| 14/04/2011 - Religião - Brasil |
As CEBs e os Movimentos Populares a serviço da vida no Nordeste e no Brasil.
Para refrescar a memória faz bem prestarmos atenção ao profundo significado das palavras “Comunidades Eclesiais de Base – CEBs”. O “C” diz Comunidade, aponta o jeito de viver e conviver, afugenta o individualismo e o egoísmo. “Se vivo sozinha sou apenas um pedaço; sou inteira quando vivo pertencendo a uma comunidade”, diz, feliz da vida, Carminha, participante de CEBs. O “E” diz Eclesial, que é diferente de eclesiástica; diz respeito a assembléia, comunhão, reunião, enfim, povo de Deus, a pérola encontrada pelo Concílio Vaticano II: Igreja é povo de Deus. Essa perspectiva convida ao protagonismo das/os leigas/os e inibe a submissão que se dá em igreja hierarquizada. O “B” diz Base social e eclesial. Quer dizer, as CEBs são igreja a partir da base social, dos pobres, e é igreja a partir da base eclesial, das/dos leigas/os. Assim, as CEBs têm como missão vivenciar a opção pelos pobres na sociedade e na Igreja. Nas décadas de 70 e 80 do século XX se dizia: “As CEBs são sementeiras de Movimentos Populares.” É preciso resgatar esse vigor. Não dá para entender que haja participante de CEBs sem ser participante de algum movimento popular. CEBs não são movimentos populares, mas CEBs e Movimentos Populares devem andar de mãos dadas. Os movimentos populares também devem ser sementeiras de CEBs. No Brasil, e especificamente no Nordeste, não é possível pensar e lutar pela construção de um Outro Mundo, justo e solidário, e de uma Outra Igreja, justa e solidária, sem unir umbilicalmente as dimensões da mística religiosa e bíblica às lutas populares. Como ficar calado e não lutar diante de tanta injustiça?! Com a graça do Deus da vida, a luta a serviço da vida concreta está acontecendo em uma imensa rede de CEBs e de Movimentos Populares existentes no Nordeste e no Brasil. Expressão disso está nas Pastorais Sociais – CPT, P.O, CIMI, pastoral da Criança, Pastoral Carcerária, Cáritas etc – e em milhares de movimentos populares que se aglutinam na Via Campesina – MST, MAB, MPA etc -, na ASA – Articulação do Semi-árido -, na Articulação Popular São Francisco Vivo etc. CEBs e Movimentos Populares devem estar a serviço da vida no Nordeste e no Brasil. Mas que tipo de serviço? Não pode ser um serviço ingênuo, assistencialista, clientelista, paternalista, como o Bolsa Família do Governo Federal. Deve ser um serviço que reforce as lutas por justiça. Que tipo de vida? É bobeira defender a vida em abstrato. Temos que defender os seres vivos no concreto, a partir do ser humano, especialmente a partir do mais empobrecido. Logo, é necessário ter consciência crítica e conhecimento das tramas que envolvem todas as questões. A visão da grande imprensa e do senso comum, normalmente, reforçam os sistemas de opressão, permitem apenas colocar panos quentes sobre feridas. E a partir de qual Nordeste e de qual Brasil? Claro que CEBs e Movimentos Populares não podem pensar e agir a partir do Nordeste (e do Brasil) turístico e dominante, o que impõe opressão sobre a maioria do povo. Temos que servir solidariedade e justiça defendendo a vida A PARTIR dos excluídos do Nordeste e do Brasil, onde há gritos ensurdecedores por justiça, principalmente por justiça ambiental. A preservação do meio ambiente deve considerar os aspectos sociais, os seres que trabalham e vivem nos lugares. Com essas balizas, convido você a visitar os relatos dos evangelhos sobre a partilha dos pães. Eles nos ensinam como atacar pela raiz os problemas da fome, da cerca, da doença e da injustiça. Ensina-nos como devemos servir à vida de forma libertadora, não ingênua. Vejamos sete passos seguidos por Jesus, pelas primeiras Comunidades Eclesiais de Base e por movimentos populares da época do Filho de Maria e de José, que de tão humano tornou-se divino. 1. A fome, como a febre, era um problema tão sério na vida dos primeiros cristãos e cristãs, que os quatro evangelhos da Bíblia relatam Jesus partilhando pães e saciando a fome do povo (cf. Mt 14,13-21; Mc 6,32-44; Lc 9,10-17 e Jo 6,1-13). O evangelho de Mateus mostra que o povo faminto “vem das cidades”, ou seja, as cidades, ao invés de serem locais de exercício da cidadania, se tornaram espaços de exclusão e de violência sobre os corpos humanos. 2. “Jesus atravessa para a outra margem do mar da Galileia” (Jo 6,1), entra no mundo dos gentios, dos pagãos, dos impuros, enfim, dos excluídos. Jesus não fica no mundo dos incluídos, mas estabelece comunicação efetiva e afetiva entre o mundo dos incluídos e o mundo dos excluídos. Assim, tabus e preconceitos se desmoronam gradativamente. 3. Profundamente comovido, porque “os pobres estão como ovelhas sem pastor” (Mc 6,34), Jesus percebe que os governantes da sociedade e líderes religiosos não estavam sendo libertadores, mas estavam colocando fardos pesados nas costas do povo pobre. Com olhar altivo e penetrante, Jesus vê uma grande multidão de famintos que vem ao seu encontro, só no Brasil são milhões de pessoas que têm os corpos implodidos pela bomba silenciosa da fome de justiça, pela violência, pela droga, pelo latifúndio, pela exclusão e por movimentos religiosos espiritualistas que enganam e alienam o povo. 4. Jesus não sentiu medo dos pobres, aproximou-se e procurou superar a fome que os golpeava e humilhava. Apareceram dois projetos para resgatar a cidadania do povo faminto. O primeiro foi apresentado por Filipe: “Onde vamos comprar pão para alimentar tanta gente?” (Jo 6,5). No mesmo tom, outros discípulos tentavam lavar as mãos: “Despede as multidões para que vão aos povoados comprar alimento para si.” (Mt 14,15). Filipe está dentro do mercado e pensa a partir do mercado. Está pensando que o mercado é um deus capaz de salvar as pessoas. Cheio de boas intenções, Filipe não percebe que está dentro da idolatria do mercado. 5. O segundo projeto é posto à baila por André, um outro discípulo de Jesus, que, mesmo se sentindo fraco, acaba revelando: “Eis um menino com cinco pães e dois peixes” (Jo 6,9). Jesus acorda nos discípulos e discípulas a responsabilidade social, ao dizer: “Vocês mesmos devem alimentar os famintos” (Mt 14,16). Jesus quer que todos ponham mãos à obra. Nada de desculpas esfarrapadas e racionalizações que tranqüilizem consciências. Jesus pulou de alegria e, abraçando o projeto que vem de André (Andros = humano, em grego), anima o povo a “sentar na grama” (Jo 6,10). Aqui aparecem duas características fundamentais do processo protagonizado por Jesus para levar o povo da exclusão à cidadania na cidade e à camponia no campo. Jesus convida o povo para sentar-se. Por quê? Na sociedade escravocrata do Império Romano somente as pessoas livres e cidadãs podiam comer sentadas. Os escravos deviam comer de pé, pois não podiam perder tempo de trabalho. Era só engolir e retomar o serviço árduo. 1/3 da população era escravo e outro terço, semi-escravo. Logo, quando Jesus inspira o povo para se sentar, ele está, em outros termos, defendendo que os escravos têm direitos e devem ser tratados como cidadãos na cidade e camponeses no campo. 6. Por que sentar na grama? A referência à existência de “grama” no local indica que o povo está no campo, na zona rural, e é a partir de uma reorganização da vida no campo que poderá advir uma solução radical para a fome, a violência e todos os outros problemas que afligem o povo nas cidades. Em outras palavras, o combate que liberta da fome e da violência passa necessariamente pela realização de uma autêntica Reforma Agrária. Não dá para continuar a iníqua estrutura fundiária no Brasil, com 2% da população sendo proprietária de quase 50% da terra. 7. Jesus estimula a organização dos famintos. “Sentem-se, em grupos de cem, de cinqüenta, de dez...” (Mc 6,40). Assim Jesus e os primeiros cristãos nos inspiram que a resolução dos problemas da fome, da cerca, da doença, da violência e da injustiça só serão superados quando o povo marginalizado e excluído se organizar e partir para a luta. Jesus provoca a solidariedade conclamando para a organização dos marginalizados como meio para se chegar à vida em abundância para todos e tudo.
