| 14/04/2012 - Política - Mundo |
Jornadas Bolivarianas discutem o Caribe
Durante três dias inteiros deste seminário internacional, que acontece há oito anos na UFSC, desfilarão pelas mesas de conferência os temas mais candentes relacionados a essa parte do planeta que, apesar de tantas colonizações diferentes, e tantas línguas, faz parte da grande Abya Yala, a terra do esplendor conhecida também como “As Três Américas”.
A região do Caribe é um espaço localizado no lado leste da América Central e unifica, dentro do Mar do Caribe, uma série de pequenas ilhas/países também conhecidas como Antilhas. São elas: Antígua e Barbuda, Aruba, Bahamas, Barbados, Cuba, Dominica, Granada, Guadelupe, Haiti, Ilhas Caimãs, Ilhas Turcas e Caicos, Ilhas Virgens, Jamaica, Martinica, Porto Rico, República Dominicana, Saint Barthélemy, Santa Lúcia, São Cristóvão e Neves, São Vicente e Granadinas, Trinidad e Tobago. Vivem ali mais de 14 milhões de pessoas.
A Bacia do Caribe também é de interesse estratégico no que diz respeito a rotas comerciais, uma vez que cerca de metade da carga exterior dos EUA e as importações de petróleo bruto circulam através das vias navegáveis deste pequeno espaço de mar e ilhas. Nos anos 70 todos estes estados insulares observaram que, diante do assédio dos países centrais, era mais do que necessário empreender uma união. Foi quando nasceu o Caricom, Mercado Comum e Comunidade do Caribe, visando entrar na lógica dos blocos econômicos. Naqueles dias Cuba não podia ser admitida, vindo a integrar o Caricom só em 1998, e ainda como observadora.
Com o advento da ALBA ( Aliança Bolivariana para os Povos da América Latina), em 2004, impulsionada pelo presidente venezuelano Hugo Chávez, novas relações começaram a se formar no âmbito do Caribe, dentro de uma perspectiva mais equânime e isso também deu outra coloração à discussão sobre os problemas da região do Caribe. Não mais a lógica colonial imposta pelos Estados Unidos, disposto a manter essa região sob seu domínio e em estado de dependência. A ALBA inaugura outra relação no campo da cooperação energética, cultural e econômica.
Em função de todas estas questões, os pesquisadores do IELA observaram que a região do Caribe deveria receber mais atenção da comunidade científica. E, é justamente a isso que o debate das Jornadas Bolivarianas se propõe. O IELA traz a renomada professora Digna Castañeda, responsável pela Cátedra do Caribe na Universidade de Habana/Cuba; o professor Norman Girvan, jamaicano radicado em Trinidad y Tobago, que têm vários livros escritos sobre o Caribe; Carlos Martínez, da Universidade Nacional da Colômbia, também de larga experiência nos estudos caribenhos e Maria Ceci Misozcky, da UFRGS, que tem realizado um estudo sistemático no Haiti há vários anos. Essa diversidade de olhares montará um painel revelador dos dramas, desafios e sucessos da gente caribenha.
As jornadas ainda lançam os livros: “Em luta pela terra sem mal: a saga Guarani contra a escravidão na Bolívia”, de Juliana dal Piva, o “Anuário Educativo Brasileiro”, organizado por Nildo Ouriques e Guadelupe Terezinha Bertussi, e “Em Busca da Utopia: a caminhada da reportagem no Brasil, dos anos 50 aos anos 90”, da jornalista Elaine Tavares. Ainda haverá apresentação de trabalhos e uma exposição da artista plástica Diana Roman Durante.
As atividades acontecem de 23 a 25 de abril de 2012, no Auditório da Reitoria da UFSC, começando no dia 23 às 18h30min. Confira a programação:
JORNADAS BOLIVARIANAS 8a. Edição . 2012
23 DE ABRIL DE 2012
Noite: Auditório da Reitoria da UFSC
18:30 - Abertura oficial das VIII Jornadas Bolivarianas
19:00 - Conferência de abertura: O Caribe, região estratégica do imperialismo Digna Castañeda Presidenta da Cátedra do Caribe Universidad de La Habana (Cuba)
24 DE ABRIL DE 2011
Manhã: Auditório da Reitoria da UFSC
9:00 h - Apresentação do livro: Em luta pela terra sem mal: a saga Guarani contra a escravidão na Bolívia Juliana dal Piva
09:15 h - Conferência: Os estudos sobre o Caribe Carlos Martínez Universidad Nacional de Colómbia (Colômbia)
Tarde: UFSC e Hall da Reitoria da UFSC
14:30 h - 18:00 h: Apresentação de Trabalhos
Noite: Auditório da Reitoria
18:30 h - Apresentação do livro: Anuário Educativo Brasileiro Nildo Ouriques
18:45 h - Conferência: O Caribe: dependência e subdesenvolvimento Norman Girvan (Jamaica/Trinidad Tobago)
25 DE ABRIL DE 2012
Manhã: Auditório da Reitoria
9:00 h - Conferência: A realidade do Haiti Maria Ceci Misozcky UFRGS (Brasil)
Tarde: UFSC e Hall da Reitoria da UFSC
14:30 h - 18:00 h: Apresentação de Trabalhos
Noite: Auditório da Reitoria
19:00 h - Mesa Redonda: Os movimentos sociais e as lutas populares
22:00 h – Confraternização Festa Caribenha
Informações com Elaine Tavares (0**48) 3721 6483 ou (0**48) 99078877 www.jornadasbolivarianas.blogspot.com
Por Elaine Tavares - jornalista Existe vida no Jornalismo
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| 08/04/2012 - Política - Brasil |
A caminho da transparência total
A lei considera como regra a divulgação dos dados públicos. O sigilo é a exceção, em casos bem definidos: dados pessoais (como declaração de renda ou prontuários médicos) e informações referentes à segurança nacional, diplomacia, pesquisas tecnológicas. Qualquer cidadão brasileiro poderá exigir o cumprimento da lei por prefeituras, governos de estado, União, órgãos do Poder Legislativo e Judiciário, empresas estatais.
Todos os órgãos públicos serão obrigados a criar um Serviço de Informações ao Cidadão. Os sites deverão ter linguagem de fácil compreensão e conter ferramentas de pesquisa para proporcionar um acesso claro, transparente. Devem possibilitar o acesso automatizado, por sistemas externos, em formatos abertos, estruturados e legíveis por máquina. E devem garantir a autenticidade e a integridade das informações, mantê-las atualizadas, além de garantir a acessibilidade de conteúdo para pessoas com deficiência. O governo federal mantém bases de dados abertas ao cidadão, como o Portal da Transparência (www.portaltransparencia.gov.br), no qual há informações sobre execução orçamentária e financeira da União. Mas, em abril, vai ao ar uma iniciativa inédita, que representa um passo além noprocesso de abertura de informações oficiais.
Será lançado o Portal Brasileiro de Dados Abertos, desenvolvido, desde o início, com a participação da sociedade. Uma comunidade engajada de desenvolvedores realizaram encontros para conceber o design do portal, sua estrutura e linhas de código. Esse trabalho já está no ar, na versão beta: http://beta.dados.gov.br. O portal será um espaço para órgãos de governo publicarem dados, estimular a divulgação de acordo com os padrões da Infraestrutura Nacional de Dados Abertos (INDA), e anunciar soluções criadas pela sociedade.
A criação do portal é um dos compromissos assumidos pelo Brasil na Parceria de Governo Aberto, ou Open Government Partnership (OGP). A OGP é uma iniciativa multilateral liderada pelo Brasil e fundada, em 2011, por oito governos (Brasil, Indonésia, México, Noruega, Filipinas, África do Sul, Reino Unido e Estados Unidos). Esses países adotam planos nacionais de governos abertos, com iniciativas de promoção da transparência, compartilhamento de poder com a sociedade, combate à corrupção e uso novas tecnologias. O objetivo é tornar os governos mais transparentes, eficazes e possibilitar a fiscalização. Para o cidadão poder desempenhar esse papel com mais eficácia e propriedade, a comunidade
Transparência Hacker – que participou da elaboração da Lei de Acesso à Informação – desenvolveu uma plataforma na qual os pedidos de informação serão feitos e respondidos publicamente. É o site Queremos Saber (www.queremossaber.org.br). Essa ferramenta poderá auxiliar os governos a mapear as demandas dos usuários e alertar para a necessidade de organizar e publicar as informações. No fundo, um estímulo para as pessoas exigirem o acesso aos dados necessários para criar e implantar boas soluções. E melhorar a vida em suas cidades. (P.C.)
Tomado do Portal Desacato – www.desacato.info
Fonte: http://www.arede.inf.br
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| 08/04/2012 - Política - Mundo |
Cinco reflexões sobre as atualidades do socialismo
A revista “Science and Society” propôs dedicar um número especial o de abril de 2012 [Volume 76, No. 2] abordando temas centrais da discussão atual sobre o socialismo. Marta Harnecker, juntamente com outros cinco marxistas de diferentes países – foi convidada a participar dessa reflexão . Este trabalho foi escrito em julho de 2011, mostra a contribuição da autora chilena no assunto. São abordados os seguintes temas: 1 – Por que falar de socialismo hoje?; 2 - Características centrais de uma organização socialista da produção; 3. Incentivos e sensibilização na construção do socialismo, 4 - O socialismo e a transição para o socialismo e 5 - A centralidade do planejamento participativo no socialismo. O texto espanhol sofreu algumas pequenas alterações no que diz respeito à versão em Inglês para ajudar a estreitar o seu pensamento e tem várias notas de rodapé que foram excluídas da versão em Inglês.” http://marxismocritico.com/2012/03/28/cinco-reflexiones-sobre-el-socialismo-del-s-xxi Nesse trabalho de Marta Harnecker mais uma vez em sua longa vida de pensadora marxista polemiza com os marxistas tradicionais e disserta sobre o Socialismo no Século XXI, diferente conceitualmente daquele que existiu no século XX, principalmente na ex. União Soviética, mas que sem renegá-lo se fundamenta nessa importante experiencia de construção do socialismo, para avançar, tanto nos aspectos teorico como no prático. Para aqueles marxistas que diziam que esse socialismo aplicado aos novos tempos deveria procucurar uma teoria para firmar, eis a resposta que ela deu. O endereço abaixo transcrito expõe o trabalho de Marta Harnecker , tem 19 paginas, está em idioma espanhol e em .pdf Enviando por Jacob David Blinder Acesse o link http://www.rebelion.org/docs/147047.pdf e tenha acesso ao material.
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| 08/03/2012 - Política - Brasil |
Projeto prevê igualdade salarial para mulheres
Por ter sido aprovada em caráter terminativo e sem alterações ao texto enviado pela Câmara dos Deputados, a matéria seguirá, agora, para sanção presidencial. Antes disso, contudo, é preciso aguardar um prazo regimental em que os senadores podem apresentar recurso para que o texto seja votado em plenário. Se o recurso não for apresentado, o texto vai direto para sanção ou veto da presidenta Dilma Rousseff.
O projeto foi relatado pelo presidente da CDH, senador Paulo Paim e na Comissão de Assuntos Sociais, pelo senador Waldemir Moka. Em ambos os casos, o parecer foi pela aprovação integral do projeto. A votação na CDH foi unânime pela aprovação e comemorada pelas senadoras presentes.
Fonte: Agência Brasil Tomado so site do SINDES: http://www.sindes.org.br
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| 07/02/2012 - Política - Brasil |
A democracia e sua expressão
Todos os dias, a pedagogia da sedução do sistema capitalista joga para dentro das cabeças a idéia de que a democracia do mundo ocidental é a melhor coisa que pode acontecer aos povos. Foi assim quando os Estados Unidos quis invadir o Afeganistão. Pintaram os talibãs como diabos e diziam que a alegria só voltaria ao país se ali entrasse a democracia. Invadiram, depuseram o talibã, implantaram a democracia e tudo seguiu como antes: violência, terror, mortes. Depois foi a vez do Iraque. Sadam era o demônio antidemocrático. E lá foram os soldados estadunidenses a levar a democracia. Resultado: violência, terror e milhões de mortos. Cenas que seguem se repetindo até hoje. Ora, se a democracia iria resolver tudo, como não resolveu? Ano passado foi a Líbia que mereceu a visita da democracia. Que se passa por lá agora? Por que os meios não nos contam? Reina a paz? A mesma que eles querem impor à Síria, agora a bola da vez para receber a democracia.
Mas, não precisamos ir muito longe, no Oriente Médio, para ver como a democracia se comporta. Basta uma olhadinha para nós mesmos. A desocupação da comunidade do Pinheirinho no final de janeiro, com todos os requintes de brutalidade, é um exemplo bem claro. Os empobrecidos, sem casa, sem esperança, sem nada, ocuparam uma terra abandonada. Lá ergueram suas casas e lá viveram por oito anos. Uma vida. Agora, a justiça (assim, com minúscula) decide que ali não é lugar de pobre morar e começa todo um processo de demonização das pessoas. São bandidos, marginais, gentes sem estofo. Não merecem a pena de ninguém, daí que as cenas brutais das casas sendo destruídas, das famílias sendo despejadas, dos animais sendo mortos e outras tantas gentes sendo presa ou desaparecida já não comove boa parte das pessoas. O recado da democracia já havia sido dado: aquelas criaturas não eram gente, logo, a violência é bem vinda. É limpeza.
Hoje, assisti as cenas na Bahia, divulgadas pelos jornais nacionais. Os repórteres falam dos vândalos que saqueiam lojas, dos bandidos que circulam pela madrugada baiana, das “badernas” dos familiares dos policiais em greve e, é claro, os grevistas são pintados como os grandes responsáveis pelo caos que se instalou na bela capital baiana. Então mostram a atitude acertada do governo central que mandou jovens do exército nacional para garantir a lei e a ordem. E mostram alguns moradores saudando a vinda do exército para salvá-los. Os confrontos em frente a Assembléia onde estão os trabalhadores em greve são mostrados como distúrbios irracionais. Nenhuma das reportagens toca no nome do governador baiano, Jaques Wagner, como se o governo não tivesse absolutamente nada a ver com isso. Quando seu nome aparece é como o cara que vai garantir o carnaval, nem que tenha de trazer todo o exército para as ruas. Claro, a folia dos endinheirados é mais importante do que liberar uns poucos caraminguás aos policiais.
E a coisa é tão bem arrumadinha que, por vezes, as próprias “vítimas” – que é a maioria da população – aceitam a idéia de que é preciso viver na paz, sem perturbar a ordem dos que mandam. Aceitar o cabresto e viver das migalhas.
Ocorre que gente há que diz não. Não aceita. Não quer. Gente há que quer morar, viver, comer sorvete, levar o filho ao parquinho, ver um bom filme no cinema. Gente há que não se deixa enganar pelo canto vazio da ideologia que se expressa na escola, na família, na TV. Gente há que luta, que se rebela, organizadamente ou não.
O quadro da democracia burguesa é mais ou menos assim. Os que são jogados na miséria e na exploração, ou se revoltam individualmente e roubam, matam, perdem sua humanidade, ou se organizam em sindicatos, movimentos, e lutam coletivamente por mudanças. Uma coisa ou outra sempre vai acontecer, ou as duas juntas ao mesmo tempo. Não dá para fugir disso. É da condição humana caminhar para a beleza. Ninguém pode aceitar viver sem isso.
Assim, sejamos espertos, observemos as notícias com o grosso lápis da história e vamos ligando os fios. O desenho final é o quadro da opressão massacrando aqueles que querem participar do banquete, enquanto na televisão os lobos aparecem como cordeiros, e os cordeiros como lobos. Um espelho invertido que precisa ser quebrado. Já vimos essa história aqui mesmo na pele, com a revolta da catraca, ou a luta dos professores pelo simples cumprimento de uma lei.
Por Elaine Tavares – jornalista Existe vida no Jornalismo Blog da Elaine: www.eteia.blogspot.com América Latina Livre - www.iela.ufsc.br Desacato - www.desacato.info Pobres & Nojentas - www.pobresenojentas.blogspot.com Agencia Contestado de Noticias Populares - www.agecon.org.br
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| 27/01/2012 - Política - Santa Catarina |
Um vereador que “comprava” muitas brigas
Um sujeito que gostava de comprar uma briga política, de encaminhar denúncias ao Ministério Público e defendia os direitos comunitários, principalmente das minorias. O perfil do vereador Marcelino Chiarello (PT), encontrado morto no dia 28 de novembro, no quarto de visitas de sua casa, é um ponto que dificulta o trabalho da Polícia. Isso obrigou a Polícia Civil a abrir um leque muito grande de investigação.
De acordo com o delegado Ronaldo Neckel Moretto, responsável pela Divisão de Homicídios da Divisão de Investigação Criminal de Chapecó, o vereador era ligado a muitos movimentos e tinha uma vida pública intensa. A vereadora Ângela Vitória, colega de bancada de Chiarello, disse que ele recebia muitas denúncias. – As pessoas procuravam ele pois sabiam que ele dava sequência- explicou. Chiarello fez denúncias contra a administração municipal, contra empresas e contra políticos.
O promotor de Justiça Jackson Goldoni afirmou que as denúncias encaminhadas pelo vereador sempre tinham algum indício de irregularidade que acabava se confirmando.
A tese principal da Polícia Civil continua sendo de que o crime ocorreu em virtude da sua participação na vida pública. Nas investigações realizadas até agora a polícia não encontrou indícios apontando uma motivação ligada à vida privada do vereador.
Na segunda-feira, 19, entidades sociais vão realizar uma vigília em frente à Delegacia Regional e vão cobrar agilidade e a punição dos culpados.
O delegado Ronaldo Neckel Moretto disse que a investigação está evoluindo e vai levar o tempo necessário. Nem que para isso tenha que pedir prorrogação para concluir o inquérito.
O promotor de Justiça Fabiano Baldissareli disse que a Polícia Civil tem 30 dias para encaminhar o inquérito à Justiça e ao Ministério Público. Mas que o prazo pode ser prorrogado se houver justificativa para isso. O Ministério Público e policiais do Grupo de Apoio Especial ao Combate do Crime Organizado estão apoiando a Polícia Civil.
Lideranças do Partido dos Trabalhadores mantiveram contato com o Ministério da Justiça e Polícia Federal para que disponibilizassem a estrutura para o caso. Mas o delegado Moretto disse que ainda não é necessário. – Mas, se precisar algum equipamento vou solicitar- concluiu.
Ações de Chiarello - Foi um dos articuladores das denúncias da aplicação irregular das subvenções do Fundo Social, repassadas pela Assembléia Legislativa, que resultaram no afastamento do subprefeito da Efapi, o vereador Dalmir Pelicioli (PSD), no dia 18 de novembro. O Ministério Público apontou que nem todos os recursos foram aplicados e que houve superfaturamento. Pelicioli afirma que não houve irregularidade. - Em março ele fez um requerimento do contrato da Prefeitura com a Kopp. No dia 11 de novembro Chiarello e a vereadora Ângela Vitória (PT), pediram cópia do estudo técnico que definiu os pontos onde as lombadas foram instaladas. O Ministério Público entrou com uma ação popular que anulou o contrato. A Justiça determinou que o ex-prefeito João Rodrigues e o proprietário da Kopp, Eliseu Kopp, devolvessem os R$ 9 milhões arrecadados entre 2007 e 20011. A empresa recebia 62% do valor. O prefeito e o empresário recorreram ao Tribunal de Justiça. - Chiarello encaminhou ao Ministério Público, em junho, denúncia de irregularidade nas planilhas de custo do transporte coletivo. De acordo com o vereador o salário do motorista era de R$ 875 e constava R$ 1,6 mil na planilha. - No dia 11 de novembro o vereador encaminhou requerimento do detalhamento dos custos da passarela instalada na Avenida Attilio Fontana, na Efapi, ao custo de R$ 500 mil. - Apoiou a chapa de oposição do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Carnes e Derivados de Chapecó, que acabou vitoriosa. Em seguida foram encaminhadas denúncias ao Ministério do Trabalho de gastos milionários e benefícios irregulares de antigos diretores, além de consultoria jurídica com valores de até R$ 800 mil. - Apresentou projeto de lei que cria o Conselho Municipal de Transporte Coletivo. - Apresentou projeto de lei que proíbe taxas, rifas ou qualquer cobrança de mensalidade em escolas públicas. - Fez movimento contra projeto de lei que permite ocupação das áreas no entorno do Lajeado São José. - Foi contra a implantação da terceirização de merenda escolar em Chapecó. - Fez audiências contra a municipalização da educação fundamental. - Fez moção de apoio aos policiais e bombeiros que participaram de movimentos de paralisação por melhores salários. - Apoiou a greve dos professores estaduais. - Apoiou o Movimento dos Atingidos por Barragens e Pescadores na busca de compensações pelo impacto da construção da Usina Hidrelétrica Foz do Chapecó.
