de comunicação, com seus lugares, blogs e redes sociais, ao mesmo tempo em que permitiu um rico intercâmbio de experiências. Assim mesmo, prossegue, o encontro evidenciou que os novos meios de comunicação podem ser um instrumento essencial para o fortalecimiento e aperfeiçoamento da democracia.

 

Daí que os participantes consideram essencial a luta pela liberdade de expressão, que não deve ser confundida com a liberdade propalada pelos monopólios mediáticos, que castram a pluralidade informativa. Sustentam que o direito humano à comunicação é hoje uma questão estratégica.

A oposição a qualquer tipo de censura ou perseguição política por parte dos poderes públicos e das corporaciones do setor, aspecto exemplificado pelos ataques sofridos pelo site WikiLeaks, que tem revelado documentos secretos, constitui outro dos pontos do documento.

 

Outro é a luta por novas normas regulatórias da comunicação que incentivem os meios públicos e comunitários, impulsionem a diversidade e os meios alternativos, e garantam o acesso da sociedade à comunicação democrática e plural.

 

Os assistentes lembraram ademais que essas novas normas regulatorias da comunicação devem coibir os monopólios, a propriedade cruzada e o uso indevido de concessões públicas.

Também concordaram em favorecer o acesso universal a uma banda larga de qualidade, ao estimar que a internet resulta estratégica para o desenvolvimento econômico, para enfrentar os problemas sociais e para a democratização da informação. Por isso -acotaram- a internet não pode estar à serviço dos monopólios privados.

 

Para aprofundar em todos esses assuntos, reforçar o intercâmbio de experiências e fortalecer os novos meios informativos sociais, os participantes decidiram realizar o segundo Encontro Mundial de Blogueiros em novembro de 2012, em Foz do Iguaçú.

 

Fonte: http://www.prensalatina.com.br

Imagem:http://cmarinsdasilva.com.br/wp/wp-content/uploads/2011/08/Primeiro-Encontro-Internacional-de-Blogueiros.jpg


28/10/2011 - Mundo - Política

A Noite Humana

Aos jovens. Em Desterro, 23 horas, as costas doendo, os olhos vermelhos de emoção e cansaço, o pensamento sobrevoa por cima da nossa América do Sul, linda, algo morna hoje, desde a latitude 27 até a Cidade de Buenos Aires. Tati de Almeyda, mãe das Madres de Plaza de Mayo, proclamou: “Meu país não sabe de vingança, sabe de justiça”. E sabe de JUSTIÇA! Trás a constante luta do povo argentino e latino-americano, o resultado desejado começa a se desenvolver, a justiça histórica ocupa seu lugar e 12 repressores da ditadura argentina, que seqüestraram, violaram, torturaram e desapareceram estudantes, trabalhadores, homens e mulheres, obtiveram a sentença esperada: cadeia perpétua.

O crime nunca, em nenhum caso deve ser esquecido. Jamais o covarde pode ficar ileso pela sua sanha, pela sua ilegalidade, pela sua imbecilidade de acreditar-se acima dos outros por ter a cumplicidade imunda da classe social e política à qual serve. Jamais deve o violador ser isentado, jamais o torturador deve ficar livre, jamais o vil açougueiro que moeu a carne inocente pode caminhar junto das pessoas comuns, dos cidadãos livres. Jamais o assassino de aluguel, a serviço dos impérios viciados em ódio, pode ocupar o espaço das gentes, nunca quem se serviu da brutalidade pode ter o prêmio da amnésia social. Nem o esquecimento nem o perdão lavarão a alma da democracia. Jamais o esquecimento e o perdão trarão paz, harmonia, lucidez e futuro. Jamais o medo tratará felicidade.

Aos jovens preciso dizer, que estas democracias nas quais foram nascendo, pobres, imperfeitas, precárias, mas, que hoje fazem da América Latina algo bem mais interessante que um Império decadente, que uma Europa doentia e invasora, servil, bajuladora dos Estados Unidos, foram possíveis pelo sangue valente, rico, pacífico, sonhador e humanista de milhares de estudantes, de trabalhadores, de mães, de poetas, artistas, intelectuais que o derramaram a serviço do futuro que se começa a perfilar, algo melhor tal vez, que os da minha geração poderíamos ter sonhado quando o coturno retorcia nossas cabeças contra o asfalto.

É na memória dos nossos irmãos caídos, desparecidos, desses corpos jovens, bonitos, que foram destruídos de forma miserável, jogados desde aviões ao mar, enterrados em lixões, nos fundos de quartéis, em fazendas, calcinados, desaparecidos, que hoje levantamos nossa voz mostrando nossa felicidade, porque o julgamento acontecido umas horas atrás na Argentina, a aprovação pelo Senado brasileiro da Comissão da Verdade sobre as violações cometidas em nosso país desde 1946 a 1988 e a decisão no Uruguai de acabar com a Lei de Caducidade que impedia julgar aos assassinos da ditadura uruguaia, só trarão paz, unidade e justiça aos nossos povos, e darão um duro golpe na impunidade da qual gozaram os setores dominantes das nossas sociedades, 500 anos exploradas, torturadas e desmembradas.

Os jovens, aos quais se negou a Verdade da História, precisam conhecer e compreender o que aconteceu nos seus países, e o caminho que traçaram os povos marchando incansavelmente durante quase meio século, para que nunca mais, estes jovens, e os que virão, despareçam por defender seus legítimos direitos. Uma noite destas, na Argentina, no Brasil e no Uruguai abre as portas amorosas da Nova Época que desde o início deste século vive América Latina, com defeitos, muitos, demasiados talvez, mas, em democracia, que no rumo que assumimos, um dia será direta e para todos. Como dizem os ativistas hondurenhos: “a lei já é igual para todos, precisamos que a Justiça também seja”. Juntos, vamos construir os próximos passos. Esta Noite Humana foi um bom começo.

Foto: Agencia Telam

Por Raul Fitipaldi.


10/10/2011 - Mundo - Política

El Che: cura e libertação

Durante 44 anos, os pobres, e os filhos pobres dos pobres, os ateus pobres e os crentes pobres, em soma: “os majoritários em todos os aspectos”, ganhamos um santo, São Ernesto Guevara. A ele e por ele rezamos a cada 8 de outubro. A ele e por ele prometemos defender Nossa América, a ele e por ele juramos lealdade à Pátria Grande de Bolívar, San Martín, Artigas, Martí, Tupac Amaru, Morazán, Juana Azurduy, Manuel Rodríguez, Alfaro, Zumbi e tantos outros.

 

Ernesto Guevara de la Serna não pode ser confundido com uma grife nas camisetas de revolucionários de gabinete. Não pode ser uma fantasia para militantes de centro acadêmico. Tais usos representam grave pecado. El Che não é uma “foto” para boné, se a cabeça que o arvora não merece tamanho louvor. El Che Guevara tem um significado tal, de importância tão sagrada, que é semente, palavra, marcha, combustível, fuzil, estilingue, trincheira, terra e pátria e mátria deste povo. Do Povo Todo, que muito além do Paraíso da América Latina, roda sua carne na luta, sua voz no clamo; mãos e unhas à destruição dos muros da vergonha, olhos como lume ao caminho, almas todas para libertar a terra do colonialismo, da violação, do saqueio, da morte, da indignidade.

 

El Che não é um detalhe casual da história, mas, a narração viva-eterna da Nossa História. Anda conosco na afastada Palestina, no desgarrado Haiti, na gloriosa Cuba, no bravio Basco, na Resistência Árabe, na invadida Santo Domingo, na violada Honduras, no severo Uruguai e na inquieta Argentina, nas minas de cobre, na selva Lacandona, nos agrestes nordestinos… anda El Che. Vai com todos os nossos, os ateus e os cristãos, os budistas e os muçulmanos, com os letrados e com os intuitivos, com aquele que pouco tem e com quem não tem nada. Lá vai vivo, audaz, bonito, firme, arfante na subida do Morro ante a incredulidade das UPPs, entre os robocops de Bogotá e os Paracos mexicanos. Sua marcha ruma firme de Tel Aviv a Jerusalém, de Madri a Cabul. O Soldado Universal teme esse santo. O Povo vai atrás do seu Verbo.

 

É entre as maneiras rebeldes dos estudantes resgatadas no Chile, é entre as mulheres e sua dignidade a erguer em Ciudad Juárez, é entre os velhos e essa independência inacabada da Pátria Grande, é entre nós trabalhadores que temos orgulho de sê-lo que São Ernesto caminha prazeroso. É entre os descalços, os refugiados, os agredidos que ele cura sua alma e alça a voz. Escute: “A participação que cabe a nós, os explorados e atrasados do mundo, é a de eliminar a base que sustenta o imperialismo”.

 

Tão forte sua prece, que hoje, caindo a tarde, na véspera da sua santificação, alguém de Nova Iorque comentou-me que “Ernesto Guevara de la Serna foi preso em San Diego, e mais tarde em Los Angeles, e depois em San Francisco e até em Sacramento”. Disse-me que a cada ocasião virava dezenas, milhares, milhões de INDIGNADOS atazanando o ventre imundo do monstro, derramando liberdade, valor, dignidade e amor pelo outro. São Ernesto Despejava o Sangue de Filho do Povo, para Nossa Cura e Libertação.

 

Por Raul Fitipaldi – coordenação do Portal Desacato

 

Foto: Photo: Yossi Gurvitz

 


30/09/2011 - Mundo - Política

É tempo de celebrar! Feliz Primavera!

Os povos pagãos, nas suas culturas, sempre me pareceram mais sábios. Eles tinham como costume celebrar a vida nos equinócios e solstícios, rendendo homenagens às estações. E isso não era coisa à toa. É porque cada estação traz com ela suas bênçãos. No girar desta bola azul, as comunidades vão experimentando a beleza do outono, a introspecção do inverno, a volúpia do verão e a alegria da primavera. É ainda nesse lento rodopiar que a terra e as gentes vão encontrando seu momento de plantar, colher, descansar e dançar.

 

Pois hoje, nesta nossa parte do mundo, é o equinócio da primavera. No ritmo das estações, tudo começa a vicejar. A voz dos passarinhos fica mais forte, as flores embestam a aparecer e, a despeito de todas as dores e lutas, também as pessoas parecem florescer em festa.

 

Aqui estamos nós no imenso jardim vendo cada coisa que plantamos no inverno, apontar pela terra afora. Então é hora de dançar a dança dos deuses, fazer “pago à Pacha Mama”, reverenciar Inti (o sol), saudar Ñanderu, o grande pai Guarani, que com Jacy e Kuaray tornam esse mundo tão belo. É tempo de dizer o nome da beleza para que ela nos tome inteira como crêem os Navajos.

 

Um dia, bem longe, os povos do leste invadiram nossa Tekoá (terra-casa) e soterraram a cultura autóctone, trazendo novo deus e desconhecidos santos. Mas, sempre é tempo de recuperar nossa condição primeira, de povo de Abya Yala, e retomar velhos rituais. A caminhada dos tempos já tratou de mostrar que na profusão de deuses e deusas que co-existem nas mais variadas culturas, o que fica como certeza final é de que esta terra é sagrada e cabe a nós cuidar para que ela siga firme, com saúde e um lugar bom de viver. A Eko Porã do povo Guarani(terra boa e bonita para todos) .

 

Esse tempo ainda não vingou, proliferam as guerras, as gentes precisam migrar de um lado para outro buscando sobreviver em meio à destruição do capital. Mas, em cada ser que vive, brilha a indefectível esperança. Dia virá em que todos poderão dançar para Inti, Pacha Mama, Viracocha, Quetzalcoalt, Istsá Natlehi, Wakan Tanka, Krisna, Jesus, braços dados, irmãos. E a terra será bela, e o banquete repartido. Paraíso. Socialismo. Eko Porã.

 

Enquanto isso, celebremos, pois. Os passarinhos nos chamam, as flores perfumam a vida e nós temos a obrigação de render graças. Porque nada no mundo pode ser melhor que caminhar na direção da beleza, da vida plena, da alegria, da Eko Porã. Em meio à tormenta, cantamos, dançamos e plantamos jardins porque confiamos, como Jeremias, diante da sua terra arrasada, que ainda vingarão flores neste lugar...

 

Feliz primavera! Viva Abya Yala..

 

Por Elaine Tavares

Existe vida no Jornalismo
Blog da Elaine:
www.eteia.blogspot.com
América Latina Livre -
www.iela.ufsc.br
Desacato -
www.desacato.info
Pobres & Nojentas -
www.pobresenojentas.blogspot.com
Agencia Contestado de Noticias Populares -
www.agecon.org.br

Imagem:

http://4.bp.blogspot.com/_iBMgLwxB748/TJpgCHM3VzI/AAAAAAAAB4k/wg_0YWvA0Uk/s400/feliz-primavera.jpg


16/09/2011 - Mundo - Política

América Latina é o berço do novo

O seminário “Novo Constitucionalismo na América Latina, Estado Plurinacional, Cosmovisão Indígena e Pluralismo Jurídico”, promovido pelo programa de Pós-Graduação em Direito da UFSC, deixou bem claro que, hoje, o que acontece na América Latina é o que há de mais interessante no campo do direito constitucional. As novas Constituições da Venezuela, Bolívia e Equador estão sendo esquadrinhadas por pesquisadores de todo o mundo, porque significam novos e originais aportes que mudam substancialmente as práticas jurídicas.

 

A professora Milena Peters, da Universitá Degli Studi Suor Orsola Benincasa, de Nápoles, Itália, mostrou que é a partir dos anos 80 que, na América Latina, começam as reformas constitucionais, visto que boa parte dos países entra na chamada transição democrática. “O que se vê é uma difusa adesão a uma forma de Estado Constitucional que expande os direitos humanos, os direitos fundamentais e aponta para novas garantias e novos significados”. As constituições abrem-se para o paradigma da liberdade e para o reconhecimento de ações positivas das minorias. Nos anos 90, esses direitos se ampliam mais ainda, atuando também no campo das garantias ambientais e direitos humanos.

 

Mas é a partir no novo milênio que começa a fluir uma nova linfa, trazida pelas transformações políticas de caráter popular na Venezuela, Equador e Bolívia. “Essas constituições são o novíssimo, o original”. Um dos elementos fundamentais dessas constituições é que elas nascem da mobilização real das gentes. São realizadas assembléias participativas, e o conceito “participação popular” torna-se real. “Essas constituições radicam-se na realidade histórica descolonizada, ligam a realidade global à local, tem um enfoque na solidariedade, atribuem valor à biodiversidade e sociodiversidade, reconhecem a cosmovisão indígena e garantem a efetiva participação popular”.

 

Milena lembra que a Constituição do Equador traz um capítulo inteiro de artigos que garantem a proteção da Pachamama, dando base legal a outro tipo de desenvolvimento que não seja predador da natureza.  “É um aporte para toda a teoria constitucionalista. Muda tudo. Reforça o conceito de pluralidade que é a base das sociedades multiétnicas e dos estados plurinacionais. Toda a herança cultural é protegida, tantos dos indígenas como dos afrodescendentes. É um modelo peculiar de estado plurinacional e comunitário.” Para a professora, o projeto que emerge dessas novas Constituições é audacioso e bonito mas, também muito difícil de se concretizar. Não é sem razão que a Europa está de olho nesse processo, porque o que acontecer aqui na América Latina pode ter conseqüências mundiais no campo do Direito.

 

A professora Maria Rosario Valpuesta Fernández, da Universidad Pablo de Olavide, em Sevilha, Espanha, lembrou que as Constituições não são apenas formas jurídicas, mas o resultado de processos políticos, daí a originalidade das novas Constituições que emergem na América Latina, fruto da mobilização e aceitação popular. “O que dizer dos EUA, há democracia por lá? É o estado que nomeia os ministros da Justiça, tudo depende do estado. E a Inglaterra? É uma monarquia. Uma loucura”. Segundo ela, a América Latina hoje está muito mais interessante do que a Europa. Aqui está vicejando o novo. Mas, apesar das mudanças ainda há muito por fazer no que diz respeito à desigualdade social. “para haver democracia de fato, isso tem de acabar”.

 

Maria Rosario acredita que a América Latina também precisa acertar contas com as suas elites uma vez que os governos pós-coloniais também fizeram muito mal. “Os mapuches, por exemplo, quem destruiu foram os chilenos e não os espanhóis. Nas guerras de independência os índios não contaram, no Peru não se fala em índio, mas sim em camponês. Então as elites locais também têm sua cota de responsabilidade”.

 

A professora espanhola argumenta ainda que é preciso observar com cuidado as demandas indígenas pois, “nem todos os índios são bons. Há os que vendem madeira, os que exploram outros índios. Tem gente boa e ruim, como em qualquer etnia. Não dá para romantizar”. Sobre a Bolívia ela aponta a ideia de Estado Plurinacional como uma novidade importante uma vez que garante cidadania a uma maioria que estava completamente excluída do processo político.

O professor Antônio Carlos Wolkmer, da UFSC, mostrou que o Constitucionalismo liberal cristalizou uma igualdade formal que, na prática, forja um estado de controle, sem democracia, com participação elitista e ausência das massas. Ou seja, coisa muito diferente do que se anuncia agora nas novas Constituições. No caso do Brasil, historicamente, o constitucionalismo tem sido sempre uma cópia, desde a primeira carta, em 1824, que reproduzia a Constituição francesa, incluindo aí o poder moderador. Depois, veio uma Constituição conservadora, centrada no direito dos proprietários, individualista, patriarcal, que vai até os anos 30 do século passado. A modernização impulsionada pela oligarquia desalojada do poder gera o estado corporativo, inspirado no fascismo, com controle dos sindicatos e alguns novos direitos sociais. Os anos 60, tempo da ditadura, trazem a doutrina da segurança nacional e só em 1988, sem o jugo da ditadura,  a Constituição brasileira vai ampliar direitos.

 

A carta de 1988 não é a desejada, feita sem exclusividade e sem participação popular. Mas, ainda assim, ela avança em pontos como os direitos coletivos, direitos culturais, proteção aos povos indígenas e ao meio-ambiente. Wolkmer observa que, na relação com as novas Constituições da região andina, a brasileira ainda tem muito que avançar, principalmente no que diz respeito à participação popular.

 

O seminário mostrou ainda o quanto o novo movimento indígena tem sido importante na consolidação de novas formas de organizar a vida. A recuperação de formas históricas de solidariedade, cooperação, equidade e relação harmônica com a natureza, têm aberto uma cunha na lógica desenvolvimentista do capitalismo dependente que domina a América Latina. As comunidades indígenas assomam e dizem sua palavra, oferecem seus exemplos e formulam propostas que levam em consideração aspectos jamais observados pelos governantes de plantão. Muitas das novidades que tanto encantam o mundo europeu são as que foram incorporadas do mundo indígena e do mundo popular que, até então, nunca tinham sido levados em conta no processo de construção das cartas magnas. Agora, com essas comunidades, muitas vezes na liderança dessas ações, elementos como referendos populares, estado plurinacional e multiculturalidade se fizeram concretos e estão contemplados na lei.

 

É certo que tornar real o que a letra da lei escreve ainda é um grande desafio para os povos latino-americanos. A plurinacionalidade é um processo em construção, ainda multifacetado e informe, mas assim como as gentes dessa parte do continente lograram avançar no aspecto constitucional não cabe dúvidas de que serão também capazes de inventar as formas concretas de incorporar a lei ao seu cotidiano. Todos os dias, nas entranhas da Pátria grande, a vida avança. E, dessa vez, é daqui que saem as lições. Quem tem ouvidos para ouvir, que ouça.

 

Por Elaine Tavares.

 

Existe vida no Jornalismo
Blog da Elaine:
www.eteia.blogspot.com

América Latina Livre -
www.iela.ufsc.br

Desacato -
www.desacato.info

Pobres & Nojentas -
www.pobresenojentas.blogspot.com

Agencia Contestado de Noticias Populares -
www.agecon.org.br

Imagem:

http://a3.l3-images.myspacecdn.com/images01/55/9e8bce4bf2f72ae10be78833f7ce2035/l.jpg

 

 


05/09/2011 - Mundo - Política

Breve história da Somália e a origem dos “piratas”

Houve um momento na história em que os povos da África eram respeitados e chegavam a formar importantes civilizações. O Egito, por exemplo, foi um grande império há cinco mil anos e outros povos vizinhos também tiveram sua importância naquele sistema regional de poder. A Somália, que hoje vive um estertor de agonia e caos, naqueles dias foi um significativo centro de comércio e seus marinheiros eram respeitadíssimos. Os mercadores somalis eram responsáveis pelo fornecimento da mirra, do insenso e das especiarias, produtos de luxo que abarrotavam a vida das elites do povo egípcio, fenício, babilônico e micênico.

 

Muitos tempo depois, já no século VII, a Somália vai gradualmente se convertendo ao islamismo e suas cidades conformam vários sultanatos de muito poder. Mogadíscio, por exemplo, no século VIII, chegou a controlar grande parte do comércio do ouro na região, e outras cidades se destacaram na engenharia e na arte da guerra. Mais tarde, durante o sultanato de Adal, o país expandiu seu território e construiu cidades modernas, muito mais avançadas que as europeias. Esse governo termina em 1555, já debilitado pelas invasões portuguesas, que principiavam a saquear a África.

 

Foi a dinastia Ajuuraan que, entre os séculos XIV e XVII, conseguiu resistir e derrotar as ameaças dos portugueses e também do povo Oromo, majoritariamente habitante da Etiópia. Esses monarcas deram impulso a artes como a Engenharia Hidráulica, Arquitetura, Astronomia. Do século XVII ao XIX, foi o tempo da dinastia Gobroon, que reinou com certa autonomia já que os portugueses tinham deixado de interferir na região e haviam ocupado Moçambique.

 

Em 1896 passa a vigorar o que ficou conhecido como o Estado Dervixe – por ser de maioria sufi - até hoje reconhecido como o símbolo da resistência somali à dominação europeia, tendo como dirigente o ícone nacional Muhammad Abdullah Hassan, chamado de “Mulá Louco” pelos britânicos que tentavam dominar a região. A cobiça pela região da Somália seguiu intensa, seja pela Grã Bretanha, ou mesmo pelo Império Etíope, e o povo resistiu por muito tempo, chegando a rechaçar militarmente as tropas britânicas.  Foi só em 1920 que os ingleses conseguiram dobrar a espinha do povo da Somália, sendo necessário utilizar aviões de guerra pela primeira vez naquela região. Desde aí se iniciou o período da desgraça e das ocupações estrangeiras. A partir dessa guerra a Somália passou a ser um protetorado inglês.

 

Mais tarde, em 1927, também a Itália entrou na região e garantiu para si parte do país, coexistindo então dois protetorados.  Foi só em 1960 que se formou a República Democrática Somali. Em 1969, militares afinados com o pensamento socialista dão um golpe e passam a governar. Esse acaba sendo um período bastante positivo para o país, há melhorias na educação e nas questões sociais.  Em 1974 o país foi aceito na Liga Árabe e passou a atuar alinhada à fundação da União Africana, contra o regime do apartheid. No campo da guerra fria, a Somália se alinhava ao mundo soviético e desde aí passou a ser inimiga do “mundo livre”. Já sua vizinha, Etiópia, era aliada dos EUA. Quando a Somália passou a querer discutir suas fronteiras – criadas artificialmente por Itália e Grã Bretanha - e apresentou a proposta da criação de um exército, assinou sua sentença. O império não lhe daria paz. Assim, em 1977, depois de uma visita do então secretário estadunidense Henry Kisinger, o governo da Somália decide atacar a Etiópia – agora também na órbita socialista - , rompendo o acordo de paz que tinha com o país vizinho e virando o leme para a órbita dos Estados Unidos. Depois desse conflito chega à Somália o “bonde da salvação”, dirigido pelos burocratas do FMI e do Banco Mundial. A promessa de dinheiro levou a muitas disputas no interior dos clãs e todo esse frisson se acaba em 1990, com a queda de Siad Barre.

 

A partir do ano de 1990 a vida na Somália entrou num turbilhão. Uma crise de fome e conflitos levou ao fim do governo. Os Estados Unidos, que lá andava explorando petróleo decidiu, em nome da “democracia e da liberdade”, intervir no país, para retirar a Somália da trajetória do “comunismo”. O resultado disso foi a guerra. Exércitos de somalis nacionalistas iniciaram a resistência e outros grupos passaram a apoiar os EUA. O resultado foi a divisão completa do país, o que para o Estados Unidos segue sendo uma boa pedida, pois o que realmente importa é que o país não seja comandado por algum nacionalista que venha atuar contra os interesses estadunidenses.

 

Diante do caos quem assumiu o comando foram os hoje chamados “senhores da guerra”, chefes de milícias armadas que decidem sobre a vida e a morte. Como o país ficou à deriva, e é uma região rica em petróleo, minerais e peixe, as aves de rapina da Europa e da Ásia começaram a arribar. Navios destes dois continentes passaram a navegar nas águas somalis recolhendo todo o peixe, já que não havia governo ao qual se reportar. Sem respeitar qualquer lei ambiental esses barcos usam técnicas predatórias e provocam o despovoamento dos mares.

 

Não bastasse toda essa desgraça, ainda tem o caso dos navios que depositam resíduos tóxicos e nucleares na costa da Somália, fato que só veio à tona com outra tragédia: o tsunami que devastou a região em 2005. Depois que o mar voltou para o leito sobraram na areia os recipientes mortais.

 

Assim, o povo da Somália, composto principalmente por pescadores artesanais, estava duplamente deserdado. Não tinha mais o mar e precisava enfrentar os efeitos do lixo tóxico. Entregues à própria sorte, sem governo e acossados pelos senhores da guerra a única saída foi o desespero da sobrevivência. É assim que nasce a figura do “pirata”.

 

Para o mundo ocidental, que tem transformado o lugar em lixo nuclear, os somalis aparecem como bandidos e não é à toa que a “humanitária” OTAN já esteja com suas tropas no Oceano Índico, por onde passa mais de 70% do trafego dos derivados de petróleo, como esclarece no sito Diário da Liberdade, o especialista em geopolítica, Muhamed Hassan: “Do ponto de vista estratégico, a Somália é um lugar muito importante: o país tem a maior costa da África do Sul (3.300 Km) e está voltado para o Golfo Pérsico e para o Estreito de Ormuz, dois pontos-chave da economia da região. Além disso, se uma resposta do Pacífico é oferecida ao problema somali, as relações entre a África de um lado, e a Índia e a China, por outro lado, poderiam se desenvolver através do Oceano Índico”.

 

Então, sem qualquer idéia do que se passa na região, os meios de comunicação aliados ao império estadunidense divulgam o que interessa apenas aos interesses do império. Nada sobre a história, nada sobre os problemas reais. O que aparece é que os “piratas” são bandidos e no geral pertencentes a Al-Qaeda que, como bem diz Mohamed Hassan, nada mais é do que uma logomarca que é colada na pele de qualquer um que esteja contra os interesses econômicos dos Estados Unidos.

 

Veja aqui um vídeo produzido por um espanhol que mostra a situação no país e a face oculta do oportunismo ocidental.

 

Assista o vídeo clicando:

http://youtu.be/SBccjhrqASs

 

Por Elaine Tavares - jornalista

Com informações do Diário da Liberdade e infoescola.com

Existe vida no Jornalismo
Blog da Elaine:
www.eteia.blogspot.com
América Latina Livre -
www.iela.ufsc.br
Desacato -
www.desacato.info
Pobres & Nojentas -
www.pobresenojentas.blogspot.com
Agencia Contestado de Noticias Populares -
www.agecon.org.br

Imagem:

http://desacato.info/wp-content/uploads/2011/09/somalia-piratas-300x225.jpg


14/08/2011 - Mundo - Segurança

Apoio à retirada das Tropas Brasileiras do Haiti

A presença das tropas militares brasileiras no Haiti já completou, em junho último,oito anos. Até agora não se tem um balanço profundo dos efeitos reais dessa presença militar no país mais pobre das Américas. Ao contrário, esta ocupação tem significado, na visão de muitos, a negação de princípios básicos do direito internacional público. Entre eles, o direito à soberania nacional dentro do quadro transnacional de reciprocidade e solidariedade.

 

A ocupação militar da Minustah, a título de promover a estabilização, converte-se em presença opressora e, portanto, espoliadora. O povo desassistido e oprimido do Haiti não precisa de tropas militares, de intervenção bélica, policiamento, mas sim de ser exonerado do ilegal e ilegítimo endividamento externo mantido para o lucro do sistema financeiro internacional especulativo. Além da dívida contemporânea, existe a dívida história: 45% da dívida externa atualmente paga pelo povo haitiano foram contraídos durante as ditaduras da família Duvalier.

 

A Comunidade internacional não pode, sob pena de abdicar da própria humanidade, ignorar os extremos sofrimentos dos haitianos, submetidos às exigências mutiladoras dos interesses financeiros globalizados, suportando com a fome – como demonstraram as recentes mobilizações - e o desemprego, apesar disso, o terror militarizado, onde a opressão, os tiros, as armas, a morte  substituem o que deveria ser feito: efetiva solidariedade mediante apoio econômico, técnico, socioambiental e cultural para que o país possa se reconstruir, também após o avassalador terremoto de janeiro de 2010.

 

O Haiti carece, antes de tudo, de apoio técnico para sua agricultura, médicos para sua população, e de implantação internacional de projetos sociais de saúde, saneamento, educação e pleno emprego, que estimulem em curto prazo sua emancipação.

 

O Haiti é integrado por um povo especial, por ser historicamente objeto das opressões e, com sua luta, haver sido o autor de sua própria independência. Pois essa força única do povo haitiano nunca será ameaça a outros povos, mas sim elemento básico de sua emancipação, reconstrução e, portanto, partícipe da convivência internacional equitativa. O Haiti exige nosso apoio e solidariedade - é nossa responsabilidade.

 

Pelo exposto, APOIAMOS o posicionamento público do atual Ministro da Defesa, Celso Amorim, de que o governo brasileiro deve iniciar um imediato processo para a retirada das tropas brasileiras do Haiti.

 

Com este gesto, ratificamos a posição dos movimentos sociais brasileiros, que desde 2004 se posicionam e pressionam o governo brasileiro e a ONU pela retirada das tropas militares do país caribenho.

 

Haiti: Livre e Soberano! Renascido das cinzas!

Subscrevem:

Jubileu Sul Brasil

Conselho Indigenista Missionário – CIMI

Fórum de Mudanças Climáticas e Justiça Social

Assembléia Popular Nacional

Movimento dos Atingidos por Barragens – MAB

Grito dos Excluídos Nacional

Serviço Pastoral dos Migrantes – SPM

Instituto de Formação Humana e Educação Popular – IFHEP

Cáritas Brasileira – Regional de Minas Gerais

Rede de Educação Cidadã Nacional – RECID

Pastoral da Mulher Marginalizada – PMM

Pastoral Operária Nacional – PO

Pastoral da Sobriedade

Conselho Pastoral dos Pescadores - CPP

Pastoral da Saúde Nacional

Pastorais Sociais do Regional Noroeste

Pastoral do Povo da Rua

Comissão Pastoral da Terra – CPT

Pastorais Sociais/CNBB

Juventude Francisca – JUFRA

Conferencia Nacional dos Religiosos Nacional  – CRB

Pastoral da Pessoa Idoso Nacional

Centro Burnier de Fé e Político do Mato Grosso

Cáritas Brasileira Regional Nordeste III (Bahia e Sergipe)

Instituto de Política Alternativa para o Cone Sul – PACS

Instituto Brasileiro de Desenvolvimento – IBRADES

  

Secretaria
JUBILEU SUL BRASIL
Tel.
(+55) 11 3112 1524
Cel. (+55) 11 9116 3721

Fax. (+55) 11 3105 9702

Skype: rosilene_wansetto

www.jubileubrasil.org.br

 

Imagem:

http://2.bp.blogspot.com/_qYymnl5MhNU/TUiKiYgoKpI/AAAAAAAABvk/FbEzpAYt1v4/s1600/brazil_crimes_against_haiti_by_latuff2_70pc1.jpg


04/08/2011 - Mundo - Economia

Voracidade consumista

Para o filósofo Edgar Morin, a ciência, ao buscar autonomia fora da tutela da religião e da filosofia, extrapolou os próprios limites éticos, como a produção de armas de destruição em massa. Os cientistas não dispõem de recursos para controlar a própria obra. Há um divórcio entre a cultura científica e a humanista.

 

Exemplo paradigmático desse divórcio é a atual crise econômica. Quem é o culpado? O mercado? Concordar que sim é o mesmo que atribuir ao computador a responsabilidade por um romance de péssima qualidade literária.

 

Um dos sintomas nefastos dos tempos em que vivemos é a tentativa de reduzir a ética à esfera privada. Fora dela, tudo é permitido, em especial quando se trata de reforçar o poder e aumentar a riqueza. Obama admitiu torturar os prisioneiros que deram a pista de Bin Laden, e não houve protestos com suficiente veemência para fazê-lo corar de vergonha.

 

A globocolonização, inaugurada com a queda do Muro de Berlim, conhece agora sua primeira crise econômica. E ela explode no bojo da fragmentação da modernidade. "Tudo que é sólido se dissolve no ar...” Vale acrescentar: "... e o insólito, no bar”.

 

Esfareladas as grandes narrativas que norteavam a modernidade, abre-se amplo espaço ao relativismo. O projeto emancipatório se dilui no terrorismo e no assistencialismo compensatório guloso de votos. O futuro se desvanece.

 

Para os arautos do neoliberalismo, "a história terminou”. O presente é, hoje, o moto perpétuo. O passado, mera evocação, como a pintura que se contempla na parede de um museu. Nada de querer acertar contas com ele.

 

Graças às novas tecnologias, o espaço se contraiu e o tempo se acelerou. O outro lado do mundo está logo ali, e o que lá ocorre é visto aqui em tempo real. Tudo isso impacta nossos paradigmas e nossa escala de valores. Paradigmas e valores soam como contos da carochinha comparados a ensaios de bionanotecnologia.

 

O mundo real se cindiu e não condiz com o seu duplo virtual. Via internet, qualquer um pode assumir múltiplas identidades e os mais contraditórios discursos. Agora, todos podem ser simulacros de si mesmos.

 

Não há mais propostas libertárias que fomentem utopias, nutrem esperanças e semeiem otimismo. Ao olhar pela janela, não há horizonte. O que se vê reforça o pessimismo: o aquecimento global, a ciranda especulativa, a ausência de ética no jogo político, a lei do mais forte nas relações internacionais, a insustentabilidade do planeta.

 

Se não há futuro a se construir, vale a regra do prisioneiro confinado à sua cela: aproveitar ao máximo o aqui e agora. Já não interessam os princípios, importam os resultados. O sexo se dissocia do amor como os negócios da atividade produtiva.

 

A cultura do consumismo desencadeia duas reações contraditórias: a pulsão pela aquisição do novo e a frustração de não ter tido tempo suficiente para usufruir do "velho” adquirido ontem... A competitividade rege as relações entre pessoas e instituições. Somos todos acometidos de permanente sensação de insaciabilidade. Nada preenche o coração humano. E o que poderia fazê-lo já não faz parte de nosso universo teleológico: o sentido da vida como fenômeno, não apenas biológico; mas, sobretudo, biográfico, histórico.

 

Agora a voracidade consumista proclama a fé que identifica o infinito nos bens finitos. O princípio do limite é encarado como anacrônico. Azar nosso, porque todo sistema tem seu limite, da vida humana ao mercado. Sabemos por experiência própria o que acontece quando se tenta ignorar os limites: o sistema entra em pane. Mas, em se tratando de finanças, não se acreditava nisso. A riqueza dos donos do mundo parecia brotar de um poço sem fundo.

 

Duas dimensões da modernidade foram perdidas nesse processo: a dignidade do cidadão e o contrato social. Marx sabia que a burguesia, nos seus primórdios, era uma classe revolucionária. O que ignorava é que ela de tal modo revolucionaria o mundo, a ponto de exterminar a própria cultura burguesa. Os valores da modernidade evaporam por força da mercantilização de tudo: sentimentos, ideias, produtos e sonhos.

 

Para o neoliberalismo, a sociedade não existe, existem os indivíduos. E eles, cada vez mais, trocam a liberdade pela segurança. O que abastece este exemplo singular de mercantilização pós-moderna: a acirrada disputa pelo controle do mercado das almas. As religiões tradicionais perdem seus espaços territoriais e o número de fiéis. Agora, no bazar das crendices, a religião não promete o céu, e sim a prosperidade; não promete salvação, e sim segurança; não promete o amor de Deus, e sim o fim da dor; não suscita compromisso, e sim consolo.

Assim, o amor e o idealismo ficam relegados ao reino das palavras inócuas. Lucro e proveito pessoal são o que importam.

Frei Betto – Escritor e assessor de movimentos sociais

Imagem:

http://mercadoetico.terra.com.br/website/wp-content/uploads/2011/07/consumo_250.jpg


25/07/2011 - Mundo - Organizações Sociais

Telesur, 6 anos de telejornalismo transformador

Neste domingo, 24 de julho, a Telesur – La Nueva Television del Sur - completou seu sexto aniversário cercada de simbolismo - é a data de aniversário de Bolívar - de conquistas e de desafios. O simbolismo é a missão, bolivariana, de ser a única emissora televisiva que nasce para promover a integração latinoamericana e se contrapor, editorialmente, ao jornalismo desintegrador e neocolonialista praticado sub-repticiamente ou escandalosamente pelas redes internacionais de TV.

 

No terreno simbólico, quanto mais os povos vão tornando-se conscientes da prática cada vez mais hegemônica do jornalismo delinqüente , sobretudo nos países imperialistas, como agora se revela pelo fechamento do jornal News of the World, na Inglaterra, a Telesur caminha conquistando credibilidade consolidando um jornalismo de missão pública.

 

Enquanto a grande mídia inglesa, como nos EUA, França, Itália ou Espanha, revela sua absoluta relação intrínseca com governos imperais e guerreiros - e aqui estamos nos referindo também às suas mídias públicas que atuam em sintonia com os interesses da indústria bélica, participando da construção dementiras que “justificam”, sob uma ótica das razões propagandistas de Hitler, as guerras contra o Iraque, o Afeganistão, agora contra Líbia, e os preparativos para ações militares contra a Síria e o Irã; Telesur esforça-se exatamente para revelar a existência de um terrorismo midiático que tentar intimidar os processos revolucionários e populares.

 

Jornalismo delinquente inglês, uma prática hegemômica

Sempre se soube da estreita ligação do jornalismo delinqüente  das empresas d Murdock com as políticas mais interessantes para a indústria de armamentos e a suposta “guerra ao terrorismo”. Estes oligopólios jornalísticos sempre tiveram sob controle os governos de Margareth Tatcher, John Major, Tony Blair, Gordon e agora de Cameron, e esta relação jamais foi posta sob questão pelo jornalismo da BBC, que também ofereceu suporte editorial a todas as ações bélicas destes governos. Telesur, ao contrário, permite que as vozes silenciadas, seja nos EUA, ou na Europa, possam deunciar e revelar as ações criminosas da OTAN que sempre contaram com o suporte editorial da grande mídia capitalista, inclusive daquela chamada públcia, mas que não foi capaz de escapar dos planos militares de seus governos contra os povos do Sul.  

 

Para se ter uma idéia, basta citar dois exemplos recentes: primeiro, nos embates eleitorais na América Latina, como no Peru recentemente, quando até a BBC de Londres também revelou-se representar  interesses neocoloniais ao fazer aberta campanha pró- Fujimori.,  lá estava Telesur informando sobre o significado histórico da vitória de Humalla.

 

Segundo, a presença de Telesur na Líbia, única TV internacional a emitir de Trípoli, desmontando a vil farsa do “bombardeio humanitário da OTAN”, crime apoiado pela manipulação de todas as grandes redes, inclusive a TV Al-Jazeera,  representante dos interesses do estado oligárquico do Qatar, país ocupado militarmente pelos EUA,

Telesur é conquista dos povos do sul

Telesur é também uma conquista, não apenas da Revolução Bolivariana, que já erradicou o analfabetismo e assumiu com soberania  o destino de suas riquezas nacionais. Nunca tais causas e conquistas, também alcançadas por outras nações, foram adequadamente informadas. Jamais o tesouro cultural e das causas revolucionárias latinoamericanas   mereceram espaços justos  nas telas  como na Telesur, que retrata Che, Zapata, Gaitan, Perón, Lula, Fidel, Evo, Mandela, Agostinho Neto e Samora Machel como expressões históricas  das lutas populares.

 

Nas telas de Telesur há intensa e necessária divulgação, por exemplo, da vitória do povo da Bolívia contra o analfabetismo, ecoando a façanha da economia mais fraca da América do Sul já ser hoje “Território Livre do Analfabetismo”, ao passo que na economia mais forte da região sequer temos metas fixadas para erradicar esta vergonhosa mazela. Também há, por exemplo, qualificada informação sobre a retomada do desenvolvimento econômico na Argentina e seus progressos políticos, como na democratização dos meios de comunicação, o que permite que a Telesur seja hoje plenamente acessível aos nosso hermanos portenhos. Os planos para a integração sulamericana - que é retratata com desdém e manipulação pela mídia capitalista - encontram na Telesur uma explicação lógica e contextualizada para os povos do sul. Desta cobertura jornalística, sistemática e regular, vai surgindo clara a idéia de que essa integração exige valores como o da solidariedade e da cooperação entre os povos, para o que também se fazem necessárias políticas baseadas no Estado de tal forma que se realizem as obras públicas indispensáveis, de infraestrutura, por exemplo, para que o crescimento e o desenvolvimento sócio-econômico seja para todos os países da região. Só a Telesur pode oferecer uma cobertura legítima, educativa e transparente sobre estas políticas porque é, ela mesma, produto deste processo de libertação e de integração latinoamericana.. E também porque não está submetida à ditadura do mercado, aquela que produz o jornalismo delinqüente da Inglaterra, mas não apenas lá.

 

Desafios
Muitos desafios, porém, cercam a Telesur. Entre eles: vencer a sabotagem permanente do império que coloca sempre mais e mais obstáculos para impedir o crescimento da visibilidade da Telesur no mundo. Apesar dela, Telesur já está na Espanha, caminha para a África de língua portuguesa. Além deste, há também  a incompreensão em alguns círculos nos governos progressistas, que ainda retardam integração midiática libertadora e preferem acordos com redes convencionais a cooperar com Telesur. Não há explicações lógicas para que, em sintonia com o processo e as políticas de integração latinomaericana, a TV Brasil ainda não tenha colocado em prática o convênio de cooperação firmado com a Telesur, permitindo, com isto, que os telespectadores brasileiros tomem conhecimento de um curso de transformações progressistas que avança em vários países da região.

 

Aliás, a Telesur já foi bastante difundida nacionalmente no Brasil por meio de convênio com a TVE do Paraná, até o ano de 2010. Seria apenas levar ao terreno da comunicação políticas de cooperação que já existem nos planos econômico, político, educacional, de saúde, seja com a Venezuela, com Cuba, com a Bolívia e Equador, todos sócios da Telesur.. Apesar destes obstáculos, Telesur consegue cada vez mais presença e visibilidade mundialmente, comprovando o acerto de uma decisão que era considerada visionária, e vai levando na prática jornalística o seu lema “Nosso norte é o sul”, com o que prova e convida: um outro jornalismo é possível! E urgente!

 

Por Beto Almeida é jornalista, Membro da Junta Diretiva da Telesur

 

Imagem:

http://joelbueno.blog.uol.com.br/images/telesur.jpg


18/07/2011 - Mundo - Religião

O “complexo Deus” da modernidade

A crise atual não é apenas de escassez crescente de recursos e de serviços naturais. É fundamentalmente a crise de um tipo de civilização que colocou o ser humano como “senhor e dono” da natureza (Descartes). Esta, para ele, é sem espírito e sem propósito e por isso pode fazer com ela o que quiser.

 

Segundo o fundador do paradigma moderno da tecnociência, Francis Bacon, cabe ao ser humano torturá-la, como o fazem os esbirros da Inquisição, até que ela entregue todos os seus segredos. Desta atitude se derivou uma relação de  agressão e de verdadeira guerra contra a natureza selvagem que devia ser dominada e “civilizada”. Surgiu também a projeção arrogante do ser humano como o “Deus” que tudo domina e organiza.

 

Devemos reconhecer que o Cristianismo ajudou a legitimar e a reforçar esta compreensão. O Gênesis diz claramente:”enchei a Terra e sujeitai-a e dominai sobre tudo o que vive e se move sobre ela”(1,28). Depois se afirma que o ser humano foi feito “à imagem e semelhança de Deus”(Gn 1,26). O sentido bíblico desta expressão é: o ser humano é  lugar-tenente de Deus e como Este é o senhor do universo, o ser humano é senhor da Terra. Ele goza de uma dignidade que é só dele, o de estar acima dos demas seres. Dai se gerou o antropocentrismo, uma das causas da crise ecológica. Por fim, o estrito monoteismo retirou o caráter sagrado de todas as coisas e o concentrou só em Deus. O mundo, não possuindo nada de sagrado, não precisa ser respeitado. Podemos moldá-lo ao nosso bel-prazer. A moderna civilização da tecnociência encheu todos os espaços com seus aparatos e pôde penetrar no coração da matéria, da vida e do universo. Tudo vinha envolto  pela aura do “progresso”, uma espécie de resgate do paraiso das delícias, outrora perdido, mas  agora reconstruido e oferecido a todos.

 

Esta visão gloriosa começou a ruir no século XX com as duas guerras mundiais e outras coloniais que vitimaram duzentos milhões de pessoas. Quando se perpetrou o maior ato terrorista da história, as bombas atômicas lançadas sobre o Japão pelo exército norteamericano, que matou milhares de pessoas e devastou a natureza, a humanidade levou um susto do qual não se refez até hoje. Com as armas atômicas, biológicas e químicas construidas depois, nos demos conta de que não precisamos de Deus para concretizar o Apocalipse.

 

Não somos Deus e querer ser “Deus” nos leva à loucura. A idéia do homem como “Deus” se transformou num pesadelo. Mas ele se esconde ainda atrás do “tina” (there is no alternative) neoliberal:”não há alternativa, este mundo é definitivo.” Ridículo. Demo-nos conta de que “o saber como poder”(Bacon) quando feito sem consciência e sem limites éticos, pode nos autodestruir. Que poder temos sobre a natureza? Quem domina um tsunami? Quem controla o vulcão chileno Puyehe? Quem freia a fúria das enchentes nas cidades serranas do Rio? Quem impede o efeito letal das partículas atômicas do urânio, do césio e de outras liberadas, pelas catástrofes de Chernobyl e de Fukushima? Como disse Heidegger em sua última entrevista ao Der Spiegel: ”só um Deus nos poderá salvar”.

 

Temos que nos aceitar como simples criaturas junto com todas as demais da comunidade de vida. Temos a mesma origem comum: o pó da Terra. Não somos a coroa da criação, mas um elo da correnta da vida, com uma diferença, a de sermos conscientes e com a missão de “guardar e de cuidar do jardim do Eden”(Gn 2,15), quer dizer, de manter a condições de sustentalidade de todos os ecossistemas que compõem a Terra.

 

Se partimos da Bíblia para legitimar a dominação da Terra, temos que voltar a ela para aprender a respeitá-la e a cuidá-la. A Terra gerou a todos. Deus ordenou: “Que a Terra produza seres vivos, segundo  sua espécie”(Gn 1,24). Ela, portanto, não é inerte, é geradora e é mãe. A aliança de Deus não é apenas com os seres humanos. Depois do tsunami do dilúvio, Deus refez a aliança “com a nossa descendência e com todos os seres vivos”(Gn 9,10). Sem eles, somos uma familia desfalcada.

A história mostra que a arrogância de “ser Deus”, sem nunca poder sê-lo, só nos traz desgraças. Baste-nos ser simples criaturas com a missão de cuidar e respeitar a Mãe Terra.

 

Por Leonardo Boff – Teólogo/Filósofo

Imagem:

http://www.franciscanos.org.br/ecologia/imagens_capa/2011/04_220211.jpg


01/07/6475 - Mundo - Economia

A perda de confiança na ordem atual

Na perspectiva das grandes maiorias da humanidade, a atual ordem é uma ordem na desordem, produzida e mantida por aquelas forças e países que se beneficiam dela, aumentando seu poder e seus ganhos. Essa desordem se deriva do fato de que a globalização econômica não deu origem a uma globalização política. Não há nenhuma instância ou força que controle a voracidade da globalização econômica.

 

Joseph Stiglitz e Paul Krugman, dois prêmios Nobel em economia, criticam o Presidente Obama por não ter imposto freios aos ladrões de Wall Street e da City, ao invés de se ter rendido a eles. Depois de terem provocado a crise, ainda foram beneficiados com inversões bilionários de dinheiro público. Voltaram, airosos, ao sitema de especulação financeira.