Concluindo... Em uma linguagem bíblica, podemos dizer que os desafios das CEBs e dos Movimentos Populares irrompem sempre a partir de esterilidade e virgindade férteis. O profeta Ezequiel, por exemplo, atento aos sussurros e cochichos do Deus solidário e libertador, olhava para o povo exilado pelo império babilônico e via como que um vale cheio de ossos. Pouco a pouco esses ossos começam a se mexer, vão se aproximando e se esfregando uns nos outros. Assim suscitam as energias, que viabilizam a irrupção de nervos e articulações, para, enfim, desaguar em uma ressurreição de ossos tidos como ressequidos (Ez 37,1-14). Aprendemos que direitos só vêm com a organização e luta da classe trabalhadora. Estamos numa sociedade de classe com interesses antagônicos. A classe dominante sempre vai querer dominar e para isso tem que pisar na classe trabalhadora. Se essa não se une, não se organiza e luta, será sempre sapo debaixo do pé de boi. É necessário meter o pé no barranco e resistir. Diante da avalanche de injustiças sociais e de devastação ecológica em progressão geométrica sentimos, muitas vezes, uma grande impotência. Parece que estamos caminhando para um apocalipse da vida sobre nossa única casa comum, o planeta Água, erroneamente chamado de planeta Terra. Mas a fina flor da experiência bíblica indica-nos que os momentos de crise são profundamente férteis. “O deserto é fértil”, dizia Dom Hélder Câmara, o santo rebelde do nordeste. Padre Ibiapina, Padre Cícero, Beato Zé Lourenço, Antônio Conselheiro e tantos outros/as transformaram situações de crise em ações que fertilizaram a vida do povo. Sigamos o legado espiritual profético desses homens de Deus e do povo. Em todas as pessoas há potencialidades que precisam ser acordadas. É fundamental reconhecer que estamos participando de processos, de uma caminhada constituída de uma infinidade de passos que devem ser articulados entre si. Se ficarmos contemplando apenas o tamanho do Golias, não perceberemos a força e a grandeza presente no pequeno Davi. O sistema opressor e depredador é um gigante, mas tem pés de barro. A história demonstra que, quando menos se espera, guinadas na história são dadas e os ventos começam a soprar em outra direção. Nessa perspectiva lutam o povo das CEBs e dos Movimentos Populares, de mãos dadas. De 18 a 22 de julho de 2012, em Itabuna, na Bahia, o Nordestão das CEBs, encontro preparatório para o 13º Intereclesial das CEBs, que acontecerá na Diocese de Crato, no Ceará, de 7 a 11 de janeiro de 2014, nos convida: Vem, entra na roda com a gente! Você também é importante...
Por Gilvander Luís Moreira – F rei e padre Carmelita, mestre em Exegese Bíblica, professor de Teologia Bíblica, assessor da CPT, CEBs, CEBI, SAB e Via Campesina; e-mail: gilvander@igrejadocarmo.com.br - www.gilvander.org.br – facebook: gilvander.moreira – Texto escrito em Belo Horizonte, dia 19/03/2012, dia de São José, homem justo.
Contatos: e-mail: gilvander@igrejadocarmo.com.br Imagem: http://www.cnbbo2.org.br/pub/news/7c2c2c2b8aee6cc0638dfdf2f3497f01.jpg
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| 21/02/2012 - Religião - Mundo |
Estes nossos dias...
Aquilo me fez refletir: 'Qual dos dois modelos produz felicidade?' Encontrei Daniela, 10 anos, no elevador, às nove da manhã, e perguntei: 'Não foi à aula?' Ela respondeu: 'Não, tenho aula à tarde'. Comemorei: 'Que bom, então de manhã você pode brincar, dormir até mais tarde'. 'Não', retrucou ela, 'tenho tanta coisa de manhã...' 'Que tanta coisa?', perguntei. 'Aulas de inglês, de balé, de pintura, piscina', e começou a elencar seu programa de garota robotizada. Fiquei pensando: 'Que pena, a Daniela não disse: 'Tenho aula de meditação! Estamos construindo super-homens e super mulheres, totalmente equipados, mas emocionalmente infantilizados.
Uma progressista cidade do interior de São Paulo tinha, em 1960, seis livrarias e uma academia de ginástica; hoje, tem sessenta academias de ginástica e três livrarias! Não tenho nada contra malhar o corpo, mas me preocupo com a desproporção em relação à malhação do espírito. Acho ótimo, vamos todos morrer esbeltos: 'Como estava o defunto?'. 'Olha, uma maravilha, não tinha uma celulite!' Mas como fica a questão da subjetividade? Da espiritualidade? Da ociosidade amorosa?
Hoje, a palavra é virtualidade. Tudo é virtual. Trancado em seu quarto, em Brasília, um homem pode ter uma amiga íntima em Tóquio, sem nenhuma preocupação de conhecer o seu vizinho de prédio ou de quadra! Tudo é virtual. Somos místicos virtuais, religiosos virtuais, cidadãos virtuais. E somos também eticamente virtuais... A palavra hoje é 'entretenimento'; domingo, então, é o dia nacional da imbecilização coletiva. Imbecil o apresentador, imbecil quem vai lá e se apresenta no palco, imbecil quem perde a tarde diante da tela. Como a publicidade não consegue vender felicidade, passa a ilusão de que felicidade é o resultado da soma de prazeres: 'Se tomar este refrigerante, vestir este tênis, usar esta camisa, comprar este carro,você chega lá!'
O problema é que, em geral, não se chega! Quem cede desenvolve de tal maneira o desejo, que acaba precisando de um analista. Ou de remédios. Quem resiste, aumenta a neurose. O grande desafio é começar a ver o quanto é bom ser livre de todo esse condicionamento globalizante, neoliberal, consumista. Assim, pode-se viver melhor. Aliás, para uma boa saúde mental três requisitos são indispensáveis: amizades, autoestima, ausência de estresse. Há uma lógica religiosa no consumismo pós-moderno.
Na Idade Média, as cidades adquiriam status construindo uma catedral; hoje, no Brasil, constrói-se um shopping-center. É curioso: a maioria dos shoppings-centers tem linhas arquitetônicas de catedrais estilizadas; neles não se pode ir de qualquer maneira, é preciso vestir roupa de missa de domingo. E ali dentro sente-se uma sensação paradisíaca: não há mendigos, crianças de rua, sujeira pelas calçadas... Entra-se naqueles claustros ao som do gregoriano pós-moderno, aquela musiquinha de esperar dentista. Observam-se os vários nichos, todas aquelas capelas com os veneráveis objetos de consumo, acolitados por belas sacerdotisas. Quem pode comprar à vista, sente-se no reino dos céus. Deve-se passar cheque pré-datado, pagar a crédito, entrar no cheque especial, sente-se no purgatório. Mas se não pode comprar, certamente vai se sentir no inferno...