É... inimigos não faltavam. Mas quem teria motivo suficiente para matá-lo ?
Enviado por Consulta Popular de Santa Catarina Contatos: consultapopularsc@gmail.com
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| 09/01/2012 - Política - Brasil |
Desenvolvimento e Socialismo
A possibilidade concreta de se viabilizar uma transição ao socialismo está hoje fora da agenda da sociedade brasileira. A hegemonia burguesa consolidou-se, após um longo período de defensiva das idéias socialistas. Parte da esquerda formada a partir dos anos 1970-80 adaptou-se e ajudou a consolidar tal hegemonia, conferindo-lhe inédita legitimidade.
Essa parcela significativa da esquerda –que inclui lideranças políticas, sindicais e populares –dá nova qualidade ao pacto de classes estabelecido no Brasil, após a eleição de Luís Inácio Lula da Silva à presidência, em 2002.
Estabeleceu-se uma aliança sólida entre tais setores e o grande capital financeiro e industrial e o agronegócio, em torno de um projeto de desenvolvimento. O detalhamento de tal pacto pode ser lido aqui. Embora se percebam vários matizes no interior desse grande acordo, a maior parte de seus agentes se unifica em torno de algumas linhas-mestras:
1. Absoluta prioridade aos setores rentistas, para os quais se destina cerca de 47% do orçamento federal, sob a rubrica de pagamento dos serviços da dívida pública, baseados nos juros reais mais altos do mundo; 2. Manutenção de uma taxa de câmbio valorizada, que favorece o capital externo e penaliza os setores industriais; 3. Livre circulação de capitais; 4. Expansão do mercado interno, através da elevação do salário mínimo e de programas de transferência de renda; 5. Diversificação dos parceiros comerciais do Brasil no plano externo e 6. Manutenção de toda ordem jurídico-institucional criada para a implantação do modelo neoliberal.
Neoliberalismo puro e duro Não se trata mais do neoliberalismo puro e duro dos anos 1990, quando aconteceram as privatizações em massa e o grosso das reformas constitucionais que garantiram a nova ordem. Tudo se deu ao custo de aumento do desemprego e de três crises consecutivas na economia brasileira.
Esse viés mais radical do mercadismo perdeu legitimidade, mas permanece vivo nas páginas e telas da grande mídia e nos partidos de direita. Atualmente, mantidas suas características básicas, o modelo se arraigou na sociedade brasileira, gerando moderadas taxas de crescimento econômico, além de uma melhoria no padrão de vida dos assalariados e da adoção de políticas sociais focadas.
Num plano muito minoritário em termos de expressão política, existe um projeto à esquerda –que contempla também várias nuances. Na verdade, não se conforma nitidamente como alternativa, mas como ideário disperso em alguns setores sociais. Ele poderia, genericamente, ser classificado como democrático-popular. Essa vertente envolve frações dos trabalhadores, da pequena e média burguesia e mesmo partes minoritárias da burguesia. Algumas dessas formações encontram-se abrigadas no pacto de classes majoritário e, vez por outra, exibem descontentamentos com os rumos da orientação geral.
Este pequeno texto não responde a tais questões. Elas seguem em aberto nos dias que correm. Busca-se aqui tão somente apontar a necessidade de articulação entre um projeto de desenvolvimento democrático e popular nos marcos do capitalismo realmente existente e a luta pelo socialismo.
Problema tático Duas décadas depois da derrocada dos regimes do socialismo real, que gerou uma aguda crise política e ideológica na esquerda mundial, e quase uma década após a chegada ao poder de um partido de origem popular no Brasil, o que significa exatamente advogar uma ruptura socialista?
Um objetivo como esse não pode ser uma construção apenas doutrinária, desvinculada das lutas e condições da realidade política. Ruptura –ou revolução - e socialismo não são valores ou categorias morais. São, antes de tudo, objetivos políticos, inseridos na real disputa de forças na sociedade. Isso implica estabelecer metas de curto, médio e longo prazo, examinar quem são os sujeitos políticos dessa empreitada, os aliados e os inimigos e traçar um programa mínimo e um programa máximo de ação. Em outras palavras, são partes da construção de uma tática e de uma estratégia política. Não se trata assim de tarefa acadêmica. Uma articulação desse tipo deve captar uma necessidade expressiva na sociedade, tendo como núcleo fundamental os trabalhadores, os setores pobres da cidade e do campo e parcelas da pequena burguesia. Outras frações de classe podem eventualmente se juntar nessa empreitada, dependendo das condições concretas da disputa política.
Revolução em xeque Ao longo das últimas duas décadas, revolução passou a ser um conceito tido como obsoleto. A queda do muro de Berlim, em 1989, a derrota eleitoral dos sandinistas na Nicarágua, em 1990, o desmanche da União Soviética, em 1991, e a supremacia do modelo neoliberal em quase todo o mundo, acuaram as forças que pregavam mudanças na ordem social. A própria idéia de revolução, no sentido de uma transformação radical da realidade, foi colocada em xeque. Ela voltou à baila primeiro pelas mãos do presidente venezuelano, Hugo Chávez, que desde sua chegada ao poder, em 1998, alardeia comandar uma revolução em seu país. Mais recentemente, as mobilizações populares nos países árabes chegaram a ser chamadas de revolução. Independente da exatidão ou não na utilização do termo, o certo é que ele saiu do limbo a que foi relegado há duas décadas.
O que é uma revolução? As definições sobre uma mudança de tal natureza foram sintetizadas por Caio Prado Júnior (1907-1990): Revolução, em seu sentido real e profundo, significa o processo histórico assinalado por reformas e modificações econômicas, sociais e políticas sucessivas que, concentradas em período histórico relativamente curto, vão dar em transformações estruturais da sociedade, e em especial das relações econômicas e do equilíbrio recíproco das diferentes classes e categorias sociais. [1] Toda revolução social, tanto socialista como burguesa, compreende como momento necessário a revolução política, a passagem do poder a uma nova classe. [2]
O debate sobre processos revolucionários pode levar à discussão de outro conceito banido da agenda política: o projeto socialista. Se, como dizia Marx, o socialismo representará o desenvolvimento máximo das forças produtivas, com a disseminação do bem-estar e da qualidade de vida, há que se superar o desenvolvimento capitalista, mudando sua qualidade, guardando algumas de suas características, mas negando outras, essenciais, para a construção de uma nova síntese que pode ser genericamente chamada de desenvolvimento socialista.
A esquerda e o desenvolvimentismo Embora o desenvolvimento econômico sob o capitalismo seja um projeto essencialmente burguês, é preciso levar em conta algumas de suas características. No caso brasileiro recente, o aumento da massa salarial, a expansão dos níveis de emprego e a disseminação do crédito acabam por atrair largos setores dos trabalhadores para o pacto dominante. A melhoria imediata dos padrões de vida, como acontece atualmente em vários países da América Latina, após duas décadas de estagnação, consolidou a idéia que o desenvolvimento é igualmente bom para todos.
Celso Furtado (1920-2004), o mais radical e talentoso reformista burguês do Brasil, diferenciava desenvolvimento de crescimento. Para ele, “O crescimento econômico, tal qual o conhecemos, vem se fundando na preservação dos privilégios das elites que satisfazem seu afã de modernização; já o desenvolvimento se caracteriza pelo seu projeto social subjacente. Dispor de recursos para investir está longe de ser condição suficiente para preparar um melhor futuro para a massa da população. Mas quando o projeto social prioriza a efetiva melhoria das condições de vida dessa população, o crescimento se metamorfoseia em desenvolvimento”[3].
Ou seja, trata-se de um processo de transformação social. Essa transformação será tão mais profunda quanto mais a esquerda socialista souber empreender uma luta política para fazer aliados e formular programas na luta por um desenvolvimento distributivista, democrático e ecologicamente sustentável, que aponte para o socialismo. Não se coloca aqui em dúvida que a transformação almejada será socialista. Discute-se a tática a ser empreendida. Ela depende dos rumos a serem traçados, mas sobretudo da luta e das condições política concretas.
Para definir os atores sociais de uma empreitada dessa envergadura, é preciso apontar o que se quer e onde se deseja chegar. A estratégia de transformação conformará a frente de interesses e de interessados, deixando claro quais os beneficiados e quais os prejudicados com o processo. Ao mesmo tempo, a esquerda não pode permanecer como caudatária do desenvolvimentismo burguês. Isso aconteceu de forma clara depois da divulgação da Declaração de Março de 1958, do Partido Comunista Brasileiro (PCB). A íntegra do texto pode ser lida aqui.
Vale a pena estudar aquele documento. Ele é contraditório, mas extremamente interessante. O texto tem o mérito de produzir um giro na atuação partidária, que havia adotado concepções ultraesquerdistas, estreitas e sectárias após a publicação dos manifestos de janeiro de 1948, de agosto de 1950 e das resoluções do IV Congresso, de 1954. Todos representam reações à colocação do partido na ilegalidade, em 1947. O resultado foi o isolamento do PCB das forças nacionalistas e progressistas.
Após o texto de 1958, a agremiação adotou uma linha de participação no movimento nacionalista, assumiu a luta democrática como bandeira e possibilitou a ela tocar as questões concretas do dia a dia. Houve uma busca pela concretização de alianças, sem exigências irreais, dogmáticas e apriorísticas de hegemonia, como acontecia no período anterior.
No entanto, a Declaração de Março tem como questão principal um grave erro estratégico, fruto de uma análise precária da composição de classes da sociedade brasileira. O texto atribui à “burguesia nacional”um papel progressista. A dada altura, a Declaração diz o seguinte:
O proletariado e a burguesia se aliam em torno do objetivo comum de lutar por um desenvolvimento independente e progressista contra o imperialismo norte-americano.
O resultado concreto foi que o Partido acabou por se colocar a reboque da “burguesia nacional”e de sua concepção política e econômica central, o nacional-desenvolvimentismo. A maior parte dessa burguesia aliou-se ao imperialismo no golpe de 1964, isolou e combateu os comunistas e a esquerda em geral. O período nacional-desenvolvimentista não foi uniforme e suas características intrínsecas conheceram várias nuances. Obteve-se, através dessas orientações, um modelo de modernização acelerado, que não tocava nas estruturas arcaicas de concentração da renda e da propriedade.
Provocou um dos maiores deslocamentos humanos da história contemporânea, através das migrações internas do campo para a cidade, com vantagens e problemas daí advindos.
O desenvolvimentismo dos anos 1950 entrou em crise, no final daquela década, por conta da maciça e crescente necessidade de importação de bens de produção, o que passou a causar desequilíbrios estruturais no balanço de pagamentos. Some-se a isso, uma contradição inerente ao desenvolvimento, a formação de uma numerosa e disciplinada classe operária, que passou a reivindicar uma repartição maior das riquezas por ela produzida, colocando-se na prática contra um dos pilares do modelo, a superexploração do trabalho.
As raízes do golpe de 1964 estavam principalmente em impedir que as classes sociais emergentes na cena política a partir de 1930 –especialmente o operariado, os trabalhadores rurais e setores das camadas médias –exigissem democratização da propriedade, da renda e do poder político. Para seguir atraindo o capital externo, o país teria de domesticar as reivindicações trabalhistas e criar um ambiente politicamente estável.
O golpe de 1964 é a maior expressão histórica do equívoco de se submeter o movimento popular a uma diretriz própria da burguesia. O exame criterioso desse exemplo deve nortear as ações táticas e estratégicas da esquerda brasileira.
As vertentes da retomada Após duas décadas de defensiva das camadas populares, a sociedade brasileira viveu novamente, a partir dos anos 1980, um intenso período de disputas, no bojo das lutas políticas pelo fim da ditadura. O debate tinha como pano de fundo a ofensiva do movimento popular.
A percepção de que o modelo anterior entrara em crise, gerando um acentuado desgaste político do regime suscitou um grande debate nacional. Ele combinava reivindicações democráticas com definições de rumos na economia. Havia três vertentes e várias nuances no tabuleiro.
A primeira delas, liderada pelo grande capital, clamava por uma política de desestatização, identificando o propalado gigantismo do Estado como matriz da dinâmica recessiva e inflacionária que o país viveu a partir de 1982. A saída seria uma redução do papel do Estado, para liberar energias produtivas da iniciativa privada.
A segunda era vocalizada por setores da burguesia –cuja tradução política se dava através da maioria do PMDB –e por uma parte do movimento social, especialmente pelos setores nos quais o PCB tinha forte presença. Exigiam uma redefinição do papel do Estado, que deveria retomar suas características de planejador e impulsionador do desenvolvimento.
E a terceira vertente –formada pelas lideranças do chamado “novo sindicalismo”, por egressos da luta armada dos anos 1960-70 e por facções progressistas da Igreja Católica –advogava, de maneira rudimentar, uma ruptura com o capitalismo, sem mediações com a burguesia brasileira. Eram os setores que convergiriam para a formação do Partido dos Trabalhadores.
A agremiação nasceu e cresceu criticando a política de alianças de classe do PCB. Ao longo dos anos, a segunda e a terceira vertente tiveram grande convergência. Ou seja, o PT paulatinamente passou a adotar a aliança de classes que renegara no passado. E ao conquistar o poder de Estado, aconteceu o que o economista Paul Singer notou em entrevista recente: A “aliança com sistema financeiro e latifúndio deu ao PT tranqüilidade para governar”.
Concretizou-se assim o pacto de desenvolvimento mencionado no início. Uma conformação política dessa natureza não é feita para se lutar pelo socialismo e muito menos para mudar estruturalmente a sociedade. É neste cenário que o grande capital, o agronegócio exportador e as velhas oligarquias seguem dominando, em aliança com parcelas expressivas do movimento popular.
Colocar na agenda É também neste cenário que a esquerda socialista precisa alcançar legitimidade para colocar na agenda política a alternativa de uma transformação social radical. Dois erros devem ser evitados: B) O segundo equívoco é o oposto. Seria incorrer num doutrinarismo estéril, sem disputar a base social do pacto dominante, que envolve setores com várias contradições entre si. Seria ao mesmo tempo incorreto eleger o desenvolvimentismo como obstáculo principal da luta pelo socialismo.
No plano concreto, um programa tático poderia envolver, entre outros, os seguintes pontos: A) Uma política monetária e uma política fiscal expansiva, que se traduza na quebra da dominação neoliberal. Concretamente isso se traduz em juros baixos, fim do superávit primário e na adoção de controle de capitais; B) No âmbito do trabalho, redução de jornada, aumento de direitos e do trabalho formal; C) Maior controle do sistema financeiro e reestatização das empresas privatizadas nos últimos 20 anos; D) Aumento do investimento estatal nos serviços públicos E) Auditoria da dívida pública; F). Democratização das comunicações; G) Reforma agrária; H). Direitos iguais para homens, mulheres, negros e minorias; I). Uma política de desenvolvimento ecologicamente sustentável.
A partir desses pontos –que contam com a concordância de amplas parcelas do campo popular, algumas hegemonizadas pelo pacto dominante –é que se pode avançar no plano concreto para a construção de uma estratégia socialista com força social.
A luta pelo socialismo é um projeto coletivo e não-linear. Depende das injunções históricas, do ambiente interno ao país, das condições da economia mundial e de decisões na esfera política. Ela necessita da constituição de uma frente popular e democrática, a partir das organizações existentes na sociedade. Pressupõe a disputa das bases sociais do pacto dominante.
A luta pelo socialismo não interessa ao grande capital e nem àqueles que têm no terreno financeiro e na especulação a fonte principal de seus ganhos. Um projeto desse tipo, que passa por uma ruptura revolucionária, pressupõe a supremacia da política, com sociedade organizada, instituições democráticas e Estado e forte. E pela solidificação dos partidos de esquerda.
É algo a favor das maiorias e contra as minorias privilegiadas. Um projeto desse tipo só é possível em um embate antiimperial de envergadura e de integração regional soberana.
(*) Agradeço a sugestões feitas em versões anteriores deste texto por Antonio Augusto, Duarte Pereira, Paulo Kliass e Valter Pomar. Naturalmente, eles não têm responsabilidade alguma sobre as linhas que seguem. NOTAS 2. Claudín, Fernando. A crise do movimento comunista: vol. 1. São Paulo, Global, 1985. v.1. págs. 51-52 3. Furtado, Celso, Os desafios da nova geração, in Revista de Economia Política, Vol 24, nº4 (96), Out-Dez –2004, pág. 484
(Publicado na revista Margem Esquerda no. 17, Boitempo Editorial, 2011)
Por Gilberto Maringoni, jornalista e cartunista, é doutor em História pela Universidade de São Paulo (USP) e autor de “A Venezuela que se inventa –poder, petróleo e intriga nos tempos de Chávez”(Editora Fundação Perseu Abramo).
Imagem: http://3.bp.blogspot.com/_AkSl0Dky-xo/S7vy5QVIhGI/AAAAAAAAEdM/bbiav3zWzQM/s320/Socialismo.jpg
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| 29/11/2011 - Política - Região |
Vereador encontrado morto em sua residência
O corpo após submetido à necrópsia no IML, às 17h45min foi encaminhado à Funerária Sturmer para ser preparado. O corpo foi velado ontem na Câmara de Vereadores de Chapecó à partir de 19 horas e hoje pela manhã no Salão da Comunidade do bairro Santo Antônio. Após, ocorrerá o sepultamento no Cemitério Jardim do Edem, saída para o Rio Grande do Sul, em horário a ser definido. A Polícia Federal e o Ministério Público acompanham o caso.
A vereadora Angela Domingues, também do PT declarou à reportagem de uma rádio de Chapecó, em frente à residência do vereador, que sábado ele chegou a declarar que estava precisando de escolta policial. Quando foi interpelado sobre a declaração, apenas riu.
O advogado Sérgio Martins de Quadros declarou que Marcelino, pelo momento que estava vivendo, jamais cometeria suicídio. Ele acreditava em homicídio pelo trabalho que Marcelino vinha exercendo contra um vereador, por irregularidades cometidas recentemente.
Enviado por Consulta Popular de Santa Catarina |
| 18/11/2011 - Política - Brasil |
A globo se Protege
Assim, não pode causar espanto que existam por aí afora pessoas que sintam vontade de repudiar com mais veemência essa prática nefasta de mau jornalismo. Há os que fazem análises ácidas, mas se comportam de forma respeitosa. Há os que escracham, os que xingam, os que são bem deselegantes. Mas há também os que chutam o balde mesmo. Talvez porque tenham aprendido que no Brasil tentar fazer as coisas “por dentro da ordem” não dá muito resultado. Por isso, por aí andam esses que fazem aparições nos momentos em que os repórteres globais estão ao vivo.
Outro dia acabaram derrubando uma repórter e o caso virou notícia nacional através das redes sociais. Enfastiada, acabei lendo bastante coisa que saiu e não me surpreendeu que a maioria dos comentários fosse de repúdio aos manifestantes. Alguns chegaram a dizer que era um ataque ao jornalismo. Bueno, ainda com preguiça, resolvi entrar no assunto.
Lembrei de uma campanha salarial que fizemos em Santa Catarina na qual se desencadeou a “operação papagaio de pirata”. Nela, alguns colegas se postavam atrás dos repórteres da RBS que entrassem ao vivo, protestando, com cartazes, sobre os baixos salários no estado. Foi um momento histórico da luta dos jornalistas em Santa Catarina, até hoje lembrado com orgulho. Não era um ataque ao “jornalismo”, mas um ousado e criativo protesto contra a rede que mais explorava jornalistas naqueles dias. E não foram poucos os que condenaram a eficaz forma de luta dos jornalistas, alguns apelando para o que chamavam de “desrespeito aos colegas”. Ora, não era. Pelo contrário. Era amor pelos companheiros explorados.
Assim, vejo esses ataques que andam acontecendo junto aos repórteres da Globo como um saudável protesto contra os péssimos serviços da emissora. E, finalmente, um protesto que se pode ver, justamente pela radicalidade do grupo. Não os comparo com vândalos ou baderneiros. Devem ser criaturas que querem ser escutadas e encontraram nessa forma a mais eficaz. E vejo que tem dado certo.
Talvez isso leve os big boss da Globo a pensar um pouco sobre o que andam fazendo. Que tipo de jornalismo é esse que, num país democrático, precisa de segurança para se fazer? Não seria isso um sintoma claro de que algo está podre no reino da platinada? Perguntas que qualquer profissional sério se faria. Mas, qual! A primeira resposta da Globo foi, pasmem, demitir os trabalhadores que faziam a segurança da equipe. E a segunda atitude foi anunciar que agora os repórteres que entrarem ao vivo serão cercados por um aparato de proteção contra vândalos.