 

Estes excepcionais economistas são ótimos na análise mas mudos na apresentação de saídas à atual crise. Talvez, como insinuam, por estarem convencidos de que a solução da economia não esteja na economia mas no refazimento das relações sociais destruídas pela economia de mercado, especialmente, a especulativa. Esta é sem compaixão e desprovida de qualquer projeto de mundo, de sociedade e de política. Seu propósito é acumular maximamente, apropiando-se de bens comuns vitais como água, sementes e solos e destroçado economias nacionais.

 

Para os especuladores, também no Brasil, o dinheiro serve para produzir mais dinheiro e não para produzir mais bens. Aqui o Governo tem que pagar 150 bilhões de reais anuais pelos empréstimos tomados, enquanto repassa apenas cerca de 60 bilhões para os projetos sociais. Esta disparidade resulta eticamente perversa, consequência do tipo de sociedade a qual nos incorporamos, sociedade essa que colocou, como eixo estruturador central, a economia  que de tudo faz mercadoria até da vida.

 

Não são poucos que sustentam a tese de que estamos num momento dramático de decomposição dos laços sociais. Alain Touraine fala até de fase pós-social ao invés de pós-industrial.

 

Esta decomposição social se revela por polarizações ou por lógicas opostas: a lógica do capital produtivo cerca de 60 trilhões de dólares/ano e a do capital especulativo, cerca de 600 trilhões de dólares sob a égide do “greed is good”(a cobiça é boa). A lógica dos que defendem a maior lucratividade possivel e a dos que lutam pelos direitos da vida, da humanidade e da Terra. A lógica do individualismo que destrói a “casa comum”, aumentando o número dos que não querem mais conviver e a lógica da solidariedade social a partir dos mais vulneráveis. A lógica das elites que fazem as mudanças intrasistêmicas e se apropriam dos lucros e a lógica dos assalariados, ameaçados de desemprego e sem capacidade de intervenção. A lógica da aceleração do crescimento material (o PAC) e a dos limites de cada ecossistema e da própria Terra.

 

Vigora uma desconfiança generalizada de que deste sistema não poderá vir nada de bom para a humanidade. Estamos indo de mal a pior em todos os itens da vida e da natureza. O futuro depende do cabedal de confiança que os povos depositam em suas capacidades e nas possibilidades da realidade. E esta confiança está minguando dia a dia.

 

Estamos nos confrontando com esse dilema: ou deixamos as coisas correrem assim como estão e então nos afundaremos numa crise abissal ou então nos empenharemos na gestação de uma nova vida social, capaz de sustentar um outro tipo de civilização. Os vínculos sociais novos não se derivarão nem da técnica nem da política, descoladas da natureza e de uma relação de sinergia com a Terra. Nascerão de um consenso mínimo entre os humanos, a ser ainda construido, ao redor do reconhecimento e do respeito dos direitos da vida, de cada sujeito, da humanidade e da Terra, tida como Gaia e nossa Mãe comum. A essa nova vida social devem servir a técnica, a política, as instituições e os valores do passado. Sobre isso venho pensando e escrevendo já pelo menos há vinte anos. Mas é voz perdida no deserto. “Clamei e salvei a minha alma”(clamavi et salvavi animam meam), diria desolado Marx. Mas importa continuar. O improvável é ainda possível.

Leonardo Boff é autor de Virtudes para um outro mundo possivel 3 vol. Vozes 2005.

Imagem:

http://3.bp.blogspot.com/_imcZwJL5ZoM/TLkX78PfWQI/AAAAAAAAAAk/CPxP4IEg6SU/s1600/mundo1.jpg


25/06/2011 - Mundo - Política

Acompanhe a Frota da Liberdade no Portal Desacato

Desacato transmitirá em português  através do nosso site ou por@desacatobrasil. Se você não tiver twitter, cole http://twitter.com/#!/desacatobrasil no seu navegador.

 

A Frota Humanitária está nos seus últimos preparativos. São mais de 1000 ativistas de 20 países que levam dez toneladas de ajuda humanitária pelo valor de 600.000 euros. Mas, sobre tudo, levam a solidariedade de um mundo cansado de tanta injustiça com o povo palestino. Gaza sofre um bloqueio atroz por parte do Estado de Israel.

 

Acompanhar a transmissão conosco é uma forma de viajar junto com os ativistas que estão na Segunda Frota da Liberdade rumo a Gaza.

 

Tomado do Portal Desacato – www.desacato.info

Integrante da Rede Popular Catarinense de Comunicação – RPCC


14/06/2011 - Mundo - Política

Armas, Terrorismo da ONU, Censura, Roubo, Exploração, Montagem, Massacre...

Os Estados Unidos deverão exportar este ano 46 mil milhões de dólares (32 mil milhões de euros) em armamento, num aumento de 50% em relação às vendas de 2010, informou esta sexta-feira a Agência de Defesa, Segurança e Cooperação dos Estados Unidos.

 

O diretor da Agência de Defesa, Segurança e Cooperação dos Estados Unidos (DSCA), William Landay, assinalou, contudo, a possibilidade de que Washington seja incapaz de atender todos os pedidos.

 

“Temos um excesso de 13.000 casos ativos com mais de 165 países e instituições”, indicou Landay, que calculou que, se se processarem todas as solicitudes antes do ano fiscal acabar em setembro, o Pentágono ganharia uns 327.000 milhões de dólares adicionais.

 

Veja matéria na íntegra acessando: http://desacato.info/2011/06/outra-semana-de-crimes/

 

Por Tali Feld Gleiser e Raul Fitipaldi.

Tomado do Portal Desacato – www.desacato.info membro da Rede Catarinense de Comunicação Popular  


31/05/2011 - Mundo - Política

23 Meses

Acordar com um Golpe de Estado, seja onde for, é como abrir os olhos na Idade Media. É uma viagem no tempo à negação da civilização. É o atraso, é um passo humano em direção às cavernas, à  intolerância e a miséria espiritual e física. Mas,  quando o estupor do barulho nos acorda, quando abrimos a janela para ver o que acontece, também podemos respirar um ar novo, reconhecê-lo, aspirá-lo profundamente. É assim que de Um Golpe, Honduras, conseguiu  cumprir com a máxima leninista de dar um passo atrás para dar dois para frente. A Resistência Popular do Povo Hondurenho é um maior acontecimento de massas da América Latina em aras de mudar os rumos de um país, e vai desde o espanto medieval à liberdade definitiva. Irmana-se, por efeito e ação, ao resgate do Presidente Chávez conduzido pelas massas caraquenhas.

23 meses são nada, um ponto na história da humanidade, mas 23 meses são suficientes para lhe dar luz e conhecimento a um povo que resiste unido ao golpe, à morte, o desespero, a fome e todas as misérias do mundo.

23 meses são nada para mudar o rumo da história, mas 23 meses são suficientes  para não ter medo nem mais um dia, para enfrentá-lo ao patrão, para se descobrir como UM e ÚNICO em um coletivo de milhões de almas. Bastaram algumas horas desses 23 meses para se dar conta, e se consolidar em marcha irreversível desde a vida cegada de Isis Obed Murillo.

23 meses são nada para acabar com a injustiça, mas 23 meses são suficientes para se dar conta de que a palavra precisa sulcar os ventos e que o martírio do povo é a semente insurgente que inaugura a árvore da vitória. Nas praças, nas escolas, nas fábricas, no Bajo Aguán, essa palavra é levada pelo espírito justo de Omar Rodríguez, a poesia rebelde de Roberto Sosa.

23 meses são nada para apagar 500 anos de genocídio, mas 23 meses são suficientes para clarear as ideais, se sustentar de pé, acumular as energias, descobrir o objetivo supremo, marchar a caminho do palácio, limpar seus salões e enchê-los de justiça, liberdade e independência.

23 meses são um cálculo para uma multinacional, mas 23 meses são suficientes para doar cada dia à memória de Vanessa Zepeda, Wendy Ávila e todos os outros que se uniram aos mártires da família Velázquez, e com essa memória no punho entender que é Agora ou Nunca.

23 meses são uma página da história da Nossa América, mas 23 meses são suficientes para que esta página seja definitiva, e que o Império seja derrotado na sua tentativa de nos separar, nos invadir, nos privar, nos escravizar e nos enterrar em sua cova de ódio, violência, guerras e iniquidade.

Talvez a história diga que a Liberdade e a Independência definitiva de Honduras se forjaram em 23 meses, para sempre, para bênção da nossa Pátria Grande, para orgulho da Pacha Mama, Madre Terra de todos os filhos de Morazán, de Artigas, de San Martín, de Martí e do Che.

Que venham outros 23 meses de Resistência e de Marcha imparável se for necessários. Nessa Marcha estaremos, a cada dia, a cada instante, como irmãos privilegiados que participam da Vitória da Gente Pobre, das Gentes da Nossa América. E que venham días melhores!

Por Raul Fitipaldi e Tali Feld Gleiser.

Tomado do site: http://desacato.info/2011/05/23-meses

 

 


13/05/2011 - Mundo - Organizações Sociais

Jornalista fala de experiência no FSM realizado na África

Osíris Duarte, jornalista, durante 22 dias percorreu três países africanos com um objetivo claro: contar histórias. Apenas com uma câmera fotográfica e a meta inicial de realizar uma cobertura jornalística para Sindicatos Catarinenses do Fórum Social Mundial 2011 em Dakar - Capital do Senegal - teve a oportunidade de vivenciar mais do que as discussões sobre política, sociedade e cultura.

 

Depois de seis dias em Dakar, seguiu viagem em direção ao arquipélago de Cabo Verde e em seguida para a República da Guiné Bissau. Nesses três países, com realidades e contextos sociopolíticos diferentes, pôde experimentar um pouco da realidade dos africanos. “A África é um continente com uma das maiores diversidades étnicas, culturais e religiosas do planeta. Sendo assim, seria impossível não trazer na bagagem, além das fotos e suvenires, um monte de histórias curiosas, peculiares, interessantes e informativas”.

 

Osíris pode acompanhar, durante o FSM, a queda de Hosni Mubarak no Egito e a festa dos militantes egípcios em Dakar. Viu a beleza das ilhas de Cabo Verde e o poder da influência da cultura e da mídia brasileira naquele país. Na Guiné Bissau viveu a realidade de um povo que se recupera de anos de guerra civil e exploração internacional.

 

Essas e outras tantas histórias, impressões e constatações tu também podes ouvir durante o "Seminário Nosso eu Africano – Uma viagem particular pela realidade da África," quarta-feira, dia 18 de maio, no auditório do SEEB Floripa. Lá, Osíris te espera, esperando partilhar essas histórias de luta e beleza.

 

O que?

Seminário: Nosso eu Africano – Uma viagem particular pela realidade da África

 

Quando?

Quarta-feira, dia 18 de maio, às 18h30min

 

Onde?

Auditório do SEEB Florianópolis e Região. Rua Visconde de Ouro Preto, 308, Centro, Florianópolis.

 

Quem?

Osíris Duarte é jornalista profissional, Bacharel em Comunicação Social com habilitação em jornalismo pela Universidade do Vale do Itajaí em 2005, fotógrafo, blogueiro e assessor de imprensa do Sindicato dos Bancários de Florianópolis e Região.

 

 

Entidades que apóiam este evento:

Fetec/SC

SEEB Florianóplis e Região  

SEEB Blumenau

Sindprevs/SC

Sindes - Sindicato dos Jornalistas de Santa Catarina

Revista Pobres & Nojentas.

Imagem:

http://2.bp.blogspot.com/-5D9C2NyETRs/TZSzVbtHaiI/AAAAAAAAASw/YWd2zFCiS98/s1600/africa.publico.jpg

 


07/05/2011 - Mundo - Política

FEZ-SE VINGANÇA, NÃO JUSTIÇA

Alguém precisa ser inimigo de si mesmo, e contrário aos valores humanitários mínimos, se aprovasse o nefasto crime do terrorismo da Al Qaeda do 11 de novembro de 2001 em Nova Iorque. Mas é por todos os títulos inaceitável que um Estado, militarmente o mais poderoso do mundo, para responder ao terrorismo se tenha transformado, ele mesmo, num Estado terrorista. Foi o que fez Bush, limitando a democracia e suspendendo a vigência incondicional de alguns direitos, que eram apanágio do país. Fez mais, conduziu duas guerras, contra o Afeganistão e contra o Irã, onde devastou uma das culturas mais antigas da humanidade nal qual foram mortos mais de cem mil pessoas e mais de um milhão de deslocados. 

 

Cabe renovar a pergunta que quase a ninguém interessa colocar: por que se produziram tais atos terroristas? O bispo Robert Bowman, de Melbourne Beach da Flórida, que fora anteriormente piloto de caças militares durante a guerra do Vietnã respondeu, claramente, no National Catholic Reporter, numa carta aberta ao Presidente: ”Somos alvo de terroristas porque, em boa parte no mundo, nosso Governo defende a ditadura, a escravidão e a exploração humana. Somos alvos de terroristas porque nos odeiam. E nos odeiam porque nosso Governo faz coisas odiosas”.  

 

Não disse outra coisa Richard Clarke, responsável contra o terrorismo da Casa Branca numa entrevista a Jorge Pontual emitida pela Globonews de 28/02/2010 e repetida no dia 03/05/2011. Havia advertido à CIA e ao Presidente Bush que um ataque da Al Qaeda era iminente em Nova York. Não lhe deram ouvidos. Logo em seguida ocorreu, o que o encheu de raiva. Essa raiva aumentou contra o Governo quando viu que com mentiras e falsidades Bush, por pura vontade imperial de manter a hegemonia mundial, decretou uma guerra contra o Iraque que não tinha conexão nenhuma com o 11 de setembro. A raiva chegou a um ponto que por saúde e decência se demitiu do cargo. 

 

Mais contundente foi Chalmers Johnson, um dos principais analistas da CIA, também numa entrevista ao mesmo jornalista no dia 2 de maio do corrente ano na Globonews. Conheceu por dentro os malefícios que as mais de 800 bases militares norte-americanas produzem, espalhadas pelo mundo todo, pois evocam raiva e revolta nas populações, caldo para o terrorismo. Cita o livro de Eduardo Galeano “As veias abertas da América Latina” para ilustrar as barbaridades que os órgãos de Inteligência norte-americanos por aqui fizeram. Denuncia o caráter imperial dos Governos, fundado no uso da inteligência que recomenda golpes de Estado, organiza assassinato de líderes e ensina a torturar. Em protesto, se demitiu e foi ser professor de história na Universidade da Califórnia. Escreveu três tomos “Blowback” (retaliação) onde previa, por poucos meses de antecedência, as retaliações contra a prepotência norte-americana no mundo. Foi tido como o profeta de 11 de setembro. Este é o pano de fundo para entendermos a atual situação que culminou com a execução criminosa de Osama Bin Laden. 

 

Os órgãos de inteligência norte-americanos são uns fracassados. Por dez anos vasculharam o mundo para caçar Bin Laden. Nada conseguiram. Só usando um método imoral, a tortura de um mensageiro de Bin Laden, conseguiram chegar ao seu esconderijo. Portanto, não tiveram mérito próprio nenhum. 

 

Tudo nessa caçada está sob o signo da imoralidade, da vergonha e do crime. Primeiramente, o Presidente Barak Obama, como se fosse um “deus” determinou a execução/matança de Bin Laden. Isso vai contra o princípio ético universal de “não matar” e dos acordos internacionais que prescrevem a prisão, o julgamento e a punição do acusado. Assim se fez com Hussein do Iraque, com os criminosos nazistas em Nürenberg, com Eichmann em Israel e com outros acusados. Com Bin Laden se preferiu a execução intencionada, crime pelo qual Barak Obama deverá um dia responder. Depois se invadiu território do Paquistão, sem qualquer aviso prévio da operação. Em seguida, se seqüestrou o cadáver e o lançaram ao mar, crime contra a piedade familiar, direito que cada família tem de enterrar seus mortos, criminosos ou não, pois por piores que sejam, nunca deixam de ser humanos. 

 

Não se fez justiça. Praticou-se a vingança, sempre condenável. ”Minha é a vingança” diz o Deus das escrituras das três religiões abraâmicas. Agora estaremos sob o poder de um Imperador sobre quem pesa a acusação de assassinato. E a necrofilia das multidões nos diminui e nos envergonha a todos.

 

Por Leonardo Boff - Teólogo, filósofo autor de Fundamentalismo,terrorismo , religião e paz, Vozes 2009.

 

Enviado por:

Gilvander Moreira, frei Carmelita.
e-mail:
gilvander@igrejadocarmo.com.br
www.gilvander.org.br

www.twitter.com/gilvanderluis
skype: gilvander.moreira

Imagem:

http://4.bp.blogspot.com/_6Z9pnZfqer0/TCSsmbk0uuI/AAAAAAAAATw/dv_5SW6N01M/s320/Patch+-+Vinganca+-+Logo+Preto.jpg


30/04/2011 - Mundo - Política

Arnulfo Aguilar sofre tentativa de assassinato

O colega Arnulfo Aguilar, diretor de Rádio Uno de San Pedro Sula, em Honduras, sofreu um novo atentado por conta de paramilitares hondurenhos, que tentaram ingressar no seu domícilio para lhe matar. Rádio Uno forma locutores e comunicadores sociais, para servir à Comunidade. Muitos dos seus integrantes já foram agredidos de forma brutal pelo governo ditatorial de Micheletti e agora de Porfírio Lobo Sosa.

 

Arnulfo explicou que foi esperado por homens de rosto coberto, vários, que aguardavam sua presença para lhe sequestrar ou assassinar ao entrar na sua casa. Quando a vizinha tentou se comunicar com a polícia todos os telefones estavam desligados. O Chefe de Polícia da região pediu para não ser incomodado depois das 22 h de forma suspeita.

 

Arnulfo Aguilar está protegido por medidas cautelares de organismos de direitos humanos internacionais. Pessoas vinculadas à Rádio já foram torturadas, violadas ou assassinadas.

 

Por Raul Fitipaldi.

Fonte: www.desacato.info

Imagem:

http://desacato.info/wp-content/uploads/2011/04/ARNULFO.jpg


11/04/2011 - Mundo - Organizações Sociais

A revolução dos povos árabes e a crise do capitalismo mundial

Este foi o tema da palestra do escritor Alan Woods realizada no dia 31 de março na Universidade Federal de Santa Catarina. Teórico marxista britânico, Alan Woods é editor do site "In Defense of Marxism" (www.marxist.com). Tem inúmeros livros publicados em mais de 10 idiomas, com destaque para o último livro sobre a Revolução Venezuelana "Reformismo ou Revolução - Marxismo e Socialismo do Século XXI: uma resposta a Heinz Dieterich" que foi recomendado pelo presidente Hugo Chávez em rede nacional de televisão na Venezuela.

 

O artigo de Alan Woods intitulado "A Insurreição na Tunísia e o Futuro da Revolução Árabe" publicado em mais de 10 idiomas, foi acessado por dezenas de milhares de internautas. Em janeiro e fevereiro, Alan escreveu uma série de análises diárias sobre a revolução no Egito, que foram traduzidas imediatamente ao árabe, espanhol, português, italiano, francês, alemão, grego, urdu e outros idiomas.

 

Na palestra ele apresentou sua análise sobre o tema.

"Hoje 102 bilhões de pessoas vivem com menos de dois dólares por dia. 8 milhões morrem porque não têm suporte para sobreviver. A atual crise do capitalismo é a mais grave de todas nos últimos 60 anos. Na crise de 29 achamos que o mundo tinha aprendido com as lições da história", disse Alan Woods.

 

"O sistema capitalista mundial está em bancarrota. Em 2008, o bancos colapsaram os banqueiros exigiram, não pediram, exigiram de Bush, e o presidente veio com um talão de crédito em branco nas mãos. Os bancos e as empresas foram subsidiadas pelo Estado. Depois veio a crise na Grécia, na Irlanda, Portugal, depois Espanha. Não há dinheiro para as aposentadorias. Estão acabando com os direitos dos trabalhadores na Europa", criticou.

 

Para o escritor, os capitalistas, a burguesia, insistem em dizer que a classe trabalhadora não existe mais, que está desarticulada. Mas o que se vê não é isso. Em 12 meses aconteceram oito greves gerais na Grécia. Houve greve geral na Espanha. Em Portugal também mais greve geral - a maior desde a Revolução dos Cravos. Na frança, a população estava nas ruas, na Itália meio milhão de pessoas tomaram as ruas e na Inglaterra também houve uma grande manifestação. "E agora temos um grande despertar do povo árabe. Todos os burgueses achavam que os árabes não riam levantar a cabeça".

 

"Na Tunísia, modelo para os países em desenvolvimento, onde tudo começou, os governantes têm grandes fortunas e falta trabalho para os jovens. Milhões de trabalhadores foram às ruas para derrubar o regime de Bem Ali, ditador apoiado por Sarkozy. Os intelectuais burgueses acharam que o que se passou na Tunísia não chegaria ao Egito e se enganaram novamente. A classe operária não aprende em livros, aprende com a vida", disse o palestrante.

 

"70% dos jovens estavam sem emprego no Egito. A economia cresceu, mas as classe operária não obteve proveito. Quando as massas começaram a entrar nas ruas, começaram a entender seu poder. Mubarack mandou então a polícia e a gente lutou. Então Mubarack enviou o exército, os tanques. Como o Egito apoiava mais os Estados Unidos do que seu povo, Obama se calou e nada vê fez para intervir", relatou.

 

Para Woods, por mais que muitos querem negar, podemos sim chamar o que houve na Tunísia e no Egito de revolução. "A tomada do poder pelos trabalhadores é a única solução em que temos que nos inspirar. Em Bahrei, país pequeno, quando vejo o povo nas ruas lutando, digo isso: é revolução!".

 

Sobre a Líbia, Woods declarou que é contra qualquer intervenção imperialista e que a revolução deve ser do povo. "O fogo está se estendendo de um país a outro. Vai chegar em outros países e até nos EUA e no Brasil. O socialismo depende de vocês", finalizou o escritor.

 

Por Marcela Cornelli, da Revista Pobres & Nojentas

 

Blog:

http://pobresenojentas.blogspot.com

 

Imagem:

http://pagina13.org.br/wp-content/uploads/2011/03/alan-woods-1455-t-600x600-rw.jpg

 


10/04/2011 - Mundo - Política

Hoje é a vez dos Peruanos

Segundo todas as pesquisas, Humala, demonizado até a exaustão pelos jornais, televisões e jornalistas, é o favorito, mas não ganharia no primeiro turno e terá de disputar outra vez em junho contra Fujimori, Toledo ou Kuczynski. A burguesia peruana está à beira de um ataque de nervos. Nas ruas dos bairros ricos respira-se o medo de uma vitória de Ollanta Humala, candidato das esquerdas, nas eleições presidenciais de hoje.

 

A grande dúvida é saber quem competirá com o candidato progressista no segundo turno. Na briga estão o ex-presidente Alejandro Toledo, que fez governo neoliberal entre 2001 e 2006, a deputada Keiko Fujimori, filha do ditador Alberto Fujimori (1990-2000) e o economista Pedro Pablo Kuczynski, candidato dos grandes grupos econômicos e favorito das classes alta e média-alta.

Os peruanos que hoje elegem o presidente e todos os 130 congressistas (congresso unicameral) são 19,850 milhões – incluídos os 754 mil que vivem no exterior e que também votam, dos quais 106.665 vivem na Argentina. Os 4.573 centros de votação abrem às 8h da manhã (10h na Argentina) e fecham às 16h.

 

Segundo as últimas pesquisas de ontem, às quais esse jornal teve acesso – a lei proíbe a publicação de pesquisas desde a 2ª-feira passada –, Humala consolida-se no 1º lugar com cerca de 30% dos votos, porcentagem praticamente idêntica aos 31% com que venceu o 1º turno em 2006. Na disputa pelo 2º lugar, onde até há alguns dias havia empate triplo, Keiko Fujimori conseguira vantagem, entre 2-5%, sobre Kuczynski e Toledo, que continuavam empatados. Mas é vantagem que nada garante.

 

Toledo e Kuczynski centraram a campanha, nos últimos dias, no esforço para apresentarem-se como melhor alternativa para “deter Humala” e evitar um segundo turno contra o candidato de esquerda, que temem por suas propostas para mudar o modelo econômico, e a filha do ditador condenado a 25 anos de cadeia por crimes de lesa humanidade e corrupção. Tanto fizeram entre si e contra Fujimori, que acabaram por deixar espaço para que Keiko Fujimori crescesse e se aproximasse do segundo turno, embora com pequena vantagem.

 

O partido do governo acabou sem candidato, quando a candidata virtual da situação, a ex-ministra da Economia Mercedes Aráoz, renunciou em janeiro, quando pesquisas mostraram que não teria mais que 3% dos votos. O presidente Alan García, com 70% de rejeição em todas as pesquisas, apoiou primeiro o ex-prefeito de Lima e direitista Luis Castañeda, enquanto seu nome apareceu no topo das pesquisas. Mas Castañeda desabou. Nos últimos dias, o secretário-geral do partido do governo pediu votos para Kuczynski, mas outros grupos do seu partido o desautorizaram. Toledo também procurou o apoio do partido do governo. Contudo, ante a impopularidade do governo, qualquer apoio oficial hoje pode ser abraço de afogado.

 

A campanha passou por várias fases. Luis Castañeda começou no 1º lugar, com folga. Sentia-se eleito. Mas logo começou a cair e hoje não tem qualquer possibilidade de ser eleito. Em janeiro, Toledo passou a liderar todas as pesquisas; para logo cair, tão depressa quanto subira. E Humala saltou de um distante 4º lugar, com cerca de 10% das preferências, onde permanecera por vários meses, para o primeiro lugar. Foi quando passou a ser furiosamente atacado pelos jornais, televisões e jornalistas. O ataque foi de tal modo violento que teve efeito contrário ao que os atacantes esperavam obter e Humala continuou ampliando a vantagem. Kuczynski, apoiado pelos jornais, televisões e jornalistas, ganhou terreno no último mês, sobretudo na classe alta e média alta que desertou da candidatura de Toledo e também se envolveu na disputa. No sobe e desce das pesquisas, Keiko Fujimori conservou sempre cerca de 20% dos votos – o chamado “voto fujimorista duro”.

 

Ollanta Humala, hoje o candidato favorito, capitalizou o descontentamento de amplos setores da população que não viram qualquer benefício do crescimento econômico do país. Propõe mudar o modelo econômico neoliberal, melhorar a redistribuição da riqueza, restaurar direitos trabalhistas, aumentar a participação do Estado em atividades estratégicas como energia e portos, e renegociar a relação com as multinacionais que exploram recursos naturais do país, fazendo com que paguem mais impostos, o que dará ao Estado maior capacidade para decidir sobre o uso daqueles recursos.

 

Keiko Fujimori é a continuidade do modelo neoliberal, imposto ao país pelo regime autoritário de seu pai, mas, como Humala, também se beneficia da ira de setores populares contra os políticos, que ainda veem Fujimori como o ‘não-político’ que, nos anos 90 tirou do poder os políticos tradicionais. Keiko Fujimori também tem apoios entre os pobres, que se beneficiaram do vasto clientelismo instaurado no Peru durante o governo de seu pai. Alejandro Toledo propõe-se a preservar o modelo político, mas garante que dará prioridade a programas sociais e a melhor redistribuição da riqueza. E Kuczynski é o homem do establishment econômico-financeiro.

 

Por Carlos Noriega [de Lima],  Página 12, Buenos Aires Hoy les toca a los peruanos

 

Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu

Imagem:

http://projetovocacao.com.br/wp-content/uploads/2011/01/peru.gif

 


29/03/2011 - Mundo - Educação

Jornadas Bolivarianas começam em 04 de abril e discutem Imperialismo e Cultura

Começa neste dia 04 de abril, na UFSC, a sétima edição das Jornadas Bolivarianas, com o tema Imperialismo e Cultura na América Latina e vai trazer importantes intelectuais de países como Venezuela, Cuba, Costa Rica, Brasil e Bolívia. Este é o mais importante evento promovido pelo Instituto de Estudos Latino-Americanos (IELA) e se estende até o dia 07 de abril, sempre no Auditório da Reitoria. A abertura será no dia 04, às 18h30min.

 

O fenômeno do Imperialismo sempre foi bastante estudado. Algumas obras clássicas que diretamente remetem ao tema são Imperialismo: um estudo, de J.A. Hobson, Imperialismo: fase superior do capitalismo, de Lenin, e A era do imperialismo, de Harry Magdoff; mais recentemente, em 2003, David Harvey publicou seu excelente livro O novo imperialismo. Mas, apesar dos reconhecidos aportes críticos, os autores citados acabaram por se limitar ao plano político-econômico, de modo que pouco se tratou do papel da cultura em tal fenômeno. O colonialismo intelectual e mental a que são submetidos os povos na América Latina ainda não recebeu o devido tratamento.

 

É sabido que a investida imperial consiste na ocupação, domínio e subordinação de terras alheias, mas não apenas no campo geográfico. Um dos aspectos mais importantes para a compreensão plena do imperialismo é o “edifício cultural” que o sustenta. Daí a importância de um debate como esse que as Jornadas Bolivarianas propõem este ano. Participam das conferências o vice-ministro de Cuba, Fernando Rojas, um dos criadores da idéia da Telesur, Aram Aharonian, o escritor e presidente do Instituto de Estudios Latinoamericanos da Costa Rica, Rafael Molina, a socióloga aymara Silvia Cisicanqui e o cineasta brasileiro Sérgio Santeiro.

 

Programação

04 a 07 de abril de 2011 Florianópolis – Brasil

04 de abril de 2011

- Noite – Auditório da Reitoria – UFSC

18:30 –  Abertura oficial das VII Jornadas Bolivarianas

19h – Palestra: Cuba: do experimento neocolonial à liderança antimperialista.

Fernando Rojas – Cuba

Coordenação: Beatriz Paiva

 

05 de abril de 2011

- Manhã – Auditório da Reitoria – UFSC

9:00 – Palestra: O imperialismo na América Central

Rafael Cuevas Molina – Costa Rica

Coordenação: César Medeiros

- Tarde – Auditório da Reitoria – UFSC

14:30 – Apresentação de trabalhos

Coordenação: Vitor Hugo Tonin

- Noite – Auditório da Reitoria – UFSC

18:30 – Palestra: Imperialismo e cultura andina

Silvia Rivera Cusicanqui  – Bolívia

Coordenação: Fernando Correa Prado

Lançamento de Livro: O Mapa da Crise, de Nildo Ouriques e Elaine Tavares

 

06 de abril de 2011

- Manhã – Auditório da Reitoria – UFSC

9:00 – Palestra: O cinema latino-americano e a indústria cultural

Sérgio Santeiro – Brasil

Coordenação: Nildo Ouriques

- Tarde – Auditório do CCE

14:30 – 18:00 – Reprodução de filmes do Fernando “Pino” Solanas –

- Noite – Auditório da Reitoria – UFSC

18:30h – Palestra: A mídia e o Imperialismo

Aram Aharonian – Venezuela

Coordenação: Elaine Tavares

 

07 de abril de 2011

- Manhã – Auditório da Reitoria – UFSC

9h –Mesa redonda: Imperialismo e cultura na América Latina

Aram Aharonian, Fernando Rojas, Rafael Cuevas Molina, Sérgio Santeiro, Nildo Ouriques

Coordenação: Waldir José Rampinelli

- Tarde – Auditório do CSE – UFSC e Hall da Reitoria

14:30 – 18:00 – Reprodução de filmes do Fernando “Pino” Solanas –

Noite

20h – Em frente a reitoria

Festa Latino-Americana

Atenção: Inscrição no local e só para quem precisa de certificado

Imagem: http://desacato.info/wp-content/uploads/2011/03/JORNADAS-BOLIVARIANAS.jpg  


21/03/2011 - Mundo - Política

Jornalista de Honduras sofre atentado por parte da polícia militar

No dia de hoje, a jornalista e colega do Canal 36, Cholusat TV, de Honduras, esposa do colega e amigo David Romero Elner, diretor executivo de Rádio Globo Honduras e Globo TV de aquele país, Lidieth Díaz, foi objeto de um atentado à sua vida, por parte do governo repressor de Porfírio Lobo Sosa, que através do Exército, jogou duas bombas em direção ao seu corpo, usando a mesma técnica que levou à morte à professora Ilse Velázquez na quinta-feira passada.

 

Os jornalistas e comunicadores da Rede Popular Catarinense de Comunicação – RPCC e Portal Desacato, enviamos nossa solidariedade na nota a seguir, e denunciamos por este meio a absurda tentativa de silenciar à valente colega hondurenha.

 

Portal Desacato

Rede Popular Catarinense de Comunicação

 

Nota a seguir:

Sus colegas del Estado de Santa Catarina, le enviamos nuestra solidaridad a la colega Lidieth Díaz. Estamos dando difusión inmediata en las Redes nuestras. Han matado a la profesora Ilse, atacan de nuevo a los colegas; no sé puede soportar más lo que hacen en Honduras, en este maldito ensayo norteamericano que no termina más. Salud y resistencia compañeros y colegas!

 

NOTA DE SOLIDARIDAD CON LIDIETH DÍAZ DE CHOLUSAT TV Y EL CAMARÓGRAFO URIEL GUDIEL DE GLOBO TV.

 

Solidaridad de:

 

Rede Popular Catarinense de Comunicação

·         Agência de Notícias do Contestado

·         APAFEC

·         DAQUI na Rede

·         DESACATO.Info  

·         Fragmentos do Tempo2

·         Maria Rosa 104,9FM

·         O Taquaruçu

·         Rádio Campeche

·         Radio Comunitária Fortaleza 98,3FM

·         Revista Pobres e Nojentas

·         Sambaqui na rede

·         Tangaraense 104,9FM

 

Santa Catarina / Brasil

 

21 de marzo de 2011.


16/03/2011 - Mundo - Política

Venezuela, hoje!

A imprensa brasileira, em sua maioria, segue os ditames de Washington. Segundo cartilha dos EUA, a verdade não importa e sim o que determina o Departamento de Estado. Países que se recusam a ser colônias estadunidenses, como a Venezuela, são classificados como ditaduras, mesmo tendo eleições para todos os cargos e existir a mais ampla liberdade de imprensa.

 

Países, cujas riquezas, principalmente petróleo, são escoadas para os Estados Unidos, são tratados como democracias, como o Egito, Arábia Saudita, Bahrain entre outros. Até a queda de Mubarak, a Rede Globo o classificava como presidente e não ditador.

 

Esse cerco agora é rompido com a série que Luiz Carlos Azenha da Rede Record está apresentando como é a vida cotidiana na Venezuela. O que fica claro é que o governo de Hugo Chávez é odiado pela burguesia local por ele estar distribuindo renda.

 

Os recursos do petróleo não ficam mais unicamente com eles, e isso os deixa irritados. A população pobre, que pela primeira vez está tendo acesso a uma vida melhor, apóia o Chávez. Acontece o mesmo no Brasil, em que uma parte da classe média fala mal do Bolsa Família, por esta distribuir renda e atenuar a desigualdade de renda do país.

 

É a eterna luta de classes. O velho Marx deve estar rindo no túmulo.

 

Abaixo as seis partes da reportagem especial sobre a Venezuela, realizado por Luiz Carlos Azenha para a Rede Record – Canal 7 (TV aberta – SP)

 

 

Parte 01: http://www.youtube.com/embed/m8I8WElQVsk

 

Parte 02: http://www.youtube.com/embed/a0BXTP42_SA

 

Parte03: http://www.youtube.com/embed/EamoqV9L4l0

 

Parte 04: http://www.youtube.com/embed/EiIFAOcstec 

 

Parte 05: http://www.youtube.com/embed/p7AZpUF51go

 

Parte 06: http://www.youtube.com/embed/K6CuH30sXT0

 

Imagem: http://4.bp.blogspot.com/_puHabHEkwvg/R_PorpoUyFI/AAAAAAAAACw/SiP1nwnTSfU/S1600-R/TMV_LogoBlog.jpg


14/03/2011 - Mundo - Clima e Meio Ambiente

Agroecologia pode dobrar produção de alimentos em 10 anos

Ao mesmo tempo em que a alta mundial no preço dos alimentos atinge seu maior patamar em duas décadas e dá força redobrada ao fantasma da fome que persegue as populações pobres dos países economicamente mais vulneráveis, um informe da Organização das Nações Unidas (ONU) afirma que a agroecologia pode duplicar a produção alimentar nos próximos dez anos.

 

Divulgado na terça-feira (8) pelo Alto-Comissariado de Direitos Humanos, o documento que, segundo a ONU, foi embasado por “uma exaustiva revisão da literatura científica mais recente”, defende a agroecologia como “meio para incrementar a produção alimentar e melhorar a situação dos mais pobres”.

 

Os estudos que embasaram o informe foram coordenados pelo belga Olivier de Schutter, que desde 2008 é relator especial da ONU sobre direito à alimentação: “Para poder alimentar a nove bilhões de pessoas em 2050, necessitamos urgentemente adotar as técnicas agrícolas mais eficientes conhecidas até hoje. Neste sentido, os estudos científicos mais recentes demonstram que ali onde reina a fome, especialmente nas zonas mais desfavorecidas, os métodos agroecológicos são muito mais eficazes para estimular a produção alimentar do que os fertilizantes químicos.”

 

De acordo com os casos relatados no documento da ONU, projetos agroecológicos desenvolvidos nos últimos anos em 57 países em desenvolvimento registraram um rendimento médio de 80% em suas lavouras. Isso significa, por exemplo, um aumento de 116% na média de todos os projetos desenvolvidos na África. “Os projetos mais recentes levados a cabo em 20 países africanos demonstraram que é possível duplicar o rendimento das lavouras em um período de três a dez anos”, afirma Schutter.

 

A ONU afirma que o modelo agrícola dominante, baseado nas monoculturas e na utilização massiva de agrotóxicos, fertilizantes e outros insumos, “já demonstrou não ser a melhor opção no contexto atual”, além de acelerar o processo de aquecimento global. “Amplos setores da comunidade científica já reconhecem os efeitos positivos da agroecologia sobre a produção alimentar no que se refere à redução da pobreza e à mitigação dos efeitos das mudanças climáticas”, afirma o documento.

 

Menos agrotóxicos

O relatório divulgado pelo Alto-Comissariado de Direitos Humanos da ONU também dá destaque aos países que diminuíram consideravelmente a utilização de agrotóxicos nos últimos anos. São citados no documento países como Indonésia, Vietnã e Bangladesh, que reduziram em até 92% o uso de agrotóxicos na produção de arroz, que é o alimento básico das populações camponesas desses países.

 

Outro exemplo citado no relatório é o do Malauí, país que era grande consumidor de produtos agroquímicos e agora faz com sucesso a transição para um modelo agroecológico. Segundo a ONU, essa transição já tirou da extrema pobreza 1,3 milhões de pessoas, além de aumentar o rendimento das lavouras de milho do país de uma para três toneladas por hectare. “O conhecimento substituiu os pesticidas e fertilizantes”, comemora Olivier de Schutter.

 

O relator especial da ONU sobre o direito à alimentação afirma que o Estado tem um “papel fundamental” a cumprir no fortalecimento da agroecologia. “As empresas privadas não investirão tempo e dinheiro em práticas que não podem proteger com patentes e que não pressuponham uma abertura dos mercados para novos produtos químicos ou sementes melhoradas”. Schutter também exortou os Estados a darem maior apoio às organizações camponesas que, segundo ele, “demonstraram uma grande habilidade na hora de difundir as melhores práticas agroecológicas entre seus membros”.

Fonte: Rede Brasil Atual tomada da pagina do MST

Imagem:

http://www.chacaradeorganicos.com.br/wp-content/uploads/2010/05/Horta-Mandala.jpg


07/03/2011 - Mundo - Política

A política da fome do capitalismo

Os preços dos alimentos no mundo atingiram níveis recordes. A fome cresce. Os protestos também. As revoltas no mundo árabe têm como uma das causas a ira contra o incremento no custo dos alimentos. Com os preços altos e instáveis dos cereais pelo menos até 2015, o descontentamento alargar-se-á a outras regiões do planeta.

Mais de 60 milhões de pessoas passam fome no mundo. Sessenta por cento são mulheres. Cada dia morrem por falta de alimentação suficiente, segundo dados da Organização das Nações Unidas, 24 mil pessoas. Na América Latina a falta de comida afeta 52,4 milhões de pessoas.

 

As mortes não têm a sua origem na escassez de comida, mas na pobreza e na desigualdade.

De acordo com o Fundo para a Agricultura e Alimentação (FAO), cada ano são produzidos alimentos suficientes para dar de comer a 12 bilhões de pessoas, isto é, o dobro dos habitantes do planeta, No entanto, milhões de seres humanos não podem adquiri-los porque não têm recursos para isso.

 

Além da morte, a desnutrição crônica também provoca um crescimento deficiente, incapacidades visuais, esgotamento, e propensão para o aparecimento de doenças. As pessoas com desnutrição grave são incapazes de trabalhar sequer a um nível básico.

 

Ironicamente, milhões de pessoas no mundo sofrem de excesso de peso. Em 2015 esse número crescerá 50 por cento. Cerca de 300 milhões são clinicamente obesas. Cada ano morrem 2,6 milhões de pessoas por excesso de peso ou por obesidade. O mal atingiu proporções endêmicas à escala mundial. Longe de diminuir, cresce.

Alguma coisa deve estar muito mal no sistema alimentar mundial quando um terço da população sofre graves problemas alimentares, seja por escassez de comida ou por uma deficiente alimentação.

 

Esta distorção provém, em grane parte, da forma como se produzem, distribuem e consomem os alimentos. A agricultura industrializada e a monopolização dos mercados, o uso intensivo de maquinaria e água, a utilização de sementes híbridas patenteadas em detrimento das nativas, a aplicação de agro-quimicos e a prática do monocultivo criaram um monstro.

 

Esse monstro tem na produção industrializada de milho, de soja e carne de vaca três dos seus principais esteios. Se durante muitos anos se confrontaram as civilizações do trigo, do arroz e do milho, hoje é esmagadora a expansão das sementeiras de milho e soja, muitas com base em sementes geneticamente modificadas.

O preço do milho nos Estados Unidos duplicou nos últimos seis meses. Aumentará ainda mais no próximo ano em resultado da especulação financeira, da queda dos stocks e da sua utilização no fabrico de biocombustíveis. O nosso vizinho do norte [EUA] é o principal produtor e exportador de cereal do mundo, e o nosso principal abastecedor. O que acontece dentro da sua fronteira agrícola tem repercussões nos mercados mundiais e afecta-nos a todos.

 

As reservas de grãos em Washington encontram-se ao nível mais baixo dos últimos 15 anos. A exigência crescente de cereal para a produção de etanol é a causa principal desta diminuição. Para fazer cinco litros de biocombustível são preciso 230 quilos de milho, quantidade que alimentaria uma criança durante um ano. A indústria de agro-carburantes planeja aumentar este ano a compra de milho em 8,4 por cento.

 

O preço do milho tem impacto no custo de muitos outros alimentos. Este cereal é simultaneamente matéria-prima para fazer uma grande variedade de produtos comerciais e comida. É o adoçante preferido das empresas de refrigerantes e a base para produzir muitos batoques. E também alimenta pessoas, porcos, galinhas e vacas, apesar do gado vacum se ter originalmente engordado em pastos. É um dos pilares da comida rápida. E agora até faz movimentar os automóveis.

O milho tornou-se na principal fonte de energia vegetal. Ainda que não se reconheçam como tal, os Estados Unidos transformaram-se, à sua maneira, num povo de milho… geneticamente modificado.

 

A sua produção está apoiada em abundantes subsídios estatais. As subvenções ao seu cultivo representam quase a quarta parte dos pagamentos federais aos fazendeiros: uns 19 bilhões de dólares.

 

A gramínea é a cultura mais importante do México. Em 2010 colheram-se quase 24 milhões de toneladas numa superfície de 8,5 milhões de hectares. É a cultura com maior número de produtores: 3,2 milhões, na sua maioria ejidales [1] (só há 4 milhões de produtores agrícolas no país). Cerca de 90 por cento da colheita é de milho branco e destina-se ao consumo humano.

 

O aumento do preço do milho afetará gravemente a dieta popular. Este cereal é o elemento central na identidade de múltiplos grupos subalternos, sustento permanente da população camponesa e alimento barato de milhões de trabalhadores assalariados urbanos.

 

Ainda que diga o contrário, o governo mexicano não está preparado para enfrentar a atual escalada de preços. A situação agravou-se consideravelmente com as geadas que estragaram o ciclo Outono-Inverno (o mais importante) em Sinaloa, o principal Estado produtor da gramínea. No país não há inventários suficientes. Para garantir o abastecimento há que recorrer à importação, numa momento de preços elevados, redução dos inventários e fronteiras fechadas.

Como aconteceu noutras partes do mundo, a carestia da vida no México incubará um maior descontentamento. O cinismo das autoridades que recusam reconhecer a gravidade do assunto e a sua responsabilidade avivará ainda mais esse mal-estar.

Nota do tradutor:

 

1- Trabalhador de um ejido, fracção de terra entregue aos agricultores para exploração coletiva durante a reforma agrária mexicana.

* Tradução de José Paulo Gascão.

 

Reproduzimos o artigo de Luis Hernández Navarro, editor no jornal mexicano La Jornada, publicado no sítio português O Diário:


28/02/2011 - Mundo - Política

Uma palavrinha sobre as lutas no mundo árabe

Hesitei um pouco em escrever sobre o que ocorre hoje no mundo árabe. Tudo é muito distante de nós e as informações precisam ser muito bem checadas para não dizermos besteiras. Mas há coisas que são gritantes. Mais do que nunca o estudo feito por Chomsky há décadas se faz absurdamente real. É incrível como a mídia, de repente, descobriu que havia ditadores no mundo árabe. Do nada, essa palavra começa a pipocar em todos os jornais e revistas. Até então, para os meios de comunicação, ditador mesmo era só o Fidel, em Cuba. No geral, lá para as bandas do mundo árabe, eram todos amigos dos Estados Unidos e como lembra Chomsky, quando são os “amigos” os que cometem crimes, o tom das denúncias muda de figura. Gente ruim era a turma dos palestinos, dada a violência gratuita. Mas os homens do poder dos países árabes “amigos” eram tudo gente boa, democrática, que ofereciam vida farta ao seu povo. Quem nunca viu na “vênus platinada” os documentários sobre a Arábia Saudita ou Dubai? Só belezas! Kadafi, por outro lado, sempre foi mostrado como um “terrorista”, a exemplo do velho Arafat. É que eles não estavam alinhados ao governo estadunidense, logo, todas as suas sujeiras sempre receberam muita luz. Como já disse, Chomsky mostrou isso muito bem no seu livro “Os guardiões da liberdade”.

 

Agora, diante das mobilizações populares que questionaram vários destes governos sustentados há décadas pelo poder estadunidense, nas tramóias da ganância sobre o petróleo, a mídia começa a falar das sujeiras. Mas tudo muito rapidamente. A luz vai sendo colocada nas mobilizações e nas medidas imediatas que são tomadas para barrar os “banhos de sangue”. Diante dos fatos, o que mais se vê é o que diz o presidente dos Estados Unidos. “Obama exige que Mubarak renuncie”. Mas ora vá, que tem Obama a ver com isso? A Globo não explica muito bem. Por que motivo o presidente de uma nação vem querer cantar de galo em outra? Quais as ligações que unem esses seres?

 

Agora, a bola da vez é o Kadafi. Um homem que na década de 60 ousou falar de nacionalismo árabe, que afrontou os Estados Unidos e que deu outra dinâmica para a vida naquele espaço geográfico.  Um homem que não se propôs a fazer na Líbia o socialismo sonhado por boa parte da esquerda, mas que tentou comandar seu país dentro da lógica da sua cultura e do seu desejo de ser livre. Outra dinâmica, muitas vezes incognoscível para nós, da cultura ocidental.  Nos dias atuais, fala-se das suas excessivas ligações com países europeus e com multinacionais. Estava lá ele tentando manter seu país no jogo dos negócios mundiais. Coisa para analisarmos com mais cuidado.

 

Pois diante dos protestos que ocorrem agora em todo o país, no rastro de pólvora iniciado pelo povo tunisiano, Kadafi se vê ameaçada de invasão por tropas da Otan. E quem foi que deu essa idéia brilhante? Obama! De novo, o presidente de um país que invadiu o Iraque e matou quase sete milhões de pessoas, grande parte civis. Por que a mídia nunca reagiu com tanta veemência diante dos crimes dos EUA? Por que as gentes do Iraque não merecem o mesmo respeito que estão tendo agora o povo da Tunísia, do Egito, do Baheim? Em que o povo que luta desesperadamente pela liberdade no Iraque é diferente? Por que não vemos a mesma indignação nos olhos dos âncoras da TV quando os palestinos são massacrados diariamente? Por que as tropas da Otan não param Israel? Que interesses estão em jogo neste tabuleiro árabe? Creio que mesmo com as poucas informações que temos pode-se fazer uma análise mínima.