Felizmente, terminam todos na eucaristia pós-moderna, irmanados na mesma mesa, com o mesmo suco e o mesmo hambúrguer do Mc Donald...Costumo advertir os balconistas que me cercam à porta das lojas: 'Estou apenas fazendo um passeio socrático.' Diante de seus olhares espantados, explico: 'Sócrates, filósofo grego, também gostava de descansar a cabeça percorrendo o centro comercial de Atenas. Quando vendedores como vocês o assediavam, ele respondia:... Estou apenas observando de quanta coisa existe de que não preciso para ser feliz.
Por Frei Beto - Frade Dominicano, Teólogo, Antropólogo, Filósofo, Jornalista e Escritor.
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| 05/09/2011 - Religião - Santa Catarina |
Cobertura da Festa do Divino Espírito Santo
Reunimos uma equipe de repórteres, comentaristas, repórteres fotográficos e fotógrafos para, num trabalho voluntário, acompanhar e difundir os diversos momentos da festividade. Caso aprecie a referida cobertura, solicitamos a divulgação do endereço. Se deseja contribuir a porta está aberta.
Visite: www.daquinarede.com.br
Atenciosamente Celso Martins da Silveira Júnior 55 48 3335 0200
Equipe Na fotografia teremos Marco Cezar, Milton Ostetto, Édson da Silva (Velho Bruxo), Ben Kraijnbrink e Marco Nascimento; a jornalista Gisa Frantz redação/apoio; a acadêmica de História da Udesc, Gabí Pieroni, e Gabriel Vaz Pires, ex-provedor da Irmandade, farão relfexões e comentários; os jornalistas Gilead Maurício, Fernando Evangelista, Anita Martins, Carlos Miguel Torres e Miriam Santini de Abreu estarão na linha de frente da cobertura dos eventos; o jornalista Celso Martins estará na coordenação geral e edição; Angelita Brandão e Juliano de Sousa, da Educar Design, darão o suporte técnico e auxiliarão na postagem/edição do material produzido.
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| 18/07/2011 - Religião - Mundo |
O “complexo Deus” da modernidade
Segundo o fundador do paradigma moderno da tecnociência, Francis Bacon, cabe ao ser humano torturá-la, como o fazem os esbirros da Inquisição, até que ela entregue todos os seus segredos. Desta atitude se derivou uma relação de agressão e de verdadeira guerra contra a natureza selvagem que devia ser dominada e “civilizada”. Surgiu também a projeção arrogante do ser humano como o “Deus” que tudo domina e organiza.
Devemos reconhecer que o Cristianismo ajudou a legitimar e a reforçar esta compreensão. O Gênesis diz claramente:”enchei a Terra e sujeitai-a e dominai sobre tudo o que vive e se move sobre ela”(1,28). Depois se afirma que o ser humano foi feito “à imagem e semelhança de Deus”(Gn 1,26). O sentido bíblico desta expressão é: o ser humano é lugar-tenente de Deus e como Este é o senhor do universo, o ser humano é senhor da Terra. Ele goza de uma dignidade que é só dele, o de estar acima dos demas seres. Dai se gerou o antropocentrismo, uma das causas da crise ecológica. Por fim, o estrito monoteismo retirou o caráter sagrado de todas as coisas e o concentrou só em Deus. O mundo, não possuindo nada de sagrado, não precisa ser respeitado. Podemos moldá-lo ao nosso bel-prazer. A moderna civilização da tecnociência encheu todos os espaços com seus aparatos e pôde penetrar no coração da matéria, da vida e do universo. Tudo vinha envolto pela aura do “progresso”, uma espécie de resgate do paraiso das delícias, outrora perdido, mas agora reconstruido e oferecido a todos.
Esta visão gloriosa começou a ruir no século XX com as duas guerras mundiais e outras coloniais que vitimaram duzentos milhões de pessoas. Quando se perpetrou o maior ato terrorista da história, as bombas atômicas lançadas sobre o Japão pelo exército norteamericano, que matou milhares de pessoas e devastou a natureza, a humanidade levou um susto do qual não se refez até hoje. Com as armas atômicas, biológicas e químicas construidas depois, nos demos conta de que não precisamos de Deus para concretizar o Apocalipse.
Não somos Deus e querer ser “Deus” nos leva à loucura. A idéia do homem como “Deus” se transformou num pesadelo. Mas ele se esconde ainda atrás do “tina” (there is no alternative) neoliberal:”não há alternativa, este mundo é definitivo.” Ridículo. Demo-nos conta de que “o saber como poder”(Bacon) quando feito sem consciência e sem limites éticos, pode nos autodestruir. Que poder temos sobre a natureza? Quem domina um tsunami? Quem controla o vulcão chileno Puyehe? Quem freia a fúria das enchentes nas cidades serranas do Rio? Quem impede o efeito letal das partículas atômicas do urânio, do césio e de outras liberadas, pelas catástrofes de Chernobyl e de Fukushima? Como disse Heidegger em sua última entrevista ao Der Spiegel: ”só um Deus nos poderá salvar”.
Temos que nos aceitar como simples criaturas junto com todas as demais da comunidade de vida. Temos a mesma origem comum: o pó da Terra. Não somos a coroa da criação, mas um elo da correnta da vida, com uma diferença, a de sermos conscientes e com a missão de “guardar e de cuidar do jardim do Eden”(Gn 2,15), quer dizer, de manter a condições de sustentalidade de todos os ecossistemas que compõem a Terra.
Se partimos da Bíblia para legitimar a dominação da Terra, temos que voltar a ela para aprender a respeitá-la e a cuidá-la. A Terra gerou a todos. Deus ordenou: “Que a Terra produza seres vivos, segundo sua espécie”(Gn 1,24). Ela, portanto, não é inerte, é geradora e é mãe. A aliança de Deus não é apenas com os seres humanos. Depois do tsunami do dilúvio, Deus refez a aliança “com a nossa descendência e com todos os seres vivos”(Gn 9,10). Sem eles, somos uma familia desfalcada.
Por Leonardo Boff – Teólogo/Filósofo
Imagem: http://www.franciscanos.org.br/ecologia/imagens_capa/2011/04_220211.jpg |
| 13/05/2011 - Religião - Brasil |
25 anos do martírio de Josimo Tavares
Após tentativa de assassinato contra padre Josimo Moraes Tavares, no dia 15 de abril de 1986, quando cinco tiros foram disparados contra a Toyota dele, profundamente ameaçado de morte e de ressurreição, incompreendido até por colegas padres e agentes de pastoral, padre Josimo foi "intimado" a elaborar um relatório de suas atividades e a esclarecer as circunstâncias que levaram a tantas ameaças de morte contra ele.
Em seu belíssimo Testamento Espiritual pronunciado durante a Assembléia Diocesana de Tocantinópolis, MA, no dia 27 de abril de 1986, poucos dias antes de seu assassinato, dizia Josimo que sua morte estava anunciada, encomendada e prescrita nos anais das correntes que desejavam ardentemente eliminá-lo. Novos Anás e novos Caifás já o haviam julgado. Mas Josimo se encontrava firme, pois havia assumido o seu trabalho pastoral no compromisso e na causa em favor dos pobres, dos oprimidos e injustiçados, impulsionado pela força do Evangelho. Josimo declarou:
"Pois é, gente, eu quero que vocês entendam que o que vem acontecendo não é fruto de nenhuma ideologia ou facção teológica, nem por mim mesmo, ou seja, pela minha personalidade. Acredito que o porquê de tudo isso se resume em três pontos principais. - Por Deus ter me chamado com o dom da vocação sacerdotal e eu ter correspondido. - Pelo senhor bispo, D. Cornélio, ter me ordenado sacerdote. - Pelo apoio do povo e do vigário de Xambioá, então Pe. João Caprioli, que me ajudaram a vencer nos estudos.