Interessante isso! Mais uma trincheira impedindo a verdade de entrar. Eu, aqui da periferia da periferia, no sul do sul, não tenho dúvidas. Esse povoa aí não está agredindo as pessoas, nem o jornalismo. Estão protestando contra a mentira, a manipulação e ao descaso com a vida real. E quer saber? Gosto disso!
Por Elaine Tavares - jornalista Existe vida no Jornalismo
Imagem: http://1.bp.blogspot.com/-HSMaziOZ8EI/ThrsXopGV4I/AAAAAAAABL4/GrXdS8YpJBk/s1600/globo-nao1.jpg |
| 18/11/2011 - Política - Mundo |
E agora, como explicar a incoerência?
Cuba é um país inviável, no qual a população vive na miséria e passa fome. As cidades cubanas estão caindo aos pedaços, está tudo sucateado. Enfim, tudo em Cuba é ruim e o país é o mais claro exemplo do fracasso do socialismo. Essa é a imagem de Cuba passadas aos brasileiros por jornalistas, articulistas e curiosos que se baseiam em suas convicções ideológicas principalmente, em fontes internas e externas contrárias ao governo cubano e ao sistema socialista (sempre ouvidas) e em rápidas e superficiais viagens ao país.
Mas então é preciso que esses analistas, que gostam tanto de números, expliquem como é que Cuba está em 51º lugar, entre 187 países, no Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) da ONU. E como pode ser considerada pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) uma nação de "desenvolvimento humano elevado".
Não é muito coerente que os cubanos vivam na miséria e esfomeados, como se diz, e o país tenha elevado Índice de Desenvolvimento Humano, obtido a partir de indicadores nas áreas de saúde, educação e renda. E esteja entre os 51 países com o maior índice, entre 187.
O mais alto IDH é o da Noruega (0,943), seguido de Austrália, Holanda, Estados Unidos e Nova Zelândia. O primeiro grupo, de 47 países com "desenvolvimento humano muito elevado" termina com Argentina, Croácia e Barbados, esse com índice 0,793. O da Argentina é 0,797. Nesse grupo, só tem outro país latino-americano, o Chile, em 44º lugar com 0,805.
Entre os primeiros países de "desenvolvimento elevado", estão o Uruguai (em 48º com 0,783) e Cuba, em 51º e índice de 0,776. Nesse grupo de 46 nações estão mais os seguintes latino-americanos: México (57º), Panamá (58º), Costa Rica (69º), Venezuela (73º), Peru (80º), Equador (83º), Brasil (84º) e Colômbia (87º). Os demais estão entre os que têm médio desenvolvimento humano, com exceção do Haiti, que tem baixo IDH.
O que coloca Cuba em 51º lugar e no segundo grupo é o baixo rendimento bruto per capita de sua população, que, ao contrário do que pensam ou querem que pensemos os analistas neoliberais, não significa necessariamente uma qualidade de vida muito menor. Em Cuba a renda é mesmo muito baixa, quase a metade da brasileira, mas com pouca diferença entre o mais baixo e o mais alto rendimento. Há um sistema de subsídios -- que está sendo revisto, mas com compensações -- à alimentação, ao transporte e à cultura, e a saúde e a educação são gratuitas em todos os níveis, do curativo à quimioterapia, da creche ao doutorado.
O "IDH de não rendimento" de Cuba (ou seja, o IDH sem o indicador de renda) é de 0,904, o que coloca o país em 25º lugar, ultrapassando 26 países que tem o IDH maior por causa da renda. O maior IDH de não rendimento é o da Austrália (0,975), seguido de Nova Zelândia, Noruega, Coreia do Sul, Holanda e Canadá. Os Estados Unidos estão em 13º lugar (0,931). Cuba está na frente, dentre outros, do Reino Unido, da Grécia, de Portugal, de Israel e dos riquíssimos Emirados Árabes Unidos, Brunei e Qatar, sendo que esse último que tem rendimento bruto per capita 20 vezes maior do que a de Cuba.
Os números do PNUD mostram que não há muita diferença entre os indicadores sociais dos países com mais alto IDH e os de Cuba. Ou seja, o baixo rendimento per capita tem baixa influência sobre a educação e a saúde dos cubanos.
Basta comparar alguns índices: País Esperança de vida Anos de escolaridade Anos de escolaridade esperados Noruega 81,1 12,6 17,3 Austrália 81,9 12,0 18,0 Holanda 80,7 11,6 16,8 EUA 78,5 12,4 16,0 N.Zelândia 80,7 12,5 18,0 Canadá 81,2 12,1 16,0 Cuba 79,1 9,9 17,5 A título de curiosidade, uma comparação entre Argentina, Uruguai, Venezuela e Brasil: Argentina 75,9 9,3 15,8 Uruguai 77,0 8,5 15,5 Venezuela 74,4 7,6 14,2 Brasil 73,5 7,2 13,8
Um indicador bem revelador é o índice de mortalidade infantil da Organização Mundial de Saúde, com base em crianças de menos de um ano de idade mortas entre mil. Dos países citados -- os de melhor IDH, de alta renda e alguns sul-americanos --, a classificação é a seguinte: Noruega: 2,8 Holanda: 3,6 Austrália: 4,1 Coreia do Sul: 4,2 Cuba: 4,6 Nova Zelândia: 4,8 Canadá: 5,2 Brunei: 5,8 Emirados Árabes Unidos: 6,1 Estados Unidos: 6,5 Qatar: 6,7 Chile: 7,7 Uruguai: 9,2 Argentina: 12,3 Venezuela: 13,7 Brasil: 17,3.
Pode-se gostar ou não gostar do sistema social que vigora em Cuba há 52 anos, pode-se considerar que Raúl e Fidel Castro fazem as coisas certas ou as coisas erradas. Cuba tem enormes problemas econômicos, sociais e políticos e há muita coisa que precisa e pode ser mudada. A população tem enormes carências, reconhecidas pelo governo cubano. Mas não há o caos que se pinta e a fome que se alardeia, nem é o país à falência que desejam seus críticos que se guiam pela ideologia, e não pelos fatos. Não é o paraíso, mas não é o inferno.
Por Hélio Doyle
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| 28/10/2011 - Política - Mundo |
A Noite Humana
O crime nunca, em nenhum caso deve ser esquecido. Jamais o covarde pode ficar ileso pela sua sanha, pela sua ilegalidade, pela sua imbecilidade de acreditar-se acima dos outros por ter a cumplicidade imunda da classe social e política à qual serve. Jamais deve o violador ser isentado, jamais o torturador deve ficar livre, jamais o vil açougueiro que moeu a carne inocente pode caminhar junto das pessoas comuns, dos cidadãos livres. Jamais o assassino de aluguel, a serviço dos impérios viciados em ódio, pode ocupar o espaço das gentes, nunca quem se serviu da brutalidade pode ter o prêmio da amnésia social. Nem o esquecimento nem o perdão lavarão a alma da democracia. Jamais o esquecimento e o perdão trarão paz, harmonia, lucidez e futuro. Jamais o medo tratará felicidade. Aos jovens preciso dizer, que estas democracias nas quais foram nascendo, pobres, imperfeitas, precárias, mas, que hoje fazem da América Latina algo bem mais interessante que um Império decadente, que uma Europa doentia e invasora, servil, bajuladora dos Estados Unidos, foram possíveis pelo sangue valente, rico, pacífico, sonhador e humanista de milhares de estudantes, de trabalhadores, de mães, de poetas, artistas, intelectuais que o derramaram a serviço do futuro que se começa a perfilar, algo melhor tal vez, que os da minha geração poderíamos ter sonhado quando o coturno retorcia nossas cabeças contra o asfalto. É na memória dos nossos irmãos caídos, desparecidos, desses corpos jovens, bonitos, que foram destruídos de forma miserável, jogados desde aviões ao mar, enterrados em lixões, nos fundos de quartéis, em fazendas, calcinados, desaparecidos, que hoje levantamos nossa voz mostrando nossa felicidade, porque o julgamento acontecido umas horas atrás na Argentina, a aprovação pelo Senado brasileiro da Comissão da Verdade sobre as violações cometidas em nosso país desde 1946 a 1988 e a decisão no Uruguai de acabar com a Lei de Caducidade que impedia julgar aos assassinos da ditadura uruguaia, só trarão paz, unidade e justiça aos nossos povos, e darão um duro golpe na impunidade da qual gozaram os setores dominantes das nossas sociedades, 500 anos exploradas, torturadas e desmembradas. Os jovens, aos quais se negou a Verdade da História, precisam conhecer e compreender o que aconteceu nos seus países, e o caminho que traçaram os povos marchando incansavelmente durante quase meio século, para que nunca mais, estes jovens, e os que virão, despareçam por defender seus legítimos direitos. Uma noite destas, na Argentina, no Brasil e no Uruguai abre as portas amorosas da Nova Época que desde o início deste século vive América Latina, com defeitos, muitos, demasiados talvez, mas, em democracia, que no rumo que assumimos, um dia será direta e para todos. Como dizem os ativistas hondurenhos: “a lei já é igual para todos, precisamos que a Justiça também seja”. Juntos, vamos construir os próximos passos. Esta Noite Humana foi um bom começo. Foto: Agencia Telam Por Raul Fitipaldi. |
| 10/10/2011 - Política - Brasil |
Liberdade de expressão – o que a globo entende disso?
São três os medos latentes das elites políticas e econômicas no Brasil. O marco regulatório da mídia que marca o fim do monopólio dos grandes grupos econômicos. A lei da ficha limpa, que impede políticos corruptos de se candidatarem e Comissão da Verdade, que expõe as vísceras do regime military fundado na mentira, sob comando de potência estrangeira e regido pela boçalidade da tortura, dos assassinatos, a violência que caracteriza ditaduras.
Quem vai mostrar o verdadeiro significado de liberdade de expressão aos brasileiros? William Bonner que considera o telespectador do JORNAL NACIONAL um idiota? William Waack, agente preferido de Hilary Clinton para analyses sobre eleições no Brasil? Miriam Leitão e suas profecias ditadas pelos bancos? Luciano Hulck e sua casa “ilegal” em Angra dos Reis?
O que a GLOBO pensa e acha ao omitir a extensão dos protestos nas principais cidades dos Estados Unidos, o movimento OCUPA WALL STREET? Quem se der ao trabalho de assistir os seis minutos do vídeo neste endereço http://www.vimeo.com/30081785
Vai ter uma idéia do movimento e vai poder sentir a falência do american way life, construído sobre os povos do mundo e sob o poder dos banqueiros, das grandes corporações e da barbárie que praticam mundo afora. Os norte-americanos começam a acordar e a perceber que também são lesados e ludibriados pelo capitalismo.
Milhões de cidadãos das mais variadas idades acorrem às ruas a partir de New York, nas principais cidades do país. Homens, mulheres, jovens, idosos, todos protestando contra a principal característica do capitalismo – “a exploração do homem pelo homem”.
A barbárie legitimada no terror das bombas despejadas no Iraque, no Afeganistão, na Líbia, no bloqueio contra Cuba, como antes na Coréia, no Vietnã, as múltiplas intervenções em países latino-americanos, o massacre do povo palestino para o qual Obama volta as costas. Os EUA hoje são um conglomerado controlado por grupos sionistas que têm sua base no governo fascista de Israel.
E isso os cidadãos norte-americanos começam a perceber também. Obama ou qualquer outro presidente é mero fantoche nesse processo. Reagan sofria do mal de Alzheimer e isso foi escondido nos seus oito anos de mandato, na verdade cumpria apenas o papel de um ator de segunda categoria.
Bush foi um tresloucado eleito na fraude e em nome das corporações e bancos. Não há um sistema de saúde pública nos EUA. Não existem investimentos em educação. Cresce o desemprego, o número de sem teto. A fome começa a ser uma realidade na primeira potência do mundo (em Cuba, segundo a Organização Mundial de Saúde, o índice de desnutrição infantil é zero).
Sobram bombas, sobra violência, sobram bancos socorridos com o dinheiro do cidadão comum, grandes empresas, sobra a ganância das elites políticas e econômicas que controlam Washington e impõem um arremedo de democracia.
Milhões de norte-americanos nas ruas querem o fim desse estado de coisas. Não acreditam mais no capitalismo. O brasileiro que assiste ao JORNAL NACIONAL não vê nada disso. Iria contrariar os interesses dos que pagam e sustentam a grande mentira nacional, a mídia à frente o grupo GLOBO.
E pior ainda. Querem arrastar o mundo a uma situação caótica para salvar seus poderosos e ricos cofres montados no seu arsenal predador. Hiroshima e Nagazaki, dois exemplos da estupidez e da boçalidade dessa gente.
No primeiro dia de manifestações cerca de700 presos. O movimento ecoou em todo o país e nos dias seguintes a impotência dos governos e dos que os movimentam, os controladores, no medo do povo que desperta.
França e Alemanha, as principais economias da Comunidade Européia preparam-se para enfrentar crises semelhantes e reações populares. Sarkozy e Ângela Merkel estão prontos a sacrificar cidadãos comuns, trabalhadores, em favor de bancos e grandes conglomerados empresariais.
Itália e Espanha enxergam o tamanho do abismo e o povo grego levanta-se contra as imposições do terrorismo de banqueiros e empresas. Os que movem, fazem e desfazem governos. Portugal vê a perspectiva de desintegrar-se numa crise sem tamanho. A antiga Grã Bretanha (Micro-Bretanha) é ficção. Escora-se na decadência do modelo e no formol que conserva Elizabeth II.
Segundo Miriam Leitão eles estão certos. É pule de dez para a próxima vaga na Academia Brasileira de Letras, departamento do grupo GLOBO desde a eleição de José Sarney, passando por Roberto Marinho e agora Merval Pereira.
Fátima Bernardes telefonou para o marido na Copa do Mundo, queria que ele mandasse bater no técnico Dunga. É o que dito não quis dar uma entrevista exclusiva e numa madrugada.
Liberdade de expressão é o povo nas ruas mostrando o caminho e expurgando todos esses criminosos que tomaram conta do mundo, de nosso País inclusive. Ameaçam, no Brasil, com uma grande marcha contra a corrupção. A GLOBO?
A FOLHA DE SÃO PAULO? VEJA? Militares escondidos atrás da saia da anistia com medo de ver revelado o verdadeiro caráter do movimento golpista de 1964?
E os corruptores? As grandes empresas, os bancos, os latifundiários que compram lotes de deputados e senadores, governadores e prefeitos, vereadores, autoridades do Judiciário e deitam e rolam.
Daniel Dantas? Eike Batista? Ermírio de Moraes? Nos Estados Unidos os norte-americanos estão se levantando e querem que esse tipo de gente dê o fora. São cânceres no processo democrático. É hora de ir para as ruas aqui e em todos os lugares. O modelo faliu e vai tentar sobreviver à custa de muito sangue de trabalhadores.
Por Laerte Braga
Imagem: http://1.bp.blogspot.com/_jweET-SazBQ/TDysJeNlE_I/AAAAAAAAAFY/G97TUhalf0c/s1600/a32.jpg |
| 10/10/2011 - Política - Mundo |
El Che: cura e libertação
Ernesto Guevara de la Serna não pode ser confundido com uma grife nas camisetas de revolucionários de gabinete. Não pode ser uma fantasia para militantes de centro acadêmico. Tais usos representam grave pecado. El Che não é uma “foto” para boné, se a cabeça que o arvora não merece tamanho louvor. El Che Guevara tem um significado tal, de importância tão sagrada, que é semente, palavra, marcha, combustível, fuzil, estilingue, trincheira, terra e pátria e mátria deste povo. Do Povo Todo, que muito além do Paraíso da América Latina, roda sua carne na luta, sua voz no clamo; mãos e unhas à destruição dos muros da vergonha, olhos como lume ao caminho, almas todas para libertar a terra do colonialismo, da violação, do saqueio, da morte, da indignidade.
El Che não é um detalhe casual da história, mas, a narração viva-eterna da Nossa História. Anda conosco na afastada Palestina, no desgarrado Haiti, na gloriosa Cuba, no bravio Basco, na Resistência Árabe, na invadida Santo Domingo, na violada Honduras, no severo Uruguai e na inquieta Argentina, nas minas de cobre, na selva Lacandona, nos agrestes nordestinos… anda El Che. Vai com todos os nossos, os ateus e os cristãos, os budistas e os muçulmanos, com os letrados e com os intuitivos, com aquele que pouco tem e com quem não tem nada. Lá vai vivo, audaz, bonito, firme, arfante na subida do Morro ante a incredulidade das UPPs, entre os robocops de Bogotá e os Paracos mexicanos. Sua marcha ruma firme de Tel Aviv a Jerusalém, de Madri a Cabul. O Soldado Universal teme esse santo. O Povo vai atrás do seu Verbo.
É entre as maneiras rebeldes dos estudantes resgatadas no Chile, é entre as mulheres e sua dignidade a erguer em Ciudad Juárez, é entre os velhos e essa independência inacabada da Pátria Grande, é entre nós trabalhadores que temos orgulho de sê-lo que São Ernesto caminha prazeroso. É entre os descalços, os refugiados, os agredidos que ele cura sua alma e alça a voz. Escute: “A participação que cabe a nós, os explorados e atrasados do mundo, é a de eliminar a base que sustenta o imperialismo”.
Tão forte sua prece, que hoje, caindo a tarde, na véspera da sua santificação, alguém de Nova Iorque comentou-me que “Ernesto Guevara de la Serna foi preso em San Diego, e mais tarde em Los Angeles, e depois em San Francisco e até em Sacramento”. Disse-me que a cada ocasião virava dezenas, milhares, milhões de INDIGNADOS atazanando o ventre imundo do monstro, derramando liberdade, valor, dignidade e amor pelo outro. São Ernesto Despejava o Sangue de Filho do Povo, para Nossa Cura e Libertação.
Por Raul Fitipaldi – coordenação do Portal Desacato
Foto: Photo: Yossi Gurvitz
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| 30/09/2011 - Política - Mundo |
É tempo de celebrar! Feliz Primavera!
Pois hoje, nesta nossa parte do mundo, é o equinócio da primavera. No ritmo das estações, tudo começa a vicejar. A voz dos passarinhos fica mais forte, as flores embestam a aparecer e, a despeito de todas as dores e lutas, também as pessoas parecem florescer em festa.
Aqui estamos nós no imenso jardim vendo cada coisa que plantamos no inverno, apontar pela terra afora. Então é hora de dançar a dança dos deuses, fazer “pago à Pacha Mama”, reverenciar Inti (o sol), saudar Ñanderu, o grande pai Guarani, que com Jacy e Kuaray tornam esse mundo tão belo. É tempo de dizer o nome da beleza para que ela nos tome inteira como crêem os Navajos.
Um dia, bem longe, os povos do leste invadiram nossa Tekoá (terra-casa) e soterraram a cultura autóctone, trazendo novo deus e desconhecidos santos. Mas, sempre é tempo de recuperar nossa condição primeira, de povo de Abya Yala, e retomar velhos rituais. A caminhada dos tempos já tratou de mostrar que na profusão de deuses e deusas que co-existem nas mais variadas culturas, o que fica como certeza final é de que esta terra é sagrada e cabe a nós cuidar para que ela siga firme, com saúde e um lugar bom de viver. A Eko Porã do povo Guarani(terra boa e bonita para todos) .
Esse tempo ainda não vingou, proliferam as guerras, as gentes precisam migrar de um lado para outro buscando sobreviver em meio à destruição do capital. Mas, em cada ser que vive, brilha a indefectível esperança. Dia virá em que todos poderão dançar para Inti, Pacha Mama, Viracocha, Quetzalcoalt, Istsá Natlehi, Wakan Tanka, Krisna, Jesus, braços dados, irmãos. E a terra será bela, e o banquete repartido. Paraíso. Socialismo. Eko Porã.
Enquanto isso, celebremos, pois. Os passarinhos nos chamam, as flores perfumam a vida e nós temos a obrigação de render graças. Porque nada no mundo pode ser melhor que caminhar na direção da beleza, da vida plena, da alegria, da Eko Porã. Em meio à tormenta, cantamos, dançamos e plantamos jardins porque confiamos, como Jeremias, diante da sua terra arrasada, que ainda vingarão flores neste lugar...
Feliz primavera! Viva Abya Yala..