 

E a esquerda? Bem lembra Carlos Terán (num texto que pode ser encontrado no www.iela.ufsc.br), que a esquerda mais ortodoxa sempre se negou a ver como processo revolucionário o que aconteceu na Venezuela, na Bolívia. Por que agora esse povo se põe a saudar como “revolução, revolução” o que ocorre no mundo árabe? Sendo que, no geral, na verdade, praticamente nada está mudando, a não ser o nome dos governantes. Os projetos seguem sendo os mesmos.

 

Correndo o risco de ter de prestar contas à história eu me dou ao direito de observar melhor, com mais calma, estudando mais o modo de ser do mundo árabe, que é muito diferente do nosso. Mas sem nunca deixar de fazer as perguntas que precisam ser feitas. Nos anos 70 estive bastante ligada às propostas que vinham da Líbia, da Palestina, apoiando a luta daqueles que se levantavam para garantir soberania e outra forma de organizar a vida.  Hoje, vejo com tristeza o desmonte de mais um reduto de resistência ao império estadunidense. Não tenho medo de usar a palavra revolução. Mas, espero que seja de fato, um processo de mudança o que está em curso.

 

A famosa democracia, tão insensada pelos Estados Unidos quando é para fazer com que as coisas sejam do seu jeito, não é modelo para ninguém. Vide Afeganistão e Iraque, onde as tropas estadunidenses implantaram a “democracia”.  Votar a cada quatro anos tampouco é democracia. Essa palavra tão desgastada pede adjetivos e pede participação real dos povos. Derrubar um homem é coisa possível. Derrubar um jeito de organizar a vida é outra coisa.  Até agora, as lutas populares que estiveram em alta no mundo árabe, derrubaram pessoas. O sistema se mantém incólume. O que espero, com profunda reverência revolucionária, é que esta mesma gente seja capaz de mudar as estruturas. De garantir a participação real e cotidiana, de criar o novo. Aí sim, temos revolução!

 

 

Por Elaine Tavares – Jornalista e educadora popular. Mestre em Comunicação Social pela PUC/RS. Trabalha na universidade pública desde 1994, hoje integrando o grupo do OLA. É uma das coordenadoras gerais do Sindicato dos Trabalhadores da UFSC

Imagem: http://desacato.info/wp-content/uploads/2011/02/ELAINE-ARABE.jpg 


24/02/2011 - Mundo - Conflitos

“O plano da Otan é ocupar a Líbia”

O líder da Revolução Cubana, Fidel Castro, em sua mais recente Reflexão fala das pérfidas intenções das potências imperialistas sobre a Líbia e adverte para a possibilidade de os Estados ordenarem uma invasão da Otan no país árabe. O petróleo se converteu na principal riqueza em mãos das grandes transnacionais ianques; através dessa fonte de energia dispuseram de um instrumento que acrescentou consideravelmente seu poder político no mundo. Foi sua principal arma quando decidiram liquidar facilmente a Revolução Cubana tão logo foram promulgadas as primeiras leis justas e soberanas em nossa Pátria: privá-la de petróleo.

Sobre essa fonte de energia se desenvolveu a civilização atual. A Venezuela foi a nação desse hemisfério que pagou o maior preço. Os Estados Unidos se fizeram donos das enormes jazidas com que a natureza dotou esse país irmão.

 

Ao terminar a última Guerra Mundial começou a extrair maiores quantidades de petróleo das jazidas do Irã, assim como das reservas da Arábia Saudita, do Iraque e dos países árabes situados ao redor deles. Estes passaram a ser os principais fornecedores. O consumo mundial se elevou progressivamente à fabulosa cifra de aproximadamente 80 milhões de barris diários, incluídos os que são extraídos no território dos Estados Unidos, aos que ulteriormente se somaram o gás, a energia hidráulica e a nuclear. Até o início do século 20 o carvão tinha sido a fonte fundamental de energia que tornou possível o desenvolvimento industrial, antes que fossem produzidos bilhões de automóveis e motores consumidores de combustível líquido.

 

O resíduo do petróleo e do gás está associado a uma das maiores tragédias, não resolvida em absoluto, que sofre a humanidade: a mudança climática.

Quando nossa Revolução surgiu, a Argélia, a Líbia e o Egito não eram ainda produtores de petróleo, e grande parte das enormes reservas da Arábia Saudita, do Iraque, do Irã e dos Emirados Árabes Unidos estavam ainda por ser descobertas.

Em dezembro de 1951, a Líbia se converte no primeiro país africano a alcançar sua independência depois da Segunda Guerra Mundial, na qual seu território foi cenário de importantes combates entre tropas alemãs e do Reino Unido, que deram fama aos generais Erwin Rommel e Bernard L. Montgomery.

 

95 % de seu território é totalmente desértico. A tecnologia permitiu descobrir importantes jazidas de petróleo leve de excelente qualidade que hoje alcançam 1,8 milhão de barris diários e abundantes depósitos de gás natural. Tal riqueza lhe permitiu alcançar uma perspectiva de vida que atinge quase 75 anos, e a mais alta renda per cápita da África. Seu rigoroso deserto está situado sobre um enorme lago de água fóssil, equivalente a mais de três vezes a superfície de Cuba, o que lhe tornou possível construir uma ampla rede de aquedutos de água doce que se estende por todo o país.

 

A Líbia, que tinha 1 milhão de habitantes ao conquistar sua independência, conta hoje com algo mais que 6 milhões.

 

A Revolução Líbia teve lugar no mês de setembro de1969. Seu principal dirigente foi Muamar Kadafi, militar de origem beduína, que em sua mais distante juventude se inspirou nas ideias do líder egípcio Gamal Abdel Nasser. Sem dúvida que muitas de suas decisões estão associadas às mudanças que se produziram quando, assim como no Egito, uma monarquia débil e corrupta foi derrocada na Líbia.

Os habitantes desse país têm milenares tradições guerreiras. Diz-se que os antigos líbios fizeram parte do exército de Aníbal quando esteve a ponto de liquidar a Antiga Roma com a força que cruzou os Alpes.

 

Poderá estar-se ou não de acordo com Kadafi. O mundo foi tomado por todo tipo de notícias, empregando especialmente os meios de informação de massas. É preciso esperar o tempo necessário para conhecer com rigor o quanto há de verdade ou mentira, ou uma mescla de fatos de todo tipo que, em meio ao caos, ocorreram na Líbia. O que para mim é absolutamente evidente é que ao governo dos Estados Unidos não preocupa em absoluto a paz na Líbia, e não vacilará en dar à Otan a ordem de invadir esse rico país, talvez em questão de horas ou muito breves dias.

 

Os que com pérfidas intenções inventaram a mentira de que Kadafi se dirigia à Venezuela, assim como fizeram na tarde de domingo, 20 de fevereiro, receberam hoje una digna resposta do ministro das Relações Exteriores da Venezuela, Nicolás Maduro, quando expressou textualmente que fazia “votos para que o povo líbio encontre, no exercício de sua soberania, uma solução pacífica a suas dificuldades, que preserve a integridade do povo e a nação líbia, sem a ingerência do imperialismo…”

 

Por minha parte, não imagino o dirigente líbio abandonando o país, eludindo as responsabilidades que lhe são imputadas. Sejam ou não falsas em parte ou em sua totalidade.

 

Uma pessoa honesta estará sempre contra qualquer injustiça que se cometa com qualquier povo do mundo, e a pior delas, neste instante, seria guardar silêncio diante do crime que a Otan se prepara para cometer contra o povo líbio.

 

Para o comando dessa organização belicista é urgente fazê-lo. É preciso denunciar isto!

 

Por Fidel Castro Ruz - 21 de fevereiro de 2011, às 22 h14 

Fonte Prensa Latina - http://www.prensalatina.com.br

Imagem:http://desacato.info/wp-content/uploads/2010/08/NARCISO-DOMINACI%C3%93N-300x260.jpg


16/02/2011 - Mundo - Política

Alguns dados que compravam que o modelo capitalista esta acabando com o mundo!!

Publicado originalmente no blog da Revista Pobres e Nojentas: Uma em cada três crianças com menos de cinco anos sofre de subnutrição. 1 em cada 5 crianças não vai à escola. Um terço da superfície terrestre sofre de desertificação.No mundo, mais de 300.000 crianças, meninos e meninas, são soldados. Muitos deles têm menos de 10 anos.

 

600 milhões de pessoas no mundo inteiro vivem em favelas nos arredores das grandes cidades.

No mundo, mais de 300.000 crianças, meninos e meninas, são soldados. Muitos deles têm menos de 10 anos.

 

Mais de um bilhão de pessoas não dispõe de decentes condições de vida.

 

Numa catástrofe natural, o número de mortos em países em desenvolvimento é 47 vezes maior do que em países desenvolvidos.

 

Metade da humanidade vive com menos de 2 dólares por dia.

 

1 em cada 5 crianças não vai à escola. Um terço da superfície terrestre sofre de desertificação.

 

A indústria alimentar gasta 40 trilhões de dólares por ano em publicidade.

 

A água insalubre provoca 5 milhões de morte por ano.

 

A espessura média da camada do gelo ártico passou de 3,2 m na década de 1960 para 1,8 m na década de 1990.

 

As emissões de CO2 produzidas pelas atividades humanas são responsáveis por mais de 60% do aumento do efeito estufa.

70% da água doce são usados para irrigar a terra cultivada e 80 países, ou seja, 40% da população mundial, sofrem de grave escassez de água.

 

A população mundial aumenta mais de um milhão de pessoas por semana.

 

Por ano 500.000 crianças ficam cegas por falta de vitamina A.

 

Para fabricar um computador são necessárias 8 a 14 toneladas de matérias primas não recicláveis.

 

40 milhões de pessoas morrem de fome por ano num mundo que produz 356 quilos de cereais por pessoa.

Um em cada cinco adultos no mundo não sabe ler ou escrever. Desses 90% vivem em países em desenvolvimento e dois terços são mulheres.

 

A quantidade de petróleo consumida em 6 semanas, metade da qual é usada em transporte, teria durado um ano inteiro em 1950.

 

Duas espécies desaparecem por semana no mundo inteiro.

 

40% da população mundial não têm eletricidade.

 

Uma em cada três crianças com menos de cinco anos sofre de subnutrição.

 

No século passado a população aumentou 3 vezes, o consumo de água no mundo aumentou 6 vezes.

 

20% das pessoas que vivem nos países mais ricos consomem 60% da produção de energia comercializada no planeta.

 

90% da população mundial nunca fizeram uma chamada telefônica.

 

O total de despesa militar no mundo atinge 794 bilhões de dólares e a ajuda pública ao desenvolvimento totaliza 58 bilhões de dólares.

 

Fonte: http://www.pobresenojentas.blogspot.com


 
08/05/2012 - Mundo - Organizações Sociais 

Povos Indígenas seguem com a marcha na Bolívia

As comunidades que vivem na região do Território Indígena Parque Nacional Isiboro Secure (TIPNIS) ameaçado pela passagem de uma estrada de alta velocidade até o Brasil estão em marcha até a cidade de La Paz, onde querem dialogar com o presidente Evo Morales e exigir que ele cumpra a promessa feita de não permitir que a estrada atravesse o parque. As comunidades temem que, além da destruição ambiental provocada pelas obras, a estrada venha a se converter numa porta de entrada para um tipo de desenvolvimento que não leva em consideração o modo de vida das pessoas que habitam o lugar.

 

A caminhada enfrenta, além dos problemas com o tempo ruim, a polêmica com os apoiadores do governo. Há entre os militantes do MAS a crítica de que essas comunidades estão sendo manipuladas pela direita, pelas ONGs estrangeiras, que querem desestabilizar o governo. Ontem, organizações camponesas que atuam na região de La Paz, manifestaram a emergência de se levantar contra a marcha indígena, alegando que ela está colocando em risco o processo de mudanças levado a cabo pelo governo de Evo Morales. Também a Confederação Sindical Única de Trabalhadores Camponeses da Bolívia, a Federação Departamental de Camponeses Túpac Katari e a Federação de Mulheres Bartolina Sisa (onde se concentram os cocaleiros, base de Evo) se manifestaram contra a marcha. Todas essas entidades seguem firmes na defesa do governo e acreditam que a caminhada dos indígenas, que saiu da região central do país, quer mesmo afrontar o governo.

 

Já os líderes da marcha não aceitam de maneira alguma essa assertiva. O que eles querem é parar o processo de construção da estrada dentro do parque. Eles alegam que o governo não cumpriu a lei de consulta prévia, portanto, as comunidades têm todo o direito de se manifestar. “Como não fomos escutados como manda a lei, estamos tendo de fazer todas essas manifestações”. As comunidades repetem o que a maioria dos críticos se recusa a ouvir: não são contra a estrada. Apenas querem que ela seja desviada e não passe por dentro do Parque Nacional Isiboro Secure. O alegado aumento dos custos que podem vir com o desvio não pode servir de argumento, uma vez que a preservação dos recursos naturais vale mais do que qualquer obra. É o que os indígenas procuram mostrar com a marcha. O governo diz que vai fazer a consulta, mas os caminhantes sabem que com toda a celeuma criada e o forte esquema de propaganda contra a marcha torna a consulta, agora, tremendamente viciada.

 

É certo que misturados à caminhada e ao protesto indígena estão políticos de direita e também a malfadadas organizações não governamentais, muitas vezes elas mesmas conspirando contra o povo boliviano, uma vez que servem a outros países e outros interesses. Mas, qualquer olhar mais apurado pode perceber que a crise causada pela estrada no TIPNIS poderia ser facilmente evitada. Mais vale aumentar o traçado da estrada passando ao largo do parque, do que fomentar todo esse tipo de crítica e de sacrifício por parte das comunidades. A lei boliviana é clara: qualquer decisão sobre território indígena precisa ter consulta prévia. Isso não foi feito.

 

O fato é que o governo de Evo Morales está enredado em uma série de conflitos que, juntos, podem mesmo trazer problemas de estabilidade. Não é só a marcha indígena que tem esquentado a cabeça do governante. Também a Confederação Obreira Boliviana está realizando movimentações e paralisações, em luta por aumentos salariais aos trabalhadores. Há também em curso uma greve na saúde, com os médicos e trabalhadores paralisados e realizando cortes de rua e há manifestações dos mineiros cooperativados, outro setor bastante complicado no país.

 

Em cada uma dessas lutas há muita coisa em jogo. Ninguém pode dizer que só porque o governo é progressista os trabalhadores não podem lutar por aumento salarial ou melhores condições de trabalho, embora também aí se infiltrem os velhos inimigos direitistas, sedentos por voltar ao poder. Entre os médicos, da mesma forma, há profissionais que só querem ver o circo pegar fogo, enquanto outros estão realmente lutando por condições dignas de trabalho, uma vez que o decreto presidencial propõe oito horas de trabalho, acabando com o turno de seis horas, muito mais produtivo e seguro. Essa também é uma luta justa. No caso dos mineiros cooperativados a questão é ainda mais complexa. Algumas dessas cooperativas, criadas depois de muita luta por parte dos mineiros, agem como empresas capitalistas, principalmente no que diz respeito à exploração dos trabalhadores. É, de fato, um campo minado. Porque nos mineiros se configura uma força de luta muito grande e é preciso muito traquejo para enfrentar as demandas sem quebrar o tênue fio que sustenta um governo mais popular.

 

Assim que a Bolívia vai caminhando entre conflitos, avanços e recuos. Os trabalhadores fazem as lutas, a direita se mistura, o governo ora acerta, ora erra. Mas, por enquanto, Evo Morales tem sabido se mexer no tabuleiro intricado que é a política boliviana. E o que se espera, desde aqui, é que não haja retrocesso.

 

Por Elaine Tavares

Existe vida no Jornalismo
Blog da Elaine:
www.eteia.blogspot.com
América Latina Livre -
www.iela.ufsc.br
Desacato -
www.desacato.info
Pobres & Nojentas -
www.pobresenojentas.blogspot.com
Agencia Contestado de Noticias Populares -
www.agecon.org.br 

Imagem:

http://diarioliberdade.org/archivos/colaboradoresavanzados/lucas/2012-05/tip.jpg


22/04/2012 - Mundo - Política 

Afinal o que representa a liderança de Hugo Rafael Chávez Frias para a América Latina?

Encaminho para análise os endereços de alguns vídeos-documentários (transcritos logo abaixo) que mostram  algumas das atividades políticas do incansável e arrojado presidente da Venezuela o Sr. Hugo Chávez. Afinal o que representa a liderança de Hugo Rafael Chávez Frias para a América Latina?

 

Para os setores de direita de todos os matizes que inclui as oligarquias e burguesias vinculadas aos interesses imperialistas e seus prepostos diretos e indiretos, Chávez representa o autocratismo que levará inevitavelmente a Venezuela para a ditadura aberta, para a perda da liberdade para muitos, para o socialismo, para o comunismo.

 

Para alguns setores da esquerda mais radical Chávez é um militar falastrão, populista e no fundo um anti-revolucionário traidor, pois seu discurso em defesa do socialismo é enganador já que pretende competir  com os partidos políticos que dizem representar a classe operária retirando seus espaços de atuação e constrangendo seus discursos. Para outros setores da esquerda de alas mais moderadas é uma figura carismática, nacionalista e que com sua liderança está mudando a face política da América Latina principalmente no combate ao neoliberalismo e à injustiça social.

 

Para a imensa maioria do povo latino-americano, principalmente para aqueles  que estão localizados na região andina, na América Central, México e Caribe e que aspiram melhorias em seus níveis de vida  Hugo Chávez representa a esperança do surgimento de novos tempos para a construção de mudanças estruturais radicais a serem implantadas nos diversos países do Continente. Para esses Chávez incorporou sem vacilo o espírito do libertador Simón Bolívar - principalmente na idéia de construir a Pátria Grande, que simbolicamente pode ser representada na viabilização de novos e importantes fóruns de integração continental que se vinculam à construção de um modelo desenvolvimento mais justo e equânime para milhões de pessoas antes marginalizadas. Para essas massas populares Chávez representa um libertador e um revolucionário convicto.

 

E para nós, os brasileiros, o que representa Chávez?

Assistam aos vídeos documentários cujos endereços estão abaixo transcritos e tirem suas próprias conclusões!

 

Mas uma coisa é certa e acredito que muitos concordarão: os países da América Latina eram num passado não tão distante, neoliberais e economicamente dependentes; seus governantes aplicavam sem vacilo políticas de concentração de renda para poucos e exclusão social para as maiorias e por isso esse Continente foi no passado considerado o quintal dos Estados Unidos  -  e agora depois de 12 anos de atuação da revolução bolivariana da Venezuela a América Latina se transforma e jamais será igual ao que era. Foi plantada carinhosamente a semente da libertação, essa germinou de maneira forte e segura e agora está dando bons frutos.

 

Vídeo 01 – Entrevista de Hugo Chávez à emissora de TV da Rússia  "RT en español”, onde o líder mostra explicitamente sua sagacidade política, sua característica carismática, nacionalista e antiimperialista.

http://www.youtube.com/watch?v=hpY5M_qDI2I&feature=player_embedded 

 

 

Vídeo 02 – "Ao Sul da Fronteira" - Filme documentário de Oliver Stone que mostra a expansão dos movimentos sociais na América Latina e o papel dos novos líderes nesses movimentos.

http://vimeo.com/15348220  

 

 

Vídeo 03 – "A guerra contra a democracia", filme documentário de John Pilger que mostra como as elites da América Latina  estão apavoradas com o surgimento das novas lideranças, novos partidos políticos, novas organizações populares e tudo fazem para articular golpes de Estado e movimentos artificiais de desestabilizações políticas e econômicas

http://vimeo.com/18359535 

 

 

Vídeo 04 – O golpe de estado de 11 de abril de 2002 na Venezuela instalou uma ditadura mediática com o intuito de controlar mentes e corações do povo para a causa dos interesses oligárquicos. O povo soube em poucas horas derrotar esse intento infernal.

http://www.dailymotion.com/video/x6e3qt_rebelion-radio-bemba_news#from=embed 

 

 

Vídeo 05 – "A rebelião de um povo". O documentário mostra como se deu a vitória popular e a derrota dos golpistas no dia 13 de abril de 2002 na Venezuela

http://www.dailymotion.com/video/x34ndr_13abril_news#from=embed 

 

 

Vídeos 06 e 07 – “A revolução não será televisada”. Filme documentário realizado por cineastas irlandeses que mostra como se deu o golpe de Estado de 11/13 de abril de 2002 na Venezuela e como o povo espontaneamente abortou esse intento.

http://video.google.com/videoplay?docid=-7909142222855052928#    

 

http://video.google.com/videoplay?docid=-7909142222855052928  

 

 

Vídeo 08 – O presidente da Venezuela, Hugo Chávez discursa para seu povo desde o Palácio Miraflores, agradecendo ao apoio recebido em decorrência de sua doença.  

http://www.pluralia.tv/canal/rebelion-tv/

 

 

Vídeo 09 – Chávez em seu discurso diz: O mundo neste século  não será mais dominado pelo império estadunidense e faz menção à criação da Comunidade de Estados da América Latina e Caribe (CELAC) e diz que essa iniciativa representa o sonho do Libertador Simón Bolívar.

http://www.youtube.com/watch?v=fYbJKFexarc

 

Saudações

 

Jacob David Blinder

Imagem:

http://1.bp.blogspot.com/uRD22dCGvlw/T4XDbYeeXBI/AAAAAAAAG1w/AUYysDYedfY/s1600/VenezuelaChavez12095.jpg


14/04/2012 - Mundo - Conflitos 

Segue a luta contra a estrada no Parque Nacional da Bolívia

A poucos dias de mais uma marcha (a nona) dos indígenas que vivem na área do TIPNIS (Território Indígena Parque Nacional Isiboro Sécure), contra a construção da estrada que pretende rasgar seu território “impulsionando o progresso”, o governo boliviano decidiu dar uma cartada de mestre: rescindiu o contrato com a OAS, empresa brasileira que realiza a conturbada obra entre Villa Tunari e San Ignacio de Moxos. Segundo declarações do vice-presidente Álvaro Garcia, a rescisão se deu pelo fato de a empresa brasileira – responsável pelo trabalho de construção ter descumprido o acordo em vários aspectos da obra.

 

Algumas notas em entidades populares e de esquerda brasileira comemoraram a ação do governo Evo Morales, uma vez que desde há meses os indígenas bolivianos vêm tentando parar a obra, cujo traçado passa por dentro de uma reserva. A proposta das comunidades é de que haja um desvio e que a estrada não passe por dentro do parque, uma vez que sendo construída naquele espaço, fatalmente trará a destruição do lugar.

 

Mas, a rescisão com a OAS não significa, de forma alguma que o governo boliviano desistiu da estrada ou da ideia de encurtá-la passando pelo parque, muito menos que desistiu da empresa OAS. Na verdade, a ação pode ser só para conseguir a readequação dos contratos que, inclusive, segundo o sitio amazonia.org.br é uma exigência do próprio BNDES e do governo brasileiro. Isso acontece porque a marcha de 61 dias – em outubro do ano passado  - que foi feita pelas comunidades e desembocou na cidade de La Paz com grande apoio popular conseguiu garantir a não realização da obra dentro do parque.

 

Naqueles dias, com o país em polvorosa, Evo Molares firmou um acordo com as comunidades de que a estrada seria desviada e isso acabou resultando em um aumento dos custos, o que também pode ter provocado o pedido de readequação por parte do banco financiador.

 

A estrada que percorre a Bolívia e chega ao Brasil tem 306 quilômetros e a obra foi dividida em três partes. Apenas a segunda etapa cruzaria o Parque Nacional. O custo total estava orçado em 415 milhões de dólares, dos quais 332 seriam financiados pelo governo brasileiro. Como, por ordem do presidente, o segundo ponto não pode ser construído, o BNDES exigiu um novo contrato para poder liberar o dinheiro.

 

Entre os indígenas o anúncio do governo é visto com muita desconfiança e explodem as declarações na imprensa local. Eles alegam que o governo quer, com esse anúncio, desviar a atenção das críticas ao plebiscito do dia 15 de abril e da nova marcha que está se articulando. A intenção, dizem, é desarticular as mobilizações com a falsa ideia de que a estrada não vai mais sair, confundindo a população e levando as gentes a votarem pelo sim na consulta popular. As lideranças indígenas alegam que o plebiscito veio em hora errada, ele deveria ter sido feito antes do início das obras e não agora, quando muita coisa já foi feita.

 

Segundo o próprio vice-presidente, a rescisão do contrato com a OAS pode ser revista, uma vez que a empresa ainda terá 15 dias para contestar na justiça sobre as alegações do governo boliviano. “Não teremos de devolver nenhum dinheiro ao Brasil porque o Banco ainda não liberou qualquer parcela”, afirmou, ao ser indagado sobre possíveis prejuízos. Com essa atitude tudo indica que as coisas serão acertadas matando-se dois coelhos com uma só tacada. Fazem-se novos contratos como queria o Brasil e ofusca-se a mobilização das comunidades indígenas.

 

Mas, essa bomba midiática não é a única estratégia do governo de Evo Morales para lograr construir a tal estrada por dentro do Parque. Segundo informações do presidente da subcentral TIPNIS, Fernando Vargas, em entrevista ao jornal El Diário, membros do governo tem conversado – em particular – com várias lideranças de comunidades. Ao todo são 56 comunidades que vivem na região e dessas pelo menos 13 estão sendo convencidas pelo estado a aceitarem a lógica de “progresso” que o governo anuncia. Com isso, estão individualizando o direito coletivo de proprietários, além de provocar a cisão entre as comunidades. O velho estilo de dividir para reinar.

 

Desgraçadamente o governo de Evo Morales, apesar de ter avançado em muitas questões importantes e estruturais que há muito exigiam mudanças no país, segue prisioneiro da ideologia do progresso e da modernidade, tão comum à esquerda latino-americana. As lideranças governamentais insistem que essa estrada – a qual pretende ligar o altiplano, o vale e a Amazônia (três regiões do país) – só vai trazer benefícios, trazendo o desenvolvimento para a região. O que não dizem é que o progresso típico do desenvolvimento ao modo capitalista, no mais das vezes, só traz destruição. Ainda há muito para caminhar na compreensão de que esse modelo de desenvolvimento não serve mais e que um governo com características populares poderia ser o grande impulsionador de outra forma, mais criativa e original, de organizar a vida.

 

O movimento indígena boliviano assim como o equatoriano também recebe muitas críticas, principalmente das entidades da esquerda apoiadoras do governo. Algumas dessas críticas falam em desestabilização do governo, união com fazendeiros, separatismo, apropriação de dinheiro, etc... E, da mesma forma que no Equador, pode-se observar no movimento várias correntes de pensamento, inclusive a do katarismo, que é a de não envolvimento com os brancos. Mas, isso não significa que o movimento em si não tenha capacidade ou legitimidade de fazer valer as suas demandas.

 

As comunidades originárias sabem muito bem dos “benefícios” do progresso capitalista. Elas vivenciam isso todos os dias na profunda desigualdade que é característica do modelo. Elas também sabem que uma estrada de integração, com ligação com outro país e passando por dentro do parque nacional onde ainda conseguem atuar em manejo de equilíbrio, só pode acabar em desgraça. Com a estrada vem os carros, com os carros vêm o comércio e negócios de toda ordem, com isso vêm os empresários, os estrangeiros e num átimo, a terra e a vida boa lhes escapam.

 

Assim que, apesar da jogadas de marquetim de quebra de contrato com a OAS, e do processo de desagregação que o governo vem fazendo junto às comunidades, pelo menos 43 comunidades estão dispostas a iniciar mais uma marcha até La Paz a partir do dia 20. Os caminhantes vão exigir que o governo siga com a decisão de mudar o trajeto do trecho dois, impedindo que a estrada passe por dentro do parque. Fazem isso porque entenderam as letrinhas pequenas do discurso do vice-presidente Álvaro Garcia, que informou a rescisão do contrato com a empresa brasileira, mas reiterou a necessidade de o estado boliviano construir a estrado. Assim que a espada segue sobre a cabeça das comunidades.

 

Agora, no dia 15 de abril, o governo realiza um plebiscito para que a comunidade se manifeste pela construção ou não da estrada. Várias lideranças são contra esse plebiscito e argumentam, com razão, que a consulta deveria ter sido feita antes do início das obras e não agora que boa parte já está em andamento. O fato é que aí também está embutida uma armadilha. A questão que leva os indígenas à luta não é a construção da estrada em si, apenas da parte que passa por dentro do parque. É mais uma forma de confundir a população. Quem, em sã consciência vai se manifestar contra a melhoria de mobilidade?

 

Como sempre acontece os representantes do governo insistem em dizer nos jornais locais que é a direita, a oposição, que está fazendo das suas para travar desestabilizar o governo, apoiando as marchas e os protestos. Pode até ser que a direita se aproveite disso para avançar por dentro das comunidades, mas é preciso que fique bem claro que se é assim, a falha também é do governo que não tem sabido manejar as demandas das comunidades, preferindo usar os artifícios da pressão, da cooptação e da enganação.

 

Há também muita especulação sobre a ação das ONGs estrangeiras que estão metidas nessa luta pela preservação do Parque. Há quem diga que existem interesses obscuros aí, e é bem provável que tenha mesmo, tais como roubo de biodiversidade e tudo mais. Mas, da mesma forma, essas entidades só ocupam espaços que estão vazios do diálogo verdadeiro com o governo. As comunidades são indígenas, o que não significa que é formada por bobos. Os indígenas sabem muito bem onde lhes aperta o pé e têm todas as condições de decidir sobre sua própria vida. Também pipocam nos jornais as denúncias de que as lideranças envolvidas nos protestos receberam dinheiro do governador de Beni, estado tradicionalmente opositor a Evo Morales, para realizarem as marchas. Tudo acaba sendo ideologizado no campo da luta partidária.

 

Nas comunidades que têm recebido muitas melhorias nos últimos meses, fruto do processo de busca de apoio por parte do governo, já se pode ver muita gente apoiando a ideia da estrada, firmemente credora de que será para o bem de todos. Assim que os acontecimentos dos próximos dias serão bastante significativos. A marcha está mantida e a luta contra a estrada segue. Resta saber se o governo de Evo Morales será sensível ao grito das gentes contra a degradação do progresso capitalista ou se embarcará no canto da sereia do desenvolvimento sustentável, que sustenta unicamente alguns.



Por Elaine Tavares

Existe vida no Jornalismo
Blog da Elaine:
www.eteia.blogspot.com
América Latina Livre -
www.iela.ufsc.br
Desacato -
www.desacato.info
Pobres & Nojentas -
www.pobresenojentas.blogspot.com
Agencia Contestado de Noticias Populares -
www.agecon.org.br

Imagem: http://www.plataformabndes.org.br/site/images/marchatipnis.jpg


10/04/2012 - Mundo - Religião 

Como Deus emerge no processo evolucionário?

A nova cosmologia, derivada das ciências do universo, da Terra e da vida, vem formulada no arco da evoluçãoampliada. Esta evolução não é linear. Conhece paradas, recuos, avanços, destruições em massa e novas retomadas. Mas, olhando-se para trás,  o processo   mostra uma direção: para frente e para cima.

 

Somos conscientes de querenomados  cientistas se recusam a aceitar uma direcionalidade do universo. Ele seria simplesmente sem sentido. Outros, cito apenas um, como o conhecido físico da Grã-Bretanha Freeman Dyson que afirma:”Quanto mais examino o universo e estudo os detalhes de sua arquitetura, tanto mais evidências encontro de que ele, de alguma maneira, devia ter sabido que estávamos a caminho”.  

De fato, olhando retrospectivamente o processso evolucionário que já possui 13,7 bilhõs de anos, não podemos negar que houve uma escalada ascendente: a energia virou matéria, a matéria se carregou de informações, o caos destrutivo se fez generativo, o simples se complexificou, e de um ser complexo surgiu a vida e da vida a consciência. Há um propósito que não pode ser negado. Efetivamente, se as coisas em seus mínimos detalhes, não tivessem ocorrido, como ocorreram, nós humanos não estaríamos aqui para falar destas coisas.

 

Escreveu com razão o conhecido matemático e físico Stephen Hawking em seu livro Uma nova história do tempo (2005):”tudo no universo precisou de um ajuste muito fino para possibilitar  o desenvolvimento da vida; por exemplo, se acarga elétrica do elétron tivesse sido apenas ligeiramente diferente, teriadestruído o equilíbrio da força eletromagnética e gravitacional nas estrelas e, ou elas teriam sido incapazes de queimar o hidrogênio e o hélio, ou então não teriam explodido. De uma maneira ou de outra, a vida não poderia existir".

 

Como emerge Deus no processo cosmogênico? A ideia de Deus surge quando colocamos a questão: o que havia antes  do big-bang? Quem deu o impulso inicial? O nada? Mas do nada nunca vem  nada. Se apesar disso apareceram seres é sinal de que Alguém ou Algo os chamou à existência e os sustenta no ser.

 

O que podemos sensatamente dizer, é: antes do big bang existia o Incognscível e vigorava o Mistério. Sobre o Mistério e o  Incognoscível, por definição, não se pode dizer literalmente nada. Por sua natureza, eles são antes das palavras, das energia,da matéria, do espaço e do tempo.

 

Ora, o  Mistério e o Incognoscível são  precisamente os nomes que as religiões e também o Cristianismo usam para significar aquilo que chamamos Deus. Diantedele mais vale o silêncio que a palavra. Não obstante, Ele pode ser  percebido pela razão reverente e sentido pelo coração como uma Presença que enche o universo e faz surgir em nós o sentimento de grandeza, de majestade, de respeito e de veneração.

 

Colocados entre o céu e a terra, vendo as miríades de estrelas, retemos a respiração e nos enchemos de reverência. Naturalmente nos surgem as perguntas: Quem fez tudo isso? Quem se esconde atrás da Via-Lactea? Como disse o grande rabino Abraham Heschel de Nova York: “Em nossos escritórios refrigerados ou entre quatro paredes brancas de uma sala de aula podemos dizer qualquer coisa e duvidar de tudo. Mas inseridos na complexidade da natureza e imbuidos de sua beleza, não podemos calar. É  impossível desprezar o irromper da aurora, ficar indiferentes diante do desabrochar de uma flor ou não quedar-se pasmados ao contemplar uma criançarecém-nascida”. Quase que espontaneamente dizemos: foi Deus  quem colocou tudo em marcha. É Ele aFonte originária e o Abismo alimentador de tudo.

 

Outra questão importante é esta: que Deus quer expressar com a criação? Responder a isso não é preocupação apenas da consciência religiosa, mas da própria ciência. Sirva de ilustração o já citada Stephen Hawking, em seu conhecido livro Breve história do tempo (1992): “Se encontrarmos a resposta  de por que nós e o universo existimos, teremos o triunfo definitivo da razão humana; porque, então, teremos atingido o conhecimento da mente de Deus”(p. 238). Até hoje os cientistas estão ainda  buscando o desígnio escondido de Deus.

 

A partir de uma perspectiva religiosa, suscintamente, podemos dizer: O sentido do universo e de nossa própria existência consciente parece residir no fato de podermos  ser o espelho no qual Deus mesmo se vê a si mesmo. Cria o universo como desbordamento de sua plenitude de ser, de bondade e de inteligência. Cria para fazer outros participarem de sua suberabundância. Cria o ser humano com consciência para que ele possa ouvir as mensagens que o universo nos quer comunicar, para que possa captar as histórias dos seres da criação, dos céus, dos mares, das florestas, dos animais e da próprio processo humano e religar tudo à Fonte originária de onde procedem.

 

O universo está ainda nascendo. A tendência  é acabar de nascer e mostrar as suas potencialidades escondidas. Por isso, a expansão significa também revelação. Quando tudo tiver se realizado, então se dará  a completa revelação do desígnio do Criador.

 

Por Leonardo Boff Teólogo/Filósofo

Imagem:  http://intelectu.files.wordpress.com/2010/12/evolution.jpg


08/04/2012 - Mundo - Clima e Meio Ambiente 

Nova cosmologia e libertação

Tempos atrás o Museu Americano de História Natural fez uma consulta entre biólogos  perguntando se eles acreditavam que estávamos no meio de uma extinção em massa. 70% responderam positivamente que sim. O renomado cosmólogo Brian Swimme, autor junto com Thomas Berry de uma das mais brilhantes narrativas da história do Universo (The Universe Story,1992) foi perguntado o que poderíamos fazer, respondeu:”O universo já vem, há tempos, fazendo a sua parte para deter o desastre; mas nós temos que fazer a nossa. E o faremos mediante o despertar de uma nova consciência cosmológica, vale dizer, se ajustarmos  nossas condutas à lógica do Universo. Mas não estamos fazendo o suficiente”.

 

Que quer dizer esta resposta? Ela acena para uma nova  consciência que assume a responsabilidade coletiva com referência à proteção de nossa Casa Comum e à salvaguarda de nossa civilização. E ajustar nossas condutas à lógica do Universo significa responder aos apelos que nos vem do assim chamado “princípio cosmogênico”. Este é o que estrutura a expansão e a autocriação do universo com todos os seus seresinertes e vivos. Ele se manifesta por três características: a diferenciação/complexificação; a subjetividade/interiorização; e a interdependência/comunhão.

 

Em palavras mais simples: quanto mais o universo se expande, mais se complexifica: quanto mais se complexifica mais ganha  interiozação e a subjetividade (cada ser tem seu modo próprio de se relacionar e fazer a sua história) e quanto mais ganha interiorização e subjetiviadade  mais os seres todos entram em comunhão entre si e reforçam sua interdependência no quadro de um pertencimento a um grande Todo. Comentam Berry/Swimme:”Se não tivesse havido complexidade (diferenciação), o universo ter-se-ia fundido numa massa homogênea; se não tivesse havido subjetividade, o universo ter-se-ia tornado uma extensão inerte e morta: se não tivesse havido comunhão, o universo ter-se-ia transformado num número de eventos isolados”.

 

Nós teólogos da libertação, em quarenta anos de reflexão, temos  tentado explorar as dimensões econômicas,sociais, antropológicas e espirituais da libertação como resposta às opressões específicas. No contexto da crise ecológica generalizada, estamos tentando  incorporar esta visão cosmológica. Esta nos obrigou a quebrar o paradigma  convencional com o qual organizávamos nossas reflexões, ligadas  ainda à cosmologia mecanicista e estática. A nova cosmologia vê diferentemente o universo, como um processo incomnsurável de evolução/expansão/criação, envolvendo tudo o que se passa em seu interior, também a consciência e sociedade.

 

Em termos do princípio cosmológico, libertação pessoal significa: libertar-se de amarras  para sentir-se em comunhão com todos os seres e com o universo,  fenômeno que os budistas chamam de “iluminação” (satori), uma experiência de não-dualidade e que São Francisco viveu no sentido de uma irmandade aberta com todos os seres. Em termos sociais, a libertação, à luz do princípio cosmogênico é: a criação de uma sociedade sem opressões onde as diversidades são valorizadas e expandidas (de gênero, de culturas e caminhos espirituais). Isso implica deixar para trás a monocultura do pensamento único na política, na economia e na teologia oficial. Este é o principal fator de opressão e de homogeneização.

 

A libertação requer também um aprofundamento da interioridade. Esta já não se satisfaz com o mero consumo de bens materiais; pede valores ligados à criatividade, às artes, à meditação e à comunhão com a Mãe Terra e com o Universo. A libertação resulta do reforço da “matriz relacional” especialmente com aqueles que sofrem injustiças e são excluidos. Esta matriz nos faz sentir  membros da comunidade de vida e filhos e filhas da  Mãe Terra que através de nós sente, ama, cuida e se preocupa pelo futuro comum.

 

Por fim, a libertação na perspectiva cosmogênica demanda uma nova consciência de interdependência e de responsabilidade universal. Somos chamados a reinventar nossa espécie, como o fizemos no passado nas várias crises pelas quais a humanidade passou. Agora ela é urgente porque não temos muito tempo e devemos estar à altura dos desafios da atual crise da Terra.

 

Por Leonardo Boff – Teólogo/Filósofo

Imagem:

http://agregapais.com.br/arquivos_upload/link/superando-as-dores-que-surgem-na-fam-lia.jpg


08/03/2012 - Mundo - Organizações Sociais 

8 de março: Pouco que comemorar, muito por que lutar!

Por um mundo onde sejamos socialmente iguais, humanamente diferentes e totalmente livres. Rosa Luxemburgo

 

Duas vitórias na Lei Maria da Penha merecem ser lembradas neste 8 de março. No dia 9 de fevereiro deste ano, o Supremo Tribunal Federal reconheceu a Constitucionalidade dos Art. 1, 33 e 41 da Lei Maria da Penha e eliminou a representatividade da vítima em processo criminal contra o agressor. Mesmo assim há muito ainda no que se avançar.

 

Muitos temas de grande importância são esquecidos e/ou relegados ao segundo plano pela sociedade organizada, movimentos sociais e sindicais, como as diferenças salariais entre homens e mulheres, a violência, o preconceito, a descriminalização do aborto, a desvinculação da imagem do corpo da mulher à venda de mercadorias em propagandas, principalmente à do álcool, uma droga legalizada que devasta mais do que muitas drogas proibidas, e, talvez, o principal de todos: o papel da mulher pré-estabelecido pela sociedade, o que ela deve sonhar, sentir, como agir, pensar e se vestir. Podemos achar que as questões de gênero já estão superadas e que o discurso feminista não se faz mais necessário, porém basta ir às ruas e perguntar por que as mulheres ainda sofrem violência? Por que são estupradas? A culpabilização da mulher ainda é forte nos pensamentos da sociedade.

 

O machismo continua latente. “ela foi estuprada porque pediu, vestia roupas curtas. Estava pedindo isso”, ou então “apanha porque gosta, porque se cala”. Frases que mostram o quanto o debate sobre estes assuntos se faz necessário e urgente. Agora virou moda. Toda semana notícias na mídia mostram o sequestro e/ou a morte de jovens mulheres simplesmente porque resolveram terminar o relacionamento. A sociedade assiste a tudo amortecida, sem reação. A indignação é passageira. Polícia, justiça e governos muitas vezes fazem pouco caso e a mídia só usa do sensacionalismo, ninguém refletem, debate, aprofunda e propõe mudanças. É preciso um abuso acontecer no Big Brother Brasil para ficar dias sendo comentado, mas depois tudo cai no esquecimento, no máximo vira Ibope. A mulher ainda é um troféu, uma posse para o homem. É educada para ser sim ainda dona de casa e, mesmo que trabalhe fora, precisa estar sempre bonita para os padrões (patrões) capitalistas.

 

Conquistou sim mais espaço na política, mas muitas vezes são acabam se tornando números para cumprir cotas, sem voz ativa de verdade. No mercado de trabalho, que oprime e explora, são os salários mais baixos. As mulheres negras sofrem duplamente com o preconceito. E ainda tem o sofrimento das mulheres lésbicas e trans, que são violentadas sexualmente pelo estupro corretivo, assunto ainda velado na mídia burguesa, e por conta disso, pouco debatido pela sociedade. Marcante também são as diferenças sociais. Enquanto mulheres de classe média alta podem fazer um aborto em segurança, mulheres empobrecidas se sujeitam a clínicas clandestinas ou a métodos nada seguros, realizados em suas próprias casas, recorrendo aos hospitais públicos quando o aborto já foi feito e precisam de cuidados. No entanto, o preconceito moral e religioso atinge a todas, independente de classe.

 

Os números de violência contra a mulher seguem alarmantes. Segundo a pesquisa Mulheres Brasileiras nos Espaços Público e Privado realizada em 2010 pela Fundação Perseu Abramo*, seis em cada 10 brasileiros conhecem alguma mulher que foi vítima de violência doméstica e o parceiro (marido ou namorado) é o responsável por mais de 80% dos casos de violência. Ainda de acordo com a pesquisa, embora apenas 8% digam já ter batido “em uma mulher ou namorada”, um em cada quatro (25%) diz saber de “parente próximo” que já bateu e metade (48%) afirma ter “amigo ou conhecido que bateu ou costuma bater na mulher”. Assustadoramente, dos homens que assumiram já ter batido em uma parceira 14% acreditam que agiram bem e 15% afirmam que o fariam de novo. Outra pesquisa realizada pelo DataSenado* em 2011 revela que omedo continua sendo a razão principal (68%) para evitar a denúncia dos agressorese 66% das brasileiras acham que a violência doméstica e familiar contra as mulheres aumentou, mesmo depois da Lei Maria da Penha, mesmo assim ainda há homens que acham que a Lei deva protegê-los, reivindicação que deve ser pelos anos de opressão que  sofreram.

 

A luta por direitos trabalhistas, políticos e sociais está longe de terminar. Não dá para falar em 8 de março sem tocar nestes assuntos. É preciso sim acirramos o debate de gênero e do quanto o capitalismo e suas leis e moral impedem a igualdade de direitos na nossa sociedade. Enquanto só nos indignarmos e não nos movermos, como dizia Rosa Luxemburgo, não saberemos as correntes que nos oprimem. Que não só o 8 de março, mas todos os dias sejam dias de luta pelos direitos das mulheres, pela libertação de nossas correntes!

 

 * - dados publicados na Agência Patrícia Galvão: http://www.agenciapatriciagalvao.org.br/

 

Por Marcela Cornelli, da Pobres & Nojentas

Imagem:

http://www.movimentorevolucionario.org/Fotos/luta-mulher[1].gif


21/02/2012 - Mundo - Cultura 

Sofrendo os Dramas da Altitude

A ordem, para a manhã seguinte, era a de usar toda a roupa  quente – Arequipa estava a mais de 2.300 metros de altitude, mas dali subiríamos abruptamente para altitudes bem maiores.

 

Cheia de roupas de lã e usando os apetrechos de couro da Dona Rose, partimos para uma imediata subida tão logo saímos do meio dos três vulcões daquela cidade tão simpática. Eu tomara uma decisão, naquele dia: iria fazer como os PHD, resistir à altitude, continuar a viagem de moto por mais alto que estivéssemos, não me deixar ficar como morta no carro de apoio como acontecia a cada vez que subíamos muito. Jaka já estava mascando folhas de coca, e eu tratei de passar a mascá-las também, com a técnica que havia aprendido anos antes, quando fora a Chacaltaia, na Bolívia, e quase não suportara os 5.300 m de altitude de lá. Tinha refletido sobre o assunto, e como via os motociclistas resistirem às altitudes maiores sem perderem o pique, como eu perdia, estava a achar que o ar fresco, a obrigatoriedade de ficar respirando o vento deveria lhes dar quantidades maiores de oxigênio, o que lhes permitia a resistência. Se eles podiam, eu também poderia. E fui direto para a garupa do seu Chico.

 

Tão logo passamos a subir o frio se fez sentir, e toda aquela roupa de couro e de lã parecia pouca para o clima. Eu mascava as folhas de coca e respirava profundamente, decidida a ficar todo o tempo em cima daquela moto, mas era como se as coisas fossem se enevoando, e a todo o momento tinha que piscar forte para distinguir bem a paisagem. Naquela altitude o consumo de gasolina das motos carburadas aumentava muito, e penso que antes de 200 km de distância, quando atingimos o povoado de Imata, que estava a 4.172 metros de altitude (e, portanto, a uma altitude superior a La Paz), já estava sendo necessário o abastecimento.

 

Aquele era um lugar perdido quase que no meio das nuvens, pequeno e pobre, onde sequer havia posto de gasolina, e quem vendia a nafta eram pessoas comuns, que escreviam nas paredes das casas que tinham gasolina para vender, e a guardavam em galões, nas suas salas, nos mesmos lugares onde havia crianças brincando, etc. Quando alguém comprava gasolina, a dona da casa trazia-a num balde, e a derramava no tanque do veículo através de um funil. Os motociclistas sabiam que se faziam misturas na gasolina, por ali, e quando paramos numa dessas casinhas para fazer o abastecimento, seu Chico me pediu para usar meu pobre espanhol e dizer para a mulher que não importava quanto custasse a gasolina, mas que ele a queria sem mistura. Lembro que desci da moto como que dentro de uma névoa, e lembro-me como  me via como um filme em câmara lenta dizendo para a mulher:

 

- Senõra, sem mezcla! Sem mezcla!