"O discípulo não é maior do que o Mestre. Se perseguirem a mim, hão de perseguir vocês também." Tenho que assumir. Agora estou empenhado na luta pela causa dos pobres lavradores indefesos, povo oprimido nas garras dos latifúndios. Se eu me calar, quem os defenderá? Quem lutará a seu favor? Eu pelo menos nada tenho a perder. Não tenho mulher, filhos e nem riqueza sequer, ninguém chorará por mim. Só tenho pena de uma pessoa: de minha mãe, que só tem a mim e mais ninguém por ela. Pobre. Viúva. Mas vocês ficam aí e cuidarão dela. Nem o medo me detém. É hora de assumir. Morro por uma justa causa. Agora quero que vocês entendam o seguinte: tudo isso que está acontecendo é uma conseqüência lógica resultante do meu trabalho na luta e defesa pelos pobres, em prol do Evangelho que me levou a assumir até as últimas conseqüências.
A minha vida nada vale em vista da morte de tantos pais lavradores assassinados, violentados e despejados de suas terras. Deixando mulheres e filhos abandonados, sem carinho, sem pão e sem lar. É hora de se levantar e fazer a diferença! Morro por uma causa justa[1].”
Mas ele não imaginava que a morte viria tão cedo. Dia 10 de maio de1986 foi assassinado covardemente enquanto subia as escadas do prédio da Mitra Diocesana de Imperatriz, MA, onde funcionava o escritório da CPT Araguaia-Tocantins. Ainda teve forças para entrar no hospital andando.
Padre Josimo era coordenador da Comissão Pastoral da Terra – CPT - no Bico do Papagaio. O pistoleiro Geraldo Rodrigues da Costa efetuou dois disparos com uma pistola de calibre 7,65. Para executar Josimo contou com a participação de Vilson Nunes Cardoso, que até hoje está foragido. Em 1993, nova denúncia, apontou como mandantes do assassinato de Padre Josimo, Geraldo Paulo Vieira, Adailson Vieira, Osmar Teodoro da Silva, Guiomar Teodoro da Silva, Nazaré Teodoro da Silva e Osvaldino Teodoro da Silva e João Teodoro da Silva. Em 1998 Adailson Vieira, Geraldo Paulo Vieira (pai do Adailson) e Guiomar Teodoro da Silva foram julgados e condenados. Os dois primeiros foram condenados a 19 anos de reclusão e Guiomar, a 14 anos e 3 meses. João Teodoro da Silva faleceu antes de ser levado a julgamento. Geraldo morreu alguns meses depois da sentença. Osmar Teodoro da Silva ficou foragido durante anos, sendo capturado pela polícia somente em 2001, depois de ter sido alvo do programa Linha Direta, na TV Globo. Em setembro de 2003, ele foi condenado, por unanimidade, a 19 anos de reclusão.
Geraldo Rodrigues da Costa, o executor do crime, foi condenado, em 1988, a 18 anos e 6 meses de reclusão. Conseguiu fugir da penitenciária por três vezes, mas, depois da última fuga, nunca mais fora encontrado. Há informações de que faleceu durante fuga após um assalto na cidade de Guarai, TO. E m 2006, Claudemiro Godoy do Nascimento, no artigo “20 anos com Josimo”, recordava:
“Há 20 anos atrás, o Brasil vivia momentos de transformações políticas e econômicas que dinamizavam o cenário das relações políticas. Na região do Bico do Papagaio a situação não se diferenciava. Com o anuncio do fim do regime ditatorial havia uma rearticulação política das oligarquias rurais na chamada Nova República. A luta social se encontrava diante de fortes momentos de tensão e conflito por parte de fazendeiros e trabalhadores rurais que tinham na Igreja, na CPT, nos sindicatos e nos novos movimentos sociais do campo uma esperança em ver realmente a Terra partilhada para todos e todas. Josimo é a testemunha fiel e nos ensina de que vale a pena dar a vida pela causa do Reino, das comunidades e do povo. Sua morte significou o compromisso assumido em denunciar as estruturas de morte alimentadas pelas injustiças políticas de mandos e desmandos de uma oligarquia rural que ousava (ou ainda ousa) se estabelecer no poder da República. É neste sentido que Josimo se torna o padre mártir da Pastoral da Terra ao selar com seu sangue uma opção, um compromisso e um engajamento na defesa dos oprimidos, em especial, os trabalhadores rurais. Poderíamos relembrar os versos de Pedro Tierra escritos por ocasião do martírio de Padre Josimo em maio de 1986: Quem é esse menino negro / Que desafia limites? / Apenas um homem. / Sandálias surradas. / Paciência e indignação. / Riso alvo. / Mel noturno. / Sonho irrecusável. / Lutou contra cercas. / Todas as cercas. / As cercas do medo. / As cercas do ódio. / As cercas da terra. / As cercas da fome. / As cercas do corpo. / As cercas do latifúndio.
Diante de tanta fé e de uma teimosia do Reino inexplicável, Josimo sentia-se fortalecido pela experiência de Deus, pois se encontrava dentro do próprio Deus. Com certeza, Josimo fez a experiência de Deus que somente os grandes místicos da humanidade fizeram. Um homem que chega a ponto de saber que terá seu sangue derramado em defesa dos pobres e pela causa do Reino só pode ter tido a experiência concreta do Deus que se fez gente entre os homens e mulheres.
Para Josimo ser padre significava sentir a vida brotando como serviço justo a Deus e aos pobres, sobretudo. Para ele, o culto, a eucaristia, a teologia do sacrifício significava o agrado que fazemos a Deus no serviço aos pobres, aos doentes e marginalizados da sociedade. Percebemos nos escritos, nos poemas e nos registros de Josimo uma profunda intimidade com sua opção primeira, a saber: a Diakonia, ou seja, o serviço, o estar sempre servindo aos mais necessitados. Necessitados do Bico do Papagaio eram os trabalhadores rurais expulsos e espoliados da terra pelos grandes fazendeiros locais e pelos políticos ao estilo coronelista. Portanto, ser padre Josimo era ser Profeta na Justiça, Pastor na Caminhada e Sacerdote humilde que procurava oferecer a Deus oferendas justas. Josimo é a própria oferta. Tornou-se um ofertório vivo para nossas comunidades e para a construção do Reino.
Com certeza, a memória dos 23 anos do martírio de Padre Josimo nos traz à luz a experiência das CEBs – Comunidades Eclesiais de Base -, da Igreja Povo de Deus, Igreja Povo Novo enquanto sinal do Reino de Deus no mundo. Novos Josimos só surgirão quando a Igreja novamente for sinal vivo do Reino de Deus, quando estiver ao lado dos pobres e oprimidos, dos fracos e perseguidos; quando denunciar as injustiças e as opressões cometidas contra o povo; quando anunciar a esperança, a fé, o amor e a alegria aos pobres.