Por Elaine Tavares Existe vida no Jornalismo
Imagem: http://4.bp.blogspot.com/_iBMgLwxB748/TJpgCHM3VzI/AAAAAAAAB4k/wg_0YWvA0Uk/s400/feliz-primavera.jpg |
| 16/09/2011 - Política - Mundo |
América Latina é o berço do novo
A professora Milena Peters, da Universitá Degli Studi Suor Orsola Benincasa, de Nápoles, Itália, mostrou que é a partir dos anos 80 que, na América Latina, começam as reformas constitucionais, visto que boa parte dos países entra na chamada transição democrática. “O que se vê é uma difusa adesão a uma forma de Estado Constitucional que expande os direitos humanos, os direitos fundamentais e aponta para novas garantias e novos significados”. As constituições abrem-se para o paradigma da liberdade e para o reconhecimento de ações positivas das minorias. Nos anos 90, esses direitos se ampliam mais ainda, atuando também no campo das garantias ambientais e direitos humanos.
Mas é a partir no novo milênio que começa a fluir uma nova linfa, trazida pelas transformações políticas de caráter popular na Venezuela, Equador e Bolívia. “Essas constituições são o novíssimo, o original”. Um dos elementos fundamentais dessas constituições é que elas nascem da mobilização real das gentes. São realizadas assembléias participativas, e o conceito “participação popular” torna-se real. “Essas constituições radicam-se na realidade histórica descolonizada, ligam a realidade global à local, tem um enfoque na solidariedade, atribuem valor à biodiversidade e sociodiversidade, reconhecem a cosmovisão indígena e garantem a efetiva participação popular”.
Milena lembra que a Constituição do Equador traz um capítulo inteiro de artigos que garantem a proteção da Pachamama, dando base legal a outro tipo de desenvolvimento que não seja predador da natureza. “É um aporte para toda a teoria constitucionalista. Muda tudo. Reforça o conceito de pluralidade que é a base das sociedades multiétnicas e dos estados plurinacionais. Toda a herança cultural é protegida, tantos dos indígenas como dos afrodescendentes. É um modelo peculiar de estado plurinacional e comunitário.” Para a professora, o projeto que emerge dessas novas Constituições é audacioso e bonito mas, também muito difícil de se concretizar. Não é sem razão que a Europa está de olho nesse processo, porque o que acontecer aqui na América Latina pode ter conseqüências mundiais no campo do Direito.
A professora Maria Rosario Valpuesta Fernández, da Universidad Pablo de Olavide, em Sevilha, Espanha, lembrou que as Constituições não são apenas formas jurídicas, mas o resultado de processos políticos, daí a originalidade das novas Constituições que emergem na América Latina, fruto da mobilização e aceitação popular. “O que dizer dos EUA, há democracia por lá? É o estado que nomeia os ministros da Justiça, tudo depende do estado. E a Inglaterra? É uma monarquia. Uma loucura”. Segundo ela, a América Latina hoje está muito mais interessante do que a Europa. Aqui está vicejando o novo. Mas, apesar das mudanças ainda há muito por fazer no que diz respeito à desigualdade social. “para haver democracia de fato, isso tem de acabar”.
Maria Rosario acredita que a América Latina também precisa acertar contas com as suas elites uma vez que os governos pós-coloniais também fizeram muito mal. “Os mapuches, por exemplo, quem destruiu foram os chilenos e não os espanhóis. Nas guerras de independência os índios não contaram, no Peru não se fala em índio, mas sim em camponês. Então as elites locais também têm sua cota de responsabilidade”.
A professora espanhola argumenta ainda que é preciso observar com cuidado as demandas indígenas pois, “nem todos os índios são bons. Há os que vendem madeira, os que exploram outros índios. Tem gente boa e ruim, como em qualquer etnia. Não dá para romantizar”. Sobre a Bolívia ela aponta a ideia de Estado Plurinacional como uma novidade importante uma vez que garante cidadania a uma maioria que estava completamente excluída do processo político. O professor Antônio Carlos Wolkmer, da UFSC, mostrou que o Constitucionalismo liberal cristalizou uma igualdade formal que, na prática, forja um estado de controle, sem democracia, com participação elitista e ausência das massas. Ou seja, coisa muito diferente do que se anuncia agora nas novas Constituições. No caso do Brasil, historicamente, o constitucionalismo tem sido sempre uma cópia, desde a primeira carta, em 1824, que reproduzia a Constituição francesa, incluindo aí o poder moderador. Depois, veio uma Constituição conservadora, centrada no direito dos proprietários, individualista, patriarcal, que vai até os anos 30 do século passado. A modernização impulsionada pela oligarquia desalojada do poder gera o estado corporativo, inspirado no fascismo, com controle dos sindicatos e alguns novos direitos sociais. Os anos 60, tempo da ditadura, trazem a doutrina da segurança nacional e só em 1988, sem o jugo da ditadura, a Constituição brasileira vai ampliar direitos.
A carta de 1988 não é a desejada, feita sem exclusividade e sem participação popular. Mas, ainda assim, ela avança em pontos como os direitos coletivos, direitos culturais, proteção aos povos indígenas e ao meio-ambiente. Wolkmer observa que, na relação com as novas Constituições da região andina, a brasileira ainda tem muito que avançar, principalmente no que diz respeito à participação popular.
O seminário mostrou ainda o quanto o novo movimento indígena tem sido importante na consolidação de novas formas de organizar a vida. A recuperação de formas históricas de solidariedade, cooperação, equidade e relação harmônica com a natureza, têm aberto uma cunha na lógica desenvolvimentista do capitalismo dependente que domina a América Latina. As comunidades indígenas assomam e dizem sua palavra, oferecem seus exemplos e formulam propostas que levam em consideração aspectos jamais observados pelos governantes de plantão. Muitas das novidades que tanto encantam o mundo europeu são as que foram incorporadas do mundo indígena e do mundo popular que, até então, nunca tinham sido levados em conta no processo de construção das cartas magnas. Agora, com essas comunidades, muitas vezes na liderança dessas ações, elementos como referendos populares, estado plurinacional e multiculturalidade se fizeram concretos e estão contemplados na lei.
É certo que tornar real o que a letra da lei escreve ainda é um grande desafio para os povos latino-americanos. A plurinacionalidade é um processo em construção, ainda multifacetado e informe, mas assim como as gentes dessa parte do continente lograram avançar no aspecto constitucional não cabe dúvidas de que serão também capazes de inventar as formas concretas de incorporar a lei ao seu cotidiano. Todos os dias, nas entranhas da Pátria grande, a vida avança. E, dessa vez, é daqui que saem as lições. Quem tem ouvidos para ouvir, que ouça.
Por Elaine Tavares.
Existe vida no Jornalismo
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| 16/09/2011 - Política - Brasil |
A mídia e a coorrupção
Quando o presidente eleito Evo Morales, da Bolívia e outros de países como o Equador e a Venezuela expulsaram de seus países quadrilhas como a Norberto Odebrecht a GLOBO reagiu de forma incisiva em defesa dos “interesses” das empresas nacionais e do próprio Brasil. Os presidentes desses países eleitos pelo voto foram transformados em “ditadores”. Claro, secou a mina por baixo da mesa.
A Norberto Odebrecht, quadrilha de fazer inveja e deixar no chinelo qualquer Beira-mar, qualquer FHC, qualquer Aécio, não conseguiu comprar nem ministros, nem servidores públicos e nem os presidentes daqueles países com obras superfaturadas, mal feitas, etc.
No Brasil compra um lote de cadeiras na Câmara dos Deputados, no Senado Federal, nas assembléias legislativas, muitos governadores de estados (Anastasia, Alckimin por exemplo, ou Renato Casagrande, poucos exemplos), como compra prefeitos e vereadores.
O governador do Ceará, Cid Gomes, irmão do ex-presidenciável (se é que existe isso) Ciro Gomes, disse à imprensa a propósito da greve de professores em busca de melhores salários. “Quem dá aula tem que fazê-lo por amor, se não for assim que busque outra profissão”.
Pedir ao governador – bandido – que doe o seu salário é besteira. Interessante é pedir que doe as propinas. Vale para o governador de Minas, o de São Paulo, o do Rio, o do Espírito Santo (o governador nominal é Renato Casagrande, o de fato é o chefe da quadrilha, Paulo Hartung).
A GLOBO incentiva uma campanha contra a corrupção. Tudo bem. Que tal acabar com câmaras municipais, em sua maioria antro de negociatas (como a da minha cidade pela maioria dos vereadores) e substituí-las por conselhos populares representativos da comunidade, de categorias?
Que tal acabar com os tribunais de contas? O de Minas tem Antônio Andrada, Toninho, ex-prefeito de Barbacena, envolvido em tráfico de drogas e que para sossegar a família Andrada (chegou ao Brasil em navio chapa branca na frota de Cabral) foi encostado num lugar vitalício e hoje ajuda o pobre ex-prefeito e atual pastor Bejani (apareceu no JORNAL NACIONAL contando o dinheiro pago pelos empresários de ônibus) a se esquivar da lei da filha limpa. E tem outros, muitos outros.
Por que não substituí-los por fiscais eleitos pelo voto direto, que possam fiscalizar, inclusive, com transparência absoluta, obrigação de divulgação pública, atos de quadrilhas como a ANVISA, ANAEL, ANATEL, etc, criadas por FHC para escapar do controle do voto popular (são favoritos que o rei indica e estão acima da lei). Nos três níveis. Federal, estadual e municipal.
A GLOBO não quer acabar com a corrupção, é beneficiária direta da corrupção, é produto da corrupção, é venal. Nem ela, nem VEJA, nem a mídia como um todo. O que querem é que a chave do cofre mude de mãos.
Sabe qual uma das notícias destaque no portal GLOBO.COM, sábado, dia 20, por volta das 17 horas? Que a atriz Claudia Jimenez “continua o troca troca, foi vista aos beijos com um novo affair”.
Isso é que é informação, isso é que conscientizar o cidadão. São pilantras e o basta que tem ser dado é a eles.
Povo neles, participação popular e as verdadeiras quadrilhas, os corruptores, vão aparecer ao lado dos corrompidos padrão Cid Gomes. Manda o pilantra governar de graça, sem salário e sem propina. Vê se ele aceita?
Esse tipo de gente quando tem problema corre atrás de Gilmar Mendes e compra o habeas corpus. É só olhar, tem, com certeza, habeas corpus para qualquer tipo de crime que essa gente possa cometer, até estupro.
Por Laerte Braga.
Tomado do Portal Desacato – www.desacato.info
Imagem: www1.folha.uol.com.br |
| 05/09/2011 - Política - Mundo |
Breve história da Somália e a origem dos “piratas”
Muitos tempo depois, já no século VII, a Somália vai gradualmente se convertendo ao islamismo e suas cidades conformam vários sultanatos de muito poder. Mogadíscio, por exemplo, no século VIII, chegou a controlar grande parte do comércio do ouro na região, e outras cidades se destacaram na engenharia e na arte da guerra. Mais tarde, durante o sultanato de Adal, o país expandiu seu território e construiu cidades modernas, muito mais avançadas que as europeias. Esse governo termina em 1555, já debilitado pelas invasões portuguesas, que principiavam a saquear a África.
Foi a dinastia Ajuuraan que, entre os séculos XIV e XVII, conseguiu resistir e derrotar as ameaças dos portugueses e também do povo Oromo, majoritariamente habitante da Etiópia. Esses monarcas deram impulso a artes como a Engenharia Hidráulica, Arquitetura, Astronomia. Do século XVII ao XIX, foi o tempo da dinastia Gobroon, que reinou com certa autonomia já que os portugueses tinham deixado de interferir na região e haviam ocupado Moçambique.
Em 1896 passa a vigorar o que ficou conhecido como o Estado Dervixe – por ser de maioria sufi - até hoje reconhecido como o símbolo da resistência somali à dominação europeia, tendo como dirigente o ícone nacional Muhammad Abdullah Hassan, chamado de “Mulá Louco” pelos britânicos que tentavam dominar a região. A cobiça pela região da Somália seguiu intensa, seja pela Grã Bretanha, ou mesmo pelo Império Etíope, e o povo resistiu por muito tempo, chegando a rechaçar militarmente as tropas britânicas. Foi só em 1920 que os ingleses conseguiram dobrar a espinha do povo da Somália, sendo necessário utilizar aviões de guerra pela primeira vez naquela região. Desde aí se iniciou o período da desgraça e das ocupações estrangeiras. A partir dessa guerra a Somália passou a ser um protetorado inglês.
Mais tarde, em 1927, também a Itália entrou na região e garantiu para si parte do país, coexistindo então dois protetorados. Foi só em 1960 que se formou a República Democrática Somali. Em 1969, militares afinados com o pensamento socialista dão um golpe e passam a governar. Esse acaba sendo um período bastante positivo para o país, há melhorias na educação e nas questões sociais. Em 1974 o país foi aceito na Liga Árabe e passou a atuar alinhada à fundação da União Africana, contra o regime do apartheid. No campo da guerra fria, a Somália se alinhava ao mundo soviético e desde aí passou a ser inimiga do “mundo livre”. Já sua vizinha, Etiópia, era aliada dos EUA. Quando a Somália passou a querer discutir suas fronteiras – criadas artificialmente por Itália e Grã Bretanha - e apresentou a proposta da criação de um exército, assinou sua sentença. O império não lhe daria paz. Assim, em 1977, depois de uma visita do então secretário estadunidense Henry Kisinger, o governo da Somália decide atacar a Etiópia – agora também na órbita socialista - , rompendo o acordo de paz que tinha com o país vizinho e virando o leme para a órbita dos Estados Unidos. Depois desse conflito chega à Somália o “bonde da salvação”, dirigido pelos burocratas do FMI e do Banco Mundial. A promessa de dinheiro levou a muitas disputas no interior dos clãs e todo esse frisson se acaba em 1990, com a queda de Siad Barre.
A partir do ano de 1990 a vida na Somália entrou num turbilhão. Uma crise de fome e conflitos levou ao fim do governo. Os Estados Unidos, que lá andava explorando petróleo decidiu, em nome da “democracia e da liberdade”, intervir no país, para retirar a Somália da trajetória do “comunismo”. O resultado disso foi a guerra. Exércitos de somalis nacionalistas iniciaram a resistência e outros grupos passaram a apoiar os EUA. O resultado foi a divisão completa do país, o que para o Estados Unidos segue sendo uma boa pedida, pois o que realmente importa é que o país não seja comandado por algum nacionalista que venha atuar contra os interesses estadunidenses.
Diante do caos quem assumiu o comando foram os hoje chamados “senhores da guerra”, chefes de milícias armadas que decidem sobre a vida e a morte. Como o país ficou à deriva, e é uma região rica em petróleo, minerais e peixe, as aves de rapina da Europa e da Ásia começaram a arribar. Navios destes dois continentes passaram a navegar nas águas somalis recolhendo todo o peixe, já que não havia governo ao qual se reportar. Sem respeitar qualquer lei ambiental esses barcos usam técnicas predatórias e provocam o despovoamento dos mares.
Não bastasse toda essa desgraça, ainda tem o caso dos navios que depositam resíduos tóxicos e nucleares na costa da Somália, fato que só veio à tona com outra tragédia: o tsunami que devastou a região em 2005. Depois que o mar voltou para o leito sobraram na areia os recipientes mortais.
Assim, o povo da Somália, composto principalmente por pescadores artesanais, estava duplamente deserdado. Não tinha mais o mar e precisava enfrentar os efeitos do lixo tóxico. Entregues à própria sorte, sem governo e acossados pelos senhores da guerra a única saída foi o desespero da sobrevivência. É assim que nasce a figura do “pirata”.
Para o mundo ocidental, que tem transformado o lugar em lixo nuclear, os somalis aparecem como bandidos e não é à toa que a “humanitária” OTAN já esteja com suas tropas no Oceano Índico, por onde passa mais de 70% do trafego dos derivados de petróleo, como esclarece no sito Diário da Liberdade, o especialista em geopolítica, Muhamed Hassan: “Do ponto de vista estratégico, a Somália é um lugar muito importante: o país tem a maior costa da África do Sul (3.300 Km) e está voltado para o Golfo Pérsico e para o Estreito de Ormuz, dois pontos-chave da economia da região. Além disso, se uma resposta do Pacífico é oferecida ao problema somali, as relações entre a África de um lado, e a Índia e a China, por outro lado, poderiam se desenvolver através do Oceano Índico”.
Então, sem qualquer idéia do que se passa na região, os meios de comunicação aliados ao império estadunidense divulgam o que interessa apenas aos interesses do império. Nada sobre a história, nada sobre os problemas reais. O que aparece é que os “piratas” são bandidos e no geral pertencentes a Al-Qaeda que, como bem diz Mohamed Hassan, nada mais é do que uma logomarca que é colada na pele de qualquer um que esteja contra os interesses econômicos dos Estados Unidos.
Veja aqui um vídeo produzido por um espanhol que mostra a situação no país e a face oculta do oportunismo ocidental.
Assista o vídeo clicando:
Por Elaine Tavares - jornalista Com informações do Diário da Liberdade e infoescola.com Existe vida no Jornalismo
Imagem: http://desacato.info/wp-content/uploads/2011/09/somalia-piratas-300x225.jpg |
| 23/08/2011 - Política - Brasil |
Carta aberta da ABRAÇO em defesa das rádios comunitárias e pelo fim do monopólio na comunicação
O Direito a verdadeira comunicação é uma garantia Constitucional e um direito universal. Já é ora de o Estado paralisar sua omissão prolongada e investir RESPONSAVELMENTE em reformas estruturais que garantam o fortalecimento da Democracia. Exigimos, além das reformas política, administrativa e tributária, que se estabeleça URGENTEMENTE o novo Marco Regulatório para a Comunicação. Há que se ter normas precisas para garantirmos que todos os cidadãos as cumpram com rigor, sob pena de persistirmos nas contradições seculares de nosso País.
As Rádios Comunitárias entram neste seara, não apenas como agentes de transformação social, mas essencialmente como meios de aceleração deste processo, já que está inserida em todos e mais longínquos recantos deste País. Por esta razão, e por representarem em sua concepção, a democracia por excelência, com a participação e agregação de toda uma comunidade pelo bem comum, exigimos maior atenção e respeito do Poder Público, principalmente na questão da sustentabilidade e capacitação dos que direta e indiretamente estão inseridos neste sistema comunitário e público, observando-se, de forma imediata, as seguintes reivindicações, sem abdicarmos das demais, inclusive 100% ratificadas pela 1ª Conferência Nacional de Comunicação:
1. Revogação da decisão recente da ANATEL em ajustar as Rádios Comunitárias nos canais abaixo do 200, as tirando do dial; 2. O anuncio do repasse das campanhas dos governos federal,, Estadual e Municipal; 3. Audiência pública nos estados para resolver os choques de freqüência; 4. Concessão de três (3) Canais alternativos entre 88-108, respeitando a freqüência de 104,9 como padrão nacional; 5. Desarquivamento dos processos que estão sendo criminalizados por conta de uma famigerado Termo de Ajuste de Conduta elaborado entre MC e MPF; 6. Revogação das multas decorrentes de apoio cultural e fim da indústria de multas; 7. Financiamento público e cumprimento do art. 20 da Lei 9.612/98 já!
Brasil, 24/25 de agosto de 2011 - 15 ANOS DE LUTA – DIA NACIONAL DE MOBILICAÇÃO DAS RÁDIOS COMUNITÁRIAS
Imagem: http://www.caldeirao.org.br/wp-content/uploads/2011/01/abraco.jpg
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| 25/07/2011 - Política - Brasil |
Socialismo uma doutrina triunfante
Tão bom de prosa como de escrita, ele fala sobre seu método de análise literária, dos livros de que gosta, da sua infância, do começo da sua militância, da televisão, do MST, da sua crença profunda no socialismo como uma doutrina triunfante. "O que se pensa que é a face humana do capitalismo é o que o socialismo arrancou dele", afirma.
Brasil de Fato – Nos seus textos é perceptível a intenção de ser entendido. Apesar de muito erudito, sua escrita é simples. Por que esse esforço de ser sempre claro? Antonio Candido – Acho que a clareza é um respeito pelo próximo, um respeito pelo leitor. Sempre achei, eu e alguns colegas, que, quando se trata de ciências humanas, apesar de serem chamadas de ciências, são ligadas à nossa humanidade, de maneira que não deve haver jargão científico. Posso dizer o que tenho para dizer nas humanidades com a linguagem comum. Já no estudo das ciências humanas eu preconizava isso. Qualquer atividade que não seja estritamente técnica, acho que a clareza é necessária inclusive para pode divulgar a mensagem, a mensagem deixar de ser um privilégio e se tornar um bem comum.