 

Atravessamos aquele povoado com as motos abastecidas e seguimos adiante. A estrada era boa, asfaltada, e eu estava quase dormindo em cima da moto. Nossa formação continuava, mas lá pelas tantas vi seu Chico observando com muito cuidado a região onde passávamos, e em determinado momento ele saiu da formação militar e parou sua moto. No meio do nada, havia minúscula casinha de adobe, e foi para lá que o seu Chico se dirigiu, levando fotos e outros brindes, como camisetas, etc. Quase dormindo, eu fiquei aprumada na moto parada, até que o seu Chico voltou e me contou: um dia estava ali naquele lugar, quando escurecera.

 

Vale aqui abrir um parágrafo para contar o que acontecera ao seu Chico e seus companheiros naquela ocasião.

 

Alguém lhes dera informações erradas em Arequipa, dizendo que atingiriam Juliaca em duas horas, e, desconhecendo a estrada, eles tinham seguido viagem já no final da tarde. A noite os pegou naquele ponto no meio do nada, numa temperatura de seis graus negativos e naquela altitude superior a 4.000 metros. Eles eram em quatro: os PHD Chico, Dov, Della e Evangelista, e há que se dizer que o PHD Della (Della Giustina) estava com uma forte insuficiência respiratória, enquanto que o PHD Dov estava com uma costela partida – e parece que todos estavam destinados à morte pelo frio, ali naquela altitude congelante. Por sorte encontraram a polícia peruana, que os ajudou a chegar àquele lugar, pequenina casa de adobe que funcionava como uma casa de refeições, e era conhecida como uma casa de desayuno[1], se bem que servisse refeições por todo o dia e também à noite. Conta o PHD Chico que a comida do dasayuno, limitava-se a chá de coca[2] e um prato de água fervida com batatas e milho, à guisa de sopa de galinha.

 

Salvos pelo gongo de uma morte quase certa, nossos heróis conseguiram enfiar as motos na casinha de adobe, na metade da casinha que lhes coube, e que era onde funcionava o desayuno, e ficaram a tomar chá de coca e a tremer de frio, até ganharem quatro pelegos de lhama, que estenderam no chão para dormir em cima. Vieram também umas poucas mantas de pelo de lhama, mas tudo era insuficiente para aquele frio de menos seis graus Centígrados – e seu Chico conta que eles se amontoaram como uma ninhada de cachorrinhos, uns encostados nos outros, para tentarem se aquecer. Havia uma vela acesa, e o Dov era quem estava mais perto dela, mas ele estava tão sem forças, pela costela quebrada e pela exaustão do frio e da altitude, que não conseguia soprar o suficiente para apagá-la. Acho importante contar tal coisa para que os leitores saibam o quanto pode a altitude nos fazer mal         

 

Sei que eles acabaram apagando a vela e, amontoados como cachorros, tentaram dormir. Há uma pitada de engraçado naquela noite, que foi quando, de madrugada, todos eles se acordaram com as bexigas cheias, depois de todo o chá de coca tomado, e descobriram que estavam trancados a cadeado naquele minúsculo espaço. Precisavam fazer xixi, no entanto. A única solução à vista era uma banheirinha de bebê, muito pequena, que conheci através de fotos, e que dormia ali por perto. Usaram-na, e tentaram atravessar o resto da noite fria amontoados nos pelegos.

 

Assim que clareou, o dono do desayuno veio abrir o cadeado, e então o PHD Evangelista apressou-se a despejar lá fora o conteúdo da banheirinha de plástico. Instantes depois, as duas mocinhas, filhas da casa, apareceram naquele aposento atrás da banheirinha, que era onde costumavam fazer sua higiene matinal. E quietos e calados os PHD ficarem observando as duas mocinhas despejarem uma caneca d’água na banheirinha, e naquela água lavarem seus rostos, sem nem desconfiarem do acontecido durante a noite. Foi entre sério e surpreso que o seu Chico contou-me essa história – penso que eles estavam agradecidos, sobretudo, por não terem morrido. Devem ter tomado mais chá de coca e mais a tal sopa que ali se servia, antes de tentarem voltar à estrada, porque não foi fácil: o PHD Della estava absolutamente sem pernas. Tiveram que carregá-lo e à sua moto, e no asfalto botaram a moto em pé e o montaram nela, e saíram viajando num trio, com dois deles segurando entre si o PHD Della, totalmente baleado pela altitude. Sei que sobreviveram para contar. Na minha primeira subida aos Andes, em 1993, houve momentos em que tive sérias dúvidas se sobreviveria para contar ou não, e acabei escrevendo um livro sobre o assunto. Não se brinca com a altitude.                                                                    

 

Desde então, a cada vez que passava por lá, seu Chico fazia uma pequena visita àquela gente e lhe levava algumas coisas. Achei bonita aquela atitude, mas estava quase dormindo e nem conseguia mais expressar o que sentia. Voltei a subir na moto e tentar respirar fundo, mas já não tinha mais forças.  Sei que dormi pois acordei – e agora eu pergunto: como é que um caroneiro descobre que dormiu sobre uma moto? Descobre porque seu  capacete bate no capacete do piloto da moto, e ele é acordado por aquele POC que acontece! 

 

(Excertos do livro "Viagem ao Umbigo do Mundo", publicado em 2006)

 

[1] Desayuno = desjejum, ou café-da-manhã. (Nota da autora)

[2] Em algum momento acho que devo fazer um esclarecimento, já que o assunto costuma confundir muitas pessoas: a coca (mascada ou em chá) não é cocaína, assim como a uva não é vinho. (Nota da autora)

 

 

Por Urda Alice Klueger – Escritora, historiadora e doutoranda em Geografia pela UFPR.

Imagem:

http://bertagna.files.wordpress.com/2012/02/marcapata-3.jpg


18/02/2012 - Mundo - Conflitos 

Tragédia em presídio hondurenho – 355 mortos

São absolutamente terríveis as crônicas que estão sendo divulgadas do incêndio que matou  355 pessoas no Centro Penitenciário de Comayagua, no interior de Honduras. Segundo informes do jornalista Davi Romero, da Rádio Globo Honduras, este já é o terceiro caso nos últimos anos de uma tragédia desse tipo, mas essa foi muito maior. Segundo os informes que chegam de Honduras a situação penal é muito parecida com outros centros na América Latina: superlotação, sujeira, violência, doenças, ou seja, uma bomba-relógio sempre pronta a explodir.

 

O centro de Comayagua, que é uma penitenciária agrícola, com vagas para 250 detentos, tinha uma lotação de quase mil pessoas, a maioria delas camponeses presos por crimes comuns, outro aspecto bastante típico das prisões: gente pobre, pequenos delitos.

 

As primeiras notícias sobre as causas não passam de hipóteses. Há depoimentos de sobreviventes que contam haver uma disputa entre grupos ligados ao tráfico ou que foi uma reação de alguns criminosos que haviam pagado a agentes prisionais para facilitar fuga. Como eles levaram a grana e não facilitaram, os detentos decidiram queimar colchões. O fogo se espalhou e deu no que deu.

 

Há depoimentos também, nos jornais locais, de que um agente ao ver o fogo, em vez de abrir as portas para os prisioneiros pudessem fugir, simplesmente deixou as portas trancadas e saiu. Foi só bem mais tarde, quando muitos já estavam mortos que um enfermeiro do presídio decidiu abrir as portas para permitir que os presos saíssem.

 

De qualquer sorte, tudo ainda é muito inconsistente. Há muita dor e desespero por parte das famílias que querem receber os corpos de seus entes queridos e isso é o que está mobilizando as pessoas nesse momento. Ainda assim, a ONU já notificou ao presidente do país que quer uma investigação minuciosa para ver se não foi um incêndio criminoso. Agentes estadunidenses que trabalham com atentados a bomba estão em Honduras a pedido do presidente Lobo e devem ajudar a  investigar as causas da tragédia.

É bom lembrar que Honduras vive desde 2009, quando aconteceu um golpe de estado, uma situação bastante tensa no campo social. Mesmo com um novo presidente civil (eleito em um pleito bastante irregular), a situação não mudou no país. Dezenas de jornalistas já foram assassinados, outro tanto de sindicalistas e lutadores sociais. Além disso, muita gente tem sido presa por participar dos movimentos pela democracia e pela volta de Mel Zelaya, o presidente que foi deposto pelo golpe.  Ainda não se tem informações sobre se alguns dos presos em Comayagua estavam nessa condição de presos políticos. Tudo ainda está por saber.

 

Hoje, a região está em profunda comoção. Centenas de familiares se concentram próximo ao centro penitenciário, alguns em acampamentos improvisados. Querem recuperar os corpos de seus parentes e saber o que realmente aconteceu.

 

Por Elaine Tavares – jornalista

Existe vida no Jornalismo Blog da Elaine: www.eteia.blogspot.com

América Latina Livre - www.iela.ufsc.br

Desacato - www.desacato.info

Pobres & Nojentas - www.pobresenojentas.blogspot.com

Agencia Contestado de Noticias Populares - www.agecon.org.br

 


06/02/2012 - Mundo - Política 

Doze mil soldados revolucionários, antiimperialistas, socialistas e chavistas desfilaram em Caracas

O Presidente da República Hugo Chávez Frias rendeu homenagem aos jovens militares que participaram junto com ele na rebelião militar de 4 de fevereiro de 1992: ”As armas se destina à revolução, para defender o povo, não para servir a oligarquia, nem ao imperialismo, armas libertadoras em mão de soldados libertadores (...) Devo tudo a vocês, o caminho era esse, rapazes, a história me absorverá, a história nos tem dado a razão”

 

A saudação e o reconhecimento especial foi dado pelo Chefe de Estado minutos depois de receber a petição formal de autorização por parte da Comandante da Quarta Divisão Blindada e da Guarnição Militar de Maracay, General Cliver Alcalá Cordones, para iniciar o desfile para comemorar os 20 anos de rebelião cívico militar de 4 de fevereiro de 1992, no Passeio dos Próceres, em Caracas.

 

Aqui se concentra os oficiais e os soldados da pátria. “Envio minhas homenagens, meu reconhecimento, que será eterno para todos, por esse sacrifício. A palavra sacrifício vem de “sacro, sagrado”  e de “fazer”, fazer algo sagrado”, prosseguiu.

 

A propósito do espírito que motivou aquele levantamento militar, Chávez também se referiu à Força Armada Nacional Bolivariana de hoje, a convocando para ser fiel ao serviço social e que  “nunca mais sejam o que foram no passado, com aqueles generais que ordenaram massacrar o povo cem vezes.”

 

Teus soldados, meu povo – nunca mais te atropelarão! – afirmou Chávez em seu discurso que deu inicio ao desfile cívico militar.  Os videos cujos endereços estão abaixo transcritos mostram como se deu o grandioso desfile militar, onde inclusive foram mostradas as modernas e potentes armas de defesa compradas da Rússia.

 

Obs: No dia 4 de fevereiro de 1992, um grupo de militares (na qual Chávez assumiu a liderança) se sublevou e pela força das armas procurou afastar o Presidente de tendência neoliberal Carlos Andrés Pérez da Presidência da República da Venezuela. Tal ação teve como motivação principal o fato de que quase três anos antes o citado presidente autorizou que as forças armadas de então massacrassem o povo que se manifestava nas ruas contra as medidas neoliberais impostas pelo governo e pelo FMI – e na qual os soldados rebelados nunca concordaram. Nesse episódio algumas fontes fazem referência da morte de três mil pessoas (a maioria favelada). Esse fato ficou conhecido pelo nome de “El Caracazo”. O movimento militar fracassou, Chávez seu líder foi preso e condenado pela justiça militar. Posteriormente foi anistiado e em 1998 obteve o poder através de eleições. No dia 7 de outubro de 2012 Chávez disputará pela via eleitoral seu terceiro mandato consecutivo de seis anos (situação essa prevista pela Constituição)   

informações extráidas de Aporrea e do Youtube

http://www.youtube.com/watch?v=LFh-JOY6Y_A&feature=related    La Fuerza Armada es Chavista G/D Clíver Alcalá!!

 

http://www.youtube.com/watch?v=qANt8giWuE0     Mujeres de la FANB engalanan demostración del 4F.flv

http://www.youtube.com/watch?v=UMW3--Rnhew&feature=related    Milicia Lloviznando Cantos en desfile Cívico Militar 4F 2012 Venezuela

 

http://www.youtube.com/watch?v=J-DQTFuvqMo&feature=related    Chávez reafirma que "la Fuerza Armada es chavista, duélale a quien le duela"

 

http://www.youtube.com/watch?v=1TOBGGOQEe0&feature=related    1/2 Desfile 4F Cívico Militar 20 años de Rebelión 1992 - 2012 Venezuela 

 

http://www.youtube.com/watch?v=GaGOSmqWusg    2/2 Desfile 4F Cívico Militar 20 años de Rebelión 1992 - 2012 Venezuela 

Imagem:

http://www.defesanet.com.br/site/upload/news_image/2012/02/5754.jpg


06/02/2012 - Mundo - Política 

O Egito real

A terra dos faraós sempre foi muito forte no meu imaginário. Desde bem pequena as histórias de deuses e reis daquele distante lugar na África habitavam em mim por conta de uma “estranha” mania do meu pai, que era a de comprar livros de todos os vendedores que batiam às portas de casa. Naqueles livros vinham as mais loucas narrações dos mundos mais distantes, com seus mitos e belezas. Então, era essa terra que eu tinha na cabeça quando desembarquei no Cairo, três dias antes do aniversário da chamada “revolução” que depôs Hosni Mubarak depois de 30 anos de governo. Muito do que vivia em mim foi fortalecido e outras tantas coisas se agregaram, misteriosas e fortes. O que ficou de saldo foi a certeza de que esse país milenário tem uma gente brava, corajosa, crédula e apaixonada. Nas ruas, homens e mulheres reais falam sobre seus sonhos, suas esperanças, seus medos e seus mais secretos desejos de amor. O grande território de Misr (nome original do Egito), de mais de um milhão de quilômetros quadrados, é um espaço de esperanças, mas sem ilusões. As gentes sabem que nada está dado. Há ainda muita coisa para conquistar.

 

O que antes não se fazia

A leva de turistas que esperava na entrada do Vale dos Reis, em Luxor, se via diante de uma novidade. O serviço de visitas estava parado. Os trabalhadores que dirigem os carrinhos que levam os visitantes até bem perto das tumbas faziam uma greve exigindo aumento no salário. Havia uma intensa algaravia, como se brigassem entre si, mas, que nada, é o jeito egípcio de protestar, falando alto e forte. Vinte homens fazem o serviço de carregar turistas durante todo o dia em carrinhos a motor, ganhando menos de 20 dólares ao mês, enquanto o estado arrecada um dólar por turista. A considerar que o número de visitantes pode chegar a cinco mil pessoas ao dia, eles entendem que é hora de levar uma fatia maior do quinhão. “Isso aí era impensável antes da revolução. Agora os trabalhadores sentem que têm direito de protestar e lutar por coisa melhor. A cada hora estoura uma greve no Egito”, comenta Abdelaziz, que trabalha como guia. Mesmo a juventude que vive de vender postais, lenços e lembrancinhas – no trabalho informal – começou a fazer exigências.

 

A região do Vale dos Reis é o mundo dos artesãos. Era assim no tempo dos faraós, quando dali saiam os mestres que deixaram ao mundo a beleza gravada nas pedras dos templos, e é assim agora. Cada uma das casinhas simples que se vê na paisagem arenosa é uma fábrica e a mesma arte das pirâmides segue sendo produzida dia após dia. A diferença é que antes faziam seu trabalho para os deuses, agora disputam os dólares dos turistas. Naquele lugar a vida parece congelada, como se nada tivesse mudado, mas isso é só aparente. Enquanto talham pedras e fazem desenhos, os egípcios da região de Luxor buscam vida melhor. Foi assim com Karim, de 31 anos, que tão logo explodiu a luta no Cairo, em janeiro de 2011, deixou tudo para trás e se foi a protestar. “Havia um sentimento nacional contra Mubarak, a morte do blogueiro em Alexandria no mês de dezembro de 2010 foi o estopim. A mudança já estava em curso e toda a gente queria participar”. Agora, passado um ano o que parece é que o Egito ainda está alerta. “Nada está acabado. Vamos ter de esperar para ver o que fazem os irmãos muçulmanos e ainda há que ver Mubarak numa prisão de verdade”.

 

O sentimento de que se pode falar e dizer não ao sistema se expressa até nos lugares mais sagrados. Zizo, morador de um pequeno povoado da região norte, conta que outro dia, na mesquita, quando o imã (sacerdote muçulmano) falava mal dos jovens que haviam morrido nos dias de luta de janeiro de 2011, um rapaz que estava rezando se levantou e gritou: “ `não fale de política no púlpito. Limite-se às coisas de Alá´. Isso é coisa que nunca aconteceu, interpelar um imã. Agora acontece. Se pode falar”. Nos dias duros da revolução 84 pessoas foram assassinadas pelas forças de repressão. São mártires e ai daquele que ousar dizer que isso não é verdade.

 

Nada para celebrar

O dia 25 de janeiro é um feriado nacional no Egito bem antes da vitória da revolução - celebra-se o dia da vitória das tropas egípcias contra o exército britânico em 1952 – mas, hoje, o que era uma festa da polícia virou hora da ação popular. Daí que por todo o país se armaram protestos e aglomerações. As marchas começaram nesse dia e encerraram no dia 27, sexta-feira, que é dia de descanso para os muçulmanos, o que permite que todos possam sair às praças para protestar. No Cairo milhões de pessoas foram às ruas, mas a movimentação podia ser vista em cada cidadezinha do país. As coisas ainda estão inacabadas e os motivos pelos quais morreram pessoas ainda não se cumpriram.

 

Muhamad M. tem 33 anos e há 12 anos trabalha no comércio de Luxor. É formado em história, mas a carreira de professor no Egito é bastante amarga e ele decidiu atuar no turismo. Nos dias de convulsão do janeiro passado também fechou seu negócio e se foi ao Cairo. “Aqui no Egito existe um dado histórico bem interessante. A cada 100 anos fazemos uma revolução. A última foi em 1922, contra os ingleses, então era certo que algo haveria de passar agora”. Ele conta que quando Mubarak assumiu o poder em 1981 o povo do Egito acreditava na sua proposta. As gentes ainda viviam em estado de guerra, por conta dos conflitos contra Israel (primeiro com Nasser, derrotado e depois com Al Sadat, vitorioso), muitos haviam morrido e tudo o que se queria era paz. E foi isso que Mubarak prometeu. “O fato é que os primeiros dez anos de governo foram bons. A guerra acabou, havia paz, ele começou a reestruturar o turismo, o dinheiro começou a entrar, havia contato com o povo, os professores, os jornalistas. Isso foi importante para nós”. De qualquer forma todo esse desenvolvimento era promovido pelas instituições financeiras estadunidenses e também a dívida externa cresceu muito. Também havia o forte apoio político dos EUA uma vez que tendo Mubarak como aliado era fortalecida a política de ocupação estratégica da porta oriental.

 

Em 1990, quando o Iraque atacou o Kuwait, os Estados Unidos cobraram a fatura e pediram ajuda ao então presidente. Ele imediatamente se colocou contra a invasão e mandou soldados para lutar com o Kuwait. De repente Mubarak se viu procurado por vários chefes de estado, o Egito era um espaço estratégico na proposta de destruição do Iraque encampada pelos Estados Unidos, e começou a achar que era como um faraó, filho de deus. Nesse período a dívida externa de sete bilhões de dólares foi perdoada e ele se entregou totalmente aos interesses dos Estados Unidos. “Foi nessa época que ele começou a agir como dono do Egito e já aí começaram os protestos. A coisa começou a esquentar mesmo foi no ano 2000 quando Mubarak anunciou que estava preparando seu filho, Gamal Mubarak, para assumir a presidência. Ninguém queria isso, Gamal era muito jovem, sem experiência e havia outras pessoas no Egito mais capacitadas para o cargo. Foi desde aí que começou a se gestar a revolução.”

 

Ibrahim Y., 44 anos, é ativista político e está na luta contra Mubarak desde o final dos anos 90. Segundo ele, os protestos e as manifestações que eram feitas até janeiro de 2011 eram pequenas e restritas aos militantes socialistas ou ligados a movimentos mais radicais como a irmandade muçulmana – que hoje controla a Assembleia do Povo. “Nos anos 90 houve ataques radicais, muita violência do estado, e depois de 2000 já fazíamos protestos nas praças, mas éramos quatro ou cinco”. Foi só depois de 2005 (ano da quinta eleição consecutiva de Mubarak) que, com a expansão da internet, uma juventude conectada começou a divulgar nos blogs e nas redes sociais as falcatruas do governo egípcio, tornando as informações que antes circulavam em ambientes restritos, internacionalizadas.

 

Mubarak colocou em ação as forças de inteligência e de repressão até que, em dezembro de 2010, os militares invadiram um café onde estava um jovem blogueiro- Khaled Saaed, 28 anos – conhecido nacionalmente por seus escritos críticos, e o golpearam até a morte. Foi o estopim que detonou o processo revolucionário. Milhares de pessoas saíram às ruas em protesto contra a violência das forças do governo. “No começo foi um movimento de pura raiva. As pessoas saíam às ruas exigindo justiça pelo assassinato de Khaled. Depois, com a força que ia se formando na rua, o movimento começou a se politizar. O povo foi vendo que dava para exigir mais. Mubarak era um ladrão, estava esgotando o Egito. Desde aquele momento, os egípcios entendiam que era hora de ele deixar o poder”.

 

A revolução ainda não se cumpriu

O que se viu no Egito no mês de janeiro de 2011 o mundo todo acompanhou. Milhões nas ruas, acampamentos gigantescos, revide violento da ordem, até que em fevereiro, depois de muitas mortes, feridos e presos, a força popular logrou depor o homem que governara por 30 anos e que preparava seu filho mais velho para outra fase da “dinastia”.   Desde aí o país foi se preparando para uma nova fase, com eleições diretas, escolha de uma Assembleia do Povo e preparação de nova Constituição. Mas, o que aparecia como uma grande vitória popular foi tendo outras feições. Uma junta de governo provisória foi formada por militares, coisa que não agradou ninguém. Por conta disso os protestos voltaram a acontecer. Além disso, familiares dos jovens mortos durante o conflito seguem acampados na Praça Tahrir exigindo julgamento e condenação do ex-presidente. Mubarak, que já tem mais de 80 anos, foi preso, mas, como dizem os egípcios, está num “cárcere de ouro”, com todas as regalias.

 

O processo de eleição dos membros da Assembleia do Povo foi demorado e só terminou neste janeiro com a instalação oficial. O Egito é dividido em 27 províncias e em cada uma delas as eleições aconteceram separadamente em várias etapas. A eleição presidencial só virá em junho, embora haja muita manifestação pela antecipação do processo. Os egípcios não querem mais saber de ser governados por militares.

 

Por outro lado, coisas muito sutis foram acontecendo durante o ano que passou. Por ser um partido bem mais organizado e com vida anterior muito presente na vida nacional, a Irmandade Muçulmana logrou maioria (71%) nas cadeiras da nova Assembleia do Povo que tem 508 membros, dos quais apenas dez são mulheres. Desse número, 100 serão escolhidos para preparar a nova Constituição e isso promete novos embates. Com a vitória avassaladora dos muçulmanos nas eleições e sua consequente hegemonia há o risco de o país entranhar na vida política nacional os pressupostos religiosos. Tanto que no dia da instalação da Assembleia, Mamdouh Ismail, membro do partido salafista Al-Asala fez o seu juramento dizendo: a Assembleia do Povo construirá uma nova constituição que será respeitada, desde que não se coloque contra o Corão (livro sagrado dos muçulmanos). Houve tumultos, gritarias, confusões e protestos dos liberais (que detêm 17% das cadeiras), o que mostra que esse não será um embate fácil. Comenta-se que os muçulmanos teriam feito um acordo tácito com a junta militar garantindo que o parlamento vai interferir sobre os assuntos do exército e em contrapartida que o exército não interferiria na redação da nova Constituição. Isso não é desconhecido de boa parte dos militantes sociais, mas a maioria da população não tem acesso a essas “filigranas” do poder. Muita água vai passar por baixo dessa ponte.

 

Entre os que estiveram nas ruas para depor Mubarak o sentimento é de esperança e esses “detalhes” não parecem importar, até porque as gentes são muito religiosas e não veem mal nenhum que o Corão comande a vida. “Nós já experimentamos o comunismo (Nasser), não deu certo. Al Sadat não deu certo. Depois tentamos Mubarak, também não deu. Agora vamos dar uma chance aos muçulmanos. Se eles não fizerem o que tem de ser feito a gente tira eles”, diz Muhamad.

 

Já entre os militantes de organizações sociais mais antigas o ceticismo é bem explícito. “O povo votou nos muçulmanos porque não teve como conhecer a ideia dos demais grupos. No Egito, o candidato precisa de muito dinheiro para fazer uma campanha política. Nossos grupos não tiveram como bancar. Como os muçulmanos estavam mais solidamente organizados, tiveram mais recursos. Foi a vitória do dinheiro”, diz Mustafa H. Além disso, os muçulmanos fizeram uma campanha vinculando-se a uma oposição ferrenha a Mubarak, coisa que não é bem verdade, conta Mustafa. “Durante o governo de Mubarak a irmandade fez muitos acordos, não é tão oposição assim. Mas, vamos ver o que vai dar. Aguardaremos vigilantes, prontos para atuar”.

 

De certa forma esse ceticismo se expressou muito claro nas manifestações do aniversário da revolução. No dia 27, quando a Praça Tahrir estava tomada por mais de quatro milhões de pessoas foi possível observar três grupos bem determinados. O dos muçulmanos, o dos civis/liberais e os socialistas. Sem sombra de dúvidas os dois últimos formavam maioria. Quando os líderes muçulmanos tentaram discursar falando em “celebração”, as vozes se ergueram. Não há celebração. Nada se cumpriu. Mubarak não foi condenado, não teve eleição presidencial, não tem Constituição. “O que há é o processo em curso”, insiste Ibrahim. “Nós não queremos cortar cabeças, nem o terror. Nós queremos paz, mas queremos que os responsáveis pelos massacres do povo sejam julgados e condenados. Há muitos generais de Mubarak ainda por aí, dentro do exército”.

 

De fato, boa parte dos ministros e estado maior de Mubarak está encarcerado, mas muitos conseguir fugir para os Estados Unidos ou outros países. Um dos mais odiados é Zahy Hawas, que durante 15 anos dirigiu o Museu do Cairo, e que está abrigado nos EUA. “Esse homem roubou muitas riquezas do nosso povo, é o rei dos ladrões. Nos dias de conflito na Praça Tahrir foram seus homens que atearam fogo no museu e foram eles que roubaram objetos valiosos. O que desapareceu do museu foram obras bem específicas, muito cotadas, coisa que só ele poderia saber. Ele fugiu para os Estados Unidos, o grande ladrão ocidental. Foram os homens de Mubarak que saquearam e incendiaram. Não foi o povo”.

 

Isso é o que conta Neder Y, de 43 anos. Segundo ele, nos dias de conflito Mubarak mandou soltar da prisão centenas de criminosos, os armou e os mandou atuar contra o povo. “Naqueles dias a gente montava barricadas em frente aos monumentos para protegê-los, os trabalhadores protegiam os hotéis, os turistas. O povo foi quem protegeu as riquezas do Egito. Os saqueadores foram os homens de Mubarak, inclusive foram eles que incendiaram a biblioteca. Tem provas. Nós aqui amamos nossa história, respeitamos o patrimônio cultural”. Essa proteção também foi organizada nesse janeiro de 2012 quando a Biblioteca de Alexandria e o Museu do Cairo estiveram fechados, guardados pelos guias de turismo e gente do povo, visando impedir qualquer ato de vandalismo pelas forças aliadas a Mubarak.

 

A história seguirá seu curso

O Egito é um gigante de riquezas e belezas. Sua cultura remonta há mais de cinco mil anos, tem um milhão de quilômetros quadrados de território bastante cobiçado, está numa posição estratégica, na entrada do mundo oriental. Detém o canal de Suez, tem saídas para dois mares, o Mediterrâneo e o Vermelho, é o quinto no mundo em produção de gás, tem bastante petróleo, possui centenas de minas de ouro, produz o melhor algodão do mundo, movimenta um fluxo de 14 milhões de turistas ao ano. Dentro do país está o rio mais longo do mundo, o Nilo, detém a quarta maior represa e o maior lago artificial do planeta, o Nasser, com 500 quilômetros de largura. Dos seus 85 milhões de habitantes, 67% estão na faixa etária de 18 a 40 anos. É feito de gente jovem e ávida de mudanças. “Nós vamos dar uma chance aos muçulmanos. Vamos esperar dois anos. Ver o que fazem. Não vamos tolerar alianças com os Estados Unidos, eles roubam nossas riquezas e nos deixam dívidas. Nós queremos trabalhar, produzir, desenvolver o país. Queremos uma vida melhor para nossos filhos e netos. Esse é o desejo dos egípcios. Simples assim”.

 

Para os que ainda seguem vigilantes nos protestos, nas praças, nas ruas, é fato de que o Egito está vivendo uma nova fase, apesar de todas as incógnitas. “Nós mudamos tudo, tiramos os políticos, os jornalistas, os professores. Começamos uma nova época. Estamos ensinando nossas crianças a partir de novos pressupostos, vamos recomeçar, vamos fundar a Segunda República”, diz Ibrahim. Ele mostra que conhece a política internacional e diz gostar muito de Lula (ex-presidente brasileiro). “A nós, falta um líder como Lula, que unisse o país. Mas, ainda assim, se houvesse um, não permitiríamos que cometesse o erro que Lula cometeu. Lula deu dinheiro para os pobres (bolsa-família), e isso não é certo. Não somos animais para só comer. Precisamos é de oportunidade, trabalho. Garanta o trabalho e nós seguimos em frente”.

 

E assim segue o Egito, cheio de esperanças e contradições. Junho já está às portas, muitos são os pré-candidatos à presidência, mas a lógica eleitoral é bastante viciada. Como é o dinheiro quem dá as cartas parece quase certo que aqueles que comandaram o processo de mudança, inclusive dando as vidas, não serão os que hegemonizarão o poder. O que virá será uma nova experiência que os egípcios enfrentarão com a valentia de quem acredita no “maktub” (destino).  Embora nas ruas se possa perceber claramente que existe uma juventude disposta a fazer o destino acontecer com as próprias mãos.

 

 

Por Elaine Tavares – jornalista

Existe vida no Jornalismo Blog da Elaine: www.eteia.blogspot.com

América Latina Livre - www.iela.ufsc.br

Desacato - www.desacato.info

Pobres & Nojentas - www.pobresenojentas.blogspot.com

Agencia Contestado de Noticias Populares - www.agecon.org.br


01/02/2010 - Mundo - Ciência e Técnologia 

Menos Google, Twitter e Facebook,mais luta

Ferramentas como Google e Facebook podem até ajudar nas mobilizações sociais. Mas são mecanismos criados principalmente para aumentar o consumismo e a alienação. Só de forma muito eventual podem servir à transformação social.

 

Quem usa a ferramenta de busca do Google sabe como é. Você começa a digitar uma palavra para fazer uma pesquisa e o programa se encarrega de completá-la. É como se adivinhasse nossos pensamentos.

O recurso pode até ser desativado. Mas isso não é possível em relação a outros mecanismos, igualmente utilizados por ferramentas como Google e Facebook. A pretexto de nos facilitar a vida, elas nos levam por caminhos que não escolhemos. Geralmente, estão a serviço do consumo.

 

Se você costuma consumir usando a internete faz parte de uma minoria. Ainda. A previsão de crescimento do chamado “e-commerce” é de 30% ao ano. Já nas vendas tradicionais a expansão não deve passar de 5%. As vendas por meios virtuais em 2010 representaram 4% do varejo no Brasil. Mas a participação deve chegar a 8% em 2015.

 

O custo bem menor em contratação de pessoal e instalações tem tudo para tornar esse tipo de transação comercial majoritário em algumas décadas. O problema é que o “e-commerce” não é apenas uma forma mais ágil e econômica de comprar. Seu poder de induzir ao consumo, ao mesmo tempo em que aliena o comprador é bem maior.

 

É só imaginar uma loja de departamentos que altere seu layout de acordo com o gosto de cada cliente que entra nela. Você adora literatura, por exemplo. É só passar da soleira da porta da loja para que estantes cheias de livros brotem na sua frente. É doido por surfe? Uma coleção colorida de pranchas e acessórios surge no seu caminho.

 

Na loja física, isso seria impossível. Na virtual, isso já acontece graças ao uso do que os programadores chamam de algoritmos. Comandos que identificam a freqüência de acessos do usuário para cada tipo de produto.

Se eu acesso com muitas vezes a sessão de filmes numa loja eletrônica, ela passa a me oferecer produtos desse tipo. Basta que eu aceite me identificar cada vez que entrar na página. Algo que terei que fazer se quiser adquirir uma mercadoria.

 

Há três grandes problemas nesse tipo de relação. Em primeiro lugar, a já temida perda de privacidade. Nossos dados estão espalhados pela rede. Nossos gostos, preferências, vícios, relações. E não apenas pela parte abertamente comercial da rede. O acesso gratuito a serviços de e-mail, arquivamento de dados, programas, jogos, torna essa oferta de informações cada vez mais voluntária.

 

Em segundo lugar, está o consumismo. O conforto e facilidade do acesso aos produtos facilitam e incentivam o consumo. Daí para o consumismo pode ser um pulo. Um problema que está longe de ser de segunda ordem. A produção de desperdício e lixo no planeta está chegando a níveis que colocam em risco a vida em muitas partes do planeta.

 

Um terceiro problema é a acentuação da visão parcial e isolada das coisas humanas. Posso achar que literatura é a melhor coisa do mundo. Mas não seria bom achar que somente ela apresenta essa condição. E mesmo no âmbito da produção literária, não seria bom considerar, por exemplo, que somente livros policiais valem a pena ser lidos.

 

É isso o que a rápida e fácil adaptação ao gosto da clientela oferecida pelas lojas virtuais podem fazer. Afastar seus consumidores de muitas das possibilidades oferecidas pela criatividade humana. O mesmo pode acontecer em ambientes menos comerciais. O fato é que para a lógica que impera ou somos consumidores ou não somos nada.

 

Mas os efeitos dessas ferramentas não se limitam à esfera do consumo. Do mesmo modo que influenciam de forma tão poderosa nossas decisões de mercado, também dominam a formação de nossas opiniões e escolhas.

No Facebook, por exemplo, há comandos que fazem desaparecer links menos freqüentados. Pode ser uma comodidade, por um lado. Por outro lado, é uma limitação perigosa.

 

É perfeitamente compreensível que alguém goste de futebol e odeie política. Mas isso não quer dizer que a política tenha que ser ignorada. Gostemos ou não, é importante saber o que acontece nos governos, parlamentos ou nas ruas e praças ocupadas por pessoas revoltadas. Afinal, esse tipo de atividade costuma determinar os rumos de nossas vidas.

 

Muita gente considera a Matemática um pesadelo. Nem por isso aceitaria abolir a ciência dos cálculos da vida social. Os filtros utilizados pelo Google e Facebook fazem algo parecido. Dão a impressão de que a matemática e a política sumiram. Mas elas continuam agindo e influenciando pesadamente a vida de todos.

É provável que esta seja a dimensão mais poderosa desse tipo de mecanismo. Claro que é perigoso permitir que uma grande quantidade de dados privados acabe estocada nos servidores desses grandes monopólios da informação. Eles poderiam ser facilmente utilizados pelo Estado em uma caça às bruxas contra lutadores sociais, militantes e líderes populares.

 

Mas lutadores, militantes e lideranças populares ficam muito menos perigosos se não conseguem atrair a atenção da maior parte da sociedade. Principalmente, de seus setores mais explorados e oprimidos. E é isso que mecanismos como o Facebook e Google fazem. Isolam aqueles que lutam por transformações políticas e sociais da maioria das pessoas. Erguem uma barreira feita de insistentes apelos ao consumo e ao individualismo.

 

A criação do Google, Twitter e Facebook não foi um raio num céu azul. A genialidade de seus criadores é inegável. No entanto, seu surgimento corresponde à lógica econômica e social do capitalismo. São apenas o estágio mais recente e evoluído da capacidade que os controladores do sistema têm para monopolizar nossa atenção. Representam mais uma vitória da burguesia na disputa por hegemonia. Assim como aconteceu com a utilização da imprensa, do rádio, do cinema, da TV.

 

A grande diferença que esse tipo de comunicação apresenta é sua interatividade. E isso aconteceu porque o Capital precisou facilitar e agilizar a troca de mercadorias e informações. Do contrário, não conseguiria manter suas taxas de lucros. Algo que os monopólios tradicionais da radiodifusão já não estavam conseguindo fazer.

De um lado, essa característica abriu novas brechas para usos contra-hegemônicos das “redes sociais” e assemelhados. Por outro lado, trata-se de um tipo de comunicação tão monopolizado por grandes corporações quanto outras mídias.

 

Então, a luta tem que ser a mesma. Pelo fim dos monopólios dos meios de comunicação, incluindo a rede mundial de computadores. Podemos até usar Twitter, Facebook, Google pra travar essa luta, mas sem ilusões. Para cada internauta engajado socialmente, há milhares de seguidores presos nas redes criadas pelos Zuckebergs do mercado.

 

A mobilização social não exclui a utilização de Google, Twitter ou Facebook. O perigo é substituir a luta real por batalhas virtuais com alcance muito limitado.

 

 

Por Sérgio Domingues, no site Mídia Vigiada

Imagem: http://internetar.com/wp-content/uploads/2011/07/Google-Twitter-Facebook.png


30/01/2012 - Mundo - Política 

O Globo e sua “Guerra”contra Cuba

O monopólio dominante na mídia impressa do Rio de Janeiro está chegando a limites execráveis. Com um enviado especial a Havana, e outro a Miami – junto à mafiosa comunidade de renegados cubanos que vivem em condições privilegiadas nos Estados Unidos -, o Globo se torna cada dia mais repulsivo em sua cobertura internacional.

 

Uma página inteira é dedicada ao depoimento de uma advogada, que não consegue superar as dificuldades burocráticas para sair do país. Está lá, vestidinha, arrumadinha, sem ninguém a proibir de se expressar, sem no entanto despertar a mais mínima curiosidade, exigida, do repórter sobre suas fontes de renda numa economia que só agora deixa de ser totalmente estatal.

 

Em Miami, a repórter dá ouvidos a alguém que denuncia “agressões violentas” a manifestações de mulheres que protestam nas ruas contra o regime. Isso mesmo, aquelas poucas senhoras de “branco” que desfilam livremente para fotos de agências internacionais, e que se sofrem hostilidades são hostilidades verbais de transeuntes comuns e correntes que não lhes prestam solidariedade. Nenhuma preocupação jornalística da repórter em tentar entrevistar o criminoso terrorista Posadas Carrilllo, responsável comprovado pela explosão de um avião da Cubanas de Aviacion, e que conspira e promove sabotagens na Ilha sob cobertura do governo americano, a partir de Miami.

 

Por um mínimo de pudor, o Globo deveria explicar por que nunca exigiu que seus “enviados especiais” tentassem visitar a base de Guantánamo. Afinal, se a preocupação é exigir que Dilma cuide desse varejo da classe média cubana, financiada pela embaixada americana local, como não tentar investigar o endereço onde comprovadamente, com cobertura legal, militares americanos utilizam a tortura como método de investigação?

 

Por um mínimo de pudor, o Globo deveria explicar por que nunca pergunta à blogueira, só conhecida e valoriszada fora de Cuba, de onde vêm os recursos que lhe permitem viver em condições materiais bem superiores aos cubanos que não se vendem, e se mantêem fiéis à Revolução.

 

Pelo menos assim, o jornal que distorce e ideologiza informação, daria alguma legitimidade à sua incessante campanha ideológica contra Cuba.

 

Por Milton Temer -  Jornalista e membro da Executiva Estadual do PSOL - Partido Socialismo e Liberdade - no Rio de Janeiro.

 

Tomado do Portal Desacato – www.desacato.info


30/01/2012 - Mundo - Organizações Sociais 

PRECISAMOS DE UNIDADE E DE AÇÕES DE MASSA INTERNACIONAIS... Para enfrentar a crise capitalista!

1. O Fórum social em Porto alegre.

Durante 5 dias centenas de militantes sociais, entidades e intelectuais se reuniram em Porto Alegre, para realizar diversos debates e convergências de diálogos sobre a crise capitalista mundial e suas conseqüências no meio ambiente e nas populações.

 

O evento realizado entre 24 e 29 de janeiro não teve o mesmo glamour e nem a massifividade de outras ocasiões.   Não era um Fórum mundial,  era apenas um fórum internacional, temático, com foco na crise e meio ambiente.  Por isso a participação foi mais militante e representativa.   Houveram dezenas de reuniões, oficinas, seminários e debates, entre as mais diferentes redes internacionais e articulações sociais.   Daí sua importância, de continuar sendo um espaço de exposições de idéias,  de debates e diálogos entre diferentes entidades e visões de mundo.

 

2. A unidade  na analise da conjuntura.

O resultado desses diálogos é que se produziu  uma profunda coincidência de analises e avaliações, entre os mais diferentes movimentos sociais presentes (do Brasil e da América Latina, alguns europeus), intelectuais comprometidos com o povo,  entidades da sociedade civil e  militantes anônimos, porem muito combativos.     Todos concordaram que estamos no inicio de uma crise,  prolongada, que é estrutural do capitalismo,  agora globalizado, capitaneado pelo capital financeiro e suas corporações transnacionais.   Que os estados nacionais e seus governos estão à mercê dos interesses do grande capital, e de certa forma de mãos amarradas para tomar medidas efetivas que pudessem resolver a crise, sem afetar os trabalhadores.

Todos concordaram que diante da crise, as grandes empresas capitalistas, seus bancos e corporações e seus governos nacionais, se movem e estão atodanto as seguintes estragégias:

a)     Utilizar os recursos públicos em seu proveito e assim amenizar a crise;

b)    Provocar conflitos bélicos regionais, para gerar demandas ao complexo industrial-militar;

c)     Reprimir possíveis mobilizações populares, como vem sendo feito em todos paises aonde há mobilizações, inclusive nos Estados Unidos e Europa;

d)    Se apropriar dos recursos naturais, privatizando-os para as empresas,  como forma de transformar o capital fictício em patrimônio, bens efetivos, e assim na próxima etapa os transformam em lucros extraordinários;

e)     Transformar os países do hemisfério sul em meros exportadores de matérias primas para suas necessidades;

f)      Aumentar o desemprego no hemisfério norte, sobretudo entre jovens e os trabalhadores das industrias;

g)     Que podem usar a conferencia da Rio+ 20, como teatro internacional para dizer que estão interessados na sustentabilidade e criar um novo marco legal, que lhes dê credibilidade para se apropriarem dos recursos naturais, naquilo que se tem chamado de "economia verde", e seguir acumulando lucros, com colorido verde; 

 

3. As propostas unitárias para enfrentar a  crise.

Diante dessa situação, realizou-se em Porto alegre, como ultima atividade do Fórum, uma importante assembléia internacional de movimentos sociais, que produziu um documento de analise e selou um acordo unitário, entre todas as iniciativas, para:

 

a)     Denunciar,  os estados e governos que estão operando apenas em favor do capital;

b)    Denunciar essa máscara de economia verde, como engôdo para esconder a verdadeira causa dos problemas ambientais que se reproduzem em todo mundo;

c)     Ter claro que os principais inimigos do povo nessa etapa do capitalismo, são o capital financeiro, as empresas transnacionais, e os processos de militarização e repressão que ocorrem nos país;

d)    Lutar por uma democracia verdadeira, que supere a mera representatividade formal, a manipulação que os capitalistas estão operando em relação aos governos e construa novas formas de participação popular nos destinos dos países;

e)     Esforçar-se para realizar grandes mobilizações de massa em todos os paises, contra os inimigos comuns, única forma de podermos alterar a correlação de forças atuais;

f)      Defender os recursos naturais de nossos países, como questão de soberania nacional e popular, frente a ofensiva e apropriação privada do capital;

g)     Exigir dos governos políticas publicas de proteção aos interesses da maioria da população, em especial os mais pobres e trabalhadores;

h)     Realizar esforços para enfrentar o monopólio dos meios de comunicação de massa, que em todos os países manipulam as massas e distorcem as verdadieras causas da crise e suas graves conseqüências para a humanidade;

i)       Redobrar os esforços para construir  a unidade entre todas as forças sociais em nossos países e a nível internacional, única forma de enfrentarmos a força do capital;

j)       Programar a semana de 5 junho, como a grande jornada mundial, em defesa do meio ambiente e contra as empresas transnacionais;

k)     Programar-se para realizar entre 18-26 de junho, no Rio de Janeiro, uma grande mobilização mundial, com acampamento permanente, realizando a cúpula dos povos, em contraposição a cúpula dos governos e do capital.

 Como vêem, os espaços de Porto Alegre foram muito férteis na construção de convergência e unidade de propósitos.  Agora, espera-se que todas as forças envolvidas, no Brasil, na América Latina e em todo mundo,  logrem levar à prática os acordos programáticos.

 

Por João Pedro Stédile -  coordenação do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra - MST.


23/01/2012 - Mundo - Conflitos 

A reivenção do capital/dinheiro

Atualmente grande parte da economia é regida pelo capital financeiro, quer dizer, por aqueles papéis e derivativos que circulam no mercado de capitais e que são negociados nas bolsas do mundo inteiro. Trata-se de um capital virtual que não está no processo produtivo, este que gera aquilo que pode ser consumido. No financeiro, reina a especulação, dinheiro fazendo dinheiro, sem passar pela produção. Vigora um perverso descompasso entre o capital real e o financeiro. Ninguém sabe exatamente as cifras, mas calcula-se que o capital financeiro soma cerca de 600 trilhões de dólares enquanto o capital produtivo, do conjunto de todos os paises, alcança cerca 580 trilhões. Logicamente, chega o momento em que, invertendo a frase de Marx do Manifesto, “tudo o que não é sólido se desmancha no ar”.

 

Foi o que ocorreu em 2007/2008 com o estouro da bolha financeira ligada aos imóveis nos EUA que representava um tal volume de dívidas que nenhum capital real, via sistema bancário, podia saldar. Havia o risco da quebra em cadeia de todo o sistema econômico real. Se não tivesse havido o socorro aos bancos, feito pelos Estados, injetando capital real dos contribuintes, assistiríamos a uma derrocada generalizada.

Esta crise não foi superada e possivelmente não o será enquanto prevalecer o dogma econômico, crido religiosamente pela maioria dos economistas e pelo sistema com um todo, segundo o qual as crises econômicas se resolvem por mecanismos econômicos. A heresia desta crença reside na visão reducionista de que a economia é tudo, pode tudo e que dela depende o bem-estar de um pais e de um povo. Ocorre que os valores que sustentam uma vida humana com sentido não passa pela economia. Ela garante apenas a sua infra-estrutura. Os valores resultam de outras fontes e dimensões. Se assim não fosse, a felicidade e o amor estariam à venda nos bancos.

 

Este é o transfundo do livro de alta divulgação Reinventando o capital/dinheiro de Rose Marie Muraro (Idéias e Letras 2012). Rose é uma conhecida escritora com mais de 35 livros publicados e uma diligente editora com cerca de 1600 títulos lançados. Num intenso diálogo, juntos trabalhamos, por mais de vinte anos, na Editora Vozes. Dois temas ocupam sempre sua agenda: a questão feminina e a questão da cultura tecnológica. Foi ela quem inaugurou oficialmente o discurso feminino no Brasil escrevendo livro com um método inovador: A sexualidade da mulher brasileira (Vozes 1993). Com um olhar perspicaz denunciou o poder destruidor e até suicida da tecno-ciência, especialmente, em seu livro: Querendo ser Deus? Os avanços tecnológicos e o futuro da humanidade (Vozes 2009).

 

Mas devido ao controle do capital, o ganha/ganha não consegue se impor. Mas sua força interna irá inaugurar uma nova era, quem sabe, até com uma moeda universal, sugerida pelo  economista brasileiro Geraldo Ferreira de Araujo Filho, cujo valor não incluirá apenas a economia mas valores  como a educação, a igualdade social e de gênero e o respeito à natureza e outros.

Neste livro Reinventando o capital/dinheiro faz um histórico do dinheiro desde a mais remota antiguidade, seguindo um  esquema esclarecedor: o ganha/ganha, o ganha/perde, o perde/perde e a necessária volta ao ganha/ganha se quisermos salvar nossa civilização, ameaçada pela ganância capitalística.