10 de maio de 2009 são 23 anos com Josimo. Ele continua vivo. Vivo nas memórias do povo, nas experiências dos educadores populares, nos escritos da Teologia da Libertação e no compromisso dos poucos agentes de pastorais que continuam reafirmando o mesmo compromisso com o Reino, com a causa de um novo mundo, com a justiça social e a solidariedade para com os excluídos da sociedade. Vivo no martirológico latino-americano, alternativo por excelência, sem nenhuma ligação e reconhecimento por parte da estrutura eclesial oficial. A história não pode perder a figura de Josimo. Ele é importante na história porque promoveu com o povo a história. Com Josimo, os dominados contam suas histórias. Com Josimo, a história não é na lógica da classe dominante. Com Josimo, os dominados são os sujeitos históricos.”
O nome de Padre Josimo está hoje em centenas de Acampamentos de Sem Terra, em centenas de Assentamentos de Reforma Agrária e em centenas de Comunidades Eclesiais de Base. Ele está muito vivo e presente nos corações e na mente de milhões de pessoas que lutam para que a Mãe terra seja libertada das garras do latifúndio e partilhada com milhões de sem-terra através de uma autêntica reforma agrária.
Algumas pessoas nos alertam perguntando: "Por que valorizar tanto ou exclusivamente o martírio, o sofrimento...?" Devemos ser criteriosos para não incentivarmos um martírio voluntário. É claro que existem tantas pessoas que de mil e uma formas, e não raro, mais eficazes e abrangentes, dão testemunho, dinamizam a vida, atuam na cidadania e constroem o bem comum. Não podemos também jamais esquecer a memória dos inúmeros mártires da caminhada. Ai de um povo que esquece os seus mártires.
Belo Horizonte, 10 de maio de 2011, 25 anos com padre Josimo Tavares vivendo vida plena. Gilvander Moreira Frei e padre carmelita, mestre em Exegese Bíblica, professor de Teologia Bíblica; assessor da CPT, CEBI, SAB e Via Campesina; e-mail: gilvander@igrejadocarmo.com.br – www.gilvander.org.br – www.twitter.com/gilvanderluis - facebook: gilvander.moreira
[1] LE BRETON, BINKA; Todos Sabiam, a morte anunciada do Padre Josimo, Ed. Loyola, São Paulo, 2000, pp. 129-130.
Imagem: http://2.bp.blogspot.com/_6icbF2UnCyk/TJJDn59SFGI/AAAAAAAAB04/MLLrHKtqntg/s400/pe_josimo.jpg |
| 10/04/2012 - Religião - Mundo |
Como Deus emerge no processo evolucionário?
Somos conscientes de querenomados cientistas se recusam a aceitar uma direcionalidade do universo. Ele seria simplesmente sem sentido. Outros, cito apenas um, como o conhecido físico da Grã-Bretanha Freeman Dyson que afirma:”Quanto mais examino o universo e estudo os detalhes de sua arquitetura, tanto mais evidências encontro de que ele, de alguma maneira, devia ter sabido que estávamos a caminho”. De fato, olhando retrospectivamente o processso evolucionário que já possui 13,7 bilhõs de anos, não podemos negar que houve uma escalada ascendente: a energia virou matéria, a matéria se carregou de informações, o caos destrutivo se fez generativo, o simples se complexificou, e de um ser complexo surgiu a vida e da vida a consciência. Há um propósito que não pode ser negado. Efetivamente, se as coisas em seus mínimos detalhes, não tivessem ocorrido, como ocorreram, nós humanos não estaríamos aqui para falar destas coisas.
Escreveu com razão o conhecido matemático e físico Stephen Hawking em seu livro Uma nova história do tempo (2005):”tudo no universo precisou de um ajuste muito fino para possibilitar o desenvolvimento da vida; por exemplo, se acarga elétrica do elétron tivesse sido apenas ligeiramente diferente, teriadestruído o equilíbrio da força eletromagnética e gravitacional nas estrelas e, ou elas teriam sido incapazes de queimar o hidrogênio e o hélio, ou então não teriam explodido. De uma maneira ou de outra, a vida não poderia existir".
Como emerge Deus no processo cosmogênico? A ideia de Deus surge quando colocamos a questão: o que havia antes do big-bang? Quem deu o impulso inicial? O nada? Mas do nada nunca vem nada. Se apesar disso apareceram seres é sinal de que Alguém ou Algo os chamou à existência e os sustenta no ser.
O que podemos sensatamente dizer, é: antes do big bang existia o Incognscível e vigorava o Mistério. Sobre o Mistério e o Incognoscível, por definição, não se pode dizer literalmente nada. Por sua natureza, eles são antes das palavras, das energia,da matéria, do espaço e do tempo.
Ora, o Mistério e o Incognoscível são precisamente os nomes que as religiões e também o Cristianismo usam para significar aquilo que chamamos Deus. Diantedele mais vale o silêncio que a palavra. Não obstante, Ele pode ser percebido pela razão reverente e sentido pelo coração como uma Presença que enche o universo e faz surgir em nós o sentimento de grandeza, de majestade, de respeito e de veneração.
Colocados entre o céu e a terra, vendo as miríades de estrelas, retemos a respiração e nos enchemos de reverência. Naturalmente nos surgem as perguntas: Quem fez tudo isso? Quem se esconde atrás da Via-Lactea? Como disse o grande rabino Abraham Heschel de Nova York: “Em nossos escritórios refrigerados ou entre quatro paredes brancas de uma sala de aula podemos dizer qualquer coisa e duvidar de tudo. Mas inseridos na complexidade da natureza e imbuidos de sua beleza, não podemos calar. É impossível desprezar o irromper da aurora, ficar indiferentes diante do desabrochar de uma flor ou não quedar-se pasmados ao contemplar uma criançarecém-nascida”. Quase que espontaneamente dizemos: foi Deus quem colocou tudo em marcha. É Ele aFonte originária e o Abismo alimentador de tudo.
Outra questão importante é esta: que Deus quer expressar com a criação? Responder a isso não é preocupação apenas da consciência religiosa, mas da própria ciência. Sirva de ilustração o já citada Stephen Hawking, em seu conhecido livro Breve história do tempo (1992): “Se encontrarmos a resposta de por que nós e o universo existimos, teremos o triunfo definitivo da razão humana; porque, então, teremos atingido o conhecimento da mente de Deus”(p. 238). Até hoje os cientistas estão ainda buscando o desígnio escondido de Deus.
A partir de uma perspectiva religiosa, suscintamente, podemos dizer: O sentido do universo e de nossa própria existência consciente parece residir no fato de podermos ser o espelho no qual Deus mesmo se vê a si mesmo. Cria o universo como desbordamento de sua plenitude de ser, de bondade e de inteligência. Cria para fazer outros participarem de sua suberabundância. Cria o ser humano com consciência para que ele possa ouvir as mensagens que o universo nos quer comunicar, para que possa captar as histórias dos seres da criação, dos céus, dos mares, das florestas, dos animais e da próprio processo humano e religar tudo à Fonte originária de onde procedem.
O universo está ainda nascendo. A tendência é acabar de nascer e mostrar as suas potencialidades escondidas. Por isso, a expansão significa também revelação. Quando tudo tiver se realizado, então se dará a completa revelação do desígnio do Criador.
Por Leonardo Boff – Teólogo/Filósofo
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| 25/09/2011 - Religião - Região |
17ª Assembleia Diocesana das PJs do Contestado
Gostaríamos de destacar o tema "Diversidade Juvenil e Unidade Pastoral" que permeará todo o debate durante a assembleia e dará base para a definição de prioridades e projetos.
A assembleia contará com três assessores: Dom Frei Severino Clasen - Bispo da Diocese de Caçador que falará aos jovens, sobre as Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil. Padre Gilberto Tomazi será o Assessor Metodológico. Silvano da Silva que fará Análise de Conjuntura e refletirá o tema "Diversidade Juvenil e Unidade Pastoral".