Brasil de Fato – O seu método de análise da literatura parte da cultura para a realidade social e volta para a cultura e para o texto. Como o senhor explicaria esse método? Antonio Candido – Uma coisa que sempre me preocupou muito é que os teóricos da literatura dizem: é preciso fazer isso, mas não fazem. Tenho muita influência marxista – não me considero marxista – mas tenho muita influência marxista na minha formação e também muita influência da chamada escola sociológica francesa, que geralmente era formada por socialistas. Parti do seguinte princípio: quero aproveitar meu conhecimento sociológico para ver como isso poderia contribuir para conhecer o íntimo de uma obra literária. No começo eu era um pouco sectário, politizava um pouco demais minha atividade. Depois entrei em contato com um movimento literário norte-americano, a nova crítica, conhecido como new criticism. E aí foi um ovo de colombo: a obra de arte pode depender do que for, da personalidade do autor, da classe social dele, da situação econômica, do momento histórico, mas quando ela é realizada, ela é ela. Ela tem sua própria individualidade. Então a primeira coisa que é preciso fazer é estudar a própria obra. Isso ficou na minha cabeça. Mas eu também não queria abrir mão, dada a minha formação, do social. Importante então é o seguinte: reconhecer que a obra é autônoma, mas que foi formada por coisas que vieram de fora dela, por influências da sociedade, da ideologia do tempo, do autor. Não é dizer: a sociedade é assim, portanto a obra é assim. O importante é: quais são os elementos da realidade social que se transformaram em estrutura estética. Me dediquei muito a isso, tenho um livro chamado "Literatura e sociedade" que analisa isso. Fiz um esforço grande para respeitar a realidade estética da obra e sua ligação com a realidade. Há certas obras em que não faz sentido pesquisar o vínculo social porque ela é pura estrutura verbal. Há outras em que o social é tão presente – como "O cortiço" [de Aluísio Azevedo] – que é impossível analisar a obra sem a carga social. Depois de mais maduro minha conclusão foi muito óbvia: o crítico tem que proceder conforme a natureza de cada obra que ele analisa. Há obras que pedem um método psicológico, eu uso; outras pedem estudo do vocabulário, a classe social do autor; uso. Talvez eu seja aquilo que os marxistas xingam muito que é ser eclético. Talvez eu seja um pouco eclético, confesso. Isso me permite tratar de um número muito variado de obras.
Brasil de Fato – Teria um tipo de abordagem estética que seria melhor? Antonio Candido – Não privilegio. Já privilegiei. Primeiro o social, cheguei a privilegiar mesmo o político. Quando eu era um jovem crítico eu queria que meus artigos demonstrassem que era um socialista escrevendo com posição crítica frente à sociedade. Depois vi que havia poemas, por exemplo, em que não podia fazer isso. Então passei a outra fase em que passei a priorizar a autonomia da obra, os valores estéticos. Depois vi que depende da obra. Mas tenho muito interesse pelo estudo das obras que permitem uma abordagem ao mesmo tempo interna e externa. A minha fórmula é a seguinte: estou interessado em saber como o externo se transformou em interno, como aquilo que é carne de vaca vira croquete. O croquete não é vaca, mas sem a vaca o croquete não existe. Mas o croquete não tem nada a ver com a vaca, só a carne. Mas o externo se transformou em algo que é interno. Aí tenho que estudar o croquete, dizer de onde ele veio.
Brasil de Fato – O que é mais importante ler na literatura brasileira? Antonio Candido – Machado de Assis. Ele é um escritor completo.
Brasil de Fato – É o que senhor mais gosta? Antonio Candido – Não, mas acho que é o que mais se aproveita.
Brasil de Fato – E de qual o senhor mais gosta? Antonio Candido – Gosto muito do Eça de Queiroz, muitos estrangeiros. De brasileiros, gosto muito de Graciliano Ramos... Acho que já li "São Bernardo" umas 20 vezes, com mentira e tudo. Leio o Graciliano muito, sempre. Mas Machado de Assis é um autor extraordinário. Comecei a ler com 9 anos livros de adulto. E ninguém sabia quem era Machado de Assis, só o Brasil e, mesmo assim, nem todo mundo. Mas hoje ele está ficando um autor universal. Ele tinha a prova do grande escritor. Quando se escreve um livro, ele é traduzido, e uma crítica fala que a tradução estragou a obra, é porque não era uma grande obra. Machado de Assis, mesmo mal traduzido, continua grande. A prova de um bom escritor é que mesmo mal traduzido ele é grande. Se dizem: "a tradução matou a obra", então a obra era boa, mas não era grande.
Brasil de Fato – Como levar a grande literatura para quem não está habituado com a leitura? Antonio Candido – É perfeitamente possível, sobretudo Machado de Assis. A Maria Vitória Benevides me contou de uma pesquisa que foi feita na Itália há uns 30 anos. Aqueles magnatas italianos, com uma visão já avançada do capitalismo, decidiram diminuir as horas de trabalho para que os trabalhadores pudessem ter cursos, se dedicar à cultura. Então perguntaram: cursos de que vocês querem? Pensaram que iam pedir cursos técnicos, e eles pediram curso de italiano para poder ler bem os clássicos. "A divina comédia" é um livro com 100 cantos, cada canto com dezenas de estrofes. Na Itália, não sou capaz de repetir direito, mas algo como 200 mil pessoas sabem a primeira parte inteira, 50 mil sabem a segunda, e de 3 a 4 mil pessoas sabem o livro inteiro de cor. Quer dizer, o povo tem direito à literatura e entende a literatura. O doutor Agostinho da Silva, um escritor português anarquista que ficou muito tempo no Brasil, explicava para os operários os diálogos de Platão, e eles adoravam. Tem que saber explicar, usar a linguagem normal.
Brasil de Fato – O senhor acha que o brasileiro gosta de ler? Antonio Candido – Não sei. O Brasil pra mim é um mistério. Tem editora para toda parte, tem livro para todo lado. Vi uma reportagem que dizia que a cidade de Buenos Aires tem mais livrarias que em todo o Brasil. Lê-se muito pouco no Brasil. Parece que o povo que lê mais é o finlandês, que lê 30 volumes por ano. Agora dizem que o livro vai acabar, né?
Brasil de Fato – O senhor acha que vai? Antonio Candido – Não sei. Eu não tenho nem computador... as pessoas me perguntam: qual é o seu... como chama? Brasil de Fato – E-mail? Antonio Candido – Isso! Olha, eu parei no telefone e máquina de escrever. Não entendo dessas coisas... Estou afastado de todas as novidades há cerca de 30 anos. Não me interesso por literatura atual. Sou um velho caturra. Já doei quase toda minha biblioteca, 14 ou 15 mil volumes. O que tem aqui é livro para visita ver. Mas pretendo dar tudo. Não vendo livro, eu dou. Sempre fiz escola pública, inclusive universidade pública, então é o que posso dar para devolver um pouco. Tenho impressão que a literatura brasileira está fraca, mas isso todo velho acha. Meus antigos alunos que me visitam muito dizem que está fraca no Brasil, na Inglaterra, na França, na Rússia, nos Estados Unidos... que a literatura está por baixo hoje em dia. Mas eu não me interesso por novidades.
Brasil de Fato – E o que o senhor lê hoje em dia? Antonio Candido – Eu releio. História, um pouco de política... mesmo meus livros de socialismo eu dei tudo. Agora estou querendo reler alguns mestres socialistas, sobretudo Eduard Bernstein, aquele que os comunistas tinham ódio. Ele era marxista, mas dizia que o marxismo tem um defeito, achar que a gente pode chegar no paraíso terrestre. Então ele partiu da ideia do filósofo Immanuel Kant da finalidade sem fim. O socialismo é uma finalidade sem fim. Você tem que agir todos os dias como se fosse possível chegar no paraíso, mas você não chegará. Mas se não fizer essa luta, você cai no inferno.
Antonio Candido – Ah, claro, inteiramente. Aliás, eu acho que o socialismo é uma doutrina totalmente triunfante no mundo. E não é paradoxo. O que é o socialismo? É o irmão-gêmeo do capitalismo, nasceram juntos, na revolução industrial. É indescritível o que era a indústria no começo. Os operários ingleses dormiam debaixo da máquina e eram acordados de madrugada com o chicote do contramestre. Isso era a indústria. Aí começou a aparecer o socialismo. Chamo de socialismo todas as tendências que dizem que o homem tem que caminhar para a igualdade e ele é o criador de riquezas e não pode ser explorado. Comunismo, socialismo democrático, anarquismo, solidarismo, cristianismo social, cooperativismo... tudo isso. Esse pessoal começou a lutar, para o operário não ser mais chicoteado, depois para não trabalhar mais que doze horas, depois para não trabalhar mais que dez, oito; para a mulher grávida não ter que trabalhar, para os trabalhadores terem férias, para ter escola para as crianças. Coisas que hoje são banais. Conversando com um antigo aluno meu, que é um rapaz rico, industrial, ele disse: "o senhor não pode negar que o capitalismo tem uma face humana". O capitalismo não tem face humana nenhuma. O capitalismo é baseado na mais-valia e no exército de reserva, como Marx definiu. É preciso ter sempre miseráveis para tirar o excesso que o capital precisar. E a mais-valia não tem limite. Marx diz na "Ideologia Alemã": as necessidades humanas são cumulativas e irreversíveis. Quando você anda descalço, você anda descalço. Quando você descobre a sandália, não quer mais andar descalço. Quando descobre o sapato, não quer mais a sandália. Quando descobre a meia, quer sapato com meia e por aí não tem mais fim. E o capitalismo está baseado nisso. O que se pensa que é face humana do capitalismo é o que o socialismo arrancou dele com suor, lágrimas e sangue. Hoje é normal o operário trabalhar oito horas, ter férias... tudo é conquista do socialismo. O socialismo só não deu certo na Rússia.
Brasil de Fato – Por quê? Antonio Candido – Virou capitalismo. A revolução russa serviu para formar o capitalismo. O socialismo deu certo onde não foi ao poder. O socialismo hoje está infiltrado em todo lugar.
Brasil de Fato – O socialismo como luta dos trabalhadores? Antonio Candido – O socialismo como caminho para a igualdade. Não é a luta, é por causa da luta. O grau de igualdade de hoje foi obtido pelas lutas do socialismo. Portanto ele é uma doutrina triunfante. Os países que passaram pela etapa das revoluções burguesas têm o nível de vida do trabalhador que o socialismo lutou para ter, o que quer. Não vou dizer que países como França e Alemanha são socialistas, mas têm um nível de vida melhor para o trabalhador.
Brasil de Fato – Para o senhor é possível o socialismo existir triunfando sobre o capitalismo? Antonio Candido – Estou pensando mais na técnica de esponja. Se daqui a 50 anos no Brasil não houver diferença maior que dez do maior ao menor salário, se todos tiverem escola... não importa que seja com a monarquia, pode ser o regime com o nome que for, não precisa ser o socialismo! Digo que o socialismo é uma doutrina triunfante porque suas reivindicações estão sendo cada vez mais adotadas. Não tenho cabeça teórica, não sei como resolver essa questão: o socialismo foi extraordinário para pensar a distribuição econômica, mas não foi tão eficiente para efetivamente fazer a produção. O capitalismo foi mais eficiente, porque tem o lucro. Quando se suprime o lucro, a coisa fica mais complicada. É preciso conciliar a ambição econômica – que o homem civilizado tem, assim como tem ambição de sexo, de alimentação, tem ambição de possuir bens materiais – com a igualdade. Quem pode resolver melhor essa equação é o socialismo, disso não tenho a menor dúvida. Acho que o mundo marcha para o socialismo. Não o socialismo acadêmico típico, a gente não sabe o que vai ser... o que é o socialismo? É o máximo de igualdade econômica. Por exemplo, sou um professor aposentado da Universidade de São Paulo e ganho muito bem, ganho provavelmente 50, 100 vezes mais que um trabalhador rural. Isso não pode. No dia em que, no Brasil, o trabalhador de enxada ganhar apenas 10 ou 15 vezes menos que o banqueiro, está bom, é o socialismo.
Brasil de Fato – O que o socialismo conseguiu no mundo de avanços? Antonio Candido – O socialismo é o cavalo de Troia dentro do capitalismo. Se você tira os rótulos e vê as realidades, vê como o socialismo humanizou o mundo. Em Cuba eu vi o socialismo mais próximo do socialismo. Cuba é uma coisa formidável, o mais próximo da justiça social. Não a Rússia, a China, o Camboja. No comunismo tem muito fanatismo, enquanto o socialismo democrático é moderado, é humano. E não há verdade final fora da moderação, isso Aristóteles já dizia, a verdade está no meio. Quando eu era militante do PT – deixei de ser militante em 2002, quando o Lula foi eleito – era da ala do Lula, da Articulação, mas só votava nos candidatos da extrema esquerda, para cutucar o centro. É preciso ter esquerda e direita para formar a média. Estou convencido disso: o socialismo é a grande visão do homem, que não foi ainda superada, de tratar o homem realmente como ser humano. Podem dizer: a religião faz isso. Mas faz isso para o que são adeptos dela, o socialismo faz isso para todos. O socialismo funciona como esponja: hoje o capitalismo está embebido de socialismo. No tempo que meu irmão Roberto – que era católico de esquerda – começou a trabalhar, eu era moço, ele era tido como comunista, por dizer que no Brasil tinha miséria. Dizer isso era ser comunista, não estou falando em metáforas. Hoje, a Federação das Indústrias, Paulo Maluf, eles dizem que a miséria é intolerável. O socialismo está andando... não com o nome, mas aquilo que o socialismo quer, a igualdade, está andando. Não aquela igualdade que alguns socialistas e os anarquistas pregavam, igualdade absoluta é impossível. Os homens são muito diferentes, há uma certa justiça em remunerar mais aquele que serve mais à comunidade. Mas a desigualdade tem que ser mínima, não máxima. Sou muito otimista. (pausa). O Brasil é um país pobre, mas há uma certa tendência igualitária no brasileiro – apesar da escravidão - e isso é bom. Tive uma sorte muito grande, fui criado numa cidade pequena, em Minas Gerais, não tinha nem 5 mil habitantes quando eu morava lá. Numa cidade assim, todo mundo é parente. Meu bisavô era proprietário de terras, mas a terra foi sendo dividida entre os filhos... então na minha cidade o barbeiro era meu parente, o chofer de praça era meu parente, até uma prostituta, que foi uma moça deflorada expulsa de casa, era minha prima. Então me acostumei a ser igual a todo mundo. Fui criado com os antigos escravos do meu avô. Quando eu tinha 10 anos de idade, toda pessoa com mais de 40 anos tinha sido escrava. Conheci inclusive uma escrava, tia Vitória, que liderou uma rebelião contra o senhor. Não tenho senso de desigualdade social. Digo sempre, tenho temperamento conservador. Tenho temperamento conservador, atitudes liberais e ideias socialistas. Minha grande sorte foi não ter nascido em família nem importante nem rica, senão ia ser um reacionário. (risos).
Brasil de Fato – A Teresina, que inspirou um livro com seu nome, o senhor conheceu depois? Antonio Candido – Conheci em Poços de Caldas... essa era uma mulher extraordinária, uma anarquista, maior amiga da minha mãe. Tenho um livrinho sobre ela. Uma mulher formidável. Mas eu me politizei muito tarde, com 23, 24 anos de idade com o Paulo Emílio. Ele dizia: "é melhor ser fascista do que não ter ideologia". Ele que me levou para a militância. Ele dizia com razão: cada geração tem o seu dever. O nosso dever era político.
Brasil de Fato – E o dever da atual geração? Antonio Candido – Ter saudade. Vocês pegaram um rabo de foguete danado.
Brasil de Fato – No seu livro "Os parceiros do Rio Bonito" o senhor diz que é importante defender a reforma agrária não apenas por motivos econômicos, mas culturalmente. O que o senhor acha disso hoje? Antonio Candido – Isso é uma coisa muito bonita do MST. No movimento das Ligas Camponesas não havia essa preocupação cultural, era mais econômica. Acho bonito isso que o MST faz: formar em curso superior quem trabalha na enxada. Essa preocupação cultural do MST já é um avanço extraordinário no caminho do socialismo. É preciso cultura. Não é só o livro, é conhecimento, informação, notícia... Minha tese de doutorado em ciências sociais foi sobre o camponês pobre de São Paulo – aquele que precisa arrendar terra, o parceiro. Em 1948, estava fazendo minha pesquisa num bairro rural de Bofete e tinha um informante muito bom, Nhô Samuel Antônio de Camargos. Ele dizia que tinha mais de 90 anos, mas não sabia quantos. Um dia ele me perguntou: "ô seu Antonio, o imperador vai indo bem? Não é mais aquele de barba branca, né?". Eu disse pra ele: "não, agora é outro chamado Eurico Gaspar Dutra". Quer dizer, ele está fora da cultura, para ele o imperador existe. Ele não sabe ler, não sabe escrever, não lê jornal. A humanização moderna depende da comunicação em grande parte. No dia em que o trabalhador tem o rádio em casa ele é outra pessoa. O problema é que os meios modernos de comunicação são muito venenosos. A televisão é uma praga. Eu adoro, hein? Moro sozinho, sozinho, sou viúvo e assisto televisão. Mas é uma praga. A coisa mais pérfida do capitalismo – por causa da necessidade cumulativa irreversível – é a sociedade de consumo. Marx não conheceu, não sei como ele veria. A televisão faz um inculcamento sublimar de dez em dez minutos, na cabeça de todos – na sua, na minha, do Sílvio Santos, do dono do Bradesco, do pobre diabo que não tem o que comer – imagens de whisky, automóvel, casa, roupa, viagem à Europa – cria necessidades. E claro que não dá condições para concretizá-las. A sociedade de consumo está criando necessidades artificiais e está levando os que não têm ao desespero, à droga, miséria... Esse desejo da coisa nova é uma coisa poderosa. O capitalismo descobriu isso graças ao Henry Ford. O Ford tirou o automóvel da granfinagem e fez carro popular, vendia a 500 dólares. Estados Unidos inteiro começou a comprar automóvel, e o Ford foi ficando milionário. De repente o carro não vendia mais. Ele ficou desesperado, chamou os economistas, que estudaram e disseram: "mas é claro que não vende, o carro não acaba". O produto industrial não pode ser eterno. O produto artesanal é feito para durar, mas o industrial não, ele tem que ser feito para acabar, essa é coisa mais diabólica do capitalismo. E o Ford entendeu isso, passou a mudar o modelo do carro a cada ano. Em um regime que fosse mais socialista seria preciso encontrar uma maneira de não falir as empresas, mas tornar os produtos duráveis, acabar com essa loucura da renovação. Hoje um automóvel é feito para acabar, a moda é feita para mudar. Essa ideia tem como miragem o lucro infinito. Enquanto a verdadeira miragem não é a do lucro infinito, é do bem-estar infinito.
Antonio Candido de Mello e Souza nasceu no Rio de Janeiro em 24 de julho de 1918, concluiu seus estudos secundários em Poços de Caldas (MG) e ingressou na recém-fundada Universidade de São Paulo em 1937, no curso de Ciências Sociais. Com os amigos Paulo Emílio Salles Gomes, Décio de Almeida Prado e outros fundou a revista Clima. Com Gilda de Mello e Souza, colega de revista e do intenso ambiente de debates sobre a cultura, foi casado por 60 anos. Defendeu sua tese de doutorado, publicada depois como o livro "Os Parceiros do Rio Bonito", em 1954. De 1958 a 1960 foi professor de literatura na Faculdade de Filosofia de Assis. Em 1961, passou a dar aulas de teoria literária e literatura comparada na USP, onde foi professor e orientou trabalhos até se aposentar, em 1992. Na década de 1940, militou no Partido Socialista Brasileiro, fazendo oposição à ditadura Vargas. Em 1980, foi um dos fundadores do Partido dos Trabalhadores. Colaborou nos jornais Folha da Manhã e Diário de São Paulo, resenhando obras literárias. É autor de inúmeros livros, atualmente reeditados pela editora Ouro sobre Azul, coordenada por sua filha, Ana Luisa Escorel.
[Publicado originalmente na edição 435 do Brasil de Fato.]
Fonte: Brasil de Fato, Imagem 01: http://4.bp.blogspot.com/-MM2ghEwBuVk/TgUEw7s3-vI/AAAAAAAAAPs/rurYrds4g6o/s1600/antonio-candido.jpg
Imagem 02: http://s.glbimg.com/jo/g1/f/original/2011/07/06/candidp.jpg
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| 18/07/2011 - Política - Brasil |
Quem olha a Veja?
Tinha de aguardar o final da seção para retrucar com os diplomas do FHC que nos levou a falência. Claro que não convenci os brios acadêmicos da minha bela dentista e continuou pensando da mesma forma mesmo depois da visível ascensão econômica experimentada por toda a classe média brasileira. Mas ainda bem antes disso, quando lhe perguntei a razão do sumiço dos exemplares da Revista Veja na recepção da antiga clínica em que atendia, respondeu que muitos clientes não suportavam nem olhar para a capa da revista.