Na Pré-História predominava o ganha/ganha. Vigorava o escambo, isto é, a troca de produtos. Reinava grande solidariedade entre todos. No Período Agrário entrou o dinheiro/moeda. Os donos de terras produziam mais, vendiam o excedente. O dinheiro ganho era emprestado a juros. Com os juros entrou o ganha/perde. Foi uma bacilo que contaminou todas as transações econômicas posteriores. No Período Industrial esta lógica se radicalizou pois o capital assumiu a hegemonia e estabeleceu os preços e os níveis de juros compostos. Como o capital está em poucas mãos, cresceu o perde/ganha. Para que alguns poucos ganhem, muitos devem perder.

 

Com a globalização, o capital ocupou todos os espaços. No afã de acumular mais ainda, está devastando a natureza. Agora vigora o perde/perde, pois tanto o dono do capital como a natureza saem prejudicados. No Período da Informação criou-se a chance de um ganha/ganha, pois a natureza da informação especialmente da Internet é possibilitar que todos se relacionem com todos.

 

Rose aposta nesta lógica do ganha/ganha, a única que poderá salvar a natureza e nossa civilização.

 

O livro de Rose Marie Muraro pode ser adquirido por 0800 160004.

Imagem:

http://editoraideiaseletras.files.wordpress.com/2011/12/reiventando_o_dinheiro.jpg

 


14/01/2012 - Mundo - Clima e Meio Ambiente 

A história da água engarrafada - assista e divulgue.

Annie Leonard, a produtora de A História das Coisas, lançou no Dia Mundial da Água o seu novo documentário: The Story of Bottled Water – A História da Água Engarrafada. Agora o foco é a indústria da Água Engarrafada, a verdadeira história por trás desse hábito moderno. O vídeo, com duração de oito minutos, questiona a falta de consciência ecológica dos cidadãos que compram garrafas de água enquanto poderiam beber água tratada. Annie também apresenta o dano que essa prática causa ao planeta, como o aumento da poluição e o mal uso de dinheiro. Uma campanha contra as manipulações da Pepsi, Coca-cola, Nestle, Parmalat, e etc. Clique em continue lendo e veja o documentário.

 

Assista aqui: http://www.youtube.com/watch?v=AM9G7RtXlFQ&feature=player_embedded

 

 

 

Imagem:

http://dicasverdes.com/dicasverdes.com/wp-content/uploads/2010/08/hist%C3%B3ria-negra-da-%C3%A1gua-engarrafada.jpg


09/01/2012 - Mundo - Conflitos 

A ordem criminosa do mundo

Em novembro de 2008, a TVE (Espanha) exibiu um documentário intitulado “A ordem criminosa do mundo”. Nele, Eduardo Galeano, Jean Ziegler e outras personalidades mundiais falam sobre a transformação da ordem capitalista mundial em um esquema mortífero e criminoso para milhões de pessoas em todo o mundo. Mais de três anos depois, o documentário permanece mais atual do que nunca, com alguns traços antecipatórios da crise que viria atingir em cheio também a Europa. Assista o documentário clicando abaixo:

  


09/01/2012 - Mundo - Política 

Mitos do Capitalismo

São muitos e variados os tipos e meios de manipulação em que a ideologia burguesa se foi alicerçando ao longo do tempo. Um dos tipos mais importantes são os mitos. Trata-se de um conjunto de falsas verdades, mera propaganda que, repetidas à exaustão, acriticamente, ao longo de gerações, se tornam verdades insofismáveis aos olhos de muitos.

 

 Um comentário amargo, e frequente após os períodos eleitorais, é o de que “cada povo tem o governo que merece”. Trata-se de uma crítica errónea, que pode levar ao conformismo e à inércia e castiga os menos culpados. Não existem maus povos. Existem povos iletrados, mal informados, enganados, manipulados, iludidos por máquinas de propaganda que os atemorizam e lhes condicionam o pensamento. Todos os povos merecem sempre governos melhores.

 

A mentira e a manipulação são hoje armas de opressão e destruição maciça, tão eficazes e importantes como as armas de guerra tradicionais. Em muitas ocasiões são complementares destas. Tanto servem para ganhar eleições como para invadir e destruir países insubmissos.

 

São muitos e variados os tipos e meios de manipulação em que a ideologia capitalista se foi alicerçando ao longo do tempo. Um dos tipos mais importantes são os mitos. Trata-se de um conjunto de falsas verdades, mera propaganda que, repetidas à exaustão, acriticamente, ao longo de gerações, se tornam verdades insofismáveis aos olhos de muitos. Foram criadas para apresentar o capitalismo de forma credível perante as massas e obter o seu apoio ou passividade. Os seus veículos mais importantes são a informação mediática, a educação escolar, as tradições familiares, a doutrina das igrejas, etc. (*)
 
Apresentam-se neste texto, sucintamente, alguns dos mitos mais comuns da mitologia capitalista.

 

• NO CAPITALISMO QUALQUER PESSOA PODE ENRIQUECER À CUSTA DO SEU TRABALHO.

 

Pretende-se fazer crer que o regime capitalista conduz automaticamente qualquer pessoa a ser rica desde que se esforce muito.

 

O objectivo oculto é obter o apoio acrítico dos trabalhadores no sistema e a sua submissão, na esperança ilusória e culpabilizante em caso de fracasso, de um dia virem a ser também, patrões de sucesso.

Na verdade, a probabilidade de sucesso no sistema capitalista para o cidadão comum é igual à de lhe sair a lotaria. O “sucesso capitalista” é, com raras excepções, fruto da manipulação e falta de escrúpulos dos que dispõem de mais poder e influência. As fortunas em geral derivam directamente de formas fraudulentas de actuação.

 

Este mito de que o sucesso é fruto de uma mistura de trabalho afincado, alguma sorte, uma boa dose de fé e depende apenas da capacidade empreendedora e competitiva de cada um, é um dos mitos que tem levado mais gente a acreditar no sistema e a apoiá-lo. Mas também, após as tentativas falhadas, a resignarem-se pelo aparente falhanço pessoal e a esconderem a sua credulidade na indiferença. Trata-se dos tão apregoados empreendedorismo e competitividade.

 

• O CAPITALISMO GERA RIQUEZA E BEM-ESTAR PARA TODOS

Pretende-se fazer crer que a fórmula capitalista de acumulação de riqueza por uma minoria dará lugar, mais tarde ou mais cedo, à redistribuição da mesma.

 

O objectivo é permitir que os patrões acumulem indefinidamente sem serem questionados sobre a forma como o fizeram, nomeadamente sobre a exploração dos trabalhadores. Ao mesmo tempo mantêm nestes a esperança de mais tarde serem recompensados pelo seu esforço e dedicação.

 

Na verdade, já Marx tinha concluído nos seus estudos que o objectivo final do capitalismo não é a distribuição da riqueza mas a sua acumulação e concentração. O agravamento das diferenças entre ricos e pobres nas últimas décadas, nomeadamente após o neo-liberalismo, provou isso claramente.
 
Este mito foi um dos mais difundidos durante a fase de “bem-estar social” pós guerra, para superar os estados socialistas. Com a queda do émulo soviético, o capitalismo deixou também cair a máscara e perdeu credibilidade.

• ESTAMOS TODOS NO MESMO BARCO.

Pretende-se fazer crer que não há classes na sociedade, pelo que as responsabilidades pelos fracassos e crises são igualmente atribuídas a todos e portanto pagas por todos.

 

O objetivo é criar um complexo de culpa junto dos trabalhadores que permita aos capitalistas arrecadar os lucros enquanto distribui as despesas por todo o povo.

 

Na verdade, o pequeno numero de multimilionários, porque detém o poder, é sempre auto-beneficiado em relação à imensa maioria do povo, quer em impostos, quer em tráfico de influências, quer na especulação financeira, quer em off-shores, quer na corrupção e nepotismo, etc. Esse núcleo, que constitui a classe dominante, pretende assim escamotear que é o único e exclusivo responsável para situação de penúria dos povos e que deve pagar por isso.

 

Este é um dos mitos mais ideológicos do capitalismo ao negar a existência de classes.

 

• LIBERDADE É IGUAL A CAPITALISMO.

Pretende-se fazer crer que a verdadeira liberdade só se atinge com o capitalismo, através da chamada auto-regulação proporcionada pelo mercado.

 

O objetivo é tornar o capitalismo uma espécie de religião em que tudo se organiza em seu redor e assim afastar os povos das grandes decisões macro-económicas, indiscutíveis. A liberdade de negociar sem peias seria o máximo da liberdade.

 

Na verdade, sabe-se que as estratégias político económicas, muitas delas planeadas com grande antecipação, são quase sempre tomadas por um pequeno número de pessoas poderosas, à revelia dos povos e dos poderes instituídos, a quem ditam as suas orientações. Nessas reuniões, em cimeiras restritas e mesmo secretas, são definidas as grandes decisões financeiras e económicas conjunturais ou estratégicas de longo prazo. Todas, ou quase todas essas resoluções, são fruto de negociações e acordos mais ou menos secretos entre os maiores empresas e multinacionais mundiais. O mercado é pois manipulado e não auto-regulado. A liberdade plena no capitalismo existe de facto, mas apenas para os ricos e poderosos.

 

Este mito tem sido utilizado pelos dirigentes capitalistas para justificar, por exemplo, intervenções em outros países não submissos ao capitalismo, argumentando não haver neles liberdade, porque há regras. 
 
 • CAPITALISMO IGUAL A DEMOCRACIA.

 

Pretende-se fazer crer que apenas no capitalismo há democracia.

 

O objetivo deste mito, que é complementar do anterior, é impedir a discussão de outros modelos de sociedade, afirmando não haver alternativas a esse modelo e todos os outros serem ditaduras. Trata-se mais uma vez da apropriação pelo capitalismo, falseando-lhes o sentido, de conceitos caros aos povos, tais como liberdade e democracia.

 

Na realidade, estando a sociedade dividida em classes, a classe mais rica, embora seja ultra minoritária, domina sobre todas as outras. Trata-se da negação da democracia que, por definição, é o governo do povo, logo da maioria. Esta “democracia” não passa pois de uma ditadura disfarçada. As “reformas democráticas” não são mais que retrocessos, reacções ao progresso. Daí deriva o termo reaccionário, o que anda para trás.

 

Tal como o anterior este mito também serve de pretexto para criticar e atacar os regimes de países não capitalistas.
 

• ELEIÇÕES IGUAL A DEMOCRACIA.

 

Pretende-se fazer crer que o acto eleitoral é o sinonimo da democracia e esta se esgota nele. O objetivo é denegrir ou diabolizar e impedir a discussão de outros sistemas politico-eleitorais em que os dirigentes são estabelecidos por formas diversas das eleições burguesas, como por exemplo pela idade, experiencia, aceitação popular, etc.

 

Na verdade é no sistema capitalista, que tudo manipula e corrompe, que o voto é condicionado e as eleições são actos meramente formais. O simples facto da classe burguesa minoritária vencer sempre as eleições demonstra o seu carácter não representativo.

 

O mito de que, onde há eleições há democracia, é um dos mais enraizados, mesmo em algumas forças de esquerda.

 

• PARTIDOS ALTERNANTES IGUAL A ALTERNATIVOS.

Pretende-se fazer crer que os partidos burgueses que se alternam periodicamente no poder têm políticas alternativas. O objetivo deste mito é perpetuar o sistema dentro dos limites da classe dominante, alimentando o mito de que a democracia está reduzida ao acto eleitoral.

 

Na verdade este aparente sistema pluri ou bi-partidário é um sistema mono-partidário. Duas ou mais facções da mesma organização política, partilhando políticas capitalistas idênticas e complementares, alternam-se no poder, simulando partidos independentes, com políticas alternativas. O que é dado escolher aos povos não é o sistema que é sempre o capitalismo, mas apenas os agentes partidários que estão de turno como seus guardiões e continuadores.

 

O mito de que os partidos burgueses têm politicas independentes da classe dominante, chegando até a ser opostas, é um dos mais propagandeados e importantes para manter o sistema a funcionar.
 
• O ELEITO REPRESENTA O POVO E POR ISSO PODE DECIDIR TUDO POR ELE.

Pretende-se fazer crer que o político, uma vez eleito, adquire plenos poderes e pode governar como quiser. O objetivo deste mito é iludir o povo com promessas vãs e escamotear as verdadeiras medidas que serão levadas à prática.

 

Na verdade, uma vez no poder, o eleito auto-assume novos poderes. Não cumpre o que prometeu e, o que é ainda mais grave, põe em prática medidas não enunciadas antes, muitas vezes em sentido oposto e até inconstitucionais. Frequentemente são eleitos por minorias de votantes. A meio dos mandatos já atingiram índices de popularidade mínimos. Nestes casos de ausência ou perda progressiva de representatividade, o sistema não contempla quaisquer formas constitucionais de destituição. Esta perda de representatividade é uma das razões que impede as “democracias” capitalistas de serem verdadeiras democracias, tornando-se ditaduras disfarçadas.

 

A prática sistemática deste processo de falsificação da democracia tornou este mito um dos mais desacreditados, sendo uma das causas principais da crescente abstenção eleitoral.

 

• NÃO HÁ ALTERNATIVAS À POLÍTICA CAPITALISTA.

Pretende-se fazer crer que o capitalismo, embora não sendo perfeito, é o único regime politico/económico possível e portanto o mais adequado. O objetivo é impedir que outros sistemas sejam conhecidos e comparados, usando todos os meios, incluindo a força, para afastar a competição.

 

Na realidade existem outros sistemas politico económicos, sendo o mais conhecido o socialismo cientifico. Mesmo dentro do capitalismo há modalidades que vão desde o actual neo-liberalismo aos reformistas do “socialismo democrático” ou social-democrata. 

 

Este mito faz parte da tentativa de intimidação dos povos de impedir a discussão de alternativas ao capitalismo, a que se convencionou chamar o pensamento único.

 

• A AUSTERIDADE GERA RIQUEZA

Pretende-se fazer crer que a culpa das crises económicas é originada pelo excesso de regalias dos trabalhadores. Se estas forem retiradas, o Estado poupa e o país enriquece. O objetivo é fundamentalmente transferir para o sector publico, para o povo em geral e para os trabalhadores a responsabilidade do pagamento das dividas dos capitalistas. Fazer o povo aceitar a pilhagem dos seus bens na crença de que dias melhores virão mais tarde. Destina-se também a facilitar a privatização dos bens públicos, “emagrecendo” o Estado, logo “poupando”, sem referir que esses sectores eram os mais rentáveis do Estado, cujos lucros futuros se perdem desta forma.

 

Na verdade, constata-se que estas politicas conduzem, ano após ano, a uma empobrecimento das receitas do Estado e a uma diminuição das regalias, direitos e do nível de vida dos povos, que antes estavam assegurados por elas.

 

• MENOS ESTADO, MELHOR ESTADO.

Pretende-se fazer crer que o sector privado administra melhor o Estado que o sector público. O objetivo dos capitalistas é, “dourar a pílula” para facilitar a apropriação do património, das funções e dos bens rentáveis dos estados. É complementar do anterior.

 

Na verdade o que acontece em geral é o contrário: os serviços públicos privatizados não só se tornam piores, como as tributações e as prestações são agravadas. O balanço dos resultados dos serviços prestados após passarem a privados é quase sempre pior que o anterior. Na óptica capitalista a prestação de serviços públicos não passa de mera oportunidade de negócio. Neste mito é um dos mais “ideológicos” do capitalismo neoliberal. Nele está subjacente a filosofia de que quem deve governar são os privados e o Estado apenas dá apoio.

 

• A ACTUAL CRISE É PASSAGEIRA E SERÁ RESOLVIDA PARA O BEM DOS POVOS.

Pretende-se fazer crer que a actual crise económico-financeira é mais uma crise cíclica habitual do capitalismo e não uma crise sistémica ou final. O objetivo dos capitalistas, com destaque para os financeiros, é continuarem a pilhagem dos Estados e a exploração dos povos enquanto puderem. Tem servido ainda para alguns políticos se manterem no poder, alimentando a esperança junto dos povos de que melhores dias virão se continuarem a votar neles.

Na verdade, tal como previu Marx, do que se trata é da crise final do sistema capitalista, com o crescente aumento da contradição entre o carácter social da produção e o lucro privado até se tornar insolúvel.
 
 Alguns, entre os quais os “socialistas” e sociais-democratas, que afirmam poder manter o capitalismo, embora de forma mitigada, afirmam que a crise deriva apenas de erros dos políticos, da ganância dos banqueiros e especuladores ou da falta de ideias dos dirigentes ou mecanismos que ainda falta resolver. No entanto, aquilo a que assistimos é ao agravamento permanente do nível de vida dos povos sem que esteja à vista qualquer esperança de melhoria. Dentro do sistema capitalista já nada mais há a esperar de bom.

 

NOTA FINAL:

O capitalismo há-de acabar, mas só por si tal decorrerá muito lentamente e com imensos sacrifícios dos povos. Terá que ser empurrado. Devem ser combatidas as ilusões, quer daqueles que julgam o capitalismo reformável, quer daqueles que acham que quanto pior melhor, para o capitalismo cairá de podre, O capitalismo tudo fará para vender cara a derrota. Por isso quanto mais rápido os povos se libertarem desse sistema injusto e cruel mais sacrifícios inúteis se poderão evitar.

 

Hoje, mais do que nunca, é necessário criar barreiras ao assalto final da barbárie capitalista, e inverter a situação, quer apresentando claramente outras soluções politicas, quer combatendo o obscurantismo pelo esclarecimento, quer mobilizando e organizando os povos.

 

(*) Os mitos criados pelas religiões cristãs têm muito peso no pensamento único capitalista e são avidamente apropriados por ele para facilitar a aceitação do sistema pelos mais crédulos. Exemplos: “A pobreza é uma situação passageira da vida terrena”. “Sempre houve ricos e pobres”. “O rico será castigado no juízo final”.

 

Por Guilherme Alves Coelho – O diário – Portugal

Imagem:

http://3.bp.blogspot.com/-bSklUzmZow0/TwimNPqmLZI/AAAAAAAACGQ/FLpIROtFxGU/s1600/p_02_11_2011.jpg


08/12/2011 - Mundo - Cultura 

Feliz Natal

Ho ho ho…

 

Alguns meses antes do Natal as ruas começam a ficar iluminadas e expondo árvores natalinas e papais noéis gigantes, com horário marcado para o povo esperar o conhecido “bom velhinho” de carne e osso. Nas instituições públicas e privadas os funcionários precisam entrar no clima, em alguns locais os trabalhadores até se submetem a trabalhar com aquela toca vermelha com pompom. As casas mais enfeitadas recebem até premiações, aquelas músicas típicas começam a ser tocadas nas rádios, nos celulares (o povo já entra no clima), na televisão todas (ou quase todas) as propagandas usam as mais diversas maneiras de lembrar essa data. As emissoras fazem aquelas campanhas emocionantes mostrando o quanto tem “tudo a ver com você”, programas e filmes especiais para a ocasião são apresentados.  A base de tudo isso é sensibilizar a população para a necessidade de dar presentes, de providenciar o mais rápido possível o uso de seu décimo terceiro. Promoções das mais variadas instigando o giro das engrenagens do fetiche capitalista aparecem nessa época também. É impossível não presenciar o ritual, essa data com seu enfoque no consumo está entranhada na sociedade.

 

Nessa época do ano as pessoas ficam mais sensíveis, percebem que existe pobreza, e até dão mais esmolas para se sentirem melhor e mais humanas. Assim, para acatar com o apoio popular, as prefeituras por intermédio de suas secretarias de assistência social pregam a doutrina mais estupidamente assistencialista que se pode imaginar, como se somente nessa época do ano houvesse pobreza. Percebam os “bons prefeitos” fazendo belas e enfeitadas propagandas, no dito horário nobre, de seus “Natais Solidários” (quase sempre com trabalhadores da instituição e da sociedade para “apadrinhar” alguma criança), lá tem a mamãe noel com seu bom velhinho vestido com trajes tipicamente europeu, com aquelas lindas e cintilantes roupas vermelhas, pesadas botas e ainda toca, em pleno verão aqui em nossa América. As secretárias e secretários de assistência social ficam tão sensíveis que até resolvem solidariamente dobrar o número de cestas básicas, esse ano elas triplicam e ficam mais cheinhas com muita facilidade, 2012 é ano eleitoral, então elas (es) ficam mais sensíveis ainda.

 

O comércio fica a um milhão, calculando a estimativa de vendas. Algumas crianças ganham os tão esperados presentes de natal, lindos e caros que passam na televisão, na hora certa que a criança precisa assistir, com fantasias tentadoras. Alguns pais precisam parcelar em muitas vezes um presente, mas para essa data vale a pena, afinal a criança estudou o ano inteiro e foi “boazinha”, percebam os reais valores. No outro extremo, estão as crianças que não são entrevistadas na televisão com seus pais fazendo compras nos grandes templos do capitalismo, são as que precisam trabalhar para sustentar suas famílias, das mais diversas organizações. Por conta de sua condição social, essas crianças pobres, nem sabem desses belos e imprescindíveis brinquedos, preferem ter o que comer e beber, e há os que sem opção precisam se anestesiar com um pouco de crack, agora o oxi, é mais barato e “pega” mais rápido, além de matar mais rápido também. Não é o crack da classe média, daquela campanha “Crack nem Pensar” é a droga do que precisa forrar o estômago e a mente para sofrer menos, ou não, nesse mundo mais que covarde.

 

O menino pobre que lá está na rua o ano inteiro, que o Conselho Tutelar algumas vezes já tentou responsabilizar a família por ele está pedindo esmolas (e desistiu, é claro!), pois se não for assim ele tem que roubar, matar, e eticétera; este poderá até ganhar um carrinho de R$ 1,99 do papai noel que o prefeito mandou entregar (com o dinheiro de algum “padrinho”). Mas, não lembraram dessa criança durante todo ano (a não ser em campanhas alucinadas pela redução da maioridade penal), ou até sua mãe recebeu cestas básicas, ou algum benefício, digamos medidas pontuais, não mais do que isso. Agora nem pergunte em quantos municípios do nosso Brasil existe uma política de assistência social pautada em um projeto ético político que visa combater a desigualdade social com seriedade.

 

Pois bem, Papai Noel tire essa roupa da Coca Cola, vista um bermudão e vamos dar uma volta por nossos municípios, vou te apresentar essas gentes que nem sonham mais contigo. Mas pode ser que ainda reste a esperança de que essas gentes acreditem em outro sentido para além do natal, para a vida, qual seja: olhar para o outro com respeito. É nesse Natal que eu acredito. Deixando de lado essa obsessão pela hipocrisia, pode ser que estejamos mais próximos da liberdade. Cabe fazer mensão a Ernesto Che Guevara, o homem que pôs em prática o sentido do humanismo revolucionário,

 

“Deixe-me dizer, com o risco de parecer ridículo, que o verdadeiro revolucionário é movido por grandes sentimentos de amor…”(O socialismo e o homem em Cuba).

 

Não estamos nos referindo ao interesse de quem entrega uma cesta básica com segundas intenções e vira as costas, mas ao amor de quem atende essas gentes com atenção, dedicação e luta constante por outro mundo, um mundo livre da injustiça social.

 

Desejo que nesse Natal, e em todos os outros dias, sejamos mais Revoltados

 

Por Lidiane Ramos Leal, tomado do Portal Desacato www.desacato.info


06/12/2011 - Mundo - Cultura 

A Cruel –(I)-Dade do Papai Noel

É estranho e estarrecedor constatar um fato do cotidiano: a maioria de nós adultos esquece simplesmente do que é ser criança. Esquecimento por um lado e insensibilidade por outro: acompanhar com interesse sincero uma ou algumas crianças em sua vida diária, olhá-las nas ruas, nos lugares de grandes movimentos como parques e shoppings, poderia dar uma dimensão mais clara de como elas sentem e reagem ao mundo, esse mundo.

 

Quando chegamos aqui, crianças, está tudo pronto, aprontado por outros e esses outros somos nós adultos para cada criança. É um mundo que nada tem de suave: violência física, violência simbólica e uma grande miséria afetivo-somática para quase tod@s nós, ou tod@s? Dizer isso não é dizer que tudo é ruim, mas que pode e deve ser bem melhor, mais acolhedor, menos traumático, mais livre.

 

Max Weber dizia do desencantamento do mundo, sei que ele pensava em outras relações com o mundo, no mundo humano, contudo, acho que eu poderia dizer que para a maioria de nós, no mundo adulto, esse mundo é profundamente desencantado. Um mundo encantado não significa nem precisa significar um mundo com duendes, fadas… Por exemplo, o mundo das crianças é encantado por si mesmo, não porque seja povoado de seres imaginários, e sim porque é emocionalmente rico, menos fragmentado, é um mundo acordado e em movimento, cada criança parece ser o renascimento constante e singular do big bang, o momento em que deus disse, sem consciência de si, “que haja luz” e “viu que isso era bom”, diz o narrador bíblico.  

 

Nesse momento, há encantamento com as coisas, encantamento consigo mesmo e toda a potência da pergunta que tira as coisas do nada: “por que não?”  Esse parece ser o mundo infantil, encantado consigo mesmo: criação, prazer, relação, afeto, emoção…

 

Se não erro muito, então, de que serve uma figura que os adultos impõem às crianças: o Papai Noel (poderia citar outras, mas uma só já basta para compreendermos o todo)? Não é o encantamento de um mundo por si mesmo já encantado. O que significa o Papai Noel para uma criança? Um grande investimento de emoção, de energia vital, de confiança, de pacto. E um dia, sem mais, ela descobre que essa figura não existe!!! Que mentiram para ela: pais, avós, amigos adultos, irmãos já mais velhos e cientes de toda mentira. Pessoas em quem ela confia. A interpretação generosa dessa situação, natal-papai Noel, é uma interpretação adulta!! A criança é ferida! E da maneira mais desnecessária e mais completa: enfrenta morte e luto. E isso enfrentaremos tantas vezes ao longo da vida, com situações e pessoas de carne-e-osso, para q devem as crianças passar por isso? Se não bastasse, a figura do Papai Noel tem poder de castigar. Movimenta a roda do crime e castigo. Se você não recebeu presentes, você foi uma criança malvada, ruim, portanto, deve ser punida. Movimentam-se mecanismos de culpa. O mundo das religiões reveladas, com seu culto de dor, pecado, castigo. Vivemos em uma sociedade de classes baseada em propriedade privada (uma usurpação!), imaginem as crianças pobres e miseráveis expostas também a essa figura, posto que onipresente em nossa cultura, não recebendo presentes e tendo sua miséria ainda mais aumentada: com culpa.

 

A figura do Papai Noel não serve às crianças, mas aos adultos, seja como instrumento de chantagem emocional com as crianças, inculcamento de uma moralidade canhestra, consumismo, seja para o encantamento do próprio mundo adulto, normalmente, devastado pela brutalidade de seu mundo relações com as coisas e as outras pessoas.

 

Faz poucos anos, cruzei com a constatação, por parte de um pesquisador, informação em segunda mão, de que boa parte de nossas cantigas infantis, brasileiras, eram constituídas por imagens de violência. Revisitei minha infância: boi-da-cara-preta, pau no gato, que a cuca vem pegar, etc, etc. Que triste imaginário cultural a alimentar nossas crianças…

 

Muitos adultos ao me lerem, se lerem, provavelmente, resistirão ao que digo, satisfeitos consigo mesmos… Sejamos sinceros, olhem para as crianças, recuperem as memórias infantis. A única coisa a fazer com essas figuras é mandarem-nas de volta ao limbo. É preciso desaparecer com o Papai Noel.

 

Por Rodrigo Gagliano, tomado do Portal Desacato – www.desacato.info


28/10/2011 - Mundo - Política 

54% dos trabalhadores latino-americanos não têm seguridade social

Quase 54% dos trabalhadores latino-americanos não estão cobertos pela seguridade social, apesar do desemprego urbano regional registrar uma taxa bem menor, de 7,3%. Esses foram alguns dos dados em destaque durante o encontro, em Lima (Peru), dos responsáveis por pesquisas de emprego dos institutos de estatística da América Latina. O encontro foi uma iniciativa da Organização Internacional do Trabalho (OIT).

 

“A ameaça de uma recaída provocada pela crise internacional nos põe em alerta e se torna necessário conhecer melhor suas repercussões sobre o mundo do trabalho”, disse a Diretora Regional da OIT para a América Latina e Caribe, Elizabeth Tinoco, ao inaugurar o encontro.

Ela defendeu que sejam feitas medições para além do emprego e do desemprego, em um esforço para ampliar as pesquisas sobre fenômenos como o emprego precário, o subemprego por insuficiência de horas, o emprego no setor informal, por ramos de atividade ou por grupos ocupacionais, a duração do trabalho, a evolução dos salários, entre outros aspectos.

 

“Na região latino-americana é necessário um esforço permanente para o desenvolvimento das estatísticas laborais”, afirmou o diretor do Sistema de Informação Laboral da OIT para a América Latina e o Caribe, Miguel del Cid.

 

Fonte: Diap, com informações do Portal www.onu.org.br

Tomando do Portal do SINDES: http://www.sindes.org.br


10/10/2011 - Mundo - Cultura 

Todo dia é dia da criança

Dois homens, os quais amo muito, disseram coisas muito semelhantes sobre a criança. Um deles foi Jesus. Ao verem o mestre, numa de suas paradas, entre os caminhos poeirentos das estradas da Palestina, ser rodeado pelos pequenos barulhentos, os seus companheiros decidiram enxotá-los, acreditando que era isso que Jesus desejava. Mas o Rabi fez foi enxotar os apóstolos. “Deixai vir a mim as criancinhas, porque é delas o reino do meu pai”. Daquela cena fala Lucas, em seu evangelho: “O reino de Deus é dos que se parecem com as crianças. O que não receber o reino como uma criança, não entrará nele”, ( Lucas.18:15).

  

Bem mais tarde, Nietzsche, na Alemanha, vai oferecer ao mundo sua visão de super-homem. Para ele, o super-homem é, justamente, a criança. No seu lindo livro “Assim falava Zaratustra”, Friedrich diz: “Dizei-me irmãos: que poderá a criança fazer de que o próprio leão tenha sido incapaz? Para que será preciso que o altivo leão tenha de se mudar ainda em criança?” A resposta é a chave para a idéia de super-homem. Diz Zaratustra que a criança é a inocência, o esquecimento, um novo começar, um brinquedo, uma roda que gira sobre si. “Para jogar o jogo dos criadores é preciso ser uma santa afirmação. O espírito quer agora a sua própria vontade, tendo perdido o mundo, conquista seu próprio mundo”.

 

A criança não sabe das maldades do mundo, não foi domesticada pela sociedade onde está inserida. Nela não há bem, nem mal, apenas o viver, a descoberta. A surpreendente descoberta de um dedo que se move, de um pé, de coisas que a rodeiam e sobre as quais ela nada sabe. É por isso que um bebê pode sorrir diante de um lobo, ele não sabe do mal, está cheio de encantamento pela vida que passeia diante de seus olhos. É isso que o profeta Zaratustra, de Nietzsche, vem dizer quando propõe a “terceira transformação”. Nenhum mal, nenhum bem, só esse encantamento, esse brilho no olhar, essa sede de descobrir.

 

É na criança que se vê, inteira, a coragem, a nobreza, a aceitação da diferença, a força que desloca para frente, destemida. Percebe-se aqui o amor imenso de Nietzsche pelo ideal pré-socrático. A criança de Nietzsche é um pouco o herói homérico, guerreiro que vai para a luta pensando em nada. Só a vontade de lutar o impulsiona e, se sai vivo da batalha, celebra a vida que continua. Nem bem, nem mal.

 

Por isso, esses homens tão desiguais se encontram em mim, porque também acredito que é preciso que a gente nunca perca de vista a criança em nós. Porque só assim entraremos no “reino” (a vida boa e bonita), porque só assim nos tornaremos aquele que podendo fazer tudo, só faz o que é nobre (o super-homem).

 

Nesses dias que antecedem o dia da criança observei muitas coisas estranhas. Na internet rolou um movimento de colocar desenhos para denunciar a violência contra a criança, e coisas do tipo. Acredito que isso pode ser válido, mas não é suficiente. A violência contra as crianças começa dentro da gente. Todo o drama da violência que vimos expressado cotidianamente nos programas televisivos de desgraças e nas páginas policiais é fruto da ação de adultos que perderam sua criancice. Seja pela desgraça da miséria e da dor que pode ter sido tão grande que os endureceu, seja pela violência de um sistema que tem por premissa básica o lema: para que um viva, outro tem de morrer.

 

Quando vejo por aí essas caminhadas pela paz, ou esses movimento virtuais, isso me desconforta. Não basta pedir paz aos “bandidos”. Essas criaturas que andam pelos caminhos roubando e matando não são sensíveis a isso. Elas querem é ver mudanças concretas nas suas vidas. Por que raios dariam paz a uma classe que as oprime e destrói? E aí o círculo da violência segue girando.

 

O concreto da luta pela paz é a mudança real de cada ser humano. Viver como criança, sentir como criança, brincar como criança, amar como criança. Gratuidade, alegria, partilha. Caminhar nessa beleza é o primeiro passo. Depois, já impregnados dessa ternura infantil, a gente sai para a vida, para mudar o mundo. No partido, no sindicato, no movimento, na luta real, concreta, nas estradas secundárias. Mudar o sistema, o modo de organizar a vida. Atuar no sentido de tornar todos crianças, capazes da nobreza, do bem-viver.

 

Nestes dias em que a televisão ideologiza e bestifica a infância induzindo ao consumo desenfreado, eu busco Jesus e Nietzsche, esses meus amigos, para tentar soprar algum segredo mágico nos ouvidos que sabem ouvir: ouvidos de criança.

 

Assim, quem sabe, em vez de comprar presentes de plástico, a gente não sai por aí dando cambalhota, pulando amarelinha, brincado de esconde-esconde, cantando cantigas de roda, passando rasteira nos vilões do amor? Precisamos ser crianças, todos nós... Só assim, quem sabe, essa coisa egoísta e fútil que se tornou o mundo, começa a mudar.    

 

 

Por Elaine Tavares – jornalista

 

Existe vida no Jornalismo
Blog da Elaine:
www.eteia.blogspot.com
América Latina Livre -
www.iela.ufsc.br
Desacato -
www.desacato.info
Pobres & Nojentas -
www.pobresenojentas.blogspot.com
Agencia Contestado de Noticias Populares -
www.agecon.org.br

 

Imagem:

http://www.mensagensdobem.com.br/data/media/9/diadascriancas.jpg


10/10/2011 - Mundo - Política 

Nossa missão: envolver-nos!

Nova York tem oito milhões de habitantes; um milhão vive na pobreza. É uma vergonha! E, no entanto, o sistema não se detém. Não importa quanta vergonha possamos sentir; a maquinaria vai adiante, para fazer mais dinheiro. Novas maneiras de trapacear com as aposentadorias; de roubar ainda mais. Porém, algo está acontecendo em Liberty Plaza.

Estive em Liberty Plaza para escrever um par de notas. E voltarei.

 

Estão fazendo um grande trabalho lá. E estão recebendo cada vez mais apoio. Em uma dessas noites, o sindicato de empregados de transportes –os condutores de ônibus, condutores da metropolitana- voltou com entusiasmo para dar sustentação ao protesto. Há três dias, 700 pilotos de linha –sobretudo de United e de Continental- marcharam por Wall Street. Não sei se deu para assistir na TV.

 

Sei como esteve a cobertura aqui; mostraram apenas uns poucos hippies que tocavam tambores –coisas típicas que os jornais buscam-. Por favor, que Deus abençoe os hippies que tocam seus tambores! Mas, eu lhes digo o que vi naquela praça. Vi jovens e anciãos; gente de todo tipo e de todas as cores e de todas as religiões. Vi também as pessoas que votam por Ron Paul (o candidato presidencial ultraconservador que quer abolir o Banco Central). Quero dizer, era um grupo de gente de todo tipo. Estavam pessoas enfermas; estavam os professores. Hoje, haverá manifestação: também os condutores de ônibus e da metropolitana marcharão de novo pela Wall Street. Escutei dizer que a UAW (sindicato dos operários automotivos) está pensando em algo parecido. Pensem! Seu pior pesadelo se converterá em realidade.

 

Os hippies e os operários automotivos que marcham juntos! As pessoas entenderam. E toda essa história sobre as divisões internas... Não interessa às pessoas. Porque dessa vez trata-se de seus próprios filhos que correm o risco de não poder ir à escola. Dessa vez correm o risco de ficar sem casa.

 

Essa é a verdade que está em jogo! Porém, o que me parece mais estranho e bizarro, de parte dos ricos, é como puderam exceder-se tanto.

 

Quero dizer: ia tudo muito bem para eles. Mas, para eles não era o bastante. Para os novos ricos não era o bastante. Os novos ricos que não fizeram fortuna graças a uma boa ideia; nem graças a uma invenção; nem ao seu próprio suor; nem com seu trabalho...

 

Os novos ricos que enriqueceram com o dinheiro dos outros; com o que jogaram como se fossem ao cassino. Dinheiro, mais dinheiro. E agora, temos uma geração de jovens cujos heróis são os dos canais de TV de negócios: aqueles que enriqueceram fazendo dinheiro sobre os que fazem dinheiro.

 

Porém, de quantos jovens que comecem a trabalhar para salvar esse planeta necessitamos?

Para encontrar a cura para todos esses males. Para encontrar uma maneira de levar água e serviços higiênicos aos milhares de pessoas sobre essa terra...

 

Isso é o que queria. Que, em vez de que as 400 pessoas mais ricas desse país tenham mais riqueza, sejam os 150 milhões de estadunidenses todos juntos os que estejam em melhor situação. Dirão: essa é uma das cifras que Michael Moore joga sem fundamento. Porém, é uma estatística certa: verificada por Forbes e por PolitiFact.

 

As 400 pessoas mais ricas dos Estados Unidos são mais ricos que os 150 milhões todos juntos! E isso não pode ser chamado de democracia!

A democracia implica em igualdade: eu não digo que cada pedaço da torta deve ser da mesma medida; porém, será que não exageraram?

 

Agora, há essa boa notícia. Porque até que alguém desafie nossa democracia –enquanto a Constituição se mantenha intacta-, quer dizer que cada um de nós terá o mesmo direito de voto que os senhores de Wall Street: um voto por pessoa.

E eles poderão comprar todos os candidatos que queiram; porém, sua mão guiará a nossa mão quando estivermos no quarto escuro.

 

A mensagem de gritar forte é fazer chegar aos milhões de pessoas que se deram por vencidas ou que foram convencidas por ignorância-. Conseguiremos fazer chegar nossa mensagem aos 400 será o pior pesadelo. Porque só sabem fazer contas!

 

Nós somos muitos mais que eles. Depende somente de nós. Basta de despertar-se pela manhã e dizer "ok”. Agora, basta! Decidi envolver-me. Essa agora é a nossa missão: envolver-nos. Por isso, lhes digo: apóiem o protesto de Liberty Plaza!

 

 

Por Michael Moore - Cineasta y escritor estadounidos

 

Fonte: Adital

 

Tradução: ADITAL

Imagem:

http://farm3.static.flickr.com/2703/4405966949_400ede05a5.jpg


12/09/2011 - Mundo - Conflitos 

Assassinatos e desaparições são comuns em Honduras

Enquanto as emissoras de televisão brasileiras, seguindo a lógica da colonização mental, seguem mostrando, à exaustão, as feridas do atentado do 11 de setembro em Nova Iorque, nenhuma notícia é veiculada sobre o massacre cotidiano que acontece na pequena Honduras. O país da América Central sofreu um golpe de estado em 2009, apoiado pelo governo estadunidense que não queria ver o espaço que ele considera “seu quintal” entrar para  órbita da Aliança Bolivariana para as Américas (ALBA), liderada por Hugo Chávez. Hoje, dois anos depois, comandadas por um governo títere, as mesmas forças golpistas seguem ceifando vidas dos lutadores sociais, sindicalistas, jornalistas, comunicadores populares e pessoas comuns que decidiram resistir contra o golpe.

 

Isso mostra que o golpe em Honduras, na verdade, continua em curso, mesmo depois da saída de cena dos militares e das eleições que levaram ao poder um novo presidente, Pepe Lobo. Até porque, a consulta popular contou com uma abstenção gigante e não teve qualquer candidato de esquerda. É que a população hondurenha, que foi às ruas dia após dia, durante o governo dos militares, não engoliu a “democracia” tutelada pelos golpistas. Até hoje o novo presidente não é reconhecido pelas gentes. A resistência popular insiste na volta de Mel Zelaya, no retorno a uma verdadeira democracia, sem a mordaça do regime militar, e sem a violência assassina que segue sem trégua.

 

Todos os dias somos informados de mais uma morte, como se o governo tivesse fotografado cada rosto nas passeatas, nas mobilizações, nos atos, e agora os caçasse. Um a um, os militantes vão caindo sob as balas ou sob estranhos acidentes como o que matou o conhecido cantautor José Daniel Gonzáles, conhecido como Jerônimo, de 57 anos,  que fez de suas canções páginas de resistência. Ele foi atropelado em julho desse ano por alguém que fugiu e nunca mais foi encontrado.

 

Outro conhecido militante da resistência, abatido a tiros em sua própria casa nesse mês de setembro, foi o ativista Emo Sadloo, de nacionalidade suriname, mas vivendo há mais de 30 anos em Honduras. Emo foi atingido por cinco tiros, quatro no peito e um na cabeça. Ele era muito popular entre os resistentes, liderando muitas das marchas realizadas ao longo dos movimentos pelo fim da ditadura. Desde aí, a mídia hondurenha – apoiadora do golpe - vinha fazendo dura campanha pela deportação de Emo, acusando-o de “atos anárquicos” e etiquetando-o como “estrangeiro”. Só que além de levar 35 anos vivendo em Honduras, ser naturalizado legalmente, Emo tem dez filhos hondurenhos e, na luta, sempre se assumiu como hondurenho, na defesa da liberdade para ele e os seus. Agora, não há mais o risco de deportação porque o carismático ativista já está a sete palmos, sem que seus assassinos sejam conhecidos.

 

Um dia depois da morte brutal de Emo, também foi assassinado, na cidade de Puerto Cortés, norte de Honduras, o comunicador Medardo Flores, membro ativo da Frente Ampla de Resistência Popular (FARP). Assim como ele, outros radialistas e jornalistas seguem sendo perseguidos e caçados, até que tombam crivados de balas em algum beco escuro. Com a sua morte somam-se já 15 assassinatos só de jornalistas. Isso sem contar os desaparecidos que chegam ao número de 10, só nesse ano. É o que o jornalista hondurenho Ronnie Huete chama de “carniceria humana”.

 

Ninguém precisa ser muito inteligente para observar que todas essas mortes, acontecidas de maneira violenta ou simulando acidentes, são absolutamente encomendadas. Todos os mortos tiveram participação ativa nas mobilizações da resistência e continuavam a atuar na luta por uma Honduras soberana e democrática. Mas, as milícias paramilitares e os esquadrões da morte que se formaram no país, sob as vistas grossas do governo, seguem agindo sem pejo, à luz do dia, sem que o Estado tome qualquer atitude. O que é óbvio, visto que os assassinatos parecem emanar do poder constituído.

 

Da mesma forma que o Estado, a comunidade internacional também parece ter abandonado à própria sorte a população hondurenha que segue em luta. Com as eleições ao final do ano de 2009, mesmo não sendo as mesmas reconhecidas pelos hondurenhos, Honduras deixou de ser um foco de cuidado e notícias. Esquecidos pelos órgãos de direitos humanos e pela mídia internacional as pessoas que atuaram e atuam na resistência são alvos contínuos dos assassinos de aluguel e de seqüestradores, identificados – esses sim – como estrangeiros, ou como agentes do governo, uma vez que seguem toda uma logística oficial, embora não se vistam como força policial. Ao que parece, o governo não quer deixar vivo nenhuma pessoa que tenha tido participação firme na resistência. São mortes anunciadas e nada é feito para proteger a população. O terror é pílula diária no país, buscando calar pela força das armas o desejo de liberdade.

 

Assim, enquanto em todo o mundo se chora a dor dos estadunidenses – que lembram os 10 anos de uma de suas tragédias – esquece-se deste terrorismo cotidiano, perpetrado pelos aliados do governo estadunidense, porque, afinal, qual é o valor da lágrima de uma mulher hondurenha, comparada a de uma moradora de Manhattan?

 

De qualquer forma, com todas estas ameaças e violências reais, o povo hondurenho segue lutando. Jornalistas seguem falando, militantes continuam promovendo marchas e protestos. E, ainda que esquecidas pela mídia comercial, aliada impassível do poder, as gentes e as vítimas do governo de Pepe Lobo são lembradas e narradas pela imprensa popular, pelos movimentos sociais, os blogues e toda a sorte de outros meios de comunicação que tomam o mundo. O grito de liberdade que ecoa desde a pátria de Morazán chega até nós e o reproduzimos como um eco teimoso e insistente. Em Honduras, os lutadores estão morrendo, assassinados pelo Estado, mas, para cada um que cai, centenas se levantam... Não há força capaz de barrar o sonho da pátria livre.  

 

Por Elaine Tavares – jornalista

 

Existe vida no Jornalismo
Blog da Elaine:
www.eteia.blogspot.com
América Latina Livre -
www.iela.ufsc.br
Desacato -
www.desacato.info
Pobres & Nojentas -
www.pobresenojentas.blogspot.com
Agencia Contestado de Noticias Populares -
www.agecon.org.br

Imagem:

http://desacato.info/wp-content/uploads/2011/09/198717_Unai_Aranzadi_Honduras-300x196.jpg


08/09/2011 - Mundo - Educação 

O Chile e as manifestações estudantis

O escritor inglês Perry Anderson, no seu texto Balanço do Neoliberalismo, explica muito bem quando é que nasce essa proposta. Diz: “nasceu logo depois da II Guerra Mundial, na região da Europa e da América do Norte onde imperava o capitalismo. Foi uma reação teórica e política veemente contra o Estado intervencionista e de bem-estar. Seu texto de origem é O Caminho da Servidão, de Friedrich Hayek, escrito já em 1944. Trata-se de um ataque apaixonado contra qualquer limitação dos mecanismos de mercado por parte do Estado, denunciadas como uma ameaça letal à liberdade, não somente econômica, mas também política.” Ou seja, é o conhecido estado-mínimo.

 

No cerne da proposta de Hayek estava a luta contra a solidariedade reinante, contra o que ele chamava de um igualitarismo que, na sua visão, destruía a liberdade individual e a vitalidade da concorrência. Ele queria outro tipo de capitalismo, livre de qualquer amarra estatal, com base, justamente, na desigualdade. Mas, como a Europa estava saindo de um grande trauma, que foi a guerra, as ideias do economista permaneceram no armário por mais de 20 anos. 

 

Anderson observa então, que com a chegada de mais uma crise do capitalismo, em 1973, as propostas de Hayek começaram a fazer sentido para alguns governantes. O economista dizia que a crise se dava muito em cima do poder excessivo dos sindicatos que havia corroído o “suado” lucro da classe capitalista. E que, a pressão popular por políticas estatais que incrementassem os gastos com saúde, educação, segurança etc..., estava colocando em risco o sistema. Era preciso, então, dar um basta nisso.

 

Foi nesse clima de crise que vieram as políticas de ajuste neoliberais. A estabilidade monetária dos Estados era a meta. Diminuir investimentos nos projetos sociais, aumentar a taxa de desemprego, quebrar os sindicatos, aumentar os impostos para os trabalhadores, diminuir para os ricos. Retomava-se assim a volta da “saudável desigualdade”. Quem primeiro, na Europa, começou a aplicar essa receita cretina foi a primeira-ministra da Inglaterra Margareth Thatcher, em 1979, seguida de outro truculento: o presidente estadunidense Ronald Reagan. Assim, durante toda a década dos oitenta essa ideia brilhante de Hayek foi se espalhando por vários outros países da Europa, inclusive a Dinamarca, que era um dos modelos do bem-estar social do norte. Nela estava embutido também um virulento anticomunismo – que era o que expressava toda a proposta de vida digna, repartida e solidária que Hayek considerava um “mal” para a humanidade.

 

Então, se nos países centrais, o capitalismo enfrentava a crise com a destruição do estado de bem estar, elevação da taxa de juros, mais impostos, desemprego massivo, repressão violenta contra as lutas dos trabalhadores e privatizações, o que não estaria reservado para o campo periférico do sistema? Os Estados Unidos, que não tinham entrado na órbita do bem-estar se deslocaram para a indústria bélica, preparando caminho para ser o mais poderoso exército do mundo. A eles caberia a tarefa de acabar com o comunismo e vigiar o planeta. Isso desembocaria numa década de muita transformação.

 

Os anos 80 e 90 foram de endireitização do mundo. Governos conservadores pipocaram pela Europa inteira, aplicando o receituário neoliberal, ora mais violento, ora menos. O leste europeu, que caiu como um castelo de cartas, também entrou na mesma onda, com governos violentamente neoliberais. E, na América Latina isso não foi diferente.