Tendo em vista que em 2013 acontecerá no Brasil a Jornada Mundial da Juventude e a Campanha da Fraternidade terá como tema "Juventude", é momento propício para pensarmos com carinho as ações das Pastorais da Juventude para este Triênio, sem esquecer a consonância que a caminhada pastoral da juventude deve ter com o Plano Diocesano de Pastoral.
Um forte abraço!
Divanete Eloisa Bacchi Nas PJs do Contestado ousamos construir cidadania! |
| 24/04/2011 - Religião - Brasil |
Sobre Deuses e Deusas
Terrivelmente machista. Criou a mulher apenas para ajudar o homem e, ainda por cima, tinha uma idéia completamente errada sobre o ser humano e sua relação com a natureza. Imaginem só!, ele colocou o homem (e, depois, a mulher) sobre a Terra para que dominasse a natureza.
Será que ele não sabia que a natureza, o homem e a mulher são a mesma coisa? Não sabia Deus que tudo se relaciona e que o ser humano e a natureza são uma coisa só? Logo Deus, que tem a obrigação de saber tudo... Claro que sabia! Ocorre que Deus é machista, coitado... É o que está escrito no Gênesis.
Mas há outra versão do mesmo livro que diz que Deus criou o homem e a mulher ao mesmo tempo, mas a mulher sempre para ajudar o homem, e pior ainda: depois daquela história da serpente, da árvore do bem e do mal, do fruto que a mulher deu para o homem comer, ele amaldiçoa a mulher. Somente a mulher.
O homem ficou de coitadinho, enganado pela serpente e pela mulher. A mulher é que teria que parir com dores. Para o homem, já que tinha aberto os olhos e conhecido o bem e o mal, restaria ganhar o seu sustento com o seu próprio suor.
Supõe-se que antes da serpente aparecer naquela história do Gênesis, homem e mulher (não necessariamente nesta ordem, por favor) eram sustentados por Deus, desde que continuassem cegos e alienados sobre tudo o que acontecia ao seu redor. Não podiam nem raciocinar.
E foram expulsos do paraíso. Deus estava muito brabo e correu com eles. Que se arranjassem como pudessem! E lá foi a mulher a parir com dores e o homem a ganhar o pão com o suor do seu rosto. Mais ou menos por aquela época, os anjos de Deus viram as mulheres da Terra, se apaixonaram e simplesmente as estupraram. E o resultado foram os gigantes.
Agora, que mulheres eram essas se Deus tinha criado somente um casal? Não fica muito claro no Gênesis, mas supõe-se que fossem as filhas de Eva, ou netas, porque o Gênesis, como é um livro machista ditado por um Deus machista para um suposto Moisés machista, somente fala nos filhos homens de Adão e Eva - Caim e Abel. Mas, voltando: pior do que serem xingados e corridos do Paraíso terrestre por Deus, aquele ato de desobediência resultou no que os muito religiosos, mas tão cegos como aquele deus machista, entenderam mais tarde que seria um grande pecado – o pecado original, no qual toda a humanidade estaria imersa.
Foi daí que surgiram aquelas religiões que dizem que o ser humano, para se livrar do pecado original precisa converter-se, temer e obedecer cegamente a Deus. Senão, babaus!
Já não basta ganhar o pão com o suor do rosto, pagar impostos altíssimos para ter o direito de morar e de sobreviver; agüentar a opressão das oligarquias que estão mancomunadas com aquele deus, assistir as novelas da Globo, o BBB, as bobagens do Sílvio Santos, os carnavais estéreis do Rio, ouvir as mentiras diárias da mídia controlada... Mas, ainda por cima ter de obedecer aos sacerdotes daquele deus raivoso que não gosta muito de mulher, porque senão... É o inferno!
Ainda bem que nos últimos anos mulheres muito inteligentes e argutas descobriram que Deus não é Deus, é Deusa. E sendo Deusa seria melhor que Deus, devido ao fato de que as mulheres são melhores do que os homens e os homens, se não forem coisa pior, no mínimo serão uns brutos machistas.
Isso é um alívio... Os celtas e a sua religião, que quase tinha sido exterminada pelos machistas romanos que tinham um deus macho – Júpiter – sobre todos os demais pequenos deuses, conseguiram, graças aos poderes da Deusa, fazer ressurgir essa religião das brumas de Avalon, com as suas druidesas, fogueiras, festas iniciáticas e tudo o que tem direito.
Que bom! Já era tempo de alguém se contrapor àquele deus judaico-cristão, que os gnósticos sempre afirmaram que era um deus falso, um demiurgo, emanação do Uno, ou da Una, que veio para a Terra apenas para criar todos esses preconceitos machistas que nem a Lei Maria da Penha consegue dar conta.
Na verdade, os homens sempre desconfiaram disso, quando começaram a divinizar as mulheres, dizer que elas são umas deusas, que são o que a natureza fez de melhor. (E é verdade! Cá entre nós, homens, ao pé do ouvido, sem que elas nos escutem: mulher é o que existe de melhor). Claro que tem aqueles homens que não concordam com esta opinião e tem aquelas mulheres que concordam alegremente, mas o mundo não é de todos?
Em tese. Todos vivem no mundo, mas quanto ao mundo ser de todos... É necessário muito dinheiro para participar daquele clube dos donos do mundo, que pouco está se importando se o Deus é Deusa ou se a Deusa é Deus. O que querem é relaxar e gozar. E dominar. E entrar em êxtase com o seu domínio e poder. Um grupo composto por homens e mulheres, todos e todas muito poderosos e muito poderosas, e o seu poder é tanto que se consideram deuses e deusas.
Já viram o rosto esfuziante da Hillary Clinton? Ou do Sarkozy? Ou da Ângela Merkel? Ou do Berlusconi? E de tantos outros e outras que decidem a nossa vida? Pois é. Para esses não há pecado original e o mundo não é o limite. Enquanto milhões vivem na miséria e outros milhões tem todas as dificuldades, aqueles tem todas as facilidades.
Ótimo que exista um Dia Internacional da Mulher. Pelo menos, durante um dia no ano os homens de todo o mundo tem a oportunidade de pensar se estão sendo justos com as mulheres das suas vidas. Porque sem mulheres não existiria vida, amor, felicidade e aquele pouco de esperança que tentamos vislumbrar.
Mas o ideal seria um Dia Internacional da Humanidade. Para que todos – homens e mulheres - pensem no que está sendo feito com a humanidade, com todos aqueles milhões que passam fome e frio; sofrem com as doenças, com o desamor e morrem de desesperança. E todos procurem, seriamente – sem fantasias ou carnavais – uma imediata solução para tanta injustiça e desigualdade, que não discriminam os gêneros para provocar miséria e desilusão.
Por Fausto Brignol.
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| 16/04/2011 - Religião - Brasil |
Lições que aprendi com Pe Comblin: liberdade e a história
Pensando nisso é que resolvi escrever este pequeno texto. Mas é uma tarefa muito difícil escrever em uma página o que significou a pessoa e a obra de Pe Comblin para as igrejas cristãs na América Latina e também para muitos não cristãos que conheceram, por exemplo, o seu livro “A ideologia de segurança nacional”. Por isso, eu quero simplesmente compartilhar algumas idéias de Comblin que me marcaram nos últimos 30 anos.