Irônico, sugeri que não era único paciente com coragem de discordar politicamente apesar da broca nos dentes. Retrucou explicando que politicamente eu era o único, mas quanto a Veja “não dá mais mesmo para ler”. E isso faz tempo, lá pela época do golpe do mensalão acusado pelo ACM como o maior esquema de corrupção da história do Brasil. “Mas logo o ACM!?” – dizia para dentista.
Na temporada retrasada um casal de hóspedes em minha pousada, meio envergonhados acabaram se confessando funcionários da Veja on Line. Fazendo-me de desentendido, perguntei o motivo da vergonha. Foram claros e me deram informações auspiciosas sobre a queda geral de vendas das revistas da editora Abril, liderada pela Veja. Concluíram haver no Brasil mais antilulistas do que leitores da Veja.
Aquilo me fez pensar. Se nem mesmo os eleitores da oposição leem o principal veículo do DEM e do PSDB, a quem se dirigem os anunciantes da Veja?
Ando pelas ruas e ainda mantenho velho hábito de observar a exposição de publicações nas bancas de jornais, embora já quase nenhuma me interesse. Haverá alguma? Mais provável que não, mas o hábito permanece pois mesmo quando havia algo a se ler na imprensa brasileira, só pela espessura dos montinhos de jornais e revistas eu reconhecia os de maior e menor circulação, deduzindo pelas manchetes os temas que mais comovem os leitores.
A Veja anda tão escondida e há muito os jornaleiros contradizem meus receios de grande “saída” da revista, com a mesma permanente afirmação: “- Não adianta deixar à vista. Não tem saída.” Deixei de os questionar a respeito da publicação. Quando o fazia se ofereciam a buscar um exemplar lá mais ao fundo e estranhavam quando recusava a oferta, explicando ter perguntado por mera curiosidade.
Explicava! Já não explico mais pois não vou ficar insistindo por resposta já conhecida. Mas o que de fato me falta é uma explicação publicitária: a quem se dirigem os anunciantes da Veja?
Chega a me dar certa tristeza, pois lembro bem de quando comecei na editora Abril. Ainda não tinha sequer 18 anos e precisava do CPF de meu pai para receber por minhas colaborações às revistas infantis da Editora Abril. Até gostava de desenvolver os contos a serem ilustrados para a Revista Recreio, mas detestava escrever histórias da Disney sem poder fugir dos padrões exigidos pela matriz norte-americana. No início ainda me contentei com algumas histórias do Zé Carioca e do Zorro, mas havia as censoras da própria Abril que, disfarçadas em pedagogas e psicólogas, me vetavam as melhores.
Só aguentava pela esperança de manter algum relacionamento com o pessoal da Realidade, acreditando que como colaborador daquela revista driblaria a lista negra onde a ditadura enfiara meu nome, me impedindo de ingressar na faculdade logo após a lei que então exigia no mínimo o segundo ano do curso de jornalismo para o exercício da profissão. A Revista Realidade, de circulação mensal, era, e continua sendo depois de tantos anos de sua extinção, a melhor publicação do gênero na história do jornalismo brasileiro e, em minhas utopias juvenis, através da Realidade não haveria ditadura que me impedisse ao jornalismo.
Lançou-se então um número da Realidade com capa ilustrada por montagem de belo rosto feminino de duas faces: metade de uma branca e metade de uma negra. Tratava da questão do racismo no Brasil e a reportagem fora trabalhada por dois jornalistas, um branco e o negro Odaci, saudoso amigo há muito falecido. Através do Odaci conheci o Bigode, o Roberto Freire, o Serjão, Sérgio de Souza, e outros mais daquela que foi a melhor publicação da Abril. Mas já então era muito tarde, pois a revista fora suspensa apesar do grande sucesso de vendas, cedendo espaço ao lançamento de uma edição semanal para a qual trouxeram um jornalista italiano como editor: o Mino Carta.
Foi-se o que acreditava ser minha última oportunidade de ingressar profissionalmente no jornalismo e, evidentemente, não tive bons olhos para os primeiros números da Veja. Com o tempo, em meio a imprensa manietada pela censura ditatorial, a Veja até passou a ser algo de melhor entre o que chamávamos de imprensa oficial. Cheguei a colecioná-la, mesmo que, claro, minhas preferências recaíssem sobre Movimento, Opinião, Pasquim, e tantas outras das publicações que sobreviviam às duras penas, mantidas unicamente da venda de exemplares em bancas de jornais, boicotadas pelos anunciantes.
Não deixavam de ter certa razão os anunciantes, afinal os leitores daquelas publicações em maioria constituíam uma juventude pouco afeita ao consumismo. Pois este histórico é um dos fatores que estimulam meu questionamento: à quem, hoje, se dirigem os anunciantes da Veja?
Retornando aos tempos dos primórdios da revista, quando a ditadura fechou o cerco e o jeito foi me escapar pelas capitais do nordeste, engrossei o regimento de colaboradores de publicações então chamadas de “marginais”. Talvez por estarem à margem do mercado publicitário brasileiro ou do controle ideológico da ditadura. Mas é preciso reconhecer que apesar desse controle, muitas vezes exercidos sob pressão dos proprietários dos veículos de comunicação, havia no estafe de todas as redações profissionais dignos, jornalistas verdadeiros, gente que, de fato, buscava a isenção tão necessária ao exercício da atividade. E a Veja, apesar dos pesares, era até considerada referencial como revista.
Mas há muito, muito tempo, a publicação vem, de forma bastante perceptível, decaindo de qualidade. É como se a longa associação com os carrascos da ditadura a tivesse inseminado da insensibilidade e desonestidade que naquele período grassou por todo o país.
Já em 1982, pela triste ocasião da morte de um dos maiores ídolos da MPB, Veja publicou como manchete de capa: “A Morte de Elis Regina – A Tragédia da Cocaína”, baseando-se apenas no laudo do então médico legista Harry Shibata da cidade São Paulo, conhecido por expedir autópsias fraudulentas de vítimas do regime militar, ao qual publicamente Elis constantemente dirigia contundentes críticas. Depois da ditadura militar a participação de toda a grande imprensa brasileira nos piores rumos políticos adotados no país se tornou mais notável quando a Rede Globo lançou Collor de Melo como candidato à presidência. Corroborando com a construção da candidatura do até então desconhecido governador de Alagoas, a manchete de capa de uma edição de Veja em 88 foi: “Collor de Melo – O Caçador de Marajás”.
A realidade brasileira ia de mal a pior. Escândalos de corrupção política e inflação irredutível, mas ao invés de reportá-la, analisar os fatores que duramente penalizavam a população brasileira, Veja arrumava forma de denegrir a todos que exigissem que se mostrasse a verdadeira cara do Brasil. E em 1989, uma capa da revista levou o compositor Cazuza à tal comoção e agravamento de saúde que precisou ser hospitalizado. A boa fé e cordialidade de Cazuza em conceder uma entrevista à revista não o poupou da crueldade dos editores que o estamparam em foto cadavérica, com o título: “Cazuza – Uma vítima da AIDS agoniza em praça pública”.
Indignada a repórter Ângela Abreu, responsável pela entrevista, demitiu-se. Mas a editoria da revista foi cada vez mais se transformando em palanque eleitoral sem qualquer escrúpulo profissional ou político, a ponto de em agosto de 1994, dois meses antes da eleição à presidência do país, Veja antecipar os resultados do pleito de outubro, desrespeitando o eleitorado brasileiro e afrontando o próprio TSE com a manchete de capa: “A Infância de um Vencedor – Como viveu até a adolescência o próximo presidente do Brasil”.
Se até então o eleitor brasileiro ainda não alcançara a percepção que atualmente o faz distinguir os manipuladores de opinião pública, na ansiedade pelo impeachment do Presidente Lula a revista ofereceu claras amostras dos meios empregados através de uma crescente e ridícula produção de factoides. Superando elementares princípios respeitados até pelos mais inexperientes boletins colegiais, um seu repórter chegou a revelar o “conteúdo” de uma conversa telefônica e de uma reunião do PT de São Paulo que ele próprio indicou como secreta e de “portas fechadas”. Apostando na imbecilidade de seus leitores, Veja nem se deu ao trabalho de tentar explicar com que poderes quebrou o sigilo telefônico de ministros e congressistas e tampouco como pôde obter frases trocadas em reuniões reservadas e sigilosas.
Essa matéria li na sala de espera de minha ex dentista, agradecendo a ditadura por ter me impedido ingressar na profissão que, graças a veículos como a revista Veja, hoje me é tão abjeta.
Não só a mim, pois ano a ano os índices de circulação aferidos pelo IVC – Instituto Verificador de Circulação, entidade responsável pela auditoria de circulação dos principais veículos impressos do Brasil, revelam vertiginosa redução de leitores da maioria dos jornais e revistas do país e da Veja em particular. O que me leva a imaginar o problema vivenciado pelos planejadores de marketing e agências de publicidade.
Publicidade foi minha alternativa de sobrevivência ao impedimento do exercício normal da profissão jornalística, nos tempos em que ainda era uma profissão. Era-me lastimável ter de criar roteiros e redigir comerciais durante o dia, mas à noite e nos finais de semana vingava-me de minha má sorte nas redações escamoteadas nos fundos das casas de companheiros com a mesma mania de provocar indignação ao regime que ao país se impunha. Eu mesmo editei algumas dessas publicações que nos interiores do Brasil ou capitais de estados fora do eixo Rio – São Paulo, tentavam promover a resistência da consciência nacional através dos devezemquandários de efêmera e imprecisa circulação, muitas vezes recolhidos das bancas pela repressão local, tão violenta àqueles incógnitos quanto a um Vlado Herzog. Mas hoje posso me recordar daqueles companheiros com orgulho por nunca terem decaído ao nível de uma Veja, mesmo que essa continue existindo com a ajuda de seus mesmos velhos anunciantes.
“Anunciantes, para quem?” - é a pergunta que sempre me retorna como ex jornalista, mas é o ex publicitário quem responde, lembrando que apesar de dispersa e inútil a verba publicitária existe e precisa ser aplicada, mormente num mercado que deixa de conter a mais desigual distribuição de renda no continente de mais desigual distribuição de renda do planeta, para ser um dos mais crescentes em poder de consumo do mundo. Se os diretores de marketing e agentes de publicidade do Brasil deixarem de programar a Veja e demais veículos que existem por falta de amplitude de divulgação para a produção das empresas que representam, estarão promovendo a extinção do próprio cargo e função.
Do que se pode concluir que grande parte desses responsáveis pelas verbas publicitárias empenhadas no Brasil só mantém uma publicação como a Veja pela ausência de empreendedores no setor que quebrem o monopólio de menos de meia dúzia de famílias que ascenderam sob os auspícios da ditadura militar.
Quando busco algum texto de minha autoria recorrendo ao Google, me surpreendo com o número de reproduções do que escrevo. Evidentemente não há aí qualquer retorno financeiro, provavelmente nem mesmo aos que me publicam, mas a quantidade de pessoas que me escrevem respondendo e comentando estas publicações, me faz imaginar a possibilidade de que grupos de experientes em edições eletrônicas um dia venham a desenvolver páginas que estabeleçam uma relação profissional com tantos melhores comentaristas, analistas, redatores e até repórteres que encontro na internet. Eu mesmo há muito desisti de procurar informações em páginas impressas de revistas e jornais expostos nas bancas e livrarias que, sintomaticamente, também estão sumindo.
E que não se pense que a queda de circulação da Veja tenha resultado do sucesso do governo do metalúrgico Luís Ignácio da Silva. De fato, é de se imaginar como causa, afinal, um dos principais articulistas da Veja chegou a se desejar como o primeiro a jogar terra sobre o cadáver do Presidente Lula, dando-o como morto pelo golpe do mensalão. Lula foi o único presidente da história política internacional a terminar um segundo mandato com apenas 4% de rejeição e o articulista emigrou do Brasil. Mas os 4% da população que rejeita ou rejeitava Lula consiste em número muito maior do que o que restou de assinantes somados aos exemplares de venda em banca da revista Veja.
Minha experiência publicitária era de redator, no entanto alguma coisa aprendi no convívio com programadores de mídia e não tenho dúvidas de que a revista Veja se tornou o maior desperdício de verbas que já se imaginou possível na história da propaganda brasileira. Um exemplo está aqui, abaixo, nessa manifestação justificadamente indignada de um amigo radicalmente antilulista com o qual reiteradamente discuto a posição, embora respeite, e muito, suas opiniões, compreendendo perfeitamente de onde se originam.
Contra argumento às indisposições do escritor Emanuel Medeiros lembrando que apesar de passarmos por um processo revolucionário, não deixa de ser democrático e não podemos atropelar as condições democraticamente dispostas pela Constituição promulgada em 1988. Cito exemplos de anteriores fracassos no enfrentamento às elites continentais, como ocorreu em 1973 com Allende e aqui mesmo em 1964 com Jango Goulart. Lembro também que não há em lugar e momento algum da história do partidarismo político do mundo, um exemplo que seja de absoluta e total integridade. Errados e defeituosos existem em qualquer associação social e humana.
Relevo as conquistas dos últimos 8 anos que teceram uma realidade onde ainda há muito a ser remendado dos 500 esfarrapados anos da história política do país, mas impossível negar a mais ampla cobertura e agasalho proporcionada pelo governo Lula, em substituição ao puído e esgarçado tecido social do século passado.
Ainda que Emanuel não aceite estes argumentos como suficientes, posso entender sua irredutibilidade às alianças políticas por sua luta e seus sofrimentos nos anos da ditadura, tantos pelas torturas que sofreu quanto pelos companheiros e amigos que perdeu.
Ao Emanuel me é fácil entender. Difícil, impossível mesmo de entender, é a manutenção e sobrevivência de uma publicação sempre tão adversa ao Brasil e ao brasileiro, como adiante expõe o Emanuel que a rejeita tanto quanto já foi rejeitada até mesmo por profissionais da imprensa internacional e faz por merecer rejeição inclusive da maior parte dos 4% da população que ao menos por alguma identificação com a linha político partidária adota pela revista, poderiam ser atingidos pelos seus anunciantes.
De fato, nas páginas de Veja há não só a maior demonstração de desperdício de verba publicitária, como inclusive uma exemplar aula de antipropaganda.
Por Raul Longo
Imagem: http://1.bp.blogspot.com/_sQ00yEv9tpk/TN81F137BAI/AAAAAAAAN8s/jr5p5ejLNh8/s1600/veja+lixo.png |
| 07/07/2011 - Política - Santa Catarina |
Sintrafesc leva Sindicato Itinerante à região Oeste
, O objetivo do projeto "é aproximar o Sindicato da base de filiados, dialogando e informando sobre as atividades desenvolvidas, ouvindo sugestões e críticas, oferecendo atendimento jurídico, fazendo apresentações culturais, trocando informações e confraternizando, para que haja cada vez mais união entre todos os servidores", disse a presidenta Maria das Graças Gomes Albert.
A programação em Chapecó terá Plantão Jurídico, com atendimento individual, no dia 8 de julho, das 9 às 17 horas, na sede do Núcleo Regional de Base do Oeste, na Rua Benjamin Constant, 363E, no centro da cidade (telefone 49-3322-2639).
No sábado, dia 9, as atividades serão das 9 às 15 horas, na sede da Assincra (Associação dos Servidores do Incra), no bairro Engenho Braun, atrás da Unoesc. Segundo a secretária de Organização Sindical, Marlete de Oliveira, "a construção de um sindicato forte e atuante depende da participação de cada um dos filiados e filiadas, por isso esse contato, com a troca de ideias entre filiados e direção é fundamental para organizar a luta em busca de novas conquistas".
No dia 9, a programação terá início com as boas-vindas dos dirigentes do Núcleo Regional de Base do Oeste. Em seguida, a presidente do Sintrafesc, Maria das Graças Gomes Albert, falará dos objetivos do projeto Sindicato Itinerante. Na sequência, haverá uma apresentação teatral com a "Trupe dos Federais", integrada por dirigentes e servidores, com a peça "Campanha Salarial - Acordem Servidores... deixem de ficar cada um no seu quadrado", que já fez muito sucesso na apresentação recente em Blumenau.
Depois do teatro, os diretores farão uma breve apresentação, seguida de uma projeção de slides com um panorama das ações sindicais do Sintrafesc. Às 10 horas terá início a Assembleia Regional para a escolha de dirigentes do Núcleo Sindical de Base do Oeste, precedido de uma explicação sobre os objetivos, o papel desses dirigentes, as regras, apresentação da Comissão Eleitoral e votação.
Às 11h30 está prevista uma palestra com o advogado Luís Fernando e, na sequência, informes das secretarias do Sindicato. O encerramento está previsto para as 13 horas, com um almoço de confraternização.
Os dirigentes do Sintrafesc que viajaram para a região Oeste são: Maria das Graças Gomes Albert, Vitoriano de Souza, Vera Maiorka Sassi, Dérmio Filippi, Elizabeth Coimbra, Ester Bertoncini, Tania Lindner, Nadia Maria Elias, Flávio Pilar, Pedro Foragato, Valdomiro Milesi de Souza, Marlete de Oliveira e Lírio José Téo. Também acompanham a delegação as funcionárias Ízide Fregnani, Cristiane Cardoso, Amanda, Ana Lúcia, e os advogados Luis Fernando Silva e José Augusto Alvarenga.
Fonte: Sintrafesc - Assessoria de Imprensa.
Imagem: http://www.sintrafesc.org.br/imagens/2.jpg |
| 30/06/2011 - Política - Região |
Plenária reúne mais de 150 lideranças no Meio Oeste
O deputado Padre Pedro Baldissera realizou, no último sábado (25), uma plenária regional em Videira, com a participação de mais de 150 lideranças de todo Meio Oeste do Estado. A atividade foi aberta com uma mistica preparada por estudantes do Curso Técnico em Agroecologia da Escola Agrícola 25 de Maio, outra apresentação foi a dos fundamentos do Karatê-dô, realizada por crianças, adolescentes, jovens e adultos da Associaça Vital Fraiburgo de Karatê-dô, essa entidade se destaca por envolver em seus projetos centenas de crianças e adolescentes.
O debate iniciou por volta das 14h, e tratou das ações do mandato na Assembleia Legislativa, de questões ligadas à educação e à saúde na região e do setor vitivinícola catarinense, no qual vários municípios da região têm destaque. Um dos temas recorrentes nas manifestações de lideranças da região foi a necessidade de interiorizar o ensino superior no Estado, garantindo que a região Meio Oeste tenha acesso a vagas públicas.
Padre Pedro apresentou um resumo das ações do mandato na Assembleia, destacou a importância da luta pela aplicação integral, por parte do Governo do Estado, dos recursos em saúde (12%) e educação (25%) e abordou ainda a continuidade da luta pela vitivinicultura catarinense. O mandato conseguiu a aprovação das leis que garantem a inclusão do suco de uva na alimentação escolar e do Dia do Vinho no calendário oficial do Estado. Neste ano, a Mostra Comemorativa ao Dia do Vinho reuniu mais de 300 pessoas na Assembleia Legislativa.
O objetivo é divulgar a produção catarinense do setor e ampliar o mercado interno tanto do suco de uva quanto do vinho. "Buscamos, junto de entidades e representantes do setor, auxiliar para que a cadeia vitivinícola catarinense cresça e tenha a valorização que merece, já que ocupa o segundo lugar na produção de vinhos no Brasil", complementou o parlamentar.
No final da atividade, a Associação Paulo Freire de Educação Popular (APAFEC) e a Associação Vital Fraiburgo de Karatê-dô, juntamente com outras entidades, apresentaram ao deputado diversos projetos com o objetivo de envolver crianças e jovens da região em atividades variadas, que valorizam a cultura local, o esporte e a integração das comunidades
Fonte: www.padrepedro.com.br
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| 25/06/2011 - Política - Mundo |
Acompanhe a Frota da Liberdade no Portal Desacato
A Frota Humanitária está nos seus últimos preparativos. São mais de 1000 ativistas de 20 países que levam dez toneladas de ajuda humanitária pelo valor de 600.000 euros. Mas, sobre tudo, levam a solidariedade de um mundo cansado de tanta injustiça com o povo palestino. Gaza sofre um bloqueio atroz por parte do Estado de Israel.
Acompanhar a transmissão conosco é uma forma de viajar junto com os ativistas que estão na Segunda Frota da Liberdade rumo a Gaza.
Tomado do Portal Desacato – www.desacato.info Integrante da Rede Popular Catarinense de Comunicação – RPCC |
| 14/06/2011 - Política - Mundo |
Armas, Terrorismo da ONU, Censura, Roubo, Exploração, Montagem, Massacre...