 

O Chile foi o primeiro

Mesmo antes de a primeira-ministra Margareth Thatcher dar início ao seu processo de endurecimento liberal na Inglaterra, o Chile tornava-se o primeiro experimento latino-americano a aplicar a máxima de Hayek, na tentativa de aumentar a “saudável desigualdade”. O governo golpista de Augusto Pinochet começou, no final dos anos 70, a consolidar um processo de desregulamentação laboral, desemprego em massa, repressão sindical, redistribuição de renda em favor dos ricos, privatização de bens públicos. Sua meta era apagar qualquer rasgo socialista do governo que havia deposto, o de Salvador Allende. Como, com essa política, a economia chilena cresceu em ritmo muito acelerado, o país passou a ser visto com admiração pela Europa e pelos Estados Unidos, sem que importasse para nada que ali estivesse uma das mais sanguinárias ditaduras da região. O Chile tornava-se assim, comandado por um ditador, a experiência-piloto que seria incensada pelo mundo afora, enquanto os demais países latino-americanos começavam a trilhar o mesmo caminho. A economia bombava, mas a desigualdade entre ricos e pobres passava de 20 para 44%.

 

Vem daí, da herança ditatorial de Pinochet, o desmonte do estado chileno. Quando em 1990, acontece a chamada “transição” para a democracia e assume Patrício Aylwin, de cor centro-esquerda, a política econômica seguiu sem mudanças, sempre amparada na exportação do cobre, cujas jazidas pertencem 90% à iniciativa privada. No governo de Eduardo Frei a economia seguiu expandindo, ainda baseada no estado mínimo. Mas, com a chegada no novo milênio o povo chileno começava também a se levantar. A mordaça da ditadura afrouxava, novas lideranças trabalhistas surgiam, marcando um tempo de mudanças. Em 2002 o governo de Ricardo Lago aprofunda o corte neoliberal e a economia, que andava com problemas, volta a crescer, mas sempre tendo como outra face o empobrecimento exponencial da população.

 

Em 2006 assume a presidência Michelle Bachelet, do Partido Socialista, com uma plataforma que anunciava a redução da pobreza. Mas, seu primeiro projeto aprovado foi o da regularização da subcontratação do emprego, o que causou grandes protestos entre os trabalhadores. E foi no seu governo que os estudantes começaram uma série de protestos que desembocam hoje nas grandes mobilizações pela educação pública. As mobilizações começaram no sistema de educação secundária e ficaram conhecidas como “a revolução dos pinguins” (em alusão ao uniforme dos sevundaristas). Os estudantes queriam gratuidade no transporte escolar e reformas nos currículos. Os protestos cresceram e em pouco tempo os secundaristas tinham tomado as escolas e suspendido as aulas em todo o país. A presidente, que havia ignorado as revoltas, foi obrigada a conversar depois de uma paralisação nacional que reuniu quase um milhão de pessoas na rua. Algumas demandas foram atendidas – como o aumento das bolsas de estudos e a redução dos juros nos financiamentos - mas continuou na pauta do movimento estudantil a questão da gratuidade do ensino.

 

Uma série de promessas não cumpridas pelos sucessivos presidentes da Concertación (agrupamento político de centro-esquerda) forjou caminho para o retorno da direita tradicional ao comando do Chile. Assim, em 2010 assume a presidência Sebastián Piñera, conhecido empresário e um dos homens mais ricos do país. Com ele, certamente não haveria mudanças na economia e muito menos na concepção de estado, que seguiria sendo mínimo para os pobres e máximo para os ricos. Formado em Harvard (cabeça colonizada) e dono da maior cadeia de comunicação do país, o novo presidente não se disporia a realizar mudanças que pudessem colocar em xeque o país “queridinho do neoliberalismo”. Logo no início do mandato ele protagonizou um momento de júbilo nacional, quando capitalizou para seu governo o salvamento dos mineiros que ficaram presos numa mina de cobre por longos três meses.

 

Mas, esse momento de catarse nacional, que nunca levou em conta a situação dramática da maioria dos trabalhadores do cobre no Chile, passou e a vida seguiu cobrando suas demandas. As lutas estudantis, que já tinham sido gigantescas no governo de Bachelet, voltaram a aflorar porque, afinal, quase nada tinha avançado no âmbito da educação, apesar da longa mobilização dos “pinguins”. A principal demanda dos estudantes segue sendo a educação pública e gratuita, pois desde a famosa entrada no carrossel do neoliberalismo nos anos 70, durante o governo do ditador Pinochet, a educação foi retirada do rol dos serviços públicos, assim como a saúde. Todo ensino é pago no Chile. Os estudantes de muito baixa renda recebem um “apoio”, mas é via financiamento. Ou seja, apenas incentivam o crédito e engordam as já saturadas bolsas dos banqueiros que cobram juros altíssimos. Muitos estudantes não conseguem quitar suas dívidas depois de formados.

 

Assim, agora em 2011, levam mais de três meses as mobilizações estudantis que, inclusive, tal qual no movimento dos pinguins, incorporam os sindicatos e os movimentos populares. Durante semanas eles enfrentaram as tropas de choque, a violência estatal, a acusação de estarem desestabilizando o governo, e enfrentaram mais de 1300 prisões. Na última semana o governo de Piñera, depois de uma série de declarações estapafúrdias sobre a não possibilidade do ensino gratuito, decidiu finalmente conversar com as lideranças estudantis. Na verdade, o presidente está usando da mesma estratégia de Bachelet, que acabou esfriando as mobilizações com promessas de negociação. O atual governo sugeriu aos estudantes a criação de três mesas de trabalho, que deverão finalizar suas proposições no mês de setembro.

 

Agora é esperar e ver como se movem os estudantes. O fato é que eles mostraram nas ruas, com uma coragem sem tamanho, que só a luta faz a lei. E como comprova a história, as grandes transformações acontecem é na batalha renhida. Na queda de braço entre os trabalhadores e o capital nada vem de graça, muito menos das mesas de negociação. Só a mobilização coletiva, quando um povo inteiro se faz unidade, é que muda o mundo. O Chile – pedra preciosa do neoliberalismo – ainda tem muito que avançar para deixar de ser um país onde viceja a “saudável desigualdade”. A luta dos estudantes é só uma ponta do grande iceberg de reformas que precisar sem feitas, até que chegue a hora da verdadeira revolução. 

 

Por Elaine Tavares  - jornalista
Existe vida no Jornalismo
Blog da Elaine:
www.eteia.blogspot.com
América Latina Livre -
www.iela.ufsc.br
Desacato -
www.desacato.info
Pobres & Nojentas -
www.pobresenojentas.blogspot.com
Agencia Contestado de Noticias Populares -
www.agecon.org.br

Imagem:

http://i1.r7.com/data/files/2C95/948E/31CE/8F03/0131/D276/552E/17C1/chile-educacao-hg-20110816.jpg


22/07/2011 - Mundo - Clima e Meio Ambiente 

Organizações sociais consideram que privatização do serviço de água trará prejuízos para a população

A privatização das empresas públicas de abastecimento de água e tratamento de esgoto poderá ter como consequência o aumento nas contas de água e a diminuição dos investimentos no setor. O alerta é das organizações sociais que participaram de seminário que discutiu como a população pode se organizar para impedir que as empresas sejam vendidas.

 

De acordo com representantes do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), 90% da rede de distribuição de água no país são controlados por empresas públicas, com uma cobertura de quase 100% das grandes e médias cidades. Para o MAB, um negócio que não requer grandes investimentos e pode movimentar anualmente cerca de R$ 120 bilhões, mais que todo setor elétrico, desperta o interesse da inciativa privada.

 

Sob o controle das empresas particulares, a consequência imediata é o aumento abusivo dos preços, segundo um dos diretores do MAB, Gilberto Cervinski. No município de Santa Gertrudes, em São Paulo, onde o sistema foi privatizado em 2010, os preços triplicaram em seis meses."Isso ocorre por causa do modelo de reajuste estabelecido com base em preços internacionais. No caso do setor elétrico, depois da privatização, os preços subiram 400%", disse.

 

Em Rondônia, segundo representantes do Sindicato dos Trabalhadores das Empresas de Água e Energia, empresários assediam vereadores. A entidade também denuncia que em municípios do estado as prefeituras têm, inclusive, atropelado processos legais como a licitação para a concessão do sistema de abastecimento, como ocorreu em Ariquemes. Contrários à privatização, os sindicalistas avaliam que as empresas privadas investirão menos na ampliação da rede e, principalmente, em saneamento.

 

Juscelino Eudâmidas Bezerra, doutorando da Universidade Estadual Paulista (Unesp), disse que pesquisas internacionais estimam que, até 2015, 60% da capacidade de abastecimento da América Latina sejam privatizados. De acordo com ele, nos países ricos, onde a ideia da privatização surgiu, os governos estão voltando atrás.

 

"O Estado francês, onde surgiram as primeiras experiências de concessão do sistema de distribuição de água, está reestatizando todo o serviço. Eles viram que a qualidade do serviço e da água caíram, os preços subiram exorbitantemente e o serviço não foi universalizado", disse.

 

O MAB também ressaltou que a Itália, por meio de referendo, decidiu, em junho passado, que o sistema de água deve ser gerido por empresas públicas.

 

Por Isabela Vieira, da Agência Brasil

 

Fonte: http://mabnacional.org.br

Imagem:

http://resistir.info/agua/imagens/de_todos.jpg 


18/07/2011 - Mundo - Clima e Meio Ambiente 

MAB realiza seminário internacional sobre a água nessa semana

O processo de privatização da água é uma realidade nas cidades brasileiras de grande e médio porte. Atento a esta situação, o Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) organiza o Seminário Internacional: Panorama político sobre estratégias de privatização da água na América Latina. O evento será realizado na Escola de Educação Física e Desportos da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), nos dias 20 e 21 de julho.

 

Durante o evento, os participantes irão debater sobre os atuais projetos que visam a mercantilização e privatização da água em diferentes países, como Itália, Chile, Bolívia e Peru, além do Brasil, e diversos setores, como na mineração, agricultura, saneamento, entre outros. Outro objetivo do seminário é proporcionar um espaço de troca de experiências acerca das lutas contra a privatização da água, fortalecendo assim articulação entre as organizações participantes para a mobilização em defesa da água como um bem público.

 

Participarão do seminário cerca de 120 pessoas de movimentos sociais, redes de articulação, representantes de universidades e convidados do Brasil e de outros países da América Latina, Europa e África. Está confirmada a presença de representantes da Suíça, Chile, México, El Salvador, Colômbia, Argentina, Paraguai, Moçambique, Espanha, Venezuela, Panamá, Bolívia, Perú e Canadá.

 

O Seminário Internacional: Panorama político sobre estratégias de privatização da água na América Latina antecede a 3ª etapa do Curso Energia e Sociedade no Capitalismo Contemporâneo, um convênio entre o MAB e o Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano e Regional (IPPUR), da UFRJ.

Programação

 

Manhã

Tarde

Noite

20/07 –

Quarta-feira

9h – Abertura

Análise de conjuntura econômica e política no cenário mundial

14h - Estratégias capitalistas para o domínio da água

 

19h30 - Pré-lançamento do filme "O veneno está na mesa", de Silvio Tendler

21/07 –

Quinta-feira

8h30 - Experiências de luta e resistência em defesa da água

14h - Encaminhamentos e encerramento

 

 

Serviço

Seminário Internacional: Panorama político sobre estratégias de privatização da água na América Latina

Local: Escola de Educação Física e Desportos da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ)- Ilha do Fundão

Data: 20 e 21 de julho

Imprensa: O seminário será aberto para cobertura na parte da tarde do dia 20.

Contato:

(21) 9770-2173 (Alexania Rossato ou Elisa Estronioli - a partir do dia 18)

(11) 3392-2660

 

Fonte: http://www.mabnacional.org.br

Imagem:

http://www.apn.org.br/apn/images/lutas_sociais/seminario_agua.jpg

 


26/06/2011 - Mundo - Economia 

As reformas econômicas que estão se dando em Cuba fortalecerão o socialismo

O estudo do socialismo cubano ocupou parte do tempo de Fernando Martínez Heredia, Prêmio Nacional de Ciências Sociais (2006) e, entre todas as visões, considera interessante a assimilação popular do termo. O jornal Granma o entrevistou a respeito do assunto:

 

Como o povo assimilou, no início, o termo socialismo?

O socialismo em Cuba foi assimilado pelo povo — e refiro-me à maioria — como o modo superior de sua libertação. O socialismo não era já simplesmente derrotar a tirania de Batista, apoderar-se das propriedades usadas pelos ricos para submeter a maioria à miséria ou tirar aos norte-americanos o poder que tinham em Cuba. Assim sendo, o socialismo foi considerado como forma da dignidade humana, de assumir, afinal, a condição humana: não ser o lobo dos outros para sobreviver; sentir-se companheiro de outros; para a mulher, o fato de não ter sido mais considerada inferior ao homem; não considerar o ofício mais simples como uma desonra, e outras coisas que foram surgindo de maneira mais humana para as pessoas. Além disso, significou levar um fuzil na mão e a possibilidade não só de se defender, mas de defender todos com uma arma, que já não era símbolo exclusivo dos corpos de repressão. Ter a capacidade de ler, escrever e estudar as séries escolares. Tudo isso, desde o início, foi o socialismo, e daí a imensa força dele hoje, na Ilha. O socialismo foi assimilado de maneira maravilhosa pela maioria dos cubanos, ainda em meio a grandes lutas: as lutas de classes, as lutas contra o imperialismo, as inúmeras pessoas que, sem serem ricas, não entenderam a Revolução e abandonaram o país. Outros que chegaram também a lutar contra a Revolução e eram pobres, o que é ainda mais difícil. Quer dizer, também não foi uma festa, mas de tudo isso, surgiu a fortaleza do socialismo em Cuba.

 

Considera que em 50 anos o socialismo evoluiu?

Em 50 anos, o socialismo, com certeza, foi mudando quanto a sentido e conteúdo. Eu acho que, de muitos pontos de vista, a mudança foi muito positiva. Foi muito positivo quando tornou universais os serviços fundamentais, e os principais deles foram gratuitos. Cuba é uma Revolução verdadeira e muito profunda, por meio da qual se apropriou das riquezas nacionais e depois, organizou a partilha. Em lugar de uma partilha efêmera e desorganizada, tornou-a um poder capaz de oferecer educação e saúde gratuitas, e oportunidades às pessoas de acordo com seus méritos e qualidades.

 

Alguma vez perguntaram a alguém qual o salário para poder receber algum tratamento?

Não, e isso é resultado de uma sociedade superior. Daí provém a cultura socialista cubana e a capacidade de vencer e de resistir. Há 20 anos, o socialismo colapsou em escala mundial. Quando a União Soviética se desintegrou, muitos pensaram que Cuba não conseguiria sobreviver porque dependia dela. Mas, em seguida, ficou demonstrado que isso não só era falso, mas também que o socialismo cubano tinha força e profundas raízes. Hoje, nossos detratores não tiveram outra alternativa que acostumar-se a uma Ilha com um papel muito importante no continente, na nova onda de movimentos populares, nos milhares de internacionalistas de elevada qualidade profissional que colaboram em diversos países, que ajuda a que revoluções como as da Venezuela e Bolívia floresçam a partir de benefícios reais para o povo. Isto é, são benefícios do socialismo que se mantiveram. Hoje, estamos em meio a um processo de recuperação do pensamento marxista e do conjunto de pensamentos revolucionários cubanos. O presidente Raúl Castro afirmou com clareza: "Estamos diante de um debate do povo e suas opiniões são alicerces do Congresso e da Conferência do Partido. Exercitamos a capacidade do povo cubano de participar de maneira autenticamente democrática, questão positiva e fundamental". Deste debate também deve surgir, entre outras questões, a solução para mudar a opinião de que não devemos continuar sendo socialistas e devemos recuar.  Nós nunca vamos recuar para nos salvar. Conseguiremos salvar-nos indo para frente, e por isso, ainda restam dias de trabalho maravilhosos ao socialismo em Cuba.

 

Os vídeos abaixo ilustram a entrevista:

 

http://www.youtube.com/watch?v=W7o6eRet634&feature=related  Capitalismo en Cuba: ¿futurología o espejismo?

 

http://www.youtube.com/watch?v=EWql57IvpE0&feature=player_embedded   Zuleica Romay: Debate sobre Cuba en Brasil

 

http://www.youtube.com/watch?v=ntLycmidqSk&feature=related  Fidel Castro: O que é revolução

 

Enviado por Jacob Blinder

Contatos: jdblinder@yahoo.com.br

Imagem:

http://1.bp.blogspot.com/-sKxqOpyo7Ak/TamSMJD53XI/AAAAAAAAEIY/CT3pisHFLA8/s320/vi-congreso-pc654c.jpg


10/05/2011 - Mundo - Política 

A barbárie e a estupidez jornalística

Imaginem vocês se um pequeno operativo do exército cubano entrasse em Miami e atacasse a casa onde vive Posada Carriles, o terrorista responsável pela explosão de várias bombas em hotéis cubanos e pela derrubada de um avião que matou 73 pessoas. Imagine que esse operativo assassinasse o tal terrorista em terras estadunidenses. Que lhes parece que aconteceria? O mundo inteiro se levantaria em uníssono condenado o ataque. Haveria especialistas em direito internacional alegando que um país não pode adentrar com um grupo de militares em outro país livre, que isso se configura em quebra da soberania, ou ato de guerra. Possivelmente Cuba seria retaliada e com certeza, invadida por tropas estadunidenses por ter cometido o crime de invasão. Seria um escândalo internacional e os jornalistas de todo mundo anunciariam a notícia como um crime bárbaro e sem justificativa.

 

Mas, como foi os Estados Unidos que entrou no Paquistão, isso parece coisa muito natural. Nenhuma palavra sobre quebra de soberania, sobre invasão ilegal, sobre o absurdo de um assassinato. Pelo que se sabe, até mesmo os mais sanguinários carrascos nazistas foram julgados. Osama não. Foi assassinato e o Prêmio Nobel da Paz inaugurou mais uma novidade: o crime de vingança agora é legal. Pressuposto perigoso demais nestes tempos em que os EUA são a polícia do mundo.

 

Agora imagine mais uma coisa insólita. O governo elege um inimigo número um, caça esse inimigo por uma década, faz dele a própria imagem do demônio, evitando dizer, é claro, que foi um demônio criado pelo próprio serviço secreto estadunidense. Aí, um belo dia, seus soldados aguerridos encontram esse homem, com toda a sede de vingança que lhes foi incutida. E esses soldados matam o “demônio”. Então, por respeito, eles realizam todos os preceitos da religião do “demônio”. Lavam o corpo, enrolam em um lençol branco e o jogam no mar. Ora, se era Osama o próprio mal encarnado, porque raios os soldados iriam respeitar sua religião? Que história mais sem pé e sem cabeça.

 

E, tendo encontrado o inimigo mais procurado, nenhuma foto do corpo? Nenhum vestígio? Ah, sim, um exame de DNA, feito pelos agentes da CIA. Bueno, acredite quem quiser.

 

O mais vexatório nisso tudo é ouvir os jornalistas de todo mundo repetindo a notícia sem que qualquer prova concreta seja apresentada. Acreditar na declaração de agentes da CIA é coisa muito pueril. Seria ingênuo se não se soubesse da profunda submissão e colonialismo do jornalismo mundial.

 

Olha, eu sei lá, mas o que vi ontem na televisão chegou às raias do absurdo. Sendo verdade ou mentira o que aconteceu, ambas as coisas são absolutamente impensáveis num mundo em que imperam o tal do “estado de direito”. Não há mais limites para o império. Definitivamente são tempos sombrios.  E pelo que se vê, voltamos ao tempo do farwest, só que agora, o céu é o limite. Pelo menos para o império. Darth Vader é fichinha!

 

Por Elaine Tavares.

 

Imagem: prod.sucre.indymedia.org

 


01/05/2011 - Mundo - Organizações Sociais 

O Massacre de Chicago

No dia 1º. de maio de 1886 aconteceu uma greve nacional pela jornada de oito horas de trabalho nos Estados Unidos. A greve foi convocada pela Federação dos Grêmios e Sindicatos operários reagindo à situação de salários miseráveis, jornadas insuportáveis e exploração do trabalho infantil que caracterizavam a vida nas fábricas estadunidenses em meados do século 19. As jornadas de trabalho eram superiores a 12 horas diárias. A palavra de ordem do movimento  era: “A partir de hoje, nenhum operário deve trabalhar mais de oito horas por dia. Oito horas de trabalho! Oito horas de repouso! Oito horas de educação!”.

 

Em Chicago milhares de operários paralisaram os trabalhos e manifestaram-se nas ruas. A violência da polícia em todo o país matou nove operários. No dia 3 de maio, os pinkertons (polícia privada) mataram seis operários e feriram outros cinqüenta em Chicago. No dia 4, no final de uma jornada de protesto, autorizada pelo prefeito de Chicago, a polícia lançou-se sobre os grevistas na praça, abrindo fogo e ferindo duzentos deles.

 

O alastramento da repressão fez a greve refluir e os meses seguintes foram de terror: estado de sítio, centenas de prisões, toques de recolher, fechamento dos jornais operários, invasões de casas. Oito líderes anarquistas foram presos e condenados num processo rápido e cheio de vícios jurídicos, sem a apresentação de nenhuma prova inconteste.

 

A dignidade dos líderes operários causou revolta nos jornais patronais e nas autoridades. Os operários assumiram sua ideologia anarquista e a luta pelos direitos dos trabalhadores. No dia 28 de agosto, veio a sentença da justiça burguesa: sete condenados à forca e um a quinze anos de prisão. O governador do Estado comutou para pena perpétua a condenação de pena de morte de dois líderes que haviam pedido clemência. No dia 10 de novembro de 1887, Ling suicidou-se com uma dinamite. Fischer, Parsons, Engel e Spies foram enforcados no dia 11.

 

O resultado desta luta é que em 1º. de maio de 1890, o Congresso dos Estados Unidos aprovou a lei de oito horas de jornada. O 1º. de maio passou a ser comemorado pelos trabalhadores em todo o mundo como símbolo de suas lutas pela conquista de oito horas de trabalho diário, regulamentação do trabalho feminino, luta por melhores condições de trabalho nas fábricas, dentre outras. A decisão pela criação do Dia Mundial do Trabalhador ocorreu na reunião da Segunda Internacional, ocorrida em Paris, em 20 de julho de 1889, acordando-se que seria realizada em 1º. de maio de cada ano manifestações para forçar os poderes públicos a reduzirem a jornada legal de trabalho a 8 horas.

 

No entanto, outras datas de luta coincidem com o 1º. de maio e têm nessa data uma referência. Em 1º. de maio de 1531, os aprendizes de artesãos da cidade de Luca, na Itália, realizam manifestação reivindicando salário mínimo e diminuição da jornada de trabalho. Em 1848, o 1º. de maio marca a data que o operariado inglês consegue a fixação pelo parlamento do limite de dez horas diárias de trabalho para os adultos, após décadas de protestos, assim como está ligada ao que nos Estados Unidos, nos Estados de Nova York e Pensilvânia, se convencionou chamar de moving day, data da celebração de contratos de trabalho.

 

O Massacre de Chicago não foi um caso isolado. As décadas de passagem para o século XX tiveram batalhas intensas contra o poder da burguesia e cada conquista da classe operária que se seguiu teve atrás de si memoráveis lutas civis, políticas, econômicas, sociais e culturais. Lideranças de trabalhadores sofreram a morte, a tortura, o degredo, as prisões odiosas, a expulsão do país e do trabalho. Através destas lutas se conquistaram os direitos trabalhistas agora ameaçados pela crise capitalista estourada em 2008 no centro do capitalismo, os Estados Unidos da América.

 

O Primeiro de Maio no Brasil

Segundo José Luiz Del Roio, em seu livro 1º. DE MAIO: Cem Anos de Luta (1886-1986), editado pela Global Editora, no Brasil, as comemorações do Primeiro de Maio datam de 1895, cabendo a cidade de Santos a primazia de ter realizado reunião comemorativa “por iniciativa do Centro Socialista fundado por Silvério Fortes, Sóter Araújo e Carlos Escobar”. Outras reuniões ocorrerão em 1898 em cidades paulistas, principalmente Santos, São Paulo, Jundiaí, Campinas e Ribeirão Preto, realizadas sempre em lugares fechados, apesar de o Rio Grande do Sul ter registro de que em 1887, a União Operária tenha promovido uma apresentação de drama teatral intitulada “O 1º. De Maio”. Segundo o historiador Del Roio o “teatro é muito usado como instrumento de educação política, pois a maior parte dos trabalhadores é analfabeta e, mesmo quando sabe ler, são oriundos de povos de longa tradição apenas oral, tantos os brasileiros, como os italianos, e os ibéricos”.

 

As comemorações do Primeiro de Maio, contudo, parecem tomar outras feições, incorporando tanto o lado festivo como o combativo, sendo que a ênfase, ora num dos aspectos, ora em outro, se dará muito em conseqüência das circunstâncias em que são promovidas. Outrossim, quando a festa assume o caráter festivo não significa dizer que um conteúdo de combate, de protesto, de conflito, não esteja nele evidenciado; excepto quando a festa se torna um momento de conciliação de classes promovido pelo Estado, por empresários, ou entidades sindicais pelegas. Com o passar do tempo o Primeiro de Maio sai dos recintos fechados e ganha as praças, assumindo ares festivos e combativos com a realização de desfiles, comícios, apresentações artísticas, e acalorados debates entre outras atividades. 

 

O 1º. de maio de 2011

A continuidade da política econômica conservadora imposta ao Brasil pelo Fundo Monetário Internacional (FMI), e seguida à risca pelos últimos governos, agravará ainda mais as péssimas condições de vida da classe trabalhadora brasileira. No início de seu governo, a presidenta Dilma anunciou corte de 50 bilhões de reais no orçamento da União, atingindo áreas sociais como a educação, a seguridade social, e o programa Minha Casa Minha Vida. A anunciada suspensão dos concursos públicos prejudicará o atendimento à população em vários setores como educação, saúde, previdência, fiscalização das condições de trabalho, dentre outros.

 

Ao mesmo tempo, a prioridade do governo continua sendo a manutenção dos altos lucros do setor financeiro, aumentando a taxa de juros que remunera a dívida pública a 12%, a maior do mundo, em aberta contradição com a política dos países desenvolvidos, como EUA e Japão, que para enfrentar a crise capitalista em curso reduziram as taxas de juros.

Segundo a Auditoria Cidadã da Dívida, de toda a Receita Geral da União de 2009 (cerca de R$ 1, 068 trilhão), a saúde e a educação ficaram com 4,64% e 2,88% respectivamente, enquanto que o pagamento da amortização e dos juros da dívida pública (excluindo-se o refinanciamento) abocanhou 35,57%, nada menos que R$ 380 bilhões. Lembre-se aqui, que através da Desvinculação das Receitas da União (DRU) criada por Cardoso e mantida pelos últimos governos, 20% da receita vinculada constitucionalmente à educação e à seguridade social vinha sendo desviada anualmente para o pagamento da dívida aos banqueiros, apesar do propalado e mentiroso discurso governamental de que a previdência (que compõe com a saúde e a assistência social o orçamento da Seguridade Social) é deficitária. Em 2009, atendendo emenda da Senadora Ideli Salvatti, o Congresso Nacional promulgou o fim escalonado da DRU na área da educação: 12,5% em 2009; 5% em 2010 e 0% em 2011. A sangria da seguridade social continua mantida.

Como vemos o controle do capital financeiro sobre o Estado brasileiro é uma das principais causas da degradação do serviço público no país e dos constrangimentos a um desenvolvimento econômico e social voltado para os interesses do povo brasileiro.

Por isto, os protestos e mobilizações em todo o país, iniciados no dia 28 de abril, fazem ecoar o grito dos trabalhadores neste 1º. de maio, por: 

 - Redução e congelamento dos preços;

- Aumento geral dos salários e das aposentadorias;

- Pela redução da jornada de trabalho sem redução de salários;

- Direitos sociais e trabalhistas;

- Melhores condições de trabalho;

- Valorização dos serviços e dos servidores públicos;

- Transporte público, de qualidade e não aumento das tarifas;

- Reforma Agrária e urbana;

- Moradia digna para os trabalhadores;

- Não ao pagamento da dívida pública;

-Solidariedade internacionalista à luta dos trabalhadores;

- Contra as guerras, pela paz e a autodeterminação dos povos;

- Proteção do meio ambiente.

 

É hora de reforçar e apoiar a unidade dos movimentos populares, das forças de esquerda e entidades representativas dos trabalhadores, na luta pelos direitos trabalhistas e sociais ameaçados pelo capitalismo; construindo desde já a força social necessária à construção do socialismo.

 

Por Mauri Antonio da Silva – Secretário Geral da ADESSC- Associação dos Docentes de Ensino Superior de Santa Catarina. 

 

Enviado por Catarina Cesconeto

Contato: cesconeto.c@ig.com.br

 

Imagem:

http://maniadehistoria.files.wordpress.com/2008/12/1_maio.jpg?w=400&h=456

 

 


17/04/2011 - Mundo - Saúde 

1ª Turma garante tratamento em Cuba a portadores de doença ocular

Um grupo de pessoas portadoras de uma doença rara chamada retinose pigmentar, que leva à perda progressiva da visão, receberam o direito de realizar tratamento em Havana, Cuba. A decisão ocorreu durante a sessão extraordinária da Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF), nesta quarta-feira (13), na qual, por maioria dos votos, foi negado provimento a um Recurso Extraordinário (RE 368564) da União contra autorização do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1) para o tratamento no exterior.

 

Na origem, o grupo impetrou um mandado de segurança com o objetivo de que o Ministério da Saúde pagasse viagem para Cuba, a fim de serem tratadas. O MS foi negado pelo juiz de primeira instância, que afirmou que a assistência à saúde deve ser prestigiada, mas, no caso, o Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO) deu um laudo dizendo que não há tratamento específico para a doença dentro ou fora do Brasil. Ao analisar o recurso, o TRF-1 entendeu que, por haver direito líquido e certo, a segurança deveria ser concedida, ressaltando que a saúde seria obrigação do Estado.

 

Julgamento

A análise da matéria teve início em sessão realizada no dia 8 de abril de 2008, quando o relator, ministro Menezes Direito (falecido), entendeu que o pedido do grupo não poderia ser deferido, votando no sentido de prover o recurso da União. Segundo ele, essa doença não tem cura e a viagem para Cuba seria inócua, feita às custas do erário.

 

O relator afirmou à época que o direito é conferido se existe a possibilidade certificada de cura, “de que existe o tratamento, de que é possível perante os requisitos que o Estado estabeleceu: laudo, parecer, indicação”. No entanto, avaliou que no caso concreto há um laudo do Conselho Brasileiro de Oftalmologia, segundo o qual não existe tratamento em lugar algum.

 

O ministro Marco Aurélio, ao proferir seu voto-vista, negou o recurso e abriu divergência, ao permitir a viagem ao exterior. Segundo ele, o direito à saúde é fundamental e é um dever do Estado, “encontra-se em harmonia com reiterados pronunciamentos da Corte (RE 198265 e 248304)”. Nesses julgados, o ministro Celso de Mello teria consignado a impossibilidade de fazer prevalecer sobre o interesse do cidadão o aspecto econômico-financeiro, considerado o direito à vida e à saúde.

 

“Eu não posso compreender que se articule a inexistência de lastro econômico-financeiro para se negar um tratamento à saúde a um cidadão”, disse, ao citar como precedente o Recurso Extraordinário (RE) 271286. “Pelo que leio nos veículos de comunicação, o tratamento dessa doença, com êxito, está realmente em Cuba”, completou.

 

Assim, o ministro Marco Aurélio votou para negar o recurso, sem julgar com base em questões referentes ao caráter experimental do tratamento e quanto à existência ou não, no Brasil, de profissionais habilitados a implementá-lo, por terem sido temas não analisados na origem. Votou, no mesmo sentido, a ministra Cármen Lúcia Antunes Rocha.

 

Retomada do julgamento

Ao apresentar seu voto-vista na sessão de hoje, o ministro Ricardo Lewandowski trouxe a questão novamente para o exame da Turma. Ele se uniu ao voto do relator pelo provimento do recurso, mas ambos ficaram vencidos.

 

“Não pode o Judiciário, em especial esta Suprema Corte – guardiã dos valores constitucionais – definir de maneira pontual e individualizada como a Administração deve distribuir os recursos públicos destinados à saúde”, disse Lewandowski, entendendo que o caso fere princípio da isonomia. Ele afirmou ter sido sensibilizado pela consideração do relator de que a doença é incurável e que seria um mero paliativo, além de onerar o orçamento da União em detrimento de outros com doenças mais sérias.

Também votou hoje o ministro Luiz Fux. Ele considerou que o recurso da União deveria ser negado. “Eu sou muito determinado nessa questão da esperança. Nunca acreditei na versão de que o tratamento em Cuba da retinose pigmentar não tinha cura, pelo contrário, eu entendo que se eles são especialistas nisso, deve haver uma esperança com relação a essa cura”, avaliou, ao completar que a função do Supremo é tutelar a dignidade da vida humana e a prestação da saúde pelo Estado.

 

Fonte: http://www.stf.jus.br/portal/cms/verNoticiaDetalhe.asp?idConteudo=177147

Imagem:

http://1.bp.blogspot.com/_KTZuS5xumHs/Siikk5V3fnI/AAAAAAAAFYM/8HmxITPr18w/s400/EXAME+OFTALMOL%C3%93GICO+GRATUITO+EM+CABO+FRIO.jpg

 


17/04/2011 - Mundo - Saúde 

De Humanos a Monstros

Monstro, animal, fundamentalista, louco, estes foram os adjetivos empregados para falar sobre Welligton de Oliveira que no dia 7 de abril de 2011, entrou na Escola Municipal Tasso da Silveira, em Realengo, zona oeste do Rio de Janeiro, deixando 12 crianças mortas.

 

Antes que me crucifiquem aqui, dizendo que o objetivo deste texto é defender o Monstro, gostaria de dizer que fiquei muito abalada com a tragédia e que não, não é minha intenção defender ninguém e sim provar que nós somos tão monstros quanto ele.

 

Talvez por isso o odiemos tanto, pois ele é a personificação de tudo que há de ruim em nós e isso é tão doloroso que foi preciso segregá-lo, diminuí-lo, para que assim possamos nos desviar, fingir e não assumir nossa parcela de culpa neste episódio.

 

Agora um questionamento para os que ainda não se convenceram de que são monstros:

-Qual a diferença entre a chacina da Candelária e a chacina de Realengo?

 

Permitam-me responder parafrasenado as idéias da filósofa Judith Butler: há corpos que importam e outros que simplesmente não importam. Monstruoso, não é mesmo?

 

Claro que esse jovem de Realengo não foi nada original, quantas vezes vimos esses casos no país do Tio Sam? Um dos mais famosos aconteceu no dia 20 de abril de 1999 em que dois garotos abriram fogo contra professores e alunos na escola Columbine, localizada no estado do Colorado.

Assim como no caso brasileiro, no qual os culpados foram apontados como a loucura de Welligton e a falta de segurança nas escolas, os Estados Unidos também tinham os seus culpados para Columbine. Eram eles: os desenhos animados violentos e astro de rock Marilyn Manson.

 

No longa metragem Tiros em Columbine, documentário produzido pelo polêmico Michael Moore  e inspirado nesse episódio de 1999, o réu Marilyn Manson ao ser perguntado sobre o que diria para os garotos  de Columbine  e a comunidade, respondeu:

-“Eu não diria uma única palavra para eles, eu ouviria o que eles têm a dizer, pois foi isso o que ninguém fez.”

 

Finalmente a personificação do medo, Marilyn Manson, abriu os olhos dos outros monstros para a verdadeira situação de Columbine e Realengo, que representam nada mais que a decorrência de uma sociedade monstruosa marcada pela segregação e a não escuta, onde os tiros são a única forma de se fazer ouvir.

 

Rubem Alves certa vez escreveu: “Sempre vejo anunciados cursos de oratória. Nunca vi anunciado curso de escutatória. Todo mundo quer aprender a falar. Ninguém quer aprender a ouvir. Pensei em oferecer um curso de escutatória. Mas acho que ninguém vai se matricular.

 

Então o que faremos? Eliminaremos os desenhos animados infantis? Prenderemos os roqueiros de aspecto diferente? Segregaremos a loucura decorrente de uma sociedade louca? Colocaremos detectores de metais na portas de nossas escolas?

 

Eu não sei quanto a vocês, quanto a mim Rubem Alves acabou de ganhar sua primeira aluna para o curso de escutatória.

 

 

Por Lívia Monte – psicóloga integrante do  Portal Desacato e da Rede Popular Catarinense de Comunicação – RPCC.

Imagem: www.laboratoriopop.com.br  


11/04/2011 - Mundo - Organizações Sociais 

A mídia e o imperialismo em debate

O jornalista, professor e fundador da Telesul, Aram Aharonian, participou da 7ª edição das Jornadas Bolivarianas, realizadas pelo Instituto de Estudos Latino Americanos (Iela), de 4 a 7 de abril, no auditório da Universidade Federal de Santa Catarina. Aram falou sobre a mídia e o imperialismo.

 

“Há 40 anos as práticas nas universidades são as mesmas, repetem os mesmos livros e não dão conta. Formam jornalistas que não sabem onde vivem e qual a posição social ocupam na sociedade”, criticou o palestrante. Para ele, a comunicação social que se diz alternativa, a exemplo da comunicação sindical, precisa romper paradigmas. Precisa saber a que ela é alternativa. “A comunicação alternativa, sindical, é considerada marginal. Ela tem que deixar de ser marginal, de ficar às margens, precisa se massificar para chegar às gentes e ser realmente alternativa a essa hegemonia que ai está”, ponderou Aram.

 

O professor ressaltou que, antes o capitalismo usava a força física para a dominação dos povos, agora usa a força midiática da indústria cultural. “Eles (os capitalistas) nos dizem o que é democracia e como ela deve ser. Há 30, 40 anos, se necessitava das forças armadas para se impor o modelo político, econômico e social capitalista. Hoje, o capital entra nas nossas casas com uma imagem única através dos noticiários, utiliza-se da cultura de massa”.

 

Para o professor, a idéia de que a mídia seria o quarto poder e fiscalizaria o legislativo, o judiciário e o executivo já caiu por terra. “Hoje, a mídia não é mais o quarto poder e sim o primeiro poder. E quem vai fiscalizar a imprensa se ela é o primeiro poder?” Para o palestrante, o que se busca hoje na mídia é “conseguir consumidores ou cordeirinhos políticos e religiosos, não formar cidadãos”.

 

Sobre o que está acontecendo na Líbia, por exemplo, Aram disse que a mídia está usando a tese de que em nome de salvar a humanidade é necessária uma intervenção do imperialismo naquele país. Assim como no Iraque Bush invadiu em nome das possíveis armas químicas, Obama agora invade em nome de proteger civis. “A primeira vitima é da guerra é a verdade”, disse.

 

Dominação cultural

“Na América Latina, a mídia nos mostra louros, altos e de olhos claros. Não mostra a diversidade. Nós, latino-americanos, já não nos reconhecemos mais”, afirmou o professor. “Não adianta criarmos novos canais se continuarmos reproduzindo os conteúdos. Os conteúdos têm que mostrar nosso povo, nossa história, nossos sonhos. Hoje a mídia pauta os movimentos. Isso precisa mudar. São os movimentos que precisam pautar a mídia. Por exemplo, a Telesul (rede pública de TV Venezuelana criada no governo de Hugo Chavez) não pode ser uma versão da CNN em espanhol. Deve cobrir fatos que antes eram ocultados. Deve ter uma produção própria”, declarou.

 

Aram observou que na mídia burguesa o conteúdo é 90% de entretenimento. Porém, ressaltou que de nada adiantam TVs novas, novas rádios, novos jornais se estes continuarem passando o mesmo conteúdo e copiando os mesmos projetos imperialistas. Para ele, a imprensa sindical dvee ampliar a discussão e sair da marginalidade. “É preciso ocupar os espaços públicos”. Não adianta a imprensa sindical ficar restrita aos jornais das entidades sindicais. Aram também defendeu que a comunicação sindical precisa se profissionalizar e investir na formação dos seus jornalistas.

 

Por Marcela Cornelli, da Revista Pobres & Nojentas

 

Blog:

http://pobresenojentas.blogspot.com

Imagem:

http://4.bp.blogspot.com/_AQIaA11z9NE/SpXP5h4qffI/AAAAAAAACgQ/JDGajDCONH4/s400/280x250-images-stories-imperialismo_amazonia.jpg 


25/03/2011 - Mundo - Religião 

Denúncias de DOM OSCAR ROMERO

“Irmãos, eu gostaria de gravar no coração de cada um esta idéia: o cristianismo não é um conjunto de verdades nas quais devemos acreditar, de leis que devem ser cumpridas, de proibições! Assim se torna muito repugnante. O cristianismo é uma pessoa, que me nos amou tanto, que pede nosso amor. O cristianismo é Jesus Cristo e o evangelho.”

6 DE NOVEMBRO DE 1977

 

“Que maravilha será o dia que cada batizado compreender que sua profissão, seu trabalho, é um trabalho sacerdotal; que, assim como eu celebro a missa no altar, cada carpinteiro celebra sua missa na sua carpintaria, cada profissional, cada médico com seu bisturi, a mulher na feira, no seu lugar de trabalho… estão fazendo um ofício sacerdotal. Quantos motoristas que escutam esta mensagem no seu táxi. Tu, querido motorista, junto ao volante do seu táxi és um sacerdote se trabalhas com honradez, consagrando a Deus seu táxi, levando uma mensagem de paz e de amor a teus clientes que vão no seu automóvel.”

20 DE NOVEMBRO DE 1977

 

“Uma religião de missa dominical, mas de semanas injustas não agrada ao Deus da Vida. Uma religião de muita reza, mas de hipocrisias no coração não é cristã. Uma Igreja que instala só para estar bem, para ter muito dinheiro, muita comodidade, porém que não ouve os clamores das injustiças não é a verdadeira igreja de nosso Divino Redentor.”

4 DE DEZEMBRO DE 1977

 

“Ainda quando nos chamem de loucos, ainda quando nos chamem de subversivos, comunistas e todos os adjetivos que se dirigem a nós, sabemos que não fazemos nada mais do que anunciar o testemunho subversivo das bem-aventuranças,  que proclamam bem-aventurados os pobres, os sedentos de justiça, os que sofrem.”

11 DE MAIO DE 1978

 

“Muitos querem que o pobre sempre diga que é “vontade de Deus” que assim sobreviva. Não é vontade de Deus que uns tenham tudo e outros não tenham nada. Não pode ser de Deus. A vontade de Deus é que todos os seus filhos e filhas sejam felizes.”  

10 DE SETEMBRO DE 1978

 

“É ridículo dizer que a Igreja se tornou marxista. Porém há um "ateísmo" mais próximo e mais perigoso para nossa igreja: o ateísmo do capitalismo, quando os bens materiais se tornam ídolos e substituem Deus.”

15 DE SETEMBRO DE 1978

 

“Uma igreja que não sofre perseguição, mas que desfruta privilégios e o apoio de coisas da terra – Tenham Medo! – não é a verdadeira igreja de Jesus Cristo.”

11 DE MARÇO DE 1979

 

“Quantos existem que não dizem ser cristãos, porque não têm fé…! Têm mais fé no seu dinheiro e em suas coisas do que no Deus que criou tudo.”

3 DE JUNHO DE 1979

 

“Para que servem belas estradas e aeroportos, belos edifícios e grandes palácios, se foram construídos com o sangue de pobres que jamais vão desfrutá-los?”

15 DE JULHO DE 1979

 

“Não nos cansemos de denunciar a idolatria da riqueza, que faz consistir a grandeza da pessoa humana no ter e esquece que a verdadeira grandeza é ser. A pessoa humana não vale pelo que tem, mas pelo que é e faz.

4 DE NOVEMBRO DE 1979

 

“Devemos buscar o menino Jesus, não nas imagens bonitas de nossos presépios. Devemos buscá-lo entre as crianças desnutridas que foram dormir esta noite sem ter o que comer, entre os pobres vendedores de jornal que dormiram muito mal.”

24 DE DEZEMBRO DE 1979

 

“Que maravilha será o dia em que uma sociedade nova, em vez de armazenar e guardar egoisticamente, se partilhe, se reparta e se alegrem todos, porque todos nos sentimos filhos do mesmo Deus! Que outra coisa quer a palavra de Deus neste ambiente salvadorinho senão a conversão de todos para que nos sintamos irmãos?!!!”

27 DE JANEIRO DE 1980

 

“Não é um prestígio para a Igreja estar bem com os poderosos. Prestígio para a igreja é sentir que os pobres a sentem como sendo sua, sentir que a igreja vive uma dimensão na terra, chamando todos, também os ricos, à conversão e à salvação a a partir do mundo dos pobres, porque eles são unicamente os bem-aventurados.”

17 DE FEVEREIRO DE 1980

 

“Tenho estado ameaçado de morte frequentemente. Tenho que dizer-lhes que como cristão não acredito na morte, mas na ressurreição: se me matam, ressuscitarei no povo salvadorenho. Digo isso sem nenhuma vanglória, mas com grande humildade. Como pastor, estou obrigado, por mandato divino, a dar minha vida por aqueles que amo, que são todos os salvadorenhos, inclusive por aqueles que vão assassinar-me. Se chegarem a cumprir as ameaças, desde já ofereço a Deus meu sangue pela redenção e pela ressurreição de El Salvador. O martírio é uma graça de Deus, que não creio merecer. Porém se Deus aceita o sacrifício de minha vida, que meu sangue seja semente de liberdade e sinal que a esperança se torna realidade. Minha morte, se aceita por deus, seja para a libertação do meu povo e como testemunho de esperança no futuro. Vocês podem dizer, se chegarem a me matar, que perdôo e bendigo aqueles que me matarem. Desta maneira se convencerão que perdem seu tempo. Um arcebispo morrerá, porém a igreja de Deus, que é o povo, nunca perecerá.”

MARÇO DE 1980

 

“O Reino já está misteriosamente presente na nossa terra; Quando vier o Senhor, se consumará sua perfeição". Esta é a esperança que alenta a nós os cristãos. Sabemos que todo esforço para melhorar a sociedade, sobretudo quando está tão metida na injustiça e no pecado, é um esforço que Deus bendiz, que Deus quer, que Deus exige de nós.”

24 DE MARÇO DE 1980

 

Dom Oscar Romero bradou aos militares que estavam assassinando o povo: “Parem de matar! Vocês não estão obrigados a obedecer a ordens de superiores, ordens que são contrárias à ordem de Deus, que diz “Não matarás!”

Imagem: http://1.bp.blogspot.com/_kyYd7izj4MM/S6yiiKkacTI/AAAAAAAAAzY/Y3tiDsyqC9M/s1600/07-lentz-oscar-romero.jpg


25/03/2011 - Mundo - Cultura 

Vergonha digital ou encadernada?

Não é de hoje que os veículos e os ditos “profissionais” da mídia brasileira me fazem passar vergonha perante meus amigos estrangeiros.

Não gosto muito dessa palavra “estrangeiro”, pois como diz o Facundo Cabral nascemos todos da mesma forma e seja na Austrália ou na Islândia todas as mães sentem as mesmas dores do parto. Se, entre todas do mundo, algumas diferem da maioria nos sentimentos por seus rebentos, independe de cultura ou idioma, pois trata-se de questões individuais. Daí que o conceito dado a palavra estrangeiro me parece falho, afinal não conheço nenhum estrangeiro que não sinta fome, sede, interesse sexual e todas as demais manifestações fisiológicas e emocionais que sinto cotidianamente.

Conheço chineses que apesar dos olhos espichados e cabelos escorridos são muito mais parecidos comigo do que muitos sujeitos que nasceram na mesma maternidade que nasci. Talvez me irmane a um esquimó que por ventura venha a conhecer, tanto quanto me identifico com um velho amigo baiano, embora tenha dificuldades para aceitar e conviver com os costumes e o modo de pensar do meu irmão de pai e mãe.

Conviver não consigo, mas procuro compreender esse irmão dentro da realidade que o formou num tempo diferente da que me construiu 12 anos antes, neste mesmo Brasil. E sei que muito mais nos difere as influências culturais e sociais impostas pelo regime militar instituído em 1964, do que nos aproximam os laços genéticos.