Se há uma palavra que marcou a minha leitura da vastíssima obra de Comblin é a liberdade. Ele disse: “Segundo a Bíblia, a liberdade é mais do que uma qualidade, um atributo de ser humano: é a própria razão de ser de humanidade.” E a afirmação de Paulo de Tarso, “Foi para a liberdade que Cristo nos libertou (Gal 5,1)” pode ser visto como o mote que guiou a sua obra. Esta busca de liberdade, que impulsiona a luta pela libertação, não pode ser confundida com uma visão moderna burguesa da liberdade. “Não é livre aquele que diz que faz o que quer, mas, na realidade, não sabe resistir à pressão dos desejos, tornando-se escravo dos objetos que excitam o seu desejo.” Nestes casos, a liberdade pressupõe a libertação dos desejos individuais e a sua realização no assumir o serviço e a causa em favor dos mais pobres.
A sua reflexão crítica não era direcionada somente à visão burguesa da vida e da liberdade, mas também a outras teses presentes no nosso meio. Já na década de 1960, quando muitos do cristianismo de libertação estavam descobrindo o marxismo e o utilizando nas análises sociais e nas propostas políticas, Comblin criticava filosofias da história que anunciam um caminhar necessário da história humana para a erupção do Reino da Liberdade (marxismo) ou para “cristificação do universo” (inspirado em Teilhard de Chardin), quando começaria a verdade história humana, plena de harmonia. A sua crítica constituía em duas idéias centrais: a) a liberdade não pode nascer da necessidade; isto é, se a histórica caminha necessariamente para um ponto, este não é liberdade porque processos históricos necessários não podem gerar a liberdade, pois não haveria opção de não chegar; b) esta visão de que após a “revolução final” iniciaria a verdadeira história humana é um mito que desqualifica a história humana a uma pré-história.
A sua reflexão a partir da liberdade se aplica também sobre a noção de Deus. Para ele, a tradição bíblica difere da tradição Greco-Ocidental que busca em Deus o fundamento da ordem atual ou da nova ordem a surgir necessariamente (Deus como motor criador da nova ordem). “Na Bíblia, todavia, tudo é diferente porque Deus é amor. O amor não funda ordem, mas desordem. O amor quebra toda estrutura de ordem. O amor funda a liberdade e, por conseguinte, a desordem. O pecado é conseqüência do amor de Deus.”
“Que Deus é amor e que a vocação humana é a liberdade são as duas faces da mesma realidade, as duas vertentes do mesmo movimento”. Segundo esta forma de ver Deus e o sentido da existência humana, Deus não é mais um ser todo-poderoso que impõe sobre o mundo a sua vontade conduzindo a história para um fim já pré-estabelecido. Uma visão presente não somente em setores conservadores, mas também em diversos setores considerados “progressistas” e eco-socialmente engajados. Deus vem ao mundo como alguém que se fez impotente diante do ser humano livre: “esvaziou-se a si mesmo, e assumiu a condição de servo, tomando a semelhança humana” (Fl 2,7).
Para Comblin lutar pela libertação e uma vida de liberdade não é lutar por um mundo sem mal, pois não é possível vivermos a liberdade sem a possibilidade do mal e do pecado. Deus fez o mundo tal que o pecado é uma possibilidade inevitável. Por isso, ele retoma um texto bíblico muito citado por Juan Luis Segundo, “Já estou chegando e batendo à porta. Quem ouvir minha voz e abrir a porta, eu entro em sua casa e janto com ele, e ele comigo” (Ap 3,20) e diz: “se ninguém abrir, Deus aceita a derrota sabendo que sua criação fracassou. Deus criou um mundo que podia fracassar.”
Essas palavras mostram uma característica de Comblin que sempre admirei: a sua coragem profética de dizer coisas que podem contrariar nossos desejos românticos, desejos que nos levam para fora da história humana e do ser humano real. Assim, ele cumpriu com a sua obra um dos propósitos da teologia da libertação: ser uma reflexão crítica sobre o mundo idolátrico e também sobre a nossa religiosidade e experiência de fé, a serviço da liberdade-libertação dos mais pobres.
Por Jung Mo Sung - (Coreia do Sul, 1957 -) é um teólogo católico romano leigo, professor titular da Universidade Metodista de São Paulo.
Tomado do blog: http://www.oarcanjo.net |
| 14/04/2011 - Religião - Brasil |
Audîência Pública debate discriminação e o direito às manifestações religiosas de origem africana
É significativo, portanto, que no Plenarinho da Casa Legislativa seja realizada, no dia 19 de abril, às 14h30, Audiência Pública para discutir a discriminação e o direito às manifestações religiosas de origem africana.
A iniciativa visa dar visibilidade à Semana das Religiões de Matrizes Africanas, sempre na semana de 23 de abril, conforme a Lei Municipal 7.558/2008, bem como discutir formas de proteção aos cultos, entidades e adeptos que sofrem os mais variados tipos de discriminação e agressão, inclusive com ameaças de morte.
A Militante do Movimento Negro Unificado (MNU) Vanda Pinedo diz que essa discriminação é histórica, desde que populações ligadas a diferentes etnias foram seqüestradas do continente africano para o Brasil como escravos. Esse processo de seqüestro e de conversão ao catolicismo implicou perda de identidade negra e na subversão da religião de matriz africana, que passou a se manifestar na clandestinidade. Passados 500 anos, o racismo só mudou de foco, pois a sociedade brasileira ainda não consegue conviver respeitosamente com os cultos religioso, conforme estabelece a Constituição.
As agressões e o desrespeito são verbais e até físicos. No primeiro caso, se relaciona a religião de matriz africana ao “culto ao demônio”, ao mau, a “atos de maldade”. Dependendo de onde ou de quem faz esse tipo de discurso, é possível levar outras pessoas a incorporar o mesmo ponto de vista ou atitude. As agressões se tornam explícitas quando há invasão a centros, terreiros ou barracões, como são chamados os espaços das práticas da religião de matriz africana. Nas denúncias para que a polícia intervenha, a mesma age de forma agressiva, proibindo de imediato o uso dos atabaques e demais instrumentos fundamentais à prática nestes espaços públicos. Com esta perseguição, o medo leva a maioria dos seguidores a evitar denúncias, temendo retaliação.
Para Vanda, muitas pessoas criticam uma expressão religiosa que praticamente desconhecem, e ainda assim a associam ao mal, reforçando o estigma. “Uso como exemplo festas e manifestações de outras religiões que, com seus rituais, canções, toques de sinos, ocupam espaços públicos e fecham ruas com o aval do poder público”. O racismo se expressa quando, para a religião de matriz africana, não há este mesmo tratamento, inclusive para utilização de espaços naturais, constata Vanda. Na avaliação dela, programas religiosos ou não, veiculados em muitos casos nos meios de comunicação, reproduzem e até estimulam a intolerância religiosa.
Ela cita como exemplo a forma como são tratadas, nesses discursos, as oferendas. Nos terreiros afro-brasileiros há a prática de sacrifício de animais, mas para cumprir um ritual de oferenda aos deuses, que são vistos como elementos da natureza, e alimentar as pessoas que participam do ritual. Mas a prática de abater cruelmente animais em muitos frigoríficos, que cada vez mais só visam lucro e depois são comprados e vendidos pelas redes de supermercados, não sofre a mesma crítica, ainda que altere cada vez mais o crescimento e a reprodução deste animais em prejuízo da saúde humana, destaca Vanda. Ela acrescenta que essa discriminação racionaliza e animaliza a prática dos seguidores da religião africana, tirando-a do âmbito da expressão religiosa.
Segundo Vanda, a expectativa, com a Audiência Pública, é dar visibilidade aos problemas apontados, debater o direito dos adeptos à livre expressão religiosa e garantir que os encaminhamentos tenham os efeitos esperados, e que o Poder Público se responsabilize pela defesa do cidadão em todos os aspectos de sua convivência na sociedade.