O diretor da Agência de Defesa, Segurança e Cooperação dos Estados Unidos (DSCA), William Landay, assinalou, contudo, a possibilidade de que Washington seja incapaz de atender todos os pedidos.
“Temos um excesso de 13.000 casos ativos com mais de 165 países e instituições”, indicou Landay, que calculou que, se se processarem todas as solicitudes antes do ano fiscal acabar em setembro, o Pentágono ganharia uns 327.000 milhões de dólares adicionais.
Veja matéria na íntegra acessando: http://desacato.info/2011/06/outra-semana-de-crimes/
Por Tali Feld Gleiser e Raul Fitipaldi. Tomado do Portal Desacato – www.desacato.info membro da Rede Catarinense de Comunicação Popular |
| 31/05/2011 - Política - Mundo |
23 Meses
Acordar com um Golpe de Estado, seja onde for, é como abrir os olhos na Idade Media. É uma viagem no tempo à negação da civilização. É o atraso, é um passo humano em direção às cavernas, à intolerância e a miséria espiritual e física. Mas, quando o estupor do barulho nos acorda, quando abrimos a janela para ver o que acontece, também podemos respirar um ar novo, reconhecê-lo, aspirá-lo profundamente. É assim que de Um Golpe, Honduras, conseguiu cumprir com a máxima leninista de dar um passo atrás para dar dois para frente. A Resistência Popular do Povo Hondurenho é um maior acontecimento de massas da América Latina em aras de mudar os rumos de um país, e vai desde o espanto medieval à liberdade definitiva. Irmana-se, por efeito e ação, ao resgate do Presidente Chávez conduzido pelas massas caraquenhas. 23 meses são nada, um ponto na história da humanidade, mas 23 meses são suficientes para lhe dar luz e conhecimento a um povo que resiste unido ao golpe, à morte, o desespero, a fome e todas as misérias do mundo. 23 meses são nada para mudar o rumo da história, mas 23 meses são suficientes para não ter medo nem mais um dia, para enfrentá-lo ao patrão, para se descobrir como UM e ÚNICO em um coletivo de milhões de almas. Bastaram algumas horas desses 23 meses para se dar conta, e se consolidar em marcha irreversível desde a vida cegada de Isis Obed Murillo. 23 meses são nada para acabar com a injustiça, mas 23 meses são suficientes para se dar conta de que a palavra precisa sulcar os ventos e que o martírio do povo é a semente insurgente que inaugura a árvore da vitória. Nas praças, nas escolas, nas fábricas, no Bajo Aguán, essa palavra é levada pelo espírito justo de Omar Rodríguez, a poesia rebelde de Roberto Sosa. 23 meses são nada para apagar 500 anos de genocídio, mas 23 meses são suficientes para clarear as ideais, se sustentar de pé, acumular as energias, descobrir o objetivo supremo, marchar a caminho do palácio, limpar seus salões e enchê-los de justiça, liberdade e independência. 23 meses são um cálculo para uma multinacional, mas 23 meses são suficientes para doar cada dia à memória de Vanessa Zepeda, Wendy Ávila e todos os outros que se uniram aos mártires da família Velázquez, e com essa memória no punho entender que é Agora ou Nunca. 23 meses são uma página da história da Nossa América, mas 23 meses são suficientes para que esta página seja definitiva, e que o Império seja derrotado na sua tentativa de nos separar, nos invadir, nos privar, nos escravizar e nos enterrar em sua cova de ódio, violência, guerras e iniquidade. Talvez a história diga que a Liberdade e a Independência definitiva de Honduras se forjaram em 23 meses, para sempre, para bênção da nossa Pátria Grande, para orgulho da Pacha Mama, Madre Terra de todos os filhos de Morazán, de Artigas, de San Martín, de Martí e do Che. Que venham outros 23 meses de Resistência e de Marcha imparável se for necessários. Nessa Marcha estaremos, a cada dia, a cada instante, como irmãos privilegiados que participam da Vitória da Gente Pobre, das Gentes da Nossa América. E que venham días melhores! Por Raul Fitipaldi e Tali Feld Gleiser. Tomado do site: http://desacato.info/2011/05/23-meses
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| 17/05/2011 - Política - Brasil |
Assista a produção da Globo que a Globo censurou!
Mas, apesar das omissões, especulações e ilações que seu diretor, Ali Kamel, chamou de jornalismo de alternativas, os fatos se sucederam e a TV Globo não teve como não noticiá-los. Por fim, apesar de exposta pelas palavras do próprio diretor, ao montar uma retrospectiva do governo Lula no início de janeiro 2011 a emissora percebeu que teria de selecionar de seus arquivos o que realmente aconteceu, o que foi efetivo.
Não há como fazer uma retrospectiva de inverdades e não deu para incluir as inúmeras tentativas de criar notícias do que não houve, do que nunca se comprovou, do injustificável ou o que somente se justificou por preconceitos ou falta de escrúpulos, abuso do poder de formação de opinião pública como meio de ludibriar a população explorando a ignorância e os mais mesquinhos sentimentos humanos.
Para realizar uma retrospectiva do que foram os 8 anos de governo Lula com trechos de suas próprias reportagens ao longo desse período, a Globo se viu forçada a realizar o que espectador da emissora só poderá assistir nos links abaixo, porque a Rede Globo censurou a si mesma.
Ironiza-se a expressão muito aplicada ao governo Lula: “Nunca antes nesse país…”, e lançada por Antonio Carlos Magalhães que, vingando-se de inúmeras acusações que o atingiam e iam desde responsabilidade pelo suicídio da própria filha, passando por chantagens sexuais, chegaram a violação do painel de votações do Congresso; acusou o Presidente Lula de liderar um esquema de corrupção que “nunca antes existiu nesse país”.
Realmente, durante o governo Lula aconteceram diversos fatos – positivos e negativos -- que nunca antes haviam acontecido nesse país.
Se antes nunca tivemos um presidente considerado Estadista Global, conforme o título conferido à Lula pelo Conselho Mundial de Davos, tampouco nunca tivemos um Presidente ameaçado de tapas em pleno plenário do Congresso por um quase garoto como o sócio e responsável pelas transmissões da Rede Globo no estado na Bahia, neto de ACM.
E mesmo depois de findo o mandato do Presidente Lula, o que se vê aí nos links abaixo também nunca se viu antes nesse país: um programa de TV censurado pela própria emissora de TV que o produziu.
Mais um motivo para se assistir e refletir sobre as tantas coisas que nunca antes nesse país…! Por Raul Longo.
Exclusivo: Vídeo ‘proibido’ da Globo sobre Lula
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| 07/05/2011 - Política - Mundo |
FEZ-SE VINGANÇA, NÃO JUSTIÇA
Cabe renovar a pergunta que quase a ninguém interessa colocar: por que se produziram tais atos terroristas? O bispo Robert Bowman, de Melbourne Beach da Flórida, que fora anteriormente piloto de caças militares durante a guerra do Vietnã respondeu, claramente, no National Catholic Reporter, numa carta aberta ao Presidente: ”Somos alvo de terroristas porque, em boa parte no mundo, nosso Governo defende a ditadura, a escravidão e a exploração humana. Somos alvos de terroristas porque nos odeiam. E nos odeiam porque nosso Governo faz coisas odiosas”.
Não disse outra coisa Richard Clarke, responsável contra o terrorismo da Casa Branca numa entrevista a Jorge Pontual emitida pela Globonews de 28/02/2010 e repetida no dia 03/05/2011. Havia advertido à CIA e ao Presidente Bush que um ataque da Al Qaeda era iminente em Nova York. Não lhe deram ouvidos. Logo em seguida ocorreu, o que o encheu de raiva. Essa raiva aumentou contra o Governo quando viu que com mentiras e falsidades Bush, por pura vontade imperial de manter a hegemonia mundial, decretou uma guerra contra o Iraque que não tinha conexão nenhuma com o 11 de setembro. A raiva chegou a um ponto que por saúde e decência se demitiu do cargo.
Mais contundente foi Chalmers Johnson, um dos principais analistas da CIA, também numa entrevista ao mesmo jornalista no dia 2 de maio do corrente ano na Globonews. Conheceu por dentro os malefícios que as mais de 800 bases militares norte-americanas produzem, espalhadas pelo mundo todo, pois evocam raiva e revolta nas populações, caldo para o terrorismo. Cita o livro de Eduardo Galeano “As veias abertas da América Latina” para ilustrar as barbaridades que os órgãos de Inteligência norte-americanos por aqui fizeram. Denuncia o caráter imperial dos Governos, fundado no uso da inteligência que recomenda golpes de Estado, organiza assassinato de líderes e ensina a torturar. Em protesto, se demitiu e foi ser professor de história na Universidade da Califórnia. Escreveu três tomos “Blowback” (retaliação) onde previa, por poucos meses de antecedência, as retaliações contra a prepotência norte-americana no mundo. Foi tido como o profeta de 11 de setembro. Este é o pano de fundo para entendermos a atual situação que culminou com a execução criminosa de Osama Bin Laden.
Os órgãos de inteligência norte-americanos são uns fracassados. Por dez anos vasculharam o mundo para caçar Bin Laden. Nada conseguiram. Só usando um método imoral, a tortura de um mensageiro de Bin Laden, conseguiram chegar ao seu esconderijo. Portanto, não tiveram mérito próprio nenhum.
Tudo nessa caçada está sob o signo da imoralidade, da vergonha e do crime. Primeiramente, o Presidente Barak Obama, como se fosse um “deus” determinou a execução/matança de Bin Laden. Isso vai contra o princípio ético universal de “não matar” e dos acordos internacionais que prescrevem a prisão, o julgamento e a punição do acusado. Assim se fez com Hussein do Iraque, com os criminosos nazistas em Nürenberg, com Eichmann em Israel e com outros acusados. Com Bin Laden se preferiu a execução intencionada, crime pelo qual Barak Obama deverá um dia responder. Depois se invadiu território do Paquistão, sem qualquer aviso prévio da operação. Em seguida, se seqüestrou o cadáver e o lançaram ao mar, crime contra a piedade familiar, direito que cada família tem de enterrar seus mortos, criminosos ou não, pois por piores que sejam, nunca deixam de ser humanos.
Não se fez justiça. Praticou-se a vingança, sempre condenável. ”Minha é a vingança” diz o Deus das escrituras das três religiões abraâmicas. Agora estaremos sob o poder de um Imperador sobre quem pesa a acusação de assassinato. E a necrofilia das multidões nos diminui e nos envergonha a todos.
Por Leonardo Boff - Teólogo, filósofo autor de Fundamentalismo,terrorismo , religião e paz, Vozes 2009.
Enviado por: Gilvander Moreira, frei Carmelita.
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| 30/04/2011 - Política - Mundo |
Arnulfo Aguilar sofre tentativa de assassinato
Arnulfo explicou que foi esperado por homens de rosto coberto, vários, que aguardavam sua presença para lhe sequestrar ou assassinar ao entrar na sua casa. Quando a vizinha tentou se comunicar com a polícia todos os telefones estavam desligados. O Chefe de Polícia da região pediu para não ser incomodado depois das 22 h de forma suspeita.
Arnulfo Aguilar está protegido por medidas cautelares de organismos de direitos humanos internacionais. Pessoas vinculadas à Rádio já foram torturadas, violadas ou assassinadas.
Por Raul Fitipaldi. Fonte: www.desacato.info
Imagem: http://desacato.info/wp-content/uploads/2011/04/ARNULFO.jpg |
| 10/04/2011 - Política - Mundo |
Hoje é a vez dos Peruanos
A grande dúvida é saber quem competirá com o candidato progressista no segundo turno. Na briga estão o ex-presidente Alejandro Toledo, que fez governo neoliberal entre 2001 e 2006, a deputada Keiko Fujimori, filha do ditador Alberto Fujimori (1990-2000) e o economista Pedro Pablo Kuczynski, candidato dos grandes grupos econômicos e favorito das classes alta e média-alta.
Os peruanos que hoje elegem o presidente e todos os 130 congressistas (congresso unicameral) são 19,850 milhões – incluídos os 754 mil que vivem no exterior e que também votam, dos quais 106.665 vivem na Argentina. Os 4.573 centros de votação abrem às 8h da manhã (10h na Argentina) e fecham às 16h.
Segundo as últimas pesquisas de ontem, às quais esse jornal teve acesso – a lei proíbe a publicação de pesquisas desde a 2ª-feira passada –, Humala consolida-se no 1º lugar com cerca de 30% dos votos, porcentagem praticamente idêntica aos 31% com que venceu o 1º turno em 2006. Na disputa pelo 2º lugar, onde até há alguns dias havia empate triplo, Keiko Fujimori conseguira vantagem, entre 2-5%, sobre Kuczynski e Toledo, que continuavam empatados. Mas é vantagem que nada garante.
Toledo e Kuczynski centraram a campanha, nos últimos dias, no esforço para apresentarem-se como melhor alternativa para “deter Humala” e evitar um segundo turno contra o candidato de esquerda, que temem por suas propostas para mudar o modelo econômico, e a filha do ditador condenado a 25 anos de cadeia por crimes de lesa humanidade e corrupção. Tanto fizeram entre si e contra Fujimori, que acabaram por deixar espaço para que Keiko Fujimori crescesse e se aproximasse do segundo turno, embora com pequena vantagem.
O partido do governo acabou sem candidato, quando a candidata virtual da situação, a ex-ministra da Economia Mercedes Aráoz, renunciou em janeiro, quando pesquisas mostraram que não teria mais que 3% dos votos. O presidente Alan García, com 70% de rejeição em todas as pesquisas, apoiou primeiro o ex-prefeito de Lima e direitista Luis Castañeda, enquanto seu nome apareceu no topo das pesquisas. Mas Castañeda desabou. Nos últimos dias, o secretário-geral do partido do governo pediu votos para Kuczynski, mas outros grupos do seu partido o desautorizaram. Toledo também procurou o apoio do partido do governo. Contudo, ante a impopularidade do governo, qualquer apoio oficial hoje pode ser abraço de afogado.
A campanha passou por várias fases. Luis Castañeda começou no 1º lugar, com folga. Sentia-se eleito. Mas logo começou a cair e hoje não tem qualquer possibilidade de ser eleito. Em janeiro, Toledo passou a liderar todas as pesquisas; para logo cair, tão depressa quanto subira. E Humala saltou de um distante 4º lugar, com cerca de 10% das preferências, onde permanecera por vários meses, para o primeiro lugar. Foi quando passou a ser furiosamente atacado pelos jornais, televisões e jornalistas. O ataque foi de tal modo violento que teve efeito contrário ao que os atacantes esperavam obter e Humala continuou ampliando a vantagem. Kuczynski, apoiado pelos jornais, televisões e jornalistas, ganhou terreno no último mês, sobretudo na classe alta e média alta que desertou da candidatura de Toledo e também se envolveu na disputa. No sobe e desce das pesquisas, Keiko Fujimori conservou sempre cerca de 20% dos votos – o chamado “voto fujimorista duro”.
Ollanta Humala, hoje o candidato favorito, capitalizou o descontentamento de amplos setores da população que não viram qualquer benefício do crescimento econômico do país. Propõe mudar o modelo econômico neoliberal, melhorar a redistribuição da riqueza, restaurar direitos trabalhistas, aumentar a participação do Estado em atividades estratégicas como energia e portos, e renegociar a relação com as multinacionais que exploram recursos naturais do país, fazendo com que paguem mais impostos, o que dará ao Estado maior capacidade para decidir sobre o uso daqueles recursos.
Keiko Fujimori é a continuidade do modelo neoliberal, imposto ao país pelo regime autoritário de seu pai, mas, como Humala, também se beneficia da ira de setores populares contra os políticos, que ainda veem Fujimori como o ‘não-político’ que, nos anos 90 tirou do poder os políticos tradicionais. Keiko Fujimori também tem apoios entre os pobres, que se beneficiaram do vasto clientelismo instaurado no Peru durante o governo de seu pai. Alejandro Toledo propõe-se a preservar o modelo político, mas garante que dará prioridade a programas sociais e a melhor redistribuição da riqueza. E Kuczynski é o homem do establishment econômico-financeiro.
Por Carlos Noriega [de Lima], Página 12, Buenos Aires Hoy les toca a los peruanos
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu
Imagem: http://projetovocacao.com.br/wp-content/uploads/2011/01/peru.gif
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| 24/03/2011 - Política - Brasil |
Week-end em Pindorama
É preciso ficar claro: não houve gafe, deslize ou simples quebra de protocolo no fato do senhor Obama ter anunciado a invasão da Líbia, em território brasileiro.
O Brasil se absteve de votar essa matéria na reunião da ONU. Assim, anunciar sua nova guerra estando em nosso território, é mais que uma provocação do senhor Soba. É uma grave ameaça que exige manifestação pública do Itamaraty, junto à Embaixada dos EUA em Brasília – o que provavelmente não acontecerá: certamente, o ministro das Relações Exteriores, Antonio Aguiar Patriota, foi entronizado entre os cisnes, para cumprir esse papel.
Juntemos peças:
1. Nos últimos meses do Governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, seu ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, encaminhou gestões junto a Ancara e Teerã, visando uma saída negociada e pacífica para a questão Irã.
2. A Casa Branca protesta. A chefa do Departamento de Estado, Hillary Clinton, faz duras críticas à articulação em curso.
3. Com o endosso do senhor Obama, a iniciativa brasileira é abortada.
4. O presidente Luiz Inácio denuncia publicamente o senhor Obama, como sendo a pessoa que lhe pediu que tomasse a iniciativa sobre o Irã.
5. Fim de Governo; mantêm-se as aparências: fique tudo por conta das mudanças “naturais” da transição.
6. O ministro Celso Amorim não cai. Apenas foi substituído no novo governo pelo diplomata Antonio Aguiar Patriota.
7. Uma das primeiras e mais importantes mudanças anunciadas pela presidenta Dilma Rousseff, depois de sua posse: a mudança da política internacional com relação ao Irã.
8. Na reunião da ONU para autorizar a invasão da Líbia, o Brasil se abstém.
9. O senhor Obama vem ao Brasil. O ex-presidente Luiz Inácio não vai recebê-lo: é aniversário de um dos seus filhos.
10. Em território brasileiro, o chefe da Casa Branca, anuncia a invasão da Líbia.
Publicado no Brasil de FatoPor Alipio Freire é jornalista, escritor e membro do Conselho Editorial do Brasil de Fato.
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| 21/03/2011 - Política - Mundo |
Jornalista de Honduras sofre atentado por parte da polícia militar
Os jornalistas e comunicadores da Rede Popular Catarinense de Comunicação – RPCC e Portal Desacato, enviamos nossa solidariedade na nota a seguir, e denunciamos por este meio a absurda tentativa de silenciar à valente colega hondurenha.
Portal Desacato Rede Popular Catarinense de Comunicação
Nota a seguir: Sus colegas del Estado de Santa Catarina, le enviamos nuestra solidaridad a la colega Lidieth Díaz. Estamos dando difusión inmediata en las Redes nuestras. Han matado a la profesora Ilse, atacan de nuevo a los colegas; no sé puede soportar más lo que hacen en Honduras, en este maldito ensayo norteamericano que no termina más. Salud y resistencia compañeros y colegas!
NOTA DE SOLIDARIDAD CON LIDIETH DÍAZ DE CHOLUSAT TV Y EL CAMARÓGRAFO URIEL GUDIEL DE GLOBO TV.
Solidaridad de:
Rede Popular Catarinense de Comunicação · Agência de Notícias do Contestado · APAFEC · DESACATO.Info · Radio Comunitária Fortaleza 98,3FM
Santa Catarina / Brasil
21 de marzo de 2011. |
| 16/03/2011 - Política - Brasil |
Declaração da Rede Popular Catarinense de Comunicação – RPCC
Esse é o representante do mais criminoso império da história, o maior explorador de todos os tempos, aquele que mais destrói a civilização, a natureza e a vida, que mais assassina ilegal e “legalmente”, que mais controla a vida privada das pessoas e que mais golpeia nossa região desde há mais de século e meio, pisa terra brasileira. É o ladrão entrando pela porta da frente. Mas, também é o representante do país que mais mente para satisfazer suas necessidades e apetites mais doentios, sem ter o menor reparo em se usar de todos os meios de comunicação, para distorcer, disfarçar, ocultar, omitir, ou mesmo, “inventar a verdade”.