Mas mesmo essas diferenças culturais não são ou não deveriam ser barreira alguma, afinal em essência somos os mesmos seres, tenha-se nascido numa aldeia ianomâmi ou entre beduínos, neste ou no século passado. E por muito mais que isso, pois já se constatou em diversas oportunidades que indivíduos de comunidades em nível cultural considerado similar ao de nossos ancestrais da Idade da Pedra, quando levados e adaptados ao ambiente urbano em pouco tempo adquirem os conhecimentos do dito “civilizado” e se equiparam a qualquer orgulhoso ocidental.

A adaptabilidade do ser humano é tamanha que o inverso também se dá e qualquer de nós que diariamente ligamos nossos computadores, se deixados por poucos dias em condições inóspitas para nossos padrões, mesmo nos revestindo de profundos e refinados discursos éticos para nos garantirmos como mais elevados e nos assegurarmos como exemplares para a formação de uma sociedade íntegra e cristã, ou democrática, ou socialista, seja qual for o ideário político/social e religioso de cada um; em poucos dias retornamos à barbárie e até ao canibalismo, superando em muito a selvageria que apontamos em indivíduos de comunidades que julgamos primitivas.

Um exemplo claro ocorreu com uma equipe de rúgbi cujo avião caiu no alto dos Andes. O rúgbi não é um esporte de periferia. Seja na Grã-Bretanha, na Austrália ou no Uruguai, jogadores de rúgbi sempre provêm de famílias de  boa situação econômica e muito seguras em seus valores sociais e morais, no entanto um massagista paraguaio daquela equipe, sem dúvida o de menor estabilidade financeira entre os sobreviventes do acidente, me contou ter testemunhado barbáries que jamais serão versadas ao cinema ou descritas por algum escritor por mais sensacionalista e indiscreto.

A questão é: qual interesse teria a divulgação dos detalhes a mim narrados?

Tudo depende de como se conduz o relato. O do paraguaio pude sentir como um desabafo, algo que lhe pesava na memória e, talvez, em seu esforço por  compreender o comportamento de seus colegas de infortúnio, motivou-se naquele momento à terrível confidência após anos do acontecimento.

Não me pediu sigilo, mas era evidente a confiabilidade no senso comum de que normalmente as pessoas são dotadas. Qualquer outro, como eu, deduziria a desnecessidade de divulgação do ali relatado. Desnecessário e inútil, sem qualquer resultado ou benefício a coisa alguma. Compreensível a momentânea necessidade psicológica do rapaz, do contrário seria caso de ter ficado me devendo um pedido de desculpas por ter me feito escutar tão tenebroso relato .

Ainda assim, alguém bastante atilado poderia ter aproveitado daquele mesmo contar para provocar ponderações sobre a fragilidade do verniz moral e cultural que reveste o ser humano, seja qual for o estágio de civilização alcançado. E isso poderia ser mais útil para todos nós do que os códigos de conduta social, concepções religiosas e conceitos morais que constroem nossa condição de civilizados, pois mais nos vale o conhecermo-nos em nossa real essência, do que toda a metafísica, seja a kantiana com suas leis a definir a razão humana, seja a aristotélica a buscar fundamentação ao que hoje somos em nossa origem primacial.

Somos primatas. Nunca deixamos de sê-lo, mas para haver alguma compensação em termos abandonado as cavernas para diariamente ligarmos nossos computadores, precisamos saber dar valor ao que foi conquistado desde lá, inclusive ao pensamento de Kant ou de Aristóteles. E também, lógico, aos códigos, normas de conduta e comportamento, por mais fina a camada de verniz em que se consistam.

Se não reconhecer valor, temos de distinguir onde o brilho é falso e denunciar a fraude, até construirmos atitudes consistentes, pois não adianta pregar a norma, apontar o padrão e enaltecer códigos apenas para destacar indivíduos. Não existem homens bons numa má sociedade, pois se fossem bons de fato transformariam a sociedade e não se bastariam em ser apontados como seus seletos. Ocorre que todos os que se pavoneiam como superiores por exibir mais belas penas que não condizem com a realidade comum, um dia acabam virando adorno ou adereço das próprias fantasias.

Isso em todas as atividades, quaisquer que sejam, mesmo a inaugurada pelo Gutenberg. Como todos sabemos, o invento do Gutenberg deu origem ao que hoje chamamos de 4º poder. E também sabemos que aqueles que detêm alguma espécie de poder sempre são responsáveis pela formação ou deformação de uma sociedade ou de toda uma geração. Eu, por exemplo, não tenho dúvidas de que as deformações em meus conhecimentos e até em meus comportamentos, refletem o período em que fui vitimado pela ditadura militar. Com meu irmão ocorreu a mesma coisa, embora tenha sido vitimado de outra maneira e em outra fase de sua vida. Se cronologicamente nem tanto exposto àquele regime que vivenciei desde o fatídico 1º de Abril de 1964, certamente a ele os efeitos foram ainda mais nocivos, pois sua formação se deu em meio a uma sociedade já forjada por aquele sistema de poder.

A ditadura passou e felizmente nem todos que a vivemos fomos danificados da mesma forma ou com a mesma intensidade, não só por alguns terem escapado de coerções maiores, mas também por, como sempre acontece, cada um ter uma reação diferente a um mesmo fato, ainda que igualmente traumático. Afetar, afetou a todos nós, mas muitos que sofreram muito mais do que eu, por questões de caráter, de personalidade ou de formação; reagiram de forma bem mais positiva. O mesmo acontece com os da geração de meu irmão e não há base para se desculpar pelo que somos apenas por se vivenciado determinado período histórico.

Mas também não há como negá-lo nem fazer de conta que não existiu ou não nos afetou. Existiu e, como sempre acontece nesses lamentáveis períodos da história, praticamente todas as atividades de uma sociedade foram alteradas e todos os poderes que direta ou indiretamente compõem e constituem um sistema político foram corrompidos.

Como é sabido, convencionamos como poderes o Executivo, o Legislativo e o Judiciário, mas esse que chamamos de 4º poder também tem enorme influência na formação e deformação social e individual, sobretudo nos períodos de vigência de poderes totalitários. Num certo aspecto, é o que faz o serviço mais sujo, na medida em que é o que se incumbe de convencer os dominados de que o poder do dominador é exercido em benefício do próprio dominado.

Uma gritante mentira, afinal para realmente beneficiar alguém o menos indicado é dominar esse alguém, pois o exercício do domínio, em si, já é o maior dos malefícios a ser praticado contra quem for. Mas é disso que vive o poder da imprensa em períodos ditatoriais. Foi assim na França de Napoleão Bonaparte, na Alemanha de Hitler, na União Soviética de Stálin e no Brasil de Médici ou Figueiredo.

Como também aconteceu no Paraguai de Stroessner, no Chile de Pinochet, no Uruguai de Bordaberry, na Argentina de Videla ou Galtieri, e os demais do continente ao longo dos anos 60 e 70.

Se todos passaram pelo mesmo, por quê então me sinto envergonhado com nossa imprensa perante meus amigos estrangeiros? Talvez devesse lhes contar que apesar de toda a censura, apesar da conivência e cumplicidade dos ainda hoje donos dos grandes veículos de comunicação do Brasil, naqueles tempos difíceis e ariscos havia muito mais profissionais comprometidos com a verdade, com a realidade dos fatos. Mas de que adiantaria relembrar Herzog ou Abramo e todos os outros, alguns também amigos? São estrangeiros. Tiveram os similares nas ditaduras de seus países, mas o que os espanta e indigna é a imprensa brasileira de hoje.

Temos uma imprensa moderna, digitalizada ou impressa através dos mais avançados recursos técnicos, em papel de boa qualidade e excelentes resoluções e reproduções de imagens! Por quê então me envergonho? Em quê?

Acontece que por essa nossa história comum no decorrer do século XX contemporizo-me com meus amigos e nos identificamos de forma totalmente independente de cronologia ou geografia. Podemos conviver, pensar, festejar, opinar, divergir e concluir temas que nos são perfeitamente compreensíveis. Mas como, depois de mais de 3 décadas atuando em diversas áreas como profissional de comunicação, explicar-lhes o que acontece com a imprensa brasileira?

Como explicar a um chileno, por exemplo, a razão do dono de um dos jornais de maior circulação no país, se referir a uma “ditabranda”? Devo dizer que por terem assassinado menos brasileiros do que se assassinou chilenos, nossa ditadura foi mais amena ou menos infame?

E quando me questionam sobre o passado de certos profissionais da comunicação que hoje se pautam pelo reacionarismo de seus patrões, como explico a transformação a que se sujeitaram para garantir seus empregos ou aferir ganhos mais compensadores?

No caso que adiante reproduzo, o que explico ao amigo argentino? Vejam como se sente atônito!

O máximo que posso lhe dizer é que o Amilcar Neves sem dúvida é um bom escritor, dos melhores deste estado. Já foi premiado nacionalmente e também recebeu prêmios em outros países. Sem dúvida, assim como fiz, não divulgaria o relato daquele sobrevivente dos Andes se não tivesse uma consideração a fazer para sugerir ao leitor uma reflexão sobre a condição humana, ou qualquer algo que promovesse formação de uma opinião própria sobre nossa realidade.

Posso até especular sobre uma possível intenção do Amilcar em demonstrar como a barbárie herdada da ditadura ainda sobrevive nos meios policiais do Brasil, mas aí o amigo vai me cobrar a falta de, ao menos, um parágrafo relacionado à manutenção da impunidade dos torturadores e estupradores que instituíram e perpetuam a “cultura” aí documentada. E vou dizer o quê, se a falta é evidente?

Que possivelmente o Amilcar tenha composto um ou mais parágrafos nesse sentido, mas que teriam sido cortados pelo editor? Isso não posso dizer, pois nem na época da ditadura permitiríamos que um editor mutilasse a compreensibilidade de nossas reais intenções com um texto. Reduzir o número de palavras ou toques para se ajustar ao espaço previsto pela diagramação, vá lá. Mas deixar o leitor em dúvida se pretendemos uma crítica ou um estímulo a determinada situação ou fato, jamais! Concorde ou discorde o leitor pode até nos entender mal, mas ficar sem entender por nossa própria falta de clareza ou definição, é comprovação de inépcia profissional e, apesar disso ser tão comum em todo o país, sem dúvida não é o caso do Amílcar.

É de quem, então? Antigamente não interessava de quem fosse, pois quem responderia seria o editor. Hoje, apesar de constar no expediente, a função parece ter sido extinta como se extinguem os leitores.

Desse jeito, como mantê-los?

Mas o que pessoalmente mais me preocupa não é a queda do hábito de leitura de jornais entre os brasileiros. E sim os meus amigos que ainda mantêm esse hábito trazido de seus países e que, vira e mexe, vêm me pedir explicações, como faz o Daniel aí adiante.

Explicar o quê? Como esclarecer que apesar de todos os avanços tecnológicos e da ditadura ter acabado há 25 anos atrás, ainda temos uma imprensa da Idade da Pedra e entre os que nela atuam acontecem processos inversos ao diagnosticado por Darwin em sua teoria da evolução?

Não tem jeito e só o que me resta é passar vergonha perante aqueles que dizemos estrangeiros, embora mais atentos às nossas realidades do que os profissionais brasileiros que mais e melhor as deveriam analisar e ponderar.

Por Raul Longo.

Imagem: www.jordipeiro.blogspot.com  


24/03/2011 - Mundo - Clima e Meio Ambiente 

Eduardo Galeano homenageia militantes da água

O escritor Eduardo Galeano recebeu terça-feira (22) o título de Doutor Honoris Causa da Universidade Nacional de Cuyo, na Argentina, e dedicou o mesmo aos militantes da água “que em Mendoza e muitas outras comunidades do mundo lutam contra as mineradoras que a contaminam, as empresas florestais que a secam e contra todos os que traem a natureza, convertendo a água em um negócio e não um direito de todos”. “A água é e quer seguir sendo um direito de todos”, disse Galeano.

 

O ato ocorreu no Salão de Grau da Universidade, cuja transmissão teve que ser exibida em outras duas salas pela grande quantidade de assistentes, a grande maioria deles estudantes, que não economizaram aplausos para celebrar a presença e as palavras do novo doutor.

Em sua exposição, Galeano fez uma referência aos bicentenários que diferentes países da América Latina celebram nestes anos. “A independência segue sendo uma tarefa inconclusa e é necessário memória para completá-la”. Falando sobre a memória, Galeano exaltou o “primeiro país independente e livre da América, o Haiti”. Ainda que os Estados Unidos tenham proclamado sua independência em 1776, “os 645 mil escravos seguiram sendo escravos”. Em troca, em 1804, no Haiti foi proclamada a independência e se libertaram os escravos. Esse fato “resultou imperdoável” para os antigos dominadores que “exigiram ao Haiti o pagamento, durante um século e meio, da dívida francesa e o condenaram, até hoje, à solidão, o desprezo e a miséria”.

 

Citou o Paraguai como outro exemplo. “Esse país desobediente e sem dívida foi destruído em nome da liberdade de comércio”, em cujo “prontuário” figura “a imposição do ópio na China e a destruição de ateliers na Índia por parte da rainha Vitória, da Inglaterra”. No marco do rio da Prata, evocou as figuras de Mariano Moreno e Juan José Castelli, membros da Primeira Junta, qualificados como “muito perversos” por aqueles que “sequestraram a Revolução” e defenestrados do processo.

 

Galeano também fez uma menção especial ao educador venezuelano Simón Rodríguez “El Loco”, a quem definiu como “o mais audaz e adorável dos pensadores latino-americanos”, apesar de ser “um perdedor” devido às perseguições que sofreu, mas não por isso menos importante, porque “na memória dos perdedores, ali está a verdade”. Ele lembrou algumas das iniciativas “proibidíssimas” do professor de Simón Bolívar – no contexto da década de 1820 – como seu princípio de que “sem educação popular não haverá verdadeira sociedade”, ou sua audácia de “mesclar rapazes e moças na escola e o ensino de artes manuais com as tarefas intelectuais”.

Recordou a famosa frase de Rodríguez: “Imitadores! Copiem dos Estados Unidos e da Europa sua originalidade” – e se perguntou: “Por acaso não está vivo esse “Loco” nas ânsias e ações de independência de nossos povos”.

 

O escritor finalizou sua exposição com a evocação do uruguaio José Artigas, “a voz mais profunda destas terras” e “primeiro a realizar uma reforma agrária na América”. Recordou com ironia que os chefes da última ditadura militar do Uruguai, ao erigir um mausoléu em honra a Artigas, buscaram em vão alguma citação dele para colocar no monumento. “Não conseguiram, porque todas as suas frases eram subversivas, Então só registraram datas de batalhas. “Artigas também é um perdedor profundamente ativo”, finalizou.

 

Fonte:

http://www.uncu.edu.ar/novedad/item/eduardo-galeano-palabra-y-memoria-de-america-latina


21/03/2011 - Mundo - Conflitos 

Protestos Marcam a Visita de Obama

Um forte aparato repressivo que transformou o Rio de Janeiro em um teatro de guerra marcou a visita de Obama ao Brasil. Um bombardeio midiático realizado durante toda a semana pela grande mídianazi-fascista procurava criar um clima de festividade. Porém o que seviu foi bem diferente, por onde quer que Obama passou, pessoas foram desrespeitadas no seu direito de ir e vir, e de trabalhar, sendo tratadas como potenciais terroristas. 

 

“Para que tudo isso? Nunca vi isso antes. Por que tanta segurança, se nosso povo é tão receptivo? Será que é por que não se passa um só dia sem que os Estados Unidos matem civis e crianças com seus bombardeios?”perguntava Jurema de Castro, professora. 

 

Diversos protestos foram realizados durante toda a semana que antecedeu o discurso aberto que Obama faria na Cinelândia, mas que foi transferido para um evento fechado após os organizadores constatarem os protestos que seriam realizados. No protesto de sexta-feira, lideranças sociais e trabalhadores foram presos após manifestarem-se pacificamente contra as políticas estadunidenses. 

 

Uma manifestação foi convocada pelos partidos e pelos sindicatos, após uma concentração na estação Glória do metrô. Porém, diante do forte aparato policial que bloqueava diversas ruas no centro do Rio, a passeata não chegou organizada até a Cinelândia. Membros do Movimento Nacional de Lutas contra o Neoliberalismo e do PCML(Br) que estavam presentes nesta passeata se dirigiram até a Cinelândia, junto com outras pessoas, para se somarem ao protesto que o PCML(Br) desde as primeiras horas da manhã organizava no local. 

 

Membros do Movimento Nacional de Lutas contra o Neoliberalismo, do PCML(Br), do CEPPES e da Juventude 5 de Julho, após uma marcha pelo centro do Rio, se concentraram durante todo o dia na Cinelândia e exigiam a retirada imediata das bases estadunidenses da Colômbia, a libertação de todos os presos políticos do império e a imediata retirada de todas as forças da Otan da Líbia.  Contra as sete bases na Colômbia, qualificadas por Fidel Castro como os “sete punhais no coração da América”, os manifestantes lembraram do Libertador Simon Bolívar, através da palavra de ordem que unifica o continente latino-americano: “Alerta, alerta, alerta que caminha, a espada de Bolívar pela América Latina!” Chamou muita atenção a homenagem que foi feita aos Cinco heróis anti-terroristas cubanos, que estão encarcerados nas masmorras do imperialismo sofrendo diversas torturas físicas, morais e psicológicas. Um grupo de manifestantes do PCML formava com suas camisetas a frase “Pela libertação dos Cinco heróis cubanos” em português e inglês. 

Diversas outras pessoas se somaram espontaneamente a homenagem aos Cinco. Dessa forma, os heróis cubanos foram lembrados e seus nomes se tornaram uma grande bandeira que unificava os manifestantes durantetodo a manifestação. “Liberdade, liberdade já, para os Cinco heróis” e“Cuba sim, ianques não, viva Fidel e a Revolução”, eram frases escutadas por quem se encontrava lá. 

 

Foram lembrados também outros presos políticos do império, como os guerrilheiros colombianos Simon Trinidad e Sonia, presos por lutarem contra a anexação da Colômbia pelos Estados Unidos, e também outros, como os estadunidenses Mumia Abu Jamal e Leonard Peltier, presos há décadas por lutarem pelos direitos dos negros e dos indígenas daquele país. “Como podem os Estados Unidos se colocarem como paladinos da liberdade e da democracia, se, além da maior população carcerária do mundo, eles mantêm diversos presos políticos?” indagava Jair de Souza, petroleiro.

 

No dia anterior, Barack Obama autorizou o bombardeio à Líbia, durante sua visita, ainda em solo brasileiro, o que foi considerado uma afronta pelos manifestantes presentes na Cinelândia. Contra essa política belicista, foram puxadas diversas palavras de ordem como: “Companheiro, a luta continua, fora OTAN, a Líbia não é sua”, “Líbia, Brasil, América Central, a classe operária é internacional” e “Um, dois, três, quatro, cinco, mil, lugar de imperialista é na ponta do fuzil”. 

 

A Internacional, hino dos povos em luta do mundo, também foi cantada pelos manifestantes, que garantem que a “brava gente brasileira” lutará junto com todos os povos amantes da paz contra a nova aventura imperialista de guerra pelo controle do petróleo.  

 

Fonte: Jornal Inverta

 

Tomada do Portal do SINDPREVS-SC: http://www.sindprevs-sc.org.br

 

Imagem:

http://s.glbimg.com/jo/g1/f/original/2011/03/18/obamgohome_620.jpg 


19/03/2011 - Mundo - Conflitos 

No Brasil não dizem nada, nada anunciam, estão matando gente inocente desde aviões franceses.

São 21:42, em Desterro. Estou escutando o Jordán ao vivo desde Trípoli. Não tem ninguém para me acompanhar em Desacato...

 

Os tiros e as explosões são impressionantes. As pessoas gritam, porque estavam na praça apoiando ao governo e os "aliados" atacaram ao povo em cheio, e a um hospital central de Trípoli.

 

Gostaria de escrever uma nota ao menos, mas, estou muito comovido, já vai muito tempo de vida de Desacato, e quase nunca, há alguns anos, tenho com quem partilhar estas dores.

 

Talvez estejam os companheiros assistindo os vídeos da Globo, da CNN, da Fox. Eu estou olhando isto em Desacato, através da TeleSUR, escutando a voz do colega Jordán Rodríguez. Devo estar doente, mal da cabeça, certamente, porque deveria estar jantando em paz, curtindo o fim de semana, lendo um livro, ou assistindo um filme.

 

De fato estou assistindo um, se chama Odissea do Amanhecer, estou assistindo ao vivo, como as luzinhas bonitas que Ted Turner mostrava na Guerra do Golfo, em 1991. Podem assistir a versão adaptada amanhã, na Globo, na Folha, no Estadão, no DC, na RBS.

 

Tenho raiva, sou jornalista, e não consigo falar com ninguém do que comparto à distância com a voz do Jordán, e com pessoas que gritam, correm e salvam os seus filhos e os velhos da "ajuda humanitária". Era isso que chamavam de democracia na Líbia? Pois, desfrutemos então.

 

Boa noite,

 

Raul, de Honduras à Líbia, em viagem do coração.

Imagem:

http://www.aereo.jor.br/wp-content/uploads/2009/08/rafales-exibicao-foto-armee-de-lair-sirpa-air.jpg


18/03/2011 - Mundo - Clima e Meio Ambiente 

Capitalismo: risco de ecocídio e de biocídio,

O capitalismo é um modo de produção social e uma cultura. Como modo de produção destruiu o sentido originário de economia que desde os clássicos gregos até o século XVIII significava a técnica e a arte de satisfazer as necessidades da oikos, Quer dizer, a economia tinha por objetivo atender satisfatoriamente as carências da casa, que tanto podia ser a moradia mesma, a cidade, o país quanto a casa comum, a Terra. Com sua implantação progressiva a partir do século XVII do sistema do capital – a expressão capitalismo não era usada por Marx, mas foi introduzida por Werner Sombart 1902 – muda-se a natureza da economia. A partir de agora ela representa uma refinada e brutal técnica de criação de riqueza por si mesma, desvinculada do oikos, da referência à casa. Antes pelo contrário, destruindo a casa em todas as suas modalidades. E a riqueza que se quer acumular é menos para ser desfrutada do que para gerar mais riqueza numa lógica desenfreada e, no termo, absurda.

 

A lógica do capital é essa: produzir acumulação mediante a exploração. Primeiro, exploração da força de trabalho das pessoas, em seguida a dominação das classes, depois a submissão dos povos e, por fim, a pilhagem da natureza. Funciona aqui uma única lógica linear e férrea que a tudo envolve e que hoje ganhou uma dimensão planetária.

 

Uma análise mesmo superficial entre ecologia e capitalismo identifica uma contradição básica. Onde impera a prática capitalista se envia ao exílio ou ao limbo a preocupação ecológica. Ecologia e capitalismo se negam frontalmente. Não há acordo possível. Se, apesar disso, a lógica do capital assume o discurso ecológico ou é para fazer ganhos com ele, ou para espiritualizá-lo e assim esvaziá-lo ou simplesmente para impossibilitá-lo e, portanto, destruí-lo. O capitalismo não apenas quer dominar a natureza. Quer mais, visa arrancar tudo dela. Portanto se propõe depredá-la.

Hoje, pela unificação do espaço econômico mundial nos moldes capitalistas, o saque sistemático do processo industrialista contra natureza e contra a humanidade torna o capitalismo claramente incompatível com a vida. A aventura da espécie homo sapiens e demens é posta em sério risco. Portanto, o arquiinimigo da humanidade, da vida e do futuro é o sistema do capital com a cultura que o acompanha.

 

Coloca-se assim uma bifurcação: ou o capitalismo triunfa ao ocupar todos os espaços como pretende e então acaba com a ecologia e assim põe em risco o sistema-Terra ou triunfa a ecologia e destrói o capitalismo ou o submete a tais transformações e reconversões que não possa mais ser reconhecível como tal. Desta vez não há uma arca de Noé que salve a alguns e deixe perecer os outros. Ou nos salvamos todos ou pereceremos todos.

Esta é a singularidade de nosso tempo e a urgência das reflexões e dos alarmes que aqui são partilhados.

 

Dizíamos que o capitalismo produziu ainda uma cultura, derivada de seu modo de produção, assentado na exploração e na pilhagem. Toda cultura cria o âmbito das evidências cotidianas, das convicções inquestionáveis e, como tal, gesta uma subjetividade coletiva adequada a ela. Sem uma cultura capitalista que veicula as mil razões justificadoras da ordem do capital, o capitalismo não sobreviveria. A cultura capitalista exalta o valor do indivíduo, garante a ele a apropriação privada da riqueza, feita pelo trabalho de todos, coloca como mola de seu dinamismo a concorrência de todos contra todos, visa maximalizar os ganhos com o mínimo de investimento possível, procura transformar tudo em mercadoria, desde a mística, o sexo até o lazer para ter sempre benefícios e ainda instaura o mercado, hoje mundializado, como o mecanismo articulador de todos os produtos e de todos os recursos produtivos.

 

Se alguém buscar solidariedade, respeito às alteridades, com-paixão e veneração face à vida e ao mistério do mundo não os busque na cultura do capital. Errou de endereço, pois ai encontra tudo ao contrário. George Soros, um dos maiores especuladores das finanças mundiais e profundo conhecedor da lógica da acumulação sem piedade (ele vive disso), afirma claramente que o capitalismo mundialmente integrado ameaça a todos os valores societários e democráticos, pondo em risco o futuro das sociedades humanas. Essa é, segundo ele, a crise do capitalismo (é o título de seu livro) que exige urgente solução para não irmos ao encontro do pior.

O capitalismo, como modo de produção e como cultura, inviabiliza a ecologia tanto ambiental, quanto social e a mental ou profunda. Deixado à lógica de sua voracidade, pode cometer o crime da ecocídio, do biocídio e, no limite, do geocídio. Razão suficiente para os humanos que amam a vida e que querem herdar aos seus filhos e filhas e netos uma casa comum habitável se oporem sistematicamente às suas pretensões.

 

Entretanto, há sinais de esperança. Já a partir dos inícios deste século, o paradigma moderno começou, teoricamente, a ser erodido pela física quântica, pela teoria da relatividade, pela nova biologia, pela ecologia e pela filosofia crítica. Estava surgindo então um novo paradigma. Ele tem um caráter contrário àquele capitalista; é holístico, sistêmico, inclusivo, pan-relacional e espiritual. Entende o universo não como uma coisa ou justaposição de coisas e objetos. Mas como um sujeito no qual tudo tem a ver com tudo, em todos os pontos, em todas as circunstâncias e em todas as direções, gerando uma imensa solidariedade cósmica. Cada ser depende do outro, sustenta o outro, participa do desenvolvimento do outro, comungando de uma mesma origem, de uma mesma aventura e de um mesmo destino comum.

 

Ao invés de ser um universo atomístico, composto de partículas discretas – universo cuja complexidade cabe ser quebrada em componentes menores e mais simples – agora este universo é considerado como um todo relacional, inter-retro-conectado com tudo e maior que a soma de suas partes. A natureza da matéria, quando analisada com mais profundidade, não aparece como estática e morta, mas como uma dança de energias e de relações para todas as direções. A Terra não é mais vista como um conglomerado de matéria inerte (os continentes) e água (os oceanos, lagos e rios), mas como um superorganismo vivo, Gaia, articulando todos os elementos, as rochas, a atmosfera, os seres vivos e a consciência num todo orgânico, dinâmico, irradiante e cheio de propósito, parte de um todo ainda maior que nos inclui: o universo em cosmogênese, em expansão e perpassado de consciência.

 

Esta visão fornece a base para uma nova esperança, para uma sabedoria mais alta e para um projeto civilizacional alternativo àquele dominante hoje, o do capitalismo mundialmente integrado. Ela nos permite passar do sentimento de perda e de ameaça, que o cenário atual nos provoca ao sentimento de pertença, de promessa e de um futuro melhor.

 

Quatro eixos dão consistência ao novo paradigma, que se distancia enormemente do capitalismo: a busca da sustentabilidade ecológica e econômica, baseada numa nova aliança de fraternidade/sororidade para com a natureza e entre os seres humanos; a acolhida da diversidade biológica e cultural, fundada na preservação e no respeito a todas as diferenças e no desenvolvimento de todas as culturas; o incentivo à participação nas relações sociais e nas formas de governo, inspiradas na democracia sem fim, como diria sociólogo português Boaventura de Souza Santos, entendida como valor universal a ser vivido em todas as instâncias (família, escola, sindicatos, igrejas, movimentos de base, nas fábricas e nos aparelhos de estado) e com todo o povo; o cultivo da espiritualidade como expressão da profundidade humana, que se sente parte do todo, capaz de valores, de solidariedade, de compaixão e de diálogo com a Fonte originária de todos os seres.

 

Este novo paradigma não é ainda hegemônico. Perdura vastamente ainda aquele da modernidade burguesa e capitalista, atomístico, mecânico, determinístico e dualista, apesar de sua refutação teórica e prática. Perdura porque é funcional aos propósitos das classes dominantes mundiais. Elas mantém o povo e até pessoas de formação elevada na ignorância acerca da nova visão do mundo. Continua a impôr um sistema global cujos frutos maiores são a dominação, a exclusão e a destruição.

 

Mas a crise ecológica mundial, expressa especialmente pelo aquecimento global, e o curto prazo que dispomos para as mudanças necessárias conferem atualidade e vigor ao novo paradigma. Ele é subversivo para a ordem vigente. Precisamos de uma nova revolução, uma revolução civilizacional. Ela será de natureza diversa daquelas nascidas a partir da revolução do neolítico, especialmente daquela propiciada pela cultura do capital. Terá por base e inspiração a nova cosmologia.

 

Mas para isso, temos que mudar nossa forma de pensar, de sentir, de avaliar e de agir. Dentro do sistema do capital não há salvação para as grandes maiorias da humanidade, para os ecossistemas e para o planeta Terra. Devemos ter mais sabedoria que poder, mais veneração que saber, mais humildade que arrogância, mais vontade de sinergia que de auto-afirmação, mais vontade de dizer nós do que dizer eu como o faz sistematicamente a cultura do capital. Por estas atitudes os seres humanos poderão se salvar e salvar o seu belo e radiante Planeta.

 

Esposamos a idéia de que estamos na crise de parto, do nascimento de um novo patamar de hominização. Podemos, sim, nos destruir. Criamos para isso a máquina de morte. Mas ela pode ser sustada e transformada. O mesmo foguete gigante que transporta ogivas atômicas, pode ser usado para mudar a rota de asteróides e meteoros ameaçadores da Terra. É a hora de darmos o salto de qualidade e inaugurarmos uma aliança nova com a Terra. A chance está criada. Depende de nós sua realização feliz ou o seu inteiro fracasso. Desta vez não nos é permitido nem protelar nem errar de objetivo.

 

Leonardo Boff é Teologia e Filosofia e autor de mais de 60 livros nas áreas de Teologia, Ecologia, Espiritualidade, Filosofia, Antropologia e Mística. A maioria de sua obra está traduzida nos principais idiomas modernos.


18/03/2011 - Mundo - Política 

Mulher, socialista, cubana

Aleida Guevara emocionou uma platéia de estudantes, sindicalistas e lideranças do movimento social em Florianópolis. “Quando uma mulher participa de um processo revolucionário, significa muito mais que uma ideologia política, ela defende o fruto do seu próprio ventre, ela defende o futuro de um país”, afirmou Aleida Guevara, filha mais velha de Che Guevara, durante um debate sobre o Papel da Mulher na transformação social.

 

O debate, realizado no dia 9 de março pela Fundação Cultural José Martí, em conjunto com entidades sindicais e sociais e com apoio de parlamentares catarinenses, marcou as atividades do Dia Internacional da Mulher em Florianópolis.

 

Aleida, que estava na cidade desde o dia 4 de marçoa veio à Florianópolis para participar do desfile da escola de samba União da Ilha da Magia, que, com o enredo "Cuba sim! Em nome da verdade!", homenageou o país socialista. “Não tenho dúvidas de que a União da Ilha da Magia prestou um importante serviço a esta cidade. O título de campeã do carnaval em Florianópolis é de todos nós”, disse o presidente da escola e coordenador do Sindprevs/SC, Vlamir Braz de Souza, que também esteve presente no debate.

 

Aplaudia de pé. Assim Aleida foi recebida por todos os presentes no Teatro Álvaro de Carvalho. Ela falou sobre as conquistas das mulheres cubanas e a luta que ainda se faz necessária em Cuba e em todos os países do mundo. “Mesmo com a revolução, ainda vivemos sob a influência de uma cultura machista de mais de 500 anos”, disse Aleida.

 

A palestrante disse que Cuba já alertou sobre a feminilização da pobreza no mundo, sendo que 62% dos empobrecidos são mulheres. Ela ressaltou alguns avanços das mulheres cubanas, que representam 47% da força de trabalho na ilha caribenha como, por exemplo, a licença maternidade de um ano compartilhada pelo homem e pela mulher, a igualdade salarial no mercado de trabalho, o direito à saúde e educação gratuitas, direitos de todo cidadão cubano. O aborto também é permitido em Cuba e realizado em hospitais. “O aborto em Cuba não é usado como um método anticonceptivo. Fizemos um forte trabalho de educação sexual nas escolas e de prevenção. O aborto é um direito da mulher”, defendeu.

 

Médica, Aleida também lembrou que 99,1% dos médicos gerais do país são mulheres e que as mulheres representam 43,32% dos parlamentares em Cuba, tendo uma expressiva participação na política.

 

Quanto à violência contra a mulher, isso é um problema praticamente inexistente em Cuba, segundo Aleida. “Somos educados desde pequenos que em uma mulher não se bate nem com uma flor. E quando acontece algum tipo de violência o homem é imediatamente punido. Em Cuba não se tolera nenhuma violência contra a mulher”, disse.

 

Aleida também foi questionada pelos participantes sobre outras questões como o tratamento dado aos homossexuais em Cuba e a saída de cubanos da Ilha para viverem nos Estados Unidos. Aleida admitiu que muitos foram os erros em relação aos homossexuais no país, mesmo após a Revolução, mas que Cuba está melhorando e avançando nesse debate, que vem sendo encabeçado pela filha de Raul Castro. “Temos muito ainda o que melhorar e trabalhar na educação das pessoas em relação a isso”, afirmou.

 

Quanto à saída de cubanos para viverem nos Estados Unidos, Aleida disse que o país norte-americano dá incentivos como casa e trabalho aos cubanos que “pisam” em solo estadunidense. Existe nos EUA uma lei que incentiva essa imigração ilegal, então como evitar que os cubanos não fiquem tentados a viver no país inimigo?

Ao ser questionada sobre o que mais ela admirava na personalidade de Che, Aleida, cujos olhos lembram os do revolucionário, ela respondeu que era “a coerência”. “Che vivia na prática o mesmo discurso que pregava”.

 

Ao final do debate ela leu um poema escrito por um dos cinco heróis cubanos – preso político nos Estados Unidos, Antonio Guerrero, em homenagens às mulheres. Aleida lembrou ainda que estes homens estão presos injustamente e que suas mulheres, mães e filhas os esperam de volta em Cuba. Emocionada, ela pediu solidariedade à luta do povo cubano por justiça e pela liberdade dos cinco heróis cubanos e agradeceu a homenagem feita ao seu país e ao seu povo pela União da Ilha da Magia.

 

Por Marcela Cornelli – jornalista da coordenação da Revista Pobres e Nojentas e alimentadora da AGECON em Florianópolis


16/03/2011 - Mundo - Cultura 

A vida, essa estranha!

Outro dia um amigo me saiu com essa: “não há gente triste na internet”. E eu fiquei a pensar... Pois não é? As mensagens no twitter ou no facebook são sempre de alegria e dão sinais de que tudo está bem. A cerveja no fim da tarde, os amigos, o vinho, a pizza, os bichos, o sol, os sonhos, enfim... Tudo remete a coisas boas e felicidades. Mas então por que na vida real as coisas e as pessoas parecem estar em escombros? Estarão estes seres querendo criar um espelho irreal para mudar o real? Ou estarão tentando enganar a si mesmos com uma felicidade de plástico? Não sei! ... Eu é que não consigo embarcar neste universo de alegrias. Vejo tudo tão sombrio.

 

Há pessoas que circulam em volta de mim que já não conseguem enxergar beleza na vida. “A impressão é de que quando a gente era jovem conseguia suportar melhor os golpes. Agora, parece não haver esperanças...” Outras tentam desesperadamente encontrar um porto seguro onde ancorar suas promessas de amor. Outras não conseguem viver dentro de um mundo que se faz vazio, outras se emaranham num tempo em que parece não haver devir. Olho para os lados e o que vejo são almas em ruínas, tentando alcançar alguma margem, ainda que não saibam qual. O sólido se desmanchando no ar...

 

Seria o espírito do tempo? Estes tempos pós-tudo, sem sonhos ou utopias? Seria a certeza da mortalidade que se aproxima e se faz cada dia mais real, conforme vamos nos aproximando do crepúsculo? Será a perda efetiva da probabilidade de um mundo melhor? Ou a triste certeza de que o niilismo venceu e não há saídas para o último homem?

 

Não sei, mas tal qual já apontou Nietzsche, creio que nos faz falta a meninice, essa coisa boa e tola de pular amarelinha, girar peão, jogar cinco marias, brincar de queimada e de escolher-fita, diabo-rengo, batatinha frita, um, dois três. Creio que precisamos dar mais cambalhotas, fazer castelos na areia, dar muita risada, pisar nas poças de água. Temos de reencontrar a alegria, a despeito de tudo. O riso servindo como um pirilimpimpim mágico, desfazendo as brumas.

Outro dia vi na televisão uma reportagem sobre uma pesquisa que se faz desde há 15 anos nos colégios públicos. Ela revela que as crianças estão mais gordas, mais tristes, com menos energia. E por quê? Porque não existem mais campinhos onde jogar bola, porque não se brinca mais na rua, não se corre, não se gasta energia. As crianças vão para a escola de ônibus ou de carro, comem doritos, jogam vídeo game e falam ao celular. Na hora do recreio não pulam nem suam para não estragar o “modelito”. São pequenos adultos sem vibração, prováveis almas em escombros logo ali adiante.

 

Eu, que chego aos 50, diante das ruínas, começo a perceber que é hora de voltar a brincar. Chegar a casa mais cedo, correr com o cachorro, fazer peraltices, suar em bicas, tomar água pura. Meus cântaros se esgotam e eu preciso viver o dia. Sim, há que lutar pela tarifa zero, pela educação, pela vida digna, pela universidade, pela paz no mundo. Mas também há que virar cambalhotas e gargalhar. Porque não quero, na noite da vida, observar a minha e outras tantas almas em escombros. Quero ser capaz do riso, e que ele seja uma lamparina, ainda que bruxuleante, a indicar que, mesmo em meio às sombras pode-se encontrar a beleza. Tal como ensinam os navajos, a beleza aí está, em cima, embaixo, nos lados, em frente... Viver é caminhar na beleza. Mas, a vida, essa estranha, insiste em nos desviar!

 

Por Elaine Tavares – Publicado no Jornal Brasil de Fato 01/03/2011

 

Fonte: http://eteia.blogspot.com/2011/02/vida-essa-estranha.html

Imagem:

http://www.confissoesaesmo.com/wp-content/uploads/2010/12/marionete.jpg


10/03/2011 - Mundo - Educação 

Comunicação e cultura em Paulo Freire

Visitando a trabalho o sul da Índia, estado de Tamilnadu, no início de 2010, o professor de física da Universidade de Brasília, Amílcar Rabelo de Queiroz, deparou-se com uma situação reveladora. Em viagem para a região de Thanjavur conheceu um vilarejo pobre – Pattukkotta – que vive basicamente da pequena agricultura. Lá visitou uma escola de educação fundamental. Para facilitar sua apresentação e criar um clima amistoso, os colegas do Institute of Mathematical Sciences (IMSC), que com ele viajavam, informam aos professores da escola que Amílcar era brasileiro, da terra de Pelé. “Brasil? Pelé?”. Repetem várias vezes. De repente, um deles sorri e exclama: “ah, ah, Brasil, claro, terra de Freire, Paulo Freire!” E alcança na estante vários livros de um dos nossos maiores educadores, traduzido, estudado e reconhecido em todo o mundo.

 

Paulo Freire faleceu há quase 14 anos, em maio de 1997. Se estivesse vivo, completaria noventa anos em setembro. Sua obra, seu pensamento e sua ação deixaram marcas profundas em vários campos do conhecimento. Seu único ensaio especificamente sobre comunicação – Extensão ou Comunicação? – foi escrito no exílio chileno, em 1968, e publicado pela Editora Paz e Terra, no Brasil, em 1971.

 

Tenho afirmado recorrentemente que as reflexões de Freire sobre comunicação nunca estiveram tão atuais. [cf. nesta Carta Maior “Paulo Freire, direito à comunicação e PNDH3”].

 

Direito à comunicação

A necessidade de construção e positivação de um direito à comunicação foi identificada há mais de 40 anos pelo francês Jean D’Arcy, quando diretor de serviços audiovisuais e de rádio do Departamento de Informações Públicas das Nações Unidas, em 1969. Naquela época ele afirmava:

 

"Virá o tempo em que a Declaração Universal dos Direitos Humanos terá de abarcar um direito mais amplo que o direito humano à informação, estabelecido pela primeira vez 21 anos atrás no Artigo 19. Trata-se do direito do homem de se comunicar".

 

A proposta de D’Arcy, na verdade, assumia e consagrava uma perspectiva “dialógica” da comunicação que já havia sido elaborada, do ponto de vista conceitual, por Paulo Freire no ensaio "Extensão ou comunicação"?

 

Freire recorre à raiz semântica da palavra comunicação e nela inclui a dimensão política da igualdade, a ausência de dominação. Para ele, comunicação implica um diálogo entre sujeitos mediados pelo objeto de conhecimento que por sua vez decorre da experiência e do trabalho cotidiano. Ao restringir a comunicação a uma relação entre sujeitos, necessariamente iguais, toda “relação de poder” fica excluída. O próprio conhecimento gerado pelo diálogo comunicativo só será verdadeiro e autêntico quando comprometido com a justiça e a transformação social. A comunicação passa a ser, portanto, por definição, dialógica, vale dizer, de “mão dupla”, contemplando, ao mesmo tempo, o direito de ser informado e o direito de acesso aos meios necessários à plena liberdade de expressão.

 

Como se vê, Freire teoriza a comunicação interativa antes da revolução digital, vale dizer, antes da internet e de suas redes sociais. No nosso tempo, quando as novas tecnologias [TICs] rompem com a unidirecionalidade da comunicação “de massa” tradicional, o conceito de comunicação relacional e transformadora oferece uma referencia normativa revitalizada e desafiadora.

História das idéias

Ao reafirmar a atualidade do pensamento de Paulo Freire, especificamente para o campo da comunicação, tomo a liberdade de registrar os trinta anos de "Comunicação e Cultura: as idéias de Paulo Freire", publicado pela Paz e Terra, em março de 1981 (2ª. edição 1984). O livro é uma adaptação de tese de doutorado defendida em agosto de 1979.

 

Na verdade, o argumento central sobre a importância de Freire para o estudo da comunicação já havia aparecido em artigo anterior que publiquei, com Clifford Christians, na revista inglesa Communication (vol. 4, n. 1, 1979) sob o título “Paulo Freire: the political dimension of dialogic communication”, traduzido e publicado em português pela revista Síntese (vol. VI, n. 16, maio/agosto de 1979).

 

A história das idéias nos diferentes campos do conhecimento – inclusive na Comunicação – muitas vezes contém omissões, deliberadas ou não, ao deixar de registrar contribuições feitas por autores que, por diferentes razões, não se situam no seu “mainstream” ou não se alinham aos grupos dominantes na academia. Daí, às vezes, a necessidade de auto-registros isolados como esse.

Hoje, a contribuição de Paulo Freire para o campo da comunicação é fonte de inspiração e referência. A situação, certamente, não era a mesma no final da década de 70 do século passado. Embora reconhecido internacionalmente e estudado em várias disciplinas – filosofia, sociologia, serviço social, religião, história – seu pensamento era quase que totalmente ignorado nos estudos de comunicação, inclusive na sua terra, o Brasil.

 

A incrível história do prof. Amílcar na Índia, de que só agora tomei conhecimento, serviu de mote para que fizesse, então, esse duplo registro: a permanente atualidade do pensamento do educador brasileiro e os trinta anos do Comunicação e Cultura: as idéias de Paulo Freire.

 

Reproduzimos artigo de Venício Lima, publicado no sítio do (NPC): Núcleo Piratininga de Comunicação

Imagem: http://www.cidadedosaber.org.br/wp/wp-content/uploads/2011/02/20080830-Paulo_Freire.jpg 


09/03/2011 - Mundo - Organizações Sociais 

Elas levantam-se

Dizia Neruda, um dos mais admiráveis poetas chilenos do século XX, sobre as mulheres:

Elas brigam por aquilo que acreditam.

Elas levantam-se para injustiça.

Elas não levam “não” como resposta quando

acreditam que existe melhor solução.

 

Assim, em 08 de março de 1857, em Nova Iorque, trabalhadoras de uma fábrica de tecidos levantaram-se para injustiça e decidiram de forma corajosa que seria necessário protestar contra a situação inadmissível a qual eram submetidas cotidianamente, e então clamaram por melhores condições de trabalho (redução da carga diária de trabalho de 16 para 10 horas, equiparação de salários com os homens e respeito dentro do ambiente de trabalho).

 

Como de costume a manifestação foi barrada com total violência, e resultou em aproximadamente 130 mulheres mortas. Por esse nobre motivo em 1910, durante uma conferência na Dinamarca, o dia 08 de março passou a ser o “Dia Internacional da Mulher”.

 

É preciso constar que a mulher trabalhadora permanece lutando para sobreviver nesse sistema desigual e consequentemente injusto, onde é sempre primordial provar o quanto se deseja e se precisa ser digno de respeito. Seja na luta por melhores salários, contra o moralismo excludente, pela defesa de seu corpo, entre tantas outras lutas, e mais lutas, que desembocam em uma só, o combate a sociedade de classes, que é raiz de toda essa opressão contra as mulheres.

 

Por isso, em prol da verdadeira abolição da mulher é urgentemente necessário romper impiedosamente com essa vigorosa insígnia de exploração da sociedade capitalista – eliminando de forma definitiva as classes – sob pena de continuarmos a mercê dos ditames da burguesia.

 

Por Lidiane Ramos Leal do Portal Desacato.


09/03/2011 - Mundo - Conflitos 

Debate: o cerco midiático contra Cuba

Na próxima terça-feira, dia 15 de março, às 19 horas, no auditório do Sindicato dos Jornalistas de São Paulo (Rua Rego Freitas, 530, Centro), será realizado o debate “O cerco midiático contra Cuba”. O evento contará com as presenças dos jornalistas Mario Augusto Jakobskind, membro da Academia Brasileira de Imprensa (ABI) e do conselho curador da Empresa Brasil de Comunicação (EBC); Fernando Morais, autor do livro “A Ilha” e de várias biografias de sucesso; e do cubano Ariel Terrero Escalante, editor da Revista Bohemia e comentarista econômico do programa de televisão “Buenos Días” [*].

 

Organizado pelo Centro de Estudos da Mídia Barão de Itararé, em parceira com o sítio Opera Mundi, o Comitê dos Cinco Patriotas Cubanos e o Centro Brasileiro de Solidariedade aos Povos e Luta pela Paz (Cebrapaz), o evento discutirá a atual realidade de Cuba – seus avanços, problemas e desafios. Também debaterá os padrões de manipulação da mídia, que omite as conquistas da revolução cubana e realça apenas suas dificuldades.

 

Somado ao desumano bloqueio econômico imposto pelos EUA desde o início dos anos 1960, a cerco midiático a Cuba serve para alimentar preconceitos e visões unilaterais. Nas capas da Veja, Folha, Estadão e O Globo ou nos comentários dos “calunistas” das emissoras de televisão e rádio, Fidel Castro e outros líderes cubanos são apresentados como demônios e Cuba, como um inferno. Seus triunfos em várias áreas sociais simplesmente são relegados. Colonizada, a mídia nativa repete os ataques do “império”.

 

O debate pretende aprofundar a reflexão crítica sobre o processo cubano, que gera amores e ódios na sociedade brasileira. Após o debate, será feito o lançamento do livro “Cuba, apesar do bloqueio”, do jornalista Mario Augusto Jakobskind.

*****

Mais informações sobre Ariel Terrero

 

Nascido em 1962, na cidade de Havana, onde reside atualmente. Formação: Licenciado em jornalismo pela Universidade de Havana (1985).

 

Ocupação atual:

- Revista Bohemia, chefe de informação nacional e da equipe de jornalismo investigativo;
- Boletim eletrônico Mercados y Tendencias: editor e comentarista.

- Comentarista econômico da revista televisiva Buenos Días.

- Mantém o sítio pessoal: www.cubaprofunda.org.