Liberdade de crença O dirigente do Sinergia (Sindicato dos Eletricitários de Florianópolis) Wilson Martins Lalau observa que as matrizes afro-brasileiras sofrem ataques por vários segmentos da sociedade e são condenadas secularmente, reproduzindo, no ideário nacional, o discurso do ódio, rasgando assim os princípios da Carta Magna, que defende a liberdade do exercício e crença religiosa no país.
“A mesma atitude que condena a pessoa pela cor de sua pele também atribui, nessa contextualização, a criminalização por sua fé religiosa”, constata Lalau. “Como dirigente do Sinergia e cidadão brasileiro, um país multirracial e multicultural, tenho ideais voltados à liberdade de expressão, cultural e religiosa, pois entendo que o exercício da tolerância, respeitando as diferenças, é o pilar de um mundo, civilizado, justo e harmonioso”.
Para que isso se concretize, diz ele, é preciso repensar valores e preconceitos, desconstruindo atitudes motivadas pelo ódio, que estimula a violência, vitimiza pessoas e resulta em atos de barbárie.
Saiba mais:
Orixás são entidades cultuadas no candomblé, que foi trazido ao Brasil no período colonial pelos africanos de origem iorubá (onde hoje é a Nigéria e o Benin). Quando o deus Olodumaré decidiu criar o mundo, cada orixá ficou responsável por alguns aspectos da natureza e da vida em sociedade. Cada humano surgiu de um desses deuses e herda dele algumas características. Essas mesmas entidades são reverenciadas, de forma diferente, na umbanda.
Pesquise: http://templodeyemanja.blogspot.com
Imagem: http://www.brasilescola.com/upload/e/Terreiros%20-%20BRASIL%20ESCOLA.JPG |
| 25/03/2011 - Religião - Mundo |
Denúncias de DOM OSCAR ROMERO
6 DE NOVEMBRO DE 1977
“Que maravilha será o dia que cada batizado compreender que sua profissão, seu trabalho, é um trabalho sacerdotal; que, assim como eu celebro a missa no altar, cada carpinteiro celebra sua missa na sua carpintaria, cada profissional, cada médico com seu bisturi, a mulher na feira, no seu lugar de trabalho… estão fazendo um ofício sacerdotal. Quantos motoristas que escutam esta mensagem no seu táxi. Tu, querido motorista, junto ao volante do seu táxi és um sacerdote se trabalhas com honradez, consagrando a Deus seu táxi, levando uma mensagem de paz e de amor a teus clientes que vão no seu automóvel.” 20 DE NOVEMBRO DE 1977
“Uma religião de missa dominical, mas de semanas injustas não agrada ao Deus da Vida. Uma religião de muita reza, mas de hipocrisias no coração não é cristã. Uma Igreja que instala só para estar bem, para ter muito dinheiro, muita comodidade, porém que não ouve os clamores das injustiças não é a verdadeira igreja de nosso Divino Redentor.” 4 DE DEZEMBRO DE 1977
“Ainda quando nos chamem de loucos, ainda quando nos chamem de subversivos, comunistas e todos os adjetivos que se dirigem a nós, sabemos que não fazemos nada mais do que anunciar o testemunho subversivo das bem-aventuranças, que proclamam bem-aventurados os pobres, os sedentos de justiça, os que sofrem.” 11 DE MAIO DE 1978
“Muitos querem que o pobre sempre diga que é “vontade de Deus” que assim sobreviva. Não é vontade de Deus que uns tenham tudo e outros não tenham nada. Não pode ser de Deus. A vontade de Deus é que todos os seus filhos e filhas sejam felizes.” 10 DE SETEMBRO DE 1978
“É ridículo dizer que a Igreja se tornou marxista. Porém há um "ateísmo" mais próximo e mais perigoso para nossa igreja: o ateísmo do capitalismo, quando os bens materiais se tornam ídolos e substituem Deus.” 15 DE SETEMBRO DE 1978
“Uma igreja que não sofre perseguição, mas que desfruta privilégios e o apoio de coisas da terra – Tenham Medo! – não é a verdadeira igreja de Jesus Cristo.” 11 DE MARÇO DE 1979
“Quantos existem que não dizem ser cristãos, porque não têm fé…! Têm mais fé no seu dinheiro e em suas coisas do que no Deus que criou tudo.” 3 DE JUNHO DE 1979
“Para que servem belas estradas e aeroportos, belos edifícios e grandes palácios, se foram construídos com o sangue de pobres que jamais vão desfrutá-los?” 15 DE JULHO DE 1979
“Não nos cansemos de denunciar a idolatria da riqueza, que faz consistir a grandeza da pessoa humana no ter e esquece que a verdadeira grandeza é ser. A pessoa humana não vale pelo que tem, mas pelo que é e faz. 4 DE NOVEMBRO DE 1979
“Devemos buscar o menino Jesus, não nas imagens bonitas de nossos presépios. Devemos buscá-lo entre as crianças desnutridas que foram dormir esta noite sem ter o que comer, entre os pobres vendedores de jornal que dormiram muito mal.” 24 DE DEZEMBRO DE 1979
“Que maravilha será o dia em que uma sociedade nova, em vez de armazenar e guardar egoisticamente, se partilhe, se reparta e se alegrem todos, porque todos nos sentimos filhos do mesmo Deus! Que outra coisa quer a palavra de Deus neste ambiente salvadorinho senão a conversão de todos para que nos sintamos irmãos?!!!” 27 DE JANEIRO DE 1980
“Não é um prestígio para a Igreja estar bem com os poderosos. Prestígio para a igreja é sentir que os pobres a sentem como sendo sua, sentir que a igreja vive uma dimensão na terra, chamando todos, também os ricos, à conversão e à salvação a a partir do mundo dos pobres, porque eles são unicamente os bem-aventurados.” 17 DE FEVEREIRO DE 1980
“Tenho estado ameaçado de morte frequentemente. Tenho que dizer-lhes que como cristão não acredito na morte, mas na ressurreição: se me matam, ressuscitarei no povo salvadorenho. Digo isso sem nenhuma vanglória, mas com grande humildade. Como pastor, estou obrigado, por mandato divino, a dar minha vida por aqueles que amo, que são todos os salvadorenhos, inclusive por aqueles que vão assassinar-me. Se chegarem a cumprir as ameaças, desde já ofereço a Deus meu sangue pela redenção e pela ressurreição de El Salvador. O martírio é uma graça de Deus, que não creio merecer. Porém se Deus aceita o sacrifício de minha vida, que meu sangue seja semente de liberdade e sinal que a esperança se torna realidade. Minha morte, se aceita por deus, seja para a libertação do meu povo e como testemunho de esperança no futuro. Vocês podem dizer, se chegarem a me matar, que perdôo e bendigo aqueles que me matarem. Desta maneira se convencerão que perdem seu tempo. Um arcebispo morrerá, porém a igreja de Deus, que é o povo, nunca perecerá.” MARÇO DE 1980
“O Reino já está misteriosamente presente na nossa terra; Quando vier o Senhor, se consumará sua perfeição". Esta é a esperança que alenta a nós os cristãos. Sabemos que todo esforço para melhorar a sociedade, sobretudo quando está tão metida na injustiça e no pecado, é um esforço que Deus bendiz, que Deus quer, que Deus exige de nós.” 24 DE MARÇO DE 1980
Dom Oscar Romero bradou aos militares que estavam assassinando o povo: “Parem de matar! Vocês não estão obrigados a obedecer a ordens de superiores, ordens que são contrárias à ordem de Deus, que diz “Não matarás!”
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