Centro funcional dos mais poderosos monopólios da comunicação, vinculados ao sistema mais heterodoxo de empresas da guerra e da exploração sem limite, que não medem as conseqüências civilizatórias de todas suas arremetidas mediáticas, os Estados Unidos, tem em Obama um dos casos mais pérfidos e cínicos para com a América Latina. Este camaleão político é produto também da mentira através dos sítios de relacionamento, pelos quais consegui armar boa parte de sua campanha eleitoral que o levou a apresentar-se à juventude norte-americana e aos hispanos daquela nação, como uma possibilidade de mudança que não só não se confirmou, como que hoje, tal qual observamos em Wisconsin, Ohio, Kansas, Indiana, entre outros estados, traiu as esperanças, e com um discurso dúbio e mentiroso, afunda ainda mais os próprios trabalhadores norte-americanos. Obama representa com clareza brutal, as formas mais odiosas de manejo do discurso e do uso dos meios de comunicação.
Os meios da Rede Popular Catarinense de Comunicação – RPCC expressamos nosso repúdio e repugnância pela desagradável visita ao Brasil deste genocida mentiroso e invasor. A seguir o prontuário invasor e genocida dos Estados Unidos, que resgatou Adalberto da Silva Jones e que foi publicado em 2007 no sítio do CMI/Brasil, no qual só falta a participação e organização por parte do Império, do último Golpe de Estado na irmã República de Honduras - 2009, derrocando ao Presidente Constitucional José Manuel Zelaya Rosales, configurando a estréia do Imperador Obama na gráfica dos golpes de estado norte-americanos pelo mundo.
Invasões e golpes dos EUA pelo mundo Entre as várias invasões que as forças armadas dos Estados Unidos fizeram nos séculos XIX, XX e XXI, podemos citar: VOCÊ DEIXARIA ENTRAR ESTE GENOCIDA EM SUA CASA? Fora o verdugo de Afeganistão e o Iraque Fora o torturador de Guantánamo FUERA ESTADOS UNIDOS E OTAN DA LÍBA
Santa Catarina, Brasil 16 de março de 2011.
Assinam esta Declaração estes integrantes da RPCC:
Agência de Notícias do Contestado - www.agecon.org.br
Desacato - www.desacato.info
Fragmentos do Tempo2 - http://fragmentosdotempo2.blogspot.com
Maria Rosa 104,9FM - www.mariarosa.fm.br
O Taquaruçu - http://otaquarucu.blogspot.com
Rádio Comunitária do Campeche 98,3 FM
Radio Comunitária Fortaleza 98,3FM - www.comunitariafortaleza.com.br
Rádio Web Cidadania - www.agecon.org.br/pgWebRadio.asp
Raul Longo - Jornalista e escritor
Revista Pobres e Nojentas - http://pobresenojentas.blogspot.com
Sambaqui na rede - www.sambaquinarede2.blogspot.com
Tangaraense 104,9FM - www.tangaraensefm.org
Urda Alice Klueger - Historiadora e escritora
Celso Martins, historiador e jornalista |
| 16/03/2011 - Política - Mundo |
Venezuela, hoje!
Países, cujas riquezas, principalmente petróleo, são escoadas para os Estados Unidos, são tratados como democracias, como o Egito, Arábia Saudita, Bahrain entre outros. Até a queda de Mubarak, a Rede Globo o classificava como presidente e não ditador.
Esse cerco agora é rompido com a série que Luiz Carlos Azenha da Rede Record está apresentando como é a vida cotidiana na Venezuela. O que fica claro é que o governo de Hugo Chávez é odiado pela burguesia local por ele estar distribuindo renda.
Os recursos do petróleo não ficam mais unicamente com eles, e isso os deixa irritados. A população pobre, que pela primeira vez está tendo acesso a uma vida melhor, apóia o Chávez. Acontece o mesmo no Brasil, em que uma parte da classe média fala mal do Bolsa Família, por esta distribuir renda e atenuar a desigualdade de renda do país.
É a eterna luta de classes. O velho Marx deve estar rindo no túmulo.
Abaixo as seis partes da reportagem especial sobre a Venezuela, realizado por Luiz Carlos Azenha para a Rede Record – Canal 7 (TV aberta – SP)
Parte 01: http://www.youtube.com/embed/m8I8WElQVsk
Parte 02: http://www.youtube.com/embed/a0BXTP42_SA
Parte03: http://www.youtube.com/embed/EamoqV9L4l0
Parte 04: http://www.youtube.com/embed/EiIFAOcstec
Parte 05: http://www.youtube.com/embed/p7AZpUF51go
Parte 06: http://www.youtube.com/embed/K6CuH30sXT0
Imagem: http://4.bp.blogspot.com/_puHabHEkwvg/R_PorpoUyFI/AAAAAAAAACw/SiP1nwnTSfU/S1600-R/TMV_LogoBlog.jpg |
| 07/03/2011 - Política - Mundo |
A política da fome do capitalismo
Mais de 60 milhões de pessoas passam fome no mundo. Sessenta por cento são mulheres. Cada dia morrem por falta de alimentação suficiente, segundo dados da Organização das Nações Unidas, 24 mil pessoas. Na América Latina a falta de comida afeta 52,4 milhões de pessoas.
As mortes não têm a sua origem na escassez de comida, mas na pobreza e na desigualdade.
Além da morte, a desnutrição crônica também provoca um crescimento deficiente, incapacidades visuais, esgotamento, e propensão para o aparecimento de doenças. As pessoas com desnutrição grave são incapazes de trabalhar sequer a um nível básico.
Ironicamente, milhões de pessoas no mundo sofrem de excesso de peso. Em 2015 esse número crescerá 50 por cento. Cerca de 300 milhões são clinicamente obesas. Cada ano morrem 2,6 milhões de pessoas por excesso de peso ou por obesidade. O mal atingiu proporções endêmicas à escala mundial. Longe de diminuir, cresce.
Esta distorção provém, em grane parte, da forma como se produzem, distribuem e consomem os alimentos. A agricultura industrializada e a monopolização dos mercados, o uso intensivo de maquinaria e água, a utilização de sementes híbridas patenteadas em detrimento das nativas, a aplicação de agro-quimicos e a prática do monocultivo criaram um monstro.
Esse monstro tem na produção industrializada de milho, de soja e carne de vaca três dos seus principais esteios. Se durante muitos anos se confrontaram as civilizações do trigo, do arroz e do milho, hoje é esmagadora a expansão das sementeiras de milho e soja, muitas com base em sementes geneticamente modificadas.
As reservas de grãos em Washington encontram-se ao nível mais baixo dos últimos 15 anos. A exigência crescente de cereal para a produção de etanol é a causa principal desta diminuição. Para fazer cinco litros de biocombustível são preciso 230 quilos de milho, quantidade que alimentaria uma criança durante um ano. A indústria de agro-carburantes planeja aumentar este ano a compra de milho em 8,4 por cento.
O preço do milho tem impacto no custo de muitos outros alimentos. Este cereal é simultaneamente matéria-prima para fazer uma grande variedade de produtos comerciais e comida. É o adoçante preferido das empresas de refrigerantes e a base para produzir muitos batoques. E também alimenta pessoas, porcos, galinhas e vacas, apesar do gado vacum se ter originalmente engordado em pastos. É um dos pilares da comida rápida. E agora até faz movimentar os automóveis.
A sua produção está apoiada em abundantes subsídios estatais. As subvenções ao seu cultivo representam quase a quarta parte dos pagamentos federais aos fazendeiros: uns 19 bilhões de dólares.
A gramínea é a cultura mais importante do México. Em 2010 colheram-se quase 24 milhões de toneladas numa superfície de 8,5 milhões de hectares. É a cultura com maior número de produtores: 3,2 milhões, na sua maioria ejidales [1] (só há 4 milhões de produtores agrícolas no país). Cerca de 90 por cento da colheita é de milho branco e destina-se ao consumo humano.
O aumento do preço do milho afetará gravemente a dieta popular. Este cereal é o elemento central na identidade de múltiplos grupos subalternos, sustento permanente da população camponesa e alimento barato de milhões de trabalhadores assalariados urbanos.
Ainda que diga o contrário, o governo mexicano não está preparado para enfrentar a atual escalada de preços. A situação agravou-se consideravelmente com as geadas que estragaram o ciclo Outono-Inverno (o mais importante) em Sinaloa, o principal Estado produtor da gramínea. No país não há inventários suficientes. Para garantir o abastecimento há que recorrer à importação, numa momento de preços elevados, redução dos inventários e fronteiras fechadas.
1- Trabalhador de um ejido, fracção de terra entregue aos agricultores para exploração coletiva durante a reforma agrária mexicana.
Reproduzimos o artigo de Luis Hernández Navarro, editor no jornal mexicano La Jornada, publicado no sítio português O Diário: |
| 28/02/2011 - Política - Mundo |
Uma palavrinha sobre as lutas no mundo árabe
Agora, diante das mobilizações populares que questionaram vários destes governos sustentados há décadas pelo poder estadunidense, nas tramóias da ganância sobre o petróleo, a mídia começa a falar das sujeiras. Mas tudo muito rapidamente. A luz vai sendo colocada nas mobilizações e nas medidas imediatas que são tomadas para barrar os “banhos de sangue”. Diante dos fatos, o que mais se vê é o que diz o presidente dos Estados Unidos. “Obama exige que Mubarak renuncie”. Mas ora vá, que tem Obama a ver com isso? A Globo não explica muito bem. Por que motivo o presidente de uma nação vem querer cantar de galo em outra? Quais as ligações que unem esses seres?
Agora, a bola da vez é o Kadafi. Um homem que na década de 60 ousou falar de nacionalismo árabe, que afrontou os Estados Unidos e que deu outra dinâmica para a vida naquele espaço geográfico. Um homem que não se propôs a fazer na Líbia o socialismo sonhado por boa parte da esquerda, mas que tentou comandar seu país dentro da lógica da sua cultura e do seu desejo de ser livre. Outra dinâmica, muitas vezes incognoscível para nós, da cultura ocidental. Nos dias atuais, fala-se das suas excessivas ligações com países europeus e com multinacionais. Estava lá ele tentando manter seu país no jogo dos negócios mundiais. Coisa para analisarmos com mais cuidado.
Pois diante dos protestos que ocorrem agora em todo o país, no rastro de pólvora iniciado pelo povo tunisiano, Kadafi se vê ameaçada de invasão por tropas da Otan. E quem foi que deu essa idéia brilhante? Obama! De novo, o presidente de um país que invadiu o Iraque e matou quase sete milhões de pessoas, grande parte civis. Por que a mídia nunca reagiu com tanta veemência diante dos crimes dos EUA? Por que as gentes do Iraque não merecem o mesmo respeito que estão tendo agora o povo da Tunísia, do Egito, do Baheim? Em que o povo que luta desesperadamente pela liberdade no Iraque é diferente? Por que não vemos a mesma indignação nos olhos dos âncoras da TV quando os palestinos são massacrados diariamente? Por que as tropas da Otan não param Israel? Que interesses estão em jogo neste tabuleiro árabe? Creio que mesmo com as poucas informações que temos pode-se fazer uma análise mínima.
E a esquerda? Bem lembra Carlos Terán (num texto que pode ser encontrado no www.iela.ufsc.br), que a esquerda mais ortodoxa sempre se negou a ver como processo revolucionário o que aconteceu na Venezuela, na Bolívia. Por que agora esse povo se põe a saudar como “revolução, revolução” o que ocorre no mundo árabe? Sendo que, no geral, na verdade, praticamente nada está mudando, a não ser o nome dos governantes. Os projetos seguem sendo os mesmos.
Correndo o risco de ter de prestar contas à história eu me dou ao direito de observar melhor, com mais calma, estudando mais o modo de ser do mundo árabe, que é muito diferente do nosso. Mas sem nunca deixar de fazer as perguntas que precisam ser feitas. Nos anos 70 estive bastante ligada às propostas que vinham da Líbia, da Palestina, apoiando a luta daqueles que se levantavam para garantir soberania e outra forma de organizar a vida. Hoje, vejo com tristeza o desmonte de mais um reduto de resistência ao império estadunidense. Não tenho medo de usar a palavra revolução. Mas, espero que seja de fato, um processo de mudança o que está em curso.
A famosa democracia, tão insensada pelos Estados Unidos quando é para fazer com que as coisas sejam do seu jeito, não é modelo para ninguém. Vide Afeganistão e Iraque, onde as tropas estadunidenses implantaram a “democracia”. Votar a cada quatro anos tampouco é democracia. Essa palavra tão desgastada pede adjetivos e pede participação real dos povos. Derrubar um homem é coisa possível. Derrubar um jeito de organizar a vida é outra coisa. Até agora, as lutas populares que estiveram em alta no mundo árabe, derrubaram pessoas. O sistema se mantém incólume. O que espero, com profunda reverência revolucionária, é que esta mesma gente seja capaz de mudar as estruturas. De garantir a participação real e cotidiana, de criar o novo. Aí sim, temos revolução!
Por Elaine Tavares – Jornalista e educadora popular. Mestre em Comunicação Social pela PUC/RS. Trabalha na universidade pública desde 1994, hoje integrando o grupo do OLA. É uma das coordenadoras gerais do Sindicato dos Trabalhadores da UFSC Imagem: http://desacato.info/wp-content/uploads/2011/02/ELAINE-ARABE.jpg |
| 20/02/2011 - Política - Brasil |
Desigualdade social e renda injusta Por Frei Betto(*) Entre os 15 países mais desiguais do mundo, 10 se encontram na América Latina e Caribe. Atenção: não confundir desigualdade com pobreza. Desigualdade resulta da distribuição desproporcional da renda entre a população.
O mais desigual é a Bolívia, seguida de Camarões, Madagascar, África do Sul, Haiti, Tailândia, Brasil (7º lugar), Equador, Uganda, Colômbia, Paraguai, Honduras, Panamá, Chile e Guatemala. A ONU reconhece que, nos últimos anos, houve redução da desigualdade no Brasil. Em nosso continente, os países com menos desigualdade social são Costa Rica, Argentina, Venezuela e Uruguai.
Na América Latina, a renda é demasiadamente concentrada em mãos de uma minoria da população, os mais ricos. São apontadas como principais causas a falta de acesso da população a serviços básicos, como transporte e saúde; os salários baixos; a estrutura fiscal injusta (os mais pobres pagam, proporcionalmente, mais impostos que os mais ricos); e a precariedade do sistema educacional.
No Brasil, o nível de escolaridade dos pais influencia em 55% o nível educacional a ser atingido pelos filhos. Numa casa sem livros, por exemplo, o hábito de leitura dos filhos tende a ser inferior ao da família que possui biblioteca.
Na América Latina, a desigualdade é agravada pelas discriminações racial e sexual. Mulheres negras e indígenas são, em geral, mais pobres. O número de pessoas obrigadas a sobreviver com menos de um dólar por dia é duas vezes maior entre a população indígena e negra, comparada à branca. E as mulheres recebem menor salário que os homens ao desempenhar o mesmo tipo de trabalho, além de trabalharem mais horas e se dedicarem mais à economia informal.
Graças à ascensão de governos democráticos-populares, nos últimos anos o gasto público com políticas sociais atingiu, em geral, 5% do PIB dos 18 países do continente. De 2001 a 2007, o gasto social por habitante aumentou 30%.
Hoje, no Brasil, 20% da rendas das famílias provêm de programas de transferência de renda do poder público, como aposentadorias, Bolsa Família e assistência social. Segundo o IPEA, em 1988 essas transferências representavam 8,1% da renda familiar per capita. De lá para cá, graças aos programas sociais do governo, 21,8 milhões de pessoas deixaram a pobreza extrema.
Essa política de transferência de renda tem compensado as perdas sofridas pela população nas décadas de 1980-1990, quando os salários foram deteriorados pela inflação e o desemprego. Em 1978, apenas 8,3% das famílias brasileiras recebiam recursos governamentais. Em 2008, o índice subiu para 58,3%.
A transferência de recursos do governo à população não ocorre apenas nos estados mais pobres. O Rio de Janeiro ocupa o quarto lugar entre os beneficiários (25,5% das famílias), antecedido por Piauí (31,2%), Paraíba (27,5%) e Pernambuco (25,7%). Isso se explica pelo fato de o estado fluminense abrigar um grande número de idosos, superior à media nacional, e que dependem de aposentadorias pagas pelos cofres públicos.
Hoje, em todo o Brasil, 82 milhões de pessoas recebem aposentadorias do poder público. Aparentemente, o Brasil é verdadeira mãe para os aposentados. Só na aparência. A Pesquisa de Orçamentos Familiares do IBGE demonstra que, para os servidores públicos mais ricos (com renda mensal familiar superior a R$ 10.375), as aposentadorias representam 9% dos ganhos mensais. Para as famílias mais pobres, com renda de até R$ 830, o peso de aposentadorias e pensões da previdência pública é de apenas 0,9%. No caso do INSS, as aposentadorias e pensões representam 15,5% dos rendimentos totais de famílias que recebem, por mês, até R$ 830. Três vezes mais que o grupo dos mais ricos (ganhos acima de R$ 10.375), cuja participação é de 5%.
O vilão do sistema previdenciário brasileiro encontra-se no que é pago a servidores públicos, em especial do Judiciário, do Legislativo e das Forças Armadas, cujos militares de alta patente ainda gozam do absurdo privilégio de poder transferir, como herança, o benefício a filhas solteiras.
Para Marcelo Neri, do Centro de Políticas Sociais da Fundação Getulio Vargas, no Brasil "o Estado joga dinheiro pelo helicóptero. Mas na hora de abrir as portas para os pobres, joga moedas. Na hora de abrir as portas para os ricos, joga notas de cem reais. É quase uma bolsa para as classes A e B, que têm 18,9% de suas rendas vindo das aposentadorias. O pobre que precisa é que deveria receber mais do governo. Pelo atual sistema previdenciário, replicamos a desigualdade.”
A esperança é que a presidente Dilma Rousseff promova reformas estruturais, incluída a da Previdência, desonerando 80% da população (os mais pobres) e onerando os 20% mais ricos, que concentram em suas mãos cerca de 65% da riqueza nacional.
Escritor e assessor de movimentos sociais
Fonte: Adital – www.adital.org.br |
| 16/02/2011 - Política - Mundo |
Alguns dados que compravam que o modelo capitalista esta acabando com o mundo!! Publicado originalmente no blog da Revista Pobres e Nojentas: Uma em cada três crianças com menos de cinco anos sofre de subnutrição. 1 em cada 5 crianças não vai à escola. Um terço da superfície terrestre sofre de desertificação.No mundo, mais de 300.000 crianças, meninos e meninas, são soldados. Muitos deles têm menos de 10 anos.
600 milhões de pessoas no mundo inteiro vivem em favelas nos arredores das grandes cidades. No mundo, mais de 300.000 crianças, meninos e meninas, são soldados. Muitos deles têm menos de 10 anos.
Mais de um bilhão de pessoas não dispõe de decentes condições de vida.
Numa catástrofe natural, o número de mortos em países em desenvolvimento é 47 vezes maior do que em países desenvolvidos.
Metade da humanidade vive com menos de 2 dólares por dia.
1 em cada 5 crianças não vai à escola. Um terço da superfície terrestre sofre de desertificação.
A indústria alimentar gasta 40 trilhões de dólares por ano em publicidade.
A água insalubre provoca 5 milhões de morte por ano.
A espessura média da camada do gelo ártico passou de 3,2 m na década de 1960 para 1,8 m na década de 1990.
As emissões de CO2 produzidas pelas atividades humanas são responsáveis por mais de 60% do aumento do efeito estufa. 70% da água doce são usados para irrigar a terra cultivada e 80 países, ou seja, 40% da população mundial, sofrem de grave escassez de água.
A população mundial aumenta mais de um milhão de pessoas por semana.
Por ano 500.000 crianças ficam cegas por falta de vitamina A.
Para fabricar um computador são necessárias 8 a 14 toneladas de matérias primas não recicláveis.
40 milhões de pessoas morrem de fome por ano num mundo que produz 356 quilos de cereais por pessoa.
A quantidade de petróleo consumida em 6 semanas, metade da qual é usada em transporte, teria durado um ano inteiro em 1950.
Duas espécies desaparecem por semana no mundo inteiro.
40% da população mundial não têm eletricidade.
Uma em cada três crianças com menos de cinco anos sofre de subnutrição.
No século passado a população aumentou 3 vezes, o consumo de água no mundo aumentou 6 vezes.
20% das pessoas que vivem nos países mais ricos consomem 60% da produção de energia comercializada no planeta.
90% da população mundial nunca fizeram uma chamada telefônica.
O total de despesa militar no mundo atinge 794 bilhões de dólares e a ajuda pública ao desenvolvimento totaliza 58 bilhões de dólares.
Fonte: http://www.pobresenojentas.blogspot.com |
| 22/04/2012 - Política - Mundo |
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