- É membro da Presidência da União de Periodistas de Cuba (UPEC).

Prêmios:

- Premio Nacional de Periodismo Juan Gualberto Gómez (2003 e 1997);

- Premio de reportagem, artigo e jornalismo investigativo no Concurso Nacional de Periodismo 26 de Julio (2008, 2006, 2005, 1999 y 1993);

- Terceiro lugar do Premio Latinoamericano de Periodismo José Martí de Prensa Latina (2005). Mención (2003);

- Premio de Periodismo Econômico ANEC-UPEC (2004, 2003, 2002 e 2000);

- Premio Editorial de la Mujer (2006 e 2005);

- Premio de Periodismo Cultural (2005);

- Premio de Periodismo Científico Gilberto Caballero na imprensa escrita (2005 e 2001);

- Premio de Periodismo Científico Fernando Ortiz (1995 y 1992);

- Premio Abril pela trajetória profissional (1999);

- Premio no Concurso Especial sobre Globalização ANEC-UPEC (1999);

- Premio Especial de Crítica (1990).

 

 

Por Altamiro Borges, da coordenação do Centro de Estudos da Mídia alternativa Barão do Itararé e do blog http://altamiroborges.blogspot.com e da coordenação


09/03/2011 - Mundo - Clima e Meio Ambiente 

Desperdício criminoso de água pura segue sem freio

A água não é coisa para brincadeira não. Existem países no mundo que já sofrem falta deste líquido precioso e que chegam a estabelecer lutas para poder garantir o abastecimento. Pelo menos 17 países do Oriente Médio, sul da África, regiões secas da Índia e China, envolvendo um bilhão de pessoas já não conseguem manter os mesmos níveis de abastecimento que tinham no ano de 1990. Outras regiões, como 24 nações da África Subsaariana, compreendendo 348 milhões de pessoas atualmente, também precisam fazer muito esforço para conseguir água para seus povos. Em muitos destes lugares as pessoas precisam caminhar longas distâncias para conseguir uma lata de água. Segundo previsões de entidades que estudam a questão do abastecimento, em 2025, uma em cada três pessoas correrá o risco de ficar sem água, forçando ainda mais o processo de migração que já é imenso nas regiões citadas. Por isso, chega a causar desespero o desperdício de água pura que se vê na região do Campeche desde dezembro de 2010. Ainda mais quando se sabe que pelo menos 25 mil pessoas no mundo morrem, por dia, por conta da falta ou da má qualidade das águas.

 

No sul da ilha de Santa Catarina, que parece ser a bola da vez dos empreendimentos, desde o final do ano passado que começaram a pipocar novas construções. Mas nada dentro dos limites estabelecidos pelo plano diretor. Alguns dos condomínios, que chegam a ter dezenas de apartamentos, passam do número legal de andares, burlando a lei com andares subterrâneos e os famosos “áticos”. Alguns deles são em cima das dunas, o que mais tarde pode vir a ser um risco para os próprios moradores. Caso não saibam, as dunas são espaços fugidios, que se movimentam e que protegem as costas marítimas.

 

Muitos destes empreendimentos decidiram aplicar a “lei de Gerson”, levando vantagem. Assim, estão cavando o chão para construir subsolos que devem abrigar garagens, ganhando assim um andar a mais, sem aparentemente desrespeitar o plano diretor. Para isso, precisam drenar a água do lençol freático que, no Campeche, fica praticamente a flor da terra. O sul tem um dos lençóis mais fecundos, capaz, inclusive, de abastecer a região, como acontece atualmente. No Campeche, a água vem da Lagoa do Peri e do aqüífero local. Neste momento, enquanto o leitor passa os olhos por este texto, pelo menos três empreendimentos estão drenando água sem parar, 24 horas, o que significa em torno de 130 mil litros de água pura cada um.

 

Especialista já advertiram que o rebaixamento de lençol freático pode trazer muitos efeitos negativos para um lugar como o Campeche, que se abastece deste lençol. Esse tipo de ação pode causar sérios problemas para todos os que vivem neste espaço geográfico, tais como: redução da umidade média dos terrenos em volta, provocando a perda da exuberância dos jardins com flores e árvores podendo até secar; perda da vitalidade da vegetação de grande porte que se utiliza da água do lençol; afundamento de terrenos em volta da obra e rachaduras nos pavimentos. Além disso, como as obras estão próximas do mar, a água que escorre 24 horas, caminha para o oceano e depois volta junto com a água do mar, provocando a salinização da água do aqüífero, destruindo a capacidade de abastecimento. É coisa muito séria.

 

O Conselho Popular do Núcleo Distrital do Campeche – que reúne cerca de 10 entidades - com a parceria do Movimento Saneamento Alternativo e Núcleo Distrital do Pântano do Sul já foi à Procuradoria do Ministério Público Federal, ao Ministério Público Estadual e à Polícia Ambiental. Já encaminharam documento pedindo explicações à Casan (Companhia de Água) e a vários órgãos de meio ambiente locais e eestaduais. Até agora não obtiveram qualquer retorno. Silêncio total. A drenagem das águas subterrâneas acontecem desde dezembro, jorrando milhões de litros de água para o mar afora. A busca por explicações e a falta delas tem levado os moradores a um quase desespero, pois não dá para admitir um desperdício desta magnitude enquanto tanta gente sofre com a falta da água.

 

Estudos disponíveis na rede mundial de computadores dão conta de que a falta de água no mundo pode afetar, inclusive, a produção de comida, pois a agricultura precisa da água potável numa porcentagem que pode chegar até a 90%, o que significa que o gerenciamento dos recursos hidrícos não pode ficar ao bel prazer de empreendimentos gananciosos que, em nome de uma vista maravilhosa para o mar, oferecida a poucos privilegiados, provocam a destruição de toda uma região.

 

Em Santa Catarina, o novo secretário de Estado do Desenvolvimento Econômico Sustentável, Paulo Bornhausen, tomou posse no dia primeiro de março dizendo que “uma sociedade só alcançará o desenvolvimento sustentável quando seus integrantes, sejam governos ou cidadãos, compreenderem que sustentabilidade é um conceito mais amplo”. A comunidade do Campeche vai cobrar essa postura do secretário na discussão do desperdício desenfreado da água potável. As entidades querem saber onde estão as licenças ambientais e os estudos das construtoras para que esse tipo de drenagem seja feito. Por que as entidades estaduais e municipais não se manifestam? O que o governo estadual pode fazer para evitar a destruição do lençol freático?

 

Em nível de Brasil a situação da água tampouco é diferente. No mês de março, as comunidades ribeirinhas e os indígenas que lutam contra a monstruosa construção da Usina de Belo Monte também receberam a informação de que a Agência Nacional de Águas concedeu outorga de direito de uso de Recursos Hídricos à Norte Energia S.A, responsável pela construção da malfada usina no rio Xingu, no município de Altamira, estado do Pará. Com isso, o governo federal igualmente abre as comportas para a destruição daquela região e para o uso privilegiado das águas. Mau exemplo que vem de cima.

 

Por tudo isso as comunidades do Campeche e do sul da ilha sabem que não é coisa fácil vencer os grandes conglomerados, os megaempreendimentos, que chegam com as bolsas cheias de dinheiro e compram tudo a sua volta, inclusive licenças. Mas, acreditam na mobilização popular e já iniciaram uma grande campanha na região pela proteção dos seus mananciais. Articuladas com as grandes lutas nacionais, as entidades do sul da capital catarinense organizam atividades para o Dia Mundial da Água (22/03), que será celebrado no dia 23 de março (feriado local), numa atividade de esclarecimento e protesto. O Brasil é um dos espaços do mundo que mais água potável tem, mas isso não significa que, em nome do lucro, as empresas possam provocar tamanho desperdício. É hora de as autoridades estaduais se manifestarem já que as municipais simplesmente se omitiram. Vale lembrar que também a Câmara de Vereadores de Florianópolis foi comunicada deste abuso com as águas subterrâneas, mas apenas dois vereadores se manifestaram contra. E, além disso, nada mais foi feito.

 

Por Elaine Tavares - jornalista

Existe vida no Jornalismo
Blog da Elaine:
www.eteia.blogspot.com
América Latina Livre -
www.iela.ufsc.br
Desacato -
www.desacato.info
Pobres & Nojentas -
www.pobresenojentas.blogspot.com
Agencia Contestado de Noticias Populares -
www.agecon.org.br

Imagem: http://perlbal.hi-pi.com/blog-images/407216/gd/1261956681/Falta-de-Agua-no-Mundo-Um-problema-para-humanidade-resolver.jpg 

 


09/03/2011 - Mundo - Organizações Sociais 

Bom e mau?

Na segunda-feira à noite, também entrevistei a coordenadora do Comitê de familiares de detidos desaparecidos em Honduras (Cofadeh), Bertha Oliva, na sede do comitê. Apesar do aparente cansaço, Bertha conversou bastante tempo comigo e acho que a parte dos Direitos Humanos estará bem representada no trabalho.

 

Cara a cara com o bandido?

Na terça-feira (8) pela manhã, tinha entrevista com militar chefe das Forças Armadas de Honduras, na época do golpe militar, Romeo Vásquez Velasquez.  Atualmente, ele é diretor da Hondutel, empresa telecomunição e tecnologia da informação do governo hondurenho. Além de ter demorado muito tempo para nos atender, logo avisou que teria que ser muito rápido (como 10 minutos) e foi a clássica fonte sabonete. Mas temos aí o outro lado, não é?

 

Mais uma mulher na luta pelo Jornalismo

À tarde, a conversa foi com a esposa de David Romero Ellner e jornalista do Cholusat Sur (Canal 36, fechado pelos militares no golpe), Lidieth Diaz. Na época, Lidieth ainda trabalhava na Rádio Globo e vivenciou a experiência como jornalista e esposa. Ela era correspondente da Casa Presidencial (ainda com Manuel Zelaya) e com a tomada do poder por Roberto Micheletti, passou a enfrentar grandes dificuldades para exercer seu trabalho, inclusive, foi retirada à força da casa e impedida de entrar outras vezes.

 

Por Larissa Cabral do Portal Desacato direto de Honduras!

 

Mais informações no Diário de Honduras

 

Pelo link: http://desacato.info/category/america-nossa/america-central/honduras


07/03/2011 - Mundo - Organizações Sociais 

08 de março: dia de luta e resistência pela vida

O 8 de março é uma data de mobilização para reafirmar a história de lutas, resistência e enfrentamento feita por mulheres em todo o mundo. Seja nas ruas com mobilizações, ou encontros diversos. Esta é a data em que as mulheres camponesas ou urbanas, nos mais diferentes locais e Organizações, reivindicam direitos e denunciam à sociedade as injustiças, desigualdades e descaso social, ambiental, econômico e cultural provocado pelo capitalismo patriarcal.

Vários fatos históricos em diversos países deram origem ao significado do dia 08 de março para os movimentos de mulheres. Constata-se que as muitas manifestações de mulheres se davam por melhores condições e diminuição da jornada de trabalho; políticas de saúde; de acesso aos alimentos; creches, direito ao voto, entre outros.

A jornada de trabalho das mulheres operárias entre mais ou menos 1850 a 1920 na Europa, chegava a 17 horas diárias. As condições de trabalho eram extremamente precárias e insalubres, sendo que em muitos locais, as crianças permaneciam nas fábricas e trabalhavam junto com suas mães. Espancamentos e abusos sexuais eram práticas comuns nos locais de trabalho dos patrões/capatazes para com as mulheres. O salário pago às operárias chegava a ser 60% menos que o valor recebido pelos homens.

Com relação às mulheres camponesas no Brasil, neste mesmo período, elas faziam processos de luta contra a escravidão, comandavam e organizavam revoltas camponesas de negros, indígenas, e imigrantes. As trabalhadoras das fábricas, a partir de mais ou menos 1920/30 também protagonizavam os primeiros levantes e greves por direitos e melhores condições de trabalho e salário nas indústrias têxteis.

A partir de 1900, em vários países do mundo e também no Brasil, iniciam-se mobilizações por direito ao voto das mulheres, tomando dimensões internacionais. 

A idéia de trazer o dia 08 de março como a data símbolo da luta das mulheres foi levantada pela primeira vez na II Conferencia Internacional das Mulheres Socialistas, em 1910 na Dinamarca. Após isso, outras reivindicações foram consolidando a data como um marco de luta pelos direitos das mulheres trabalhadoras.

Em 1975, a ONU oficializou o 08 de março como o dia internacional da Mulher e também declarou de 1975 a 1985, a década das mulheres. Contudo, esta data nasce da mobilização de todas as mulheres que tiveram coragem de lutar, exigir seus direitos e denunciar a exploração e a opressão.

Este processo de lutas, na atualidade, é continuado pelos vários movimentos de mulheres que buscam por transformações sociais e culturais. Corajosamente, as milhares de mulheres se manifestam em 8 de março contra a violência, os latifúndios, o agronegócio, o uso de agrotóxicos e todo o sistema de morte. Elas almejam dias melhores para si e para a humanidade, em defesa da vida dos seres humanos e natureza.

 

Fonte: http://www.mmcbrasil.com.br


05/03/2011 - Mundo - Conflitos 

Kadafi é Um Benfeitor da Humanidade

Como pode ser chamado de ditador um líder que derrubou uma monarquia corrupta, modernizou o país, conquistou o melhor IDH da África,aplicou a democracia direta no sistema de governo? 

 

Kadafi sempre apoiou os movimentos revolucionários em todo o mundo.Quando a mídia - a serviço dos EUA - elogiava o regimede apartheidna África do Sul, Kadafi treinava jovens na Líbia e os mandava de volta com os melhores armamentos, para conquistar a liberdade na África do Sul.

 

De repente a imprensa passou a atacar diariamente o líder Muamar Kadafi, a destilar ódio, difundir mentiras, falsificar vídeos para ?provar? os crimes do governo líbio. Aparentemente essa linha jornalística foi causada pelos levantes populares na Argélia, Tunísia, Iêmen e Egito. Na verdade, trata-se de mais uma estratégia terrorista do governo dos Estados Unidos da América para recuperar influência no mundo árabe. No Egito caiu o governo de confiança dos EUA. Mubarak não passava de um agente dos interesses norte-americanos e israelenses na região. Com a queda de Mubarak navios iranianos passaram a circular nas proximidades de Israel, causando mal estar e revolta nos meios diplomáticos subservientes ao imperialismo e ao sionismo. 

 

Após perder o Egito, o governo dos Estados Unidos tenta dividir e enfraquecer a Líbia, e neste sentido recebe o apoio dos partidários de Bin Laden, milhares de refugiados egípcios que ao longo dos anos se refugiaram no leste da Líbia, fugindo da repressão no Egito. Após os egípcios vieram os argelinos, tunisianos e somalis, seguidores da Al Qaeda. Desfrutaram da hospitalidade dos líbios e em seguida os apunhalaram pelas costas, deflagrando uma revolta que fez dezenas de vítimas, através de sabotagens, terrorismo e destruição de bens públicos. 

 

Mas quem é esse Kadafi que a mídia, de repente, passou a atacar de todas as formas, e até de forma covarde? Kadafi liderou uma revolução para derrubar o rei Ídris, um fantoche dos interesses italianos e norte-americanos na região. Na época, a maior base militar dos Estados Unidos no exterior estava na Líbia, e Kadafi e seus partidários cercaram a base e deram prazo de 24 horas para todos os estrangeiros invasores deixarem o país. 

 

No poder, Kadafi não fez como os monarcas árabes, não construiu palácios com peças em ouro, não comprou iates luxuosos nem coleções de carros importados. Dedicou-se a reconstruir o país, garantindo melhores condições de vida para o povo. Hoje Kadafi não é presidente nem primeiro ministro da Líbia, mas a mídia quer que ele renuncie ao cargo que não existe. 

 

As mentiras da mídia não conseguem esconder que Kadafi apoiou as lutas dos povos por libertação na Nicarágua, Cuba, Angola, Moçambique, África do Sul e muitos outros países, auxiliando concretamente os povos que lutavam por libertação. Na prática, Kadafi sempre foi um benfeitor da humanidade, mas para a mídia mercenária, benfeitor é aquele que cria guerras em busca de lucros para a indústria bélica ou para dominar o mundo, como foram as guerras criadas pelos Estados Unidos na Coreia, Vietnã, Iraque, Palestina, Afeganistão, El Salvador, Nicarágua e muitos outros países. 

 

Essas fofocas ridículas de riquezas e costumes estranhos sempre foram exploradas pela mídia; foi assim com Sadam Hussein, Yasser Arafat, Fidel Castro, Ahmadinejad, Hugo Chávez e etc. Basta ser um governante sério que não se ajoelha e não se acovarda perante os Estados Unidos para ser avacalhado pela mídia mercenária. 

 

Outro fato que a mídia não consegue falsificar é o IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) aferido por técnicos das Nações Unidas. Esses dados apontam, por exemplo, que a Líbia tinha, em 1970, uma situação pouco pior que a do Brasil (IDH de 0,541, contra 0,551 do brasileiro). O índice líbio superou o brasileiro anos depois e, em 2008, estava bem à frente: 0,810 (43º no ranking), contra 0,764 (59º no ranking). Todos os três sub-índices que compõem o IDH são maiores no país africano: renda, longevidade e educação.

 

No IDH reformulado a diferença se mantém. A Líbia é a 53ª no ranking (0,755) e o Brasil, 73º (0,699). A Líbia é o país com melhor IDH da África. Portanto, tem a melhor distribuição de renda, tem saúde e educação pública gratuitas. E quase 10% dos estudantes líbios recebem bolsas para estudar em países estrangeiros. 

 

Que ditadura é esta? Uma ditadura jamais permitiria esse tipo de política em benefício do povo. 

 

Kadafi escreveu o Livro Verde, a Terceira Teoria Universal, que trata de temas polêmicos e reais. Ele denuncia, por exemplo, a falsificação da democracia pelas assembleias parlamentares. Na maioria dos países ditos democráticos, incluindo os Estados Unidos da América, os partidos políticos são verdadeiras quadrilhas organizadas para saquear o dinheiro do povo nas Assembléias Legislativas, Prefeituras, Câmaras de Vereadores, Câmara de Deputados etc. Essa constatação - e publicação em livro - com certeza irrita e revolta os ?defensores da democracia parlamentar?. O Livro Verde, escrito por Kadafi, afirma que os trabalhadores devem ser associados e não assalariados, e que a terra deve ser de quem nela trabalha, e a casa de quem mora nela. E o poder deve ser exercido pelo povo diretamente, sem intermediários, sem políticos, através de Comitês e Congressos Populares, onde toda a população decide as questões fundamentais do bairro, da cidade e do país. Essas palavras, que todos sabem verdadeiras, irrita e revolta aqueles poucos que se beneficiam com a falsificação da democracia, principalmente os regimes capitalistas. 

 

Mas a imprensa continuará insistindo em falsificar notícias, destilando ódio, difundindo mentiras, porque está cumprindo ordens do governo norte-americano, o grande interessado nas grandes reservas de petróleo da Líbia. 

 

Os grandes jornais e canais de televisão do Brasil utilizam agências de notícias norte-americanas, todas tendenciosas, mentirosas, enganadoras. As mentiras que as agências de notícias vendem são compradas pela opinião pública brasileira, e a maioria das pessoas ? por ingenuidade ou desinformação ? se comporta como marionetes, repetindo aquilo que o governo dos Estados Unidos impõe e determina. 

 

Esta não é a primeira vez, e nem será a última, que o povo árabe líbio enfrenta potências estrangeiras poderosas. Mais uma vez o povo líbio vencerá, porque tem na liderança de Muamar Kadafi um guia eficaz, forte e honrado.

 

Por José Gil, editor do blogwww.terceirateoria.blogspot.com


05/03/2011 - Mundo - Conflitos 

Líbia – A Próxima Guerra do Terrorismo EUA/Israel

O ministro das Relações Exteriores do Brasil, Anthony Patriot, resolveu dar o ar da graça e disse hoje que o País não apoiará qualquer intervenção militar norte-americana na Líbia sem o aval das Nações Unidas.

 

Se não tivesse dito isso ou se tivesse se omitido (como vem fazendo) sobre questões fundamentais do seu Ministério, não lhe sobraria alternativa que não andar o tempo todo descalço. Não significa que a política externa brasileira do governo Dilma tenha abandonado o pragmatismo. Quer dizer apenas que o alinhamento incondicional com os EUA tem um preço muito alto, que vai além de tirar os sapatos.

 

Vai daí... Que tem tempo para pensar.

 

Tropas do conglomerado EUA/ISRAEL TERRORISMO S/A estão se posicionando para intervir na Líbia sob o pretexto de garantir os direitos fundamentais do povo líbio. A primeira preocupação dos terroristas vai ser tomar conta dos campos petrolíferos, refinarias e portos, para garantir que a organização possa dispor de combustível para continuar salvando o mundo.

 

O povo líbio vem depois. Vai experimentar a força de algozes que os povos do Iraque e do Afeganistão conhecem a cada dia até que seja constituído um governo, essa é a idéia deles, que seja cristão, ocidental e democrata nos moldes do conglomerado.

 

Que o digam os hondurenhos submetidos a uma ditadura nascida de um golpe de estado apoiado pelos EUA. Ou os presos no campo de concentração de Guantánamo.

 

O Tribunal Criminal Internacional não que tem que julgar só Gaddafi por crimes contra a humanidade. Obama, o primeiro ministro de Israel são criminosos contumazes, como o foram George Bush, Ronald Reagan, Bill Clinton, o ex-primeiro-ministro Tony Blair e o atual, David Cameron, que se prepara o relançamento de MEIN KAMPF no mercado da democracia cristã e ocidental, o proclamado fim do multiculturalismo.

 

Anthony Patriot vai conhecer uma face do império que sabe que existe, mas finge que não enxerga, ou quis acreditar que não existia. A do terror e do solene desprezo pelas Nações Unidas, tal e qual fez Bush na invasão, ocupação e saque do Iraque sob o pretexto mentiroso das armas químicas e biológicas.

 

Não há informações precisas sobre o que está acontecendo na Líbia. A mídia ocidental é francamente pró-EUA, parte do conglomerado e as notícias são distorcidas e montadas à feição dos senhores.

 

O problema líbio é do povo líbio, pertence ao povo líbio. O petróleo líbio também.

 

Os EUA recusam-se a discutir uma proposta de paz apresentada pelo presidente da Venezuela, Hugo Chávez, aceita por Gaddafi, pela oposição e pela Liga Árabe. Não há interesse na paz.

 

A rebelião na Líbia foi montada pela CIA e está sendo conduzido pela CIA através de forças mercenárias. Entre elas as de governos árabes submissos a Washington, temerosos do efeito cascata.

 

Não se encontra uma palavra na mídia cristã, democrática e ocidental, que defenda a liberdade de imprensa nos massacres promovidos por ditadores aliados dos EUA, caso da Arábia Saudita, Barein, Jordânia e nem sobre a traição dos generais egípcios ao povo de seu país. Batem continência para Washington.

 

Sumiu a cortina de fumaça que costumava cercar as intervenções militares norte-americanas, está cada vez mais explícita e com um nível de barbárie sempre maior, a desfaçatez terrorista do conglomerado.

 

É como se tivesse sido ligado o fuck you.

 

O conglomerado traz a verdade do terror nuclear e um arsenal que destrói o mundo cem vezes se preciso for, o resto é resto, dane-se.

 

A base das ações terroristas norte-americanas e israelenses (a Europa Ocidental – OTAN – é colônia) está na presunção da superioridade racial – que alimenta o ódio recôndito em cada cidadão desses países – que, por sua vez, encobre interesses políticos e econômicos.

 

O povo muçulmano, estigmatizado e apresentado como atrasado, bárbaro, pensa de forma diversa e pouco se sabe sobre isso.

 

“Amor à sua nação e independência, pelo povo, é um bom e honrado sentimento. No entanto, o extremo nacionalismo se torna intolerável quando o amor se transforma em fanatismo. Se alguém se sente hostil em relação a outras nações sem a devida causa, ele terá, no interesse de seu próprio país, o desrespeito aos direitos de outras nações ou povos. Como resultado um país vai procurar adquirir ou saquear terras de outro país e essa atitude é intolerável. Da mesma forma se as pessoas, por sua vez, transformam esse amor por sua nação e raça, reivindicando serem geneticamente superiores, terão desenvolvido uma idéia insuportável também intolerável. O que é também erro – transformar o nacionalismo em uma ideologia racista”.

 

“Para isso, o princípio islâmico que fraternidade de todos os muçulmanos, irmãos e irmãs, sem quaisquer tipos de distinção, ou deixar que a animosidade nunca seja instalada, acabar com ela antes de nascer e para sempre”.

 

Saladino quando soube que a mulher de um dos reis europeus que moviam a cruzada contra o povo islâmico estava doente enviou-lhe seus médicos. Jerusalém foi destruída pelos cristãos. Um dos califas que governava a cidade ao tomar conhecimento que o povo judeu não estava podendo realizar suas preces no Muro das Lamentações, o local estava sujo, servindo de depósito de lixo, mandou limpá-lo e assegurou aos judeus o direito de orar. 

 

O cristianismo hoje tem outra face, longe do que poderíamos chamar de ideais de Cristo. O deus se chama Mercado e é movido a negócios, o ódio é parte dessa estrutura cruel e perversa que se organizou no conglomerado EUA/ISRAEL TERRORISMO S/A.

 

Ana Maria Braga, protótipo desse processo contínuo de alienação imposto às pessoas, ela própria um ser abjeto, chegou ao enterro da menina assassinada pela amante do pai e perguntou aos que lá estavam se o “ambiente estava muito triste”.

 

Não se trata de burrice ou só disso. A veneranda senhora é mostrada como exemplo de mulher (mereceu a visita da presidente Dilma Roussef) e vende essa ideologia pútrida do deus Mercado na forma de uma omelete, ou de bolos confeitados com delícias, no fundo são todos produtos da rede McDonald’s, parte integrante do kit de sobrevivência dos mercenários que assassinam povos no mundo inteiro e agora querem fazê-lo na Líbia.

 

Para além do petróleo existe o crescimento do islamismo. Uma quarta parte das pessoas vivas hoje pratica a religião do Islã. Isso assusta o mundo cristão, democrático e ocidental, o do deus Mercado.

 

O receio de revoltas populares no Oriente Médio, de nascimento de uma unidade islâmica que implique num país islâmico na Europa, resulta no que se vê disfarçado de paz, o genocídio contra o povo muçulmano.

 

Agora, a julgar pelo que dizem os norte-americanos, será a vez da Líbia.

 

Fidel Castro disse isso há uma semana. Era tudo um disfarce para invadir o país.

 

É a próxima guerra de EUA/ISRAEL TERRORISMO S/A.

 

Páginas e páginas de sangue. 

 

A reação do povo islâmico, qualquer que seja ela, é de sobrevivência. É licita, é só olhar os horrores praticados contra os judeus pelos nazistas são as mesmas que os judeus aplicam contra os palestinos em ANEXO.

 

Dá uma idéia clara do que fazem os donos do mundo, da verdade. A deles.

 

Por Laerte Braga – jornalista, trabalhou no Diário Mercantil e no Diário da Tarde de Juiz de Fora, para os Diários Associados e pela agência Meridional (primeira grande agência de notícias do Brasil) e também dos Diários e Emissoras Associadas, tendo sido correspondente do Estado de Minas de Juiz de Fora e Zona da Mata, e também trabalhou como freelancer para revistas e jornais do Brasil e de outros países. Laerte escreve semanalmente ao Diário Liberdade.


03/03/2011 - Mundo - Conflitos 

Enquanto as bombas caem em Gaza

Desde que começaram as primeiras escaramuças na Tunísia, leio com certo desconforto, que muitos colegas começaram a enxergar revoluções atrás de postes, na fila da padaria e no canto das torcidas organizadas. Ora, que difícil é para nós entendermos minimamente o que acontece no meio oriente, e com que cota de esforço tentamos nos separar da mídia dominante, e lembrar que no meio disso tudo o exército israelense continua bombardeando Gaza; que as potências de ocidente têm com o mundo árabe todo o mesmo instinto que já tiveram com o Iraque.

Por momentos, nós, euro-centristas deslavados, viramos "árabes" desde a nossa mais cândida infância. Estas noites me remoí pensando como circulamos em volta dos mantras dos meios desinformativos de dominação, cantando-os como se fossem o anúncio natalino da Coca-cola. A digna e antiga luta do povo árabe não pode ser tratada como um espetáculo virtual ou um show mediático. Queremos esquecer que no Oriente Médio também a crise estrutural do neoliberalismo está levando os povos às ruas? Que a chama mobilizadora é o desemprego, a fome e a ruptura de contenção da arruinada Europa?

Observo, por enquanto, com as reservas de quem não entende nem línguas nem costumes, que não parecem manifestações originadas no Departamento de Estado ianque, mas, que também não se trata de processos revolucionários. É verdade que ocidente quer se montar encima da mobilização do povo para tirar seus benefícios e corrigir o rumo desconhecido destes protestos que abalam as estruturas muito podres do capitalismo árabe. Mas também não há, ao menos a simples vista, menhum processo revolucionário (e nem toda e qualquer mobilização popular, por mais gigante que ela seja e por mais legítimos que sejam os reclamos que a inspirem, é um movimento revolucionário).

Até o aparente efeito dominó parece difícil de comprovar. Mais do que um contágio, o que transparece no cotidiano dessas mobilizações é um desgaste estrutural do neoliberalismo, o que pode levar a um reajuste do modelo, segundo cada país, ou a um aprofundamento da crise de modelo que terá várias e duras etapas, de acordo com as específicas condições daquelas sociedades. Quem sabe revolucionárias no sentido latino-americano, revoluções incipientes as nossas, que os setores mais dogmáticos da esquerda não costumam aceitar como tais (parece que faltam as receitas e as bulas tradicionais).

A disputa entre uma Mudança dentro da Hegemonia Neoliberal ou uma Mudança de Época enquadra as expectativas de leitura sobre os fatos acontecidos no mundo árabe. Correrão águas que terão muita sujeira interpretativa antes que as clarezas das reivindicações criem as condições para saber se assistimos a uma simples época de mudanças e de ajustes próprios das crises cada vez maiores do sistema ou, ao início de uma nova época no Oriente Médio que venha a criar uma condição política e econômica refundancional que supere a atual organização da sociedade, criando mecanismos de justiça e distribuição da riqueza, que respeitem a cultura da região e liberem os explorados.

Se a substituição dos líderes dos processos que há décadas estão no poder implica um desgaste dos líderes é uma coisa, se supõe um desgaste de modelo é bem outra. Então, é salutar ser moderado e se inclinar por avaliar cada passo dos conflitos e das mobilizações, compreendendo que o fator econômico é o centro eixo da mobilização e não aspectos culturais, religiosos ou de visão ocidental da democracia, ou como se lhe queira chamar ao procedimento pelo qual mudamos os nomes e consolidamos os modelos.

Não desejo nestas linhas, e não é por oportunismo nem abandono, discutir caso a caso, apenas quero estender minha impressão de que há mais uma crise do modelo neoliberal em curso. Que há mais uma disputa regada de petróleo e de pontos estratégicos no Planeta. Que há mais uma história mal contada que se avoluma a cada dia em torno da mídia situacional e, pior, que há muita ansiedade da mídia crítica e alternativa, em olhar desejos legítimos como realidades consumadas. Quero enfatizar que poucas vezes houve tanto para narrar e nunca esse tanto, foi tão difícil de entender e avaliar. Parece-me hipócrita e desnecessário sair cantando louvor a umas revoluções que não consigo enxergar, e também grotesco, dar o aval a todas e cada uma das versões que a mídia do sistema nos injeta minuto a minuto. Nem quero ser moralista só com a ladroagem dos governantes árabes e esquecer a pilantragem diária dos bancos mundiais, ou das fortunas desviadas do Brasil que enchem os paraísos fiscais? Toda fortuna tem que voltar às mãos dos produtores da riqueza: os trabalhadores. Não posso nem devo aplaudir os inflamados discursos de Obama e Sarkozy. São Nossos Inimigos, nunca esqueçamos que se trata da voz do invasor. Só desejo como jornalista e como ser humano que nossos irmãos árabes encontrem, para cada país e para cada reclamo, a solução necessária para que aquela parte estupenda do planeta tenha justiça social, liberdade e soberania comunicacional, o que já a tornaria bem mais democrática que a Velha e podre União Europeia. E que caia quem tem que cair quando quem se levanta é o Povo explorado.

Para concluir, confesso ao leitor que me sinto mais à vontade com aquilo que melhor posso compreender, por isso, não relevo de transcendência conjuntural, por enquanto, a luta dos trabalhadores de Ohio, Wisconsin e Indiana, que ocuparam vigorosamente as ruas nestes dias, e menos ainda, a luta histórica do Povo Palestino, que embora não o vociferem a cada momento a Globo e a CNN, tem sido bombardeado como sempre esta semana, pelo exército israelense, sócio e parte do Império ocidental em Oriente Médio.

 

Por Raul Fitipaldi, jornalista da coordenação do Portal Desacato e alimentadora da AGECON em Florianópolis!  

 


23/02/2011 - Mundo - Clima e Meio Ambiente 

Agroecologia ou agronegócio?

Apesar dos assentamentos agrários (um milhão) realizados no Brasil desde a criação do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) em 1970, dos quais mais da metade de 2003 para cá, os dados do Censo Agropecuário 2006, divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) no final de setembro de 2009, reafirmam, no entanto, o velho quadro de concentração fundiária no Brasil.

 

As pequenas propriedades (com menos de 10 hectares) ocupam apenas 2,7% da área ocupada por estabelecimentos rurais, enquanto as grandes propriedades (com mais de mil hectares) ocupam 43% da área total. O quadro de desigualdade é ressaltado pelo fato de as pequenas propriedades representarem 47% do total de estabelecimentos rurais, enquanto os latifúndios correspondem a apenas 0,9% desse total.

 

A concentração e a desigualdade podem ser comprovadas pela aferição do Índice de Gini da estrutura agrária do país. Quanto mais perto esse índice está de 1, maior a concentração. Em 2006, o Censo mostra um Gini de 0,872 para a estrutura agrária brasileira, superior aos índices apurados nos anos de 1985 (0,857) e 1995 (0,856).

 

Nos pequenos estabelecimentos (área inferior a 200 hectares) estão quase 85% dos trabalhadores empregados. Embora a soma das áreas dos pequenos estabelecimentos (área inferior a 200 hectares) represente apenas 30,3% do total das áreas, os pequenos estabelecimentos respondem por 84,4% das pessoas empregadas. Os dados também mostram que esses trabalhadores fazem parte da agricultura familiar, cujos 12,8 milhões de produtores e seus parentes representam 77% do total de pessoas ocupadas.

 

Apesar de ocupar apenas ¼ da área, a agricultura familiar responde por 38% do valor da produção (R$ 54,4 bilhões). Mesmo cultivando uma área menor, a agricultura familiar é responsável por garantir a segurança alimentar do país, gerando os produtos da cesta básica consumidos internamente. A agricultura familiar responde por 87% da produção de mandioca, 70% da produção de feijão, 46% do milho, 38% do café, 34% do arroz, 58% do leite, 59% do plantel de suínos, 50% das aves, 30% dos bovinos e, ainda, 21% do trigo. A cultura com menor participação da agricultura familiar foi a soja (16%).

 

As informações do IBGE revelam também como a agricultura familiar é mais eficiente na utilização de suas terras: geram um Valor Bruto da Produção (VBP) de R$ 677/hectare, enquanto que a não familiar gera um VBP de R$ 358/hectare (89% a mais). Geram 15 postos de trabalho/100 ha, enquanto que a não familiar gera apenas 1,7 pessoas/100 ha.

 

Não por coincidência, o aumento observado da devastação das nossas florestas foi maior no Norte e no Centro-Oeste, exatamente onde se deu a expansão da pecuária extensiva, da plantação de soja e das atividades do agronegócio. As exportações de commodities agrícolas transformaram a alimentação em mercadoria, gerando lucros fabulosos sem qualquer preocupação com a necessidade de alimentar as pessoas.

 

Segundo a Organização para as Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), um bilhão de pessoas passa fome no mundo. Ou mudamos a matriz da produção de bens agrícolas, democratizando a terra e priorizando a produção de base familiar, ou estaremos inviabilizando a vida saudável no planeta.

 

A crise mundial do capital aponta para novas perspectivas de mobilização social e afirmação da agricultura camponesa como estratégica ao desenvolvimento sustentável, onde a Reforma Agrária tenha centralidade, democratizando a vida no campo, gerando empregos, respeitando o meio ambiente, promovendo o ser humano e produzindo alimentos saudáveis que garantam não só a segurança, mas a soberania alimentar do país.

 

Os dados do Censo reafirmam a capacidade de resistência da agricultura familiar, que adota um modo de produção camponês diferente daquele do agronegócio, constituindo-se em uma das alternativas às crises econômicas, sociais, alimentares e ecológicas provocadas pela globalização capitalista.

 

Há necessidade, entretanto, de criação de um programa de incentivos para a organização de associações de agricultores familiares, garantindo o acesso dos camponeses e suas famílias a um sistema público, com a participação dos movimentos sociais. Para a viabilização desse novo modelo agrícola, é preciso acelerar e qualificar a Reforma Agrária e o apoio à agricultura familiar para além da obtenção da terra, do mero assentamento e do acesso ao crédito.

 

É preciso, sobretudo, romper progressivamente com o modelo atual, hegemonizado pelo agronegócio, priorizando a agroecologia e integrando a agricultura camponesa a um novo tipo de desenvolvimento.

 

Por Osvaldo Russo, estatístico, ex-presidente do Incra, é diretor da Companhia de Planejamento do Distrito Federal (Codeplan).

 

Fonte: http://www.correiocidadania.com.br


23/02/2011 - Mundo - Organizações Sociais 

O sentido do trabalho

Os defensores do sistema capitalista prometeram que com os avanços tecnológicos os trabalhadores teriam mais tempo para o lazer, para o ócio; enfim, para viver uma vida mais tranqüila e mais saudável. O que se observa é justamente o contrário. Raras exceções, os trabalhadores acordam mais cedo e dormem mais tarde para “dar conta” de suas responsabilidades profissionais, familiares. Isto não quer dizer que a tecnologia é algo mal ou bom por si mesma. O fato, é que devemos percebê-la sem nenhuma ingenuidade ou romantismo. A tecnologia, que tem contribuído para melhorar a vida das pessoas, é a mesma que tem provocado a extinção de algumas profissões, a redução de postos de trabalho e o aumento do desemprego. É a mesma que tem servido de instrumento, no atual sistema, para aumentar os ganhos financeiros de alguns poucos em detrimento do aumento da carga e do ritmo de trabalho para muitos.

 

O que se vê é mais gente levando tarefa para casa e carregando o celular até para o banheiro, isto quando não dorme com ele ao lado do travesseiro. Além disto, os famosos emails ganharam notoriedade e vida própria, nos finais de semana e em qualquer horário este recurso está à disposição dos “viciados” em trabalho, dos amantes da “produtividade”. Já que nos dizem que o tempo é precioso, não dá para perder tempo não é mesmo? Sim, o tempo é precioso, mas para quê e para quem? Temos uma agenda lotada, mas nem sempre a vida é cheia de sentido e, não raras vezes, o trabalho preenche um vazio ou – no mínimo, nos proporciona confortável fuga.

 

Qual o sentido do trabalho e que espaço ele deve e pode ocupar na vida? Como não vivemos para sempre, o importante é tentar aproveitar a vida e o tempo da melhor maneira possível; porque o resultado dessa correria toda só pode ser dores, ansiedade, esgotamento. Não por acaso, pesquisadores já identificaram diversas doenças relacionadas ao excesso de trabalho. Estresse, distimia, depressão e burnout são apenas algumas. Mas há também as chamadas doenças ocupacionais, que nem sempre são perceptíveis a olho nu. Tais doenças têm o poder de aprisionar o indivíduo, de calar sua expressão e provocar um sofrimento silencioso. A pessoa afetada perde aos poucos a capacidade de desempenhar tarefas simples e de se comunicar normalmente. Quando não levadas a sério, as doenças do trabalho podem incapacitar as pessoas para a profissão e para a vida.

Antes que o pior aconteça precisamos lembrar, como nos adverte Charles Chaplin, de que “não sois máquinas, seres humanos é que sois”. Não devemos ser escravo de ninguém e de nada, muito menos podemos tolerar uma sobrecarga, um ritmo de trabalho que extrai de nós o direito de viver com saúde, com mais dignidade humana. As propagandas, os apelos diários ao consumo, nos impelem a uma vida de aparência, de um “status” pré-estabelecido; remetendo-nos, quase sempre, a querer mais e mais, a adquirir coisas que – na maioria das vezes, não faz nenhum sentido. Pense nisto.

 

 

Por Dino Gilioli, diretor do Sindicato dos Eletricitários de Florianópolis – Sinergia

 

Fonte: http://www.pobresenojentas.blogspot.com


20/02/2011 - Mundo - Economia 

Desigualdade social e renda injusta

Por Frei Betto(*)

Entre os 15 países mais desiguais do mundo, 10 se encontram na América Latina e Caribe. Atenção: não confundir desigualdade com pobreza. Desigualdade resulta da distribuição desproporcional da renda entre a população.

 

O mais desigual é a Bolívia, seguida de Camarões, Madagascar, África do Sul, Haiti, Tailândia, Brasil (7º lugar), Equador, Uganda, Colômbia, Paraguai, Honduras, Panamá, Chile e Guatemala. A ONU reconhece que, nos últimos anos, houve redução da desigualdade no Brasil. Em nosso continente, os países com menos desigualdade social são Costa Rica, Argentina, Venezuela e Uruguai.

 

Na América Latina, a renda é demasiadamente concentrada em mãos de uma minoria da população, os mais ricos. São apontadas como principais causas a falta de acesso da população a serviços básicos, como transporte e saúde; os salários baixos; a estrutura fiscal injusta (os mais pobres pagam, proporcionalmente, mais impostos que os mais ricos); e a precariedade do sistema educacional.

 

No Brasil, o nível de escolaridade dos pais influencia em 55% o nível educacional a ser atingido pelos filhos. Numa casa sem livros, por exemplo, o hábito de leitura dos filhos tende a ser inferior ao da família que possui biblioteca.

 

Na América Latina, a desigualdade é agravada pelas discriminações racial e sexual. Mulheres negras e indígenas são, em geral, mais pobres. O número de pessoas obrigadas a sobreviver com menos de um dólar por dia é duas vezes maior entre a população indígena e negra, comparada à branca. E as mulheres recebem menor salário que os homens ao desempenhar o mesmo tipo de trabalho, além de trabalharem mais horas e se dedicarem mais à economia informal.

 

Graças à ascensão de governos democráticos-populares, nos últimos anos o gasto público com políticas sociais atingiu, em geral, 5% do PIB dos 18 países do continente. De 2001 a 2007, o gasto social por habitante aumentou 30%.

 

Hoje, no Brasil, 20% da rendas das famílias provêm de programas de transferência de renda do poder público, como aposentadorias, Bolsa Família e assistência social. Segundo o IPEA, em 1988 essas transferências representavam 8,1% da renda familiar per capita. De lá para cá, graças aos programas sociais do governo, 21,8 milhões de pessoas deixaram a pobreza extrema.

 

Essa política de transferência de renda tem compensado as perdas sofridas pela população nas décadas de 1980-1990, quando os salários foram deteriorados pela inflação e o desemprego. Em 1978, apenas 8,3% das famílias brasileiras recebiam recursos governamentais. Em 2008, o índice subiu para 58,3%.

 

A transferência de recursos do governo à população não ocorre apenas nos estados mais pobres. O Rio de Janeiro ocupa o quarto lugar entre os beneficiários (25,5% das famílias), antecedido por Piauí (31,2%), Paraíba (27,5%) e Pernambuco (25,7%). Isso se explica pelo fato de o estado fluminense abrigar um grande número de idosos, superior à media nacional, e que dependem de aposentadorias pagas pelos cofres públicos.

 

Hoje, em todo o Brasil, 82 milhões de pessoas recebem aposentadorias do poder público. Aparentemente, o Brasil é verdadeira mãe para os aposentados. Só na aparência. A Pesquisa de Orçamentos Familiares do IBGE demonstra que, para os servidores públicos mais ricos (com renda mensal familiar superior a R$ 10.375), as aposentadorias representam 9% dos ganhos mensais. Para as famílias mais pobres, com renda de até R$ 830, o peso de aposentadorias e pensões da previdência pública é de apenas 0,9%.

No caso do INSS, as aposentadorias e pensões representam 15,5% dos rendimentos totais de famílias que recebem, por mês, até R$ 830. Três vezes mais que o grupo dos mais ricos (ganhos acima de R$ 10.375), cuja participação é de 5%.

 

O vilão do sistema previdenciário brasileiro encontra-se no que é pago a servidores públicos, em especial do Judiciário, do Legislativo e das Forças Armadas, cujos militares de alta patente ainda gozam do absurdo privilégio de poder transferir, como herança, o benefício a filhas solteiras.

 

Para Marcelo Neri, do Centro de Políticas Sociais da Fundação Getulio Vargas, no Brasil "o Estado joga dinheiro pelo helicóptero. Mas na hora de abrir as portas para os pobres, joga moedas. Na hora de abrir as portas para os ricos, joga notas de cem reais. É quase uma bolsa para as classes A e B, que têm 18,9% de suas rendas vindo das aposentadorias. O pobre que precisa é que deveria receber mais do governo. Pelo atual sistema previdenciário, replicamos a desigualdade.”

 

A esperança é que a presidente Dilma Rousseff promova reformas estruturais, incluída a da Previdência, desonerando 80% da população (os mais pobres) e onerando os 20% mais ricos, que concentram em suas mãos cerca de 65% da riqueza nacional.

 

Escritor e assessor de movimentos sociais

 

Fonte: Adital – www.adital.org.br


16/02/2011 - Mundo - Política 

Alguns dados que compravam que o modelo capitalista esta acabando com o mundo!!

Publicado originalmente no blog da Revista Pobres e Nojentas: Uma em cada três crianças com menos de cinco anos sofre de subnutrição. 1 em cada 5 crianças não vai à escola. Um terço da superfície terrestre sofre de desertificação.No mundo, mais de 300.000 crianças, meninos e meninas, são soldados. Muitos deles têm menos de 10 anos.

 

600 milhões de pessoas no mundo inteiro vivem em favelas nos arredores das grandes cidades.

No mundo, mais de 300.000 crianças, meninos e meninas, são soldados. Muitos deles têm menos de 10 anos.

 

Mais de um bilhão de pessoas não dispõe de decentes condições de vida.

 

Numa catástrofe natural, o número de mortos em países em desenvolvimento é 47 vezes maior do que em países desenvolvidos.

 

Metade da humanidade vive com menos de 2 dólares por dia.

 

1 em cada 5 crianças não vai à escola. Um terço da superfície terrestre sofre de desertificação.

 

A indústria alimentar gasta 40 trilhões de dólares por ano em publicidade.

 

A água insalubre provoca 5 milhões de morte por ano.

 

A espessura média da camada do gelo ártico passou de 3,2 m na década de 1960 para 1,8 m na década de 1990.

 

As emissões de CO2 produzidas pelas atividades humanas são responsáveis por mais de 60% do aumento do efeito estufa.

70% da água doce são usados para irrigar a terra cultivada e 80 países, ou seja, 40% da população mundial, sofrem de grave escassez de água.

 

A população mundial aumenta mais de um milhão de pessoas por semana.

 

Por ano 500.000 crianças ficam cegas por falta de vitamina A.

 

Para fabricar um computador são necessárias 8 a 14 toneladas de matérias primas não recicláveis.

 

40 milhões de pessoas morrem de fome por ano num mundo que produz 356 quilos de cereais por pessoa.

Um em cada cinco adultos no mundo não sabe ler ou escrever. Desses 90% vivem em países em desenvolvimento e dois terços são mulheres.

 

A quantidade de petróleo consumida em 6 semanas, metade da qual é usada em transporte, teria durado um ano inteiro em 1950.

 

Duas espécies desaparecem por semana no mundo inteiro.

 

40% da população mundial não têm eletricidade.

 

Uma em cada três crianças com menos de cinco anos sofre de subnutrição.

 

No século passado a população aumentou 3 vezes, o consumo de água no mundo aumentou 6 vezes.

 

20% das pessoas que vivem nos países mais ricos consomem 60% da produção de energia comercializada no planeta.

 

90% da população mundial nunca fizeram uma chamada telefônica.

 

O total de despesa militar no mundo atinge 794 bilhões de dólares e a ajuda pública ao desenvolvimento totaliza 58 bilhões de dólares.

 

Fonte: http://www.pobresenojentas.blogspot